segunda-feira, 30 de abril de 2012

GREVES E O SC SAÚDE REVELAM

Diariamente vê-se na imprensa reclamações dos funcionários públicos do Estado quanto aos descontos em folha do plano de saúde SC Saúde sem que tenham disponíveis médicos, exames etc, como gostariam.  Há limites nessa reclamação. Não é de toda justa. Essa discussão tem mais a revelar.

Primeiro, a adesão ao plano pode ser cancelada. Nenhum funcionário está obrigado a manter-se. Todos podem optar por outro plano qualquer. Além disso, podem não querer nenhum. Temos o SUS. Evidentemente, que o plano é ruim para quem não encontrou a especialidade que desejava. Também ocorre o mesmo com quem tem Unimed, por exemplo, quando tem consulta agendada para muitos dias depois de quem paga em dinheiro. A opção é do médico, mesmo que imoral, atender ou não pelo plano, assim como dar prioridade para quem paga em dinheiro, haja vista a remuneração dos planos ser menor que os 150 ou 200 reais de uma consulta particular. Já que aceitou atender que use de decência. Ninguém fica satisfeito com o mínimo obstáculo diante de sua doença, ou de um dos seus entes.

Segundo, estamos diante de uma queda de braço entre governo e servidor. E o que a sociedade tem a ver com isso. Provavelmente nada, a não ser a conta. Mas tomam espaço da imprensa. Essa briga é exatamente a mesma se uma empresa privada não cumprir com um acordo com seus funcionários. Porém, tem o Ministério do Trabalho e sindicatos no meio. No caso dos servidores temos um ingrediente tácito: são pessoas mais frágeis que os demais trabalhadores da iniciativa privada. Sim, da forma como falam é isso, são frágeis, indefesos, sofredores e injustiçados mais que qualquer outro.

Terceiro, ninguém é obrigado a nada. A recorrente reclamação confronta com o apego que têm pelo emprego. Claro que cada categoria tem todo o direito de brigar por melhorias. Mas há limites. O que se espera é que respeitem quem não está no servido público. Estão em muito melhor condição e é preciso ser grato por isso, no mínimo.

Quarto, não há nenhum movimento, um sequer, que busque premiar os melhores. Tudo o que se vê é uma briga pela categoria. É evidente que existem servidores jogados nas cordas, nas tetas das indicações e apadrinhamentos políticos, que se servem das filiações para usufruírem de indicações. Não vemos uma briga por mérito ou pela exaltação das excelências. Os servidores deveriam lutar por isso, antes mesmo dos demais benefícios. Seria uma demonstração clara de apego pelo trabalho, que é ser servidor público. Pelo contrário, cada vez mais pressão para cima dos governos para que deem mais e mais.

Quinto, o servidor entra sabendo da remuneração e das condições de trabalho. Essas condições são muito boas, haja vista a correria atrás dos concursos públicos que se vê. Alguém já viu concurso em que tenha menos inscritos que vagas? Pois é. No caso dos professores há o ingrediente das agressões dos alunos, coisa tensa. Mas nunca será mais tenso que a vida de um caminhoneiro ou de um policial. Todas as profissões tem seu estresse, seus riscos, seus desafios e barreiras.

Enfim, observem como a coisa rola dentro das repartições com todo o tipo de jogo sujo da política. Lamento que os bons não tenham forças para colocar para a sociedade a podridão do serviço público que vai muito além dos políticos. Um exemplo: não há como um político fazer maracutaias sem a participação de um concursado. De forma passiva ou ativa os servidores estão envolvidos! Sem uma atitude objetiva de limpeza de dentro para fora, vê-los berrando somente para seus próprios benefícios, beira o melancólico.

Servidores, limpem a sua própria casa, livrando-se dos maus!



sábado, 28 de abril de 2012

BRECHAS QUE O STF NÃO FECHOU

A discussão sobre cotas não acabou com a decisão do Supremo Tribunal Federal. Esta semana os ministros seguiram o voto do relator do caso iniciado pelo Democratas, ministro Ricardo Lewandowski. Na sessão o relator afirmou que as políticas de ação afirmativa adotadas pela UnB estabelecem um ambiente acadêmico plural e diversificado, e têm o objetivo de superar distorções sociais historicamente consolidadas. Todos seguiram o raciocínio da reparação pela escravidão de negros no Brasil. Mas a decisão poria fim à discussão? Não, porque fica em aberto a questão da descendência propriamente dita. O critério é apenas a cor da pele?

Seguem algumas questões que me parecem bem abertas, brechas que a decisão do STF não fechou.

1. Quem é o afrodescendente e qual seria a proporção dessa descendência?

Já que o Supremo Tribunal Federal deu ''sim'' às cotas raciais sugiro que o governo banque teste de DNA para quem queira usufruir do benefício. Não bastaria ter a pele escura, mas ser 51% afrodescendente, por exemplo? Porque eu tenho um cadinho de negro e sou branquíssimo. Ter meio por cento de negro no sangue me torna definitivamente um afrodescendente, da mesma maneira que descendente de ameríndios e arianos. Em sendo o sexo o ápice da intimidade a miscigenação por si só seria o suficiente para eliminar as cotas. Ou seja, em se tratando de Brasil quem ficaria de fora das cotas? Talvez uma pequena parte dos moradores de Prudentópolis (PR), onde 70% são descendentes diretos de ucranianos e mais meia dúzia dentre o pessoal de Nova Veneza (SC).

2. A árvore genealógica pode ser diversa e distinta da escravidão.
  • E se o cara é nascido no Brasil, de mãe branca, mas de pai negro nascido em Angola (que andam por aqui há décadas), tem direito à cota?
  • Ou se é descendente de negro que chegou aqui depois da escravidão, depois de 1888?
  • E se for descendente de negros livres, que ganharam terras e posses de seus antigos donos? Coisa observada desde o século XVIII.
  • E se foram escravos de negros? Ora, é sabido que negros livres compravam negros escravos. Então, a conta dessa escravidão seria cobrada dos próprios negros.
  • E se for descendente de negros livres que chegaram aqui como monarcas, com todas as pompas? Sim, isso ocorreu antes de 1888, vindos de países que ''exportavam'' negros. Eram ricos e, portanto, foram recebidos com distinção.
  • A distinção entre brancos e negros aqui no Sul, é outra diferença. Chegados aqui às portas da Lei Áurea e mesmo depois dela, trouxeram reservas étnicas em relação às demais, não somente quanto aos negros. Isso está claro na região de Criciúma, onde italianos casavam-se com italianos e poloneses com poloneses. Isso perdurou até meados do século passado. Essa postura sugere outra situação que não a desvantagem do negro por ser negro.
Não seria do sujeito mostrar de onde veio sua negritude? Se é reparação pela escravidão no Brasil é óbvio que ele deveria provar que seus antepassados passaram pela escravidão e essa condição os tornou desfavorecidos, já que temos negros em excelentes condições de vida hoje no Brasil. A condição de sucesso material de negros atualmente quebrou o vínculo com o passado. Ainda mais porque há brancos em desvantagem social. Os alforrados que ganharam as benesses de seus donos têm em sua descendência gente em iguais condições que brancos, mesmo à época da escravidão. Afinal, dinheiro compra até respeito.

A escravidão no Brasil não tem sua origem na raça, mas na disponibilidade de mercado no final do século XV, início do XVI. Quando os portugueses chegaram à costa oeste da África encontraram um mercado milenar de pessoas. Tudo pronto. Nem precisavam 'caçar', apenas ancorar o navio. Evidente que este fato num de perto foi apreciado pelos ministros do Supremo. Porém, as considerações que fiz remetem à classificação dos que têm direito às cotas. Deixemos a discussão delas para irmos à prática, em como estabelecer o que a Lei classifica como ''regulamentação''.

Isso em muito me interessa, porque minha neta, três anos, branquinha, olhos verdes, cabelos castanhos claros, tem uma bisavó e uma avó negras.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

MOSTRAR O ERRO É ERRADO?

Hoje fiz a publicação de imagem da multa em que aparece um servidor da Prefeitura de Içara acima da velocidade permitida flagrado pela lombada eletrônica. As opiniões foram diversas sobre o caso. Soma-se a isso a decisão manifestada do servidor em me processar. Há ainda o fato da imagem sair do Departamento de Trânsito. Ressalto que não citei o nome do rapaz, tampouco teci qualquer comentário depreciativo à sua pessoa.

O caso acaba por ter várias facetas que pretendo analisar com o leitor, como segue. Mas primeiro a imagem postada no Facebook (cobri o rosto porque é óbvio que não há de minha parte interesse algum em providenciar mais um material para o processo que devo enfrentar):



Ele estava com veículo oficial fora do horário de trabalho. O fato do horário não significa necessariamente um problema, haja vista que o serviço público, assim como o privado, impõe vez ou outra ir além da carga horária estabelecida. Para definir como ilícito seria necessário atestar que não estava em serviço à época, coisa que não o fiz (ainda). Também não está claro se poderia estar ao volante, se havia autorização superior por escrito ou foi apenas um "corre lá e pega tal coisa" às pressas. As circunstâncias podem facilmente levar à improbidade administrativa. Ou seja, qualquer um pode pegar um carro oficial?

Haveria um ilícito em vazar o documento do órgão público? É possível. De qualquer forma está, ao meu ver, o interesse público acima do interesse do infrator.

Na condição de servidor a publicidade da imagem está amparada no interesse público, como a jurisprudência atesta. Esse interesse público se dá no próprio uso do bem público, portanto, da necessidade de que seja utilizado dentro das prerrogativas legais e do fato de ele ser servidor público, supostamente em serviço. Negado o serviço a coisa fica ainda pior.

A multa em si não é o problema porque o erário público não seria onerado, cabendo a ele pagar a infração, como disse ter feito. Porém, o caso remete ao risco iminente, pois a lombada está em local que sugere, a bem da segurança de terceiros, a baixa velocidade, no caso com limite máximo de 40 km/h. Ele passou a 53 km/h. Em sendo assim, colocou em risco o patrimônio público mantido com o labor dos contribuintes e, para os quais, deve satisfação. Cabe ressaltar que, em cometendo tal ato, outros tantos também poderiam ser cometidos de igual comprometimento. Essa satisfação à sociedade só ocorre agora, vindo o fato a público. Apesar que em suas postagens não demonstrou qualquer humildade.

A alusão de alguns que a postagem atenderia interesse político partidário dos que estão alijados do poder, mesmo que verdadeira não desmerece a denúncia. O sujeito filiado a partido de oposição ao que está no poder continua cidadão e com direitos e deveres. Além disso, é da democracia que opositores se fiscalizem mutuamente e, na guerra por ocupar a cadeira de prefeito, cada grupo sirva de cerceador do outro. Em não havendo essas forças o ilícito ficaria de rédeas soltas justamente porque não há fiscalização da Justiça. Esta precisa da provocação dos interessados para exercer seu papel.

Outro fato alarmante que a postagem, mais uma vez, trouxe à tona diz respeito à consciência da população sobre um fato tido, por muitos, como irrelevante. Afinal, quem nunca tomou uma multa? O tomar uma multa passou a ser corriqueiro, sem importância, coisa que não remete à constrangimento algum. Para demonstrar isso transcrevo algumas das manifestações:

Isso não pode ser divulgado assim...ainda mais com o gajo dando as caras deste jeito. Infração foi feita, mas erro gravissimo foi ter posto isto divulgado na net, não?
Leo Cassetari até então não vi nada de errado. Ps. quem é o cidadão multado?
quem ja foi motorista da prefeitura e nunca levou multa, que atire a primeira pedra
É só uma multa gente!
é verdade cara, não podem botar assim sem nada na cara do diego.. ele não autorizou nada
que falta de serviço gente! vão cuidar da vida de vcs, todos que dirigem estão sujeitos a multa! que povinho medíocre
Fagner Maximo Silveira galera.... ano politico é assim... até a multa que deveria vir com a foto embaçada... alguem la do detran de alguma maneira deixou a mesma exposta... lembrando que a cada segundo alguem é multado... ninguem é perfeito... se foi divulgado apenas que sirva de exemplo para que não se cometa mais a infração, ainda mais sendo de um orgão publico.
Levar uma multa no trânsito é normal, agora colocar uma imagem dessa, sem autorização no facebook para mim é falta de caráter!
começou a sair faisca kkkkkkkkkkkk, certo de q o Diego Dos Santosé funcionário público é injusto vcs ficar julgando el
A multa foi aplicada a pena foi cumprida o motorista estava com a carteira em dia o carro com seus documentos em dia, aonde esta o erro? Agora tem de ser apurado como esta foto foi postada assim, pois isso deveria ser de posse somente do Detran de SC.
Danos morais na certa.
coisa de gente que nao tem pra fazer....
  • todos os dias milhoes de pessoas levam multa...
  • é a coisa mais normal q existe...
  • se todo mal fosse uma multa o mundo nao teria problemas..
    vão trabalha!
    gente passando fome e todo mundo falando de uma simples multa parabens ai pra vcs tudo!
    Na verdade ele está realmente todo errado...sem cinto,acima da velocidade permitida do local e,segundo comentaram anteriormente,dirigindo um carro de uso exclusivo do prefeito. Mas o que me incomoda é o fato de as pessoas tentarem utilizar isso pra jogar o povo contra a atual administração,sendo que a outra fazia coisas piores...Daí ficam as perguntas: Por que essas mesmas pessoas não denunciavam coisas da outra administração em meios de comunicação? Será que iriam denunciar esse mesmo tipo de coisa se fossem praticadas por algum conhecido deles ou aliado político? 
    Não sou contra a denúncia de qualquer coisa ilícita,desde que seja feita contra qualquer um que desrespeitar as leis.

Por fim, seria eu o errado em mostrar delito de um servidor público? Parece que sim. Em sua defesa o motorista disse: "QUERO PARABENIZAR O ANDRÉ ROLDÃO, É ISSO? PELA SUA IMENSA INFELICIDADE NO POST DESTA FOTO E ESCLARECER A QUEM LHE ENTERESSA QUE ESTA MULTA DO ANO PASSADO PASSOU PELOS TRAMITES LEGAIS, ONDE RESPONDI PELO ATO. SE VOCÊ MORA EM IÇARA E AMA A CIDADE COMO EU, CONSTRUA SUAS OPNIÃO COM IDÉIAS E AÇÕES PARA O BEM DA CIDADE, NÃO TENTANDO DENEGRIR A IMAGEM DE ALGUÉM. VOCÊ SE MOSTROU BAIXO E EU SÓ VIM AQUI RESPONDER, MESMO CONTRA ORIENTAÇÃO DOS MEUS ADVOGADOS, EM CONSIDERAÇÃO A MINHA FAMÍLIA, MEUS AMIGOS E AO GOVERNO MUNICIPAL. LAMENTO QUE O USO DESTA FERRAMENTA TÃO IMPORTANTE ESTEJA SENDO USADA PARA ESTES FINS. MINHAS MEDIDAS JÁ FORAM TOMADAS E NOS ENCONTRAMOS CARA A CARA EM UM LOCAL MAIS JUDICIAL QUE ESTE."

Julguem os senhores!

sábado, 21 de abril de 2012

PROPÓSITO NA VIDA OU DA VIDA?

Há um propósito ou missão na vida? Qual diferença haveria entre propósito 'da vida' e 'na vida'?
Segundo posso pensar, propósito 'da vida' seria uma razão ou missão para a existência e 'na vida' seria o rumo que o sujeito quer dar à sua existência. Sendo essa razoável e aquela instintiva, animal. Quando vejo alguém dizendo que temos um propósito na vida noto, geralmente, uma confusão nas palavras. Mesmo não fazendo qualquer sentido as pessoas insistem em querer dar razão pré-existente à si mesmas. Provavelmente como forma de não cair num vazio.

Muito bem. Se houve um propósito pré-existente seria dado, ou pelos progenitores, "quero ter um filho para que ele seja isso ou aquilo, ou por causa disso ou daquilo", coisa estranha; ou, Deus te fez vir à esta vida para ser isso ou aquilo ou para fazer isso ou aquilo. Se Deus te fez vir estamos diante de vários problemas. Um deles é que não houve isso para outros e você seria um privilegiado. Como supor que uma mãe decida pelo aborto? Ela tem o livre arbítrio, mas poria fim ao desejo do Criador. Diante disso o poder humano estaria acima do Divino. O mesmo vale para mortes de gentes em tenra idade. Parece-me óbvio que Deus não poderia ter sua vontade interrompida por quem quer que seja, sob qualquer argumento. Além disso, quem recebeu os desígnios divinos num documento? Se isso for verdade é de tal forma subjetivo que nada garante que o que você entendeu é de fato o que deverias entender. Além disso, ter uma missão contraria o livre arbítrio, exceto se eu mesmo assim o desejar.

Nossa existência resume-se aos instintos. Você e eu existimos porque nossos pais seguiram o instinto de procriação e para darmos seguimento à nossa espécie. Nada mais.

Dar um sentido à existência é um desejo pessoal, influenciado pelo meio através das mais variadas experiências. Por este aspecto nossa capacidade de decidir é, de certa forma, coletiva. Decidimos por causa do que a sociedade, incluso a família, nos proporciona e pelas oportunidades dispostas. Sendo assim, ninguém seria um técnico em computadores sem que eles existissem. Ninguém seria um jogador de futebol sem a invenção dessa modalidade esportiva. Ninguém seria um alpinista conhecendo apenas o Saara sem doutros mundos ter consciência. Óbvio! Sem acesso, sem opção.

A vida não é a coisa incrível de que alguns falam. Infelizmente!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MARIDOS INSEGUROS, HOMENS VIOLENTOS

O mundo mudou. E mudou em tantos sentidos que ficamos perdidos na maioria das vezes. Alguns falam de valores do passado como sendo melhores, mas em se tratando de relacionamentos creio que não é bem assim. Tampouco podemos considerar que todas as mudanças são boas e que o que se perde é ruim. Tenho como certo que sempre lidaremos com as limitações da legalidade e dos costumes, que mudam de local para local, de idade para idade, de ápoca para época. Nesse contexto estão as mulheres que não dependem de homem, que são firmes, que não toleram o mínimo de maus-tratos e impõe uma condição de igualdade em seus relacionamentos afetivos. Um dos resultados, infelizmente, é estarem sós tal a postura dominadora que alguns insistem em manter.

Ao longo de minha vida vi claramente o quanto as mulheres precisavam de liberdade. Se há exageros faz parte da adaptação a novos conceitos que são assimilados com os filtros da atitude pessoal. Nesse contexto o fato é que os homens, alguns pelo menos, não percebem que o pior dos caminhos é o controle. Agem como se as mulheres fossem suas propriedades. Insegurança pura!

É impressionante como um homem pode supor que, mantendo sua mulher sob controle, cerceando sua liberdade, está agindo corretamente. Seria de supor que ela manterá seu desejo por ele? Pelo testemunho que tenho recebido das mulheres, de profissionais ligados a este assunto e leitura de blogs relacionados, é certo que esses tais serão traídos. Suas mulheres, suas posses, terão relacionamentos paralelos porque se sentem sufocadas. Há casos que nem chegam a ser fruto de uma atitude de dominação, mas do simples fato de suas mulheres não terem seus desejos sexuais atendidos, como demonstrado claramente neste blog na postagem Um Texto Honesto de Uma Mulher Sobre Traição.

Afinal, o que esses tais têm na cabeça? Com certeza não ponderam sobre seus atos, não analisam seu próprio comportamento e, principalmente, não ouvem suas companheiras. Não são capazes de, sequer, conversar sobre esses assunto. Nas mais das vezes fazem alguma referência aos seus amigos que certamente pensam da mesma forma. E qual a saída?

Se o homem não buscar ajuda não sairá dessa postura ruim a si mesmo e à sua família. Ele tem que correr o risco de perder para a concorrência. Sua vida não está presa àquela pessoa, poderá conquistar outra. Evidente que tem medo de não ser capaz de conquistar outra, mas é um preço que tem que pagar. Alguns ressentem-se de não homens suficientemente viris e assim por diante.

Estas mesmas situações valem para as mulheres. Porém, há o ingrediente da agressão física e da coerção pela ameaça da violência. Recentemente uma senhora me disse que perdeu o interesse no seu marido, mas ele disse que tem uma arma! Certa vez, desabafando com um tio sobre meus problemas conjugais ele me disse para dar uma surra na minha esposa. Interessante é que ele era e ainda é religioso ao extremo. Nem a fé em Deus é capaz de alterar esse ímpeto de "macho". As agressões e mortes de mulheres são inimagináveis. Somente o abandono do lar, às pressas, para lugar ignorado, é a solução para muitas delas. E creio firmemente que cabe às próprias mulheres unirem-se para dar apoio para estes casos. Não vejo como o poder público atender à demanda.

Seria essa união possível? Depende delas.

A Lei Maria da Penha não resolve porque é punitiva. Tampouco mete medo nos homens violentos porque, justamente, usam da coerção, da ameaça e veem suas mulheres acoadas. As denúncias aumentaram, mas os números da violência não diminuíram.

Em matéria no dia oito de março o portal ClicAtribuna diz sobre Criciúma: "A cada dia, a Delegacia de Proteção à Mulher, Criança Adolescente e Idoso recebe de 20 a 30 denúncias de violência contra mulheres. Esse número ainda é referente à minoria das vítimas que procuram a polícia. Algumas delas só vão prestar queixa depois de décadas de sofrimento. (...) Em 2011, foram instaurados cerca de 400 inquéritos referentes a violência contra mulher."

E por que os homens não mudariam? Pessoalmente, não conto com isso. É possível. Contudo, é coisa de várias gerações e, confesso, desconheço trabalho nesse sentido com os garotos que possa reverter esse caso endêmico.

Como disse: depende delas!

sábado, 14 de abril de 2012

PLANO DIRETOR DE CRICIÚMA

Eu imagino que Plano Diretor seja como a compra de um carro, o cliente é o Delegado e o engenheiro, o arquiteto/urbanista.

Muito bem, o cliente pede tal cor e potência, diz qual sua necessidade de uso, capacidade de carga etc. O engenheiro analisa tudo e diz mais ou menos assim: a cor que queres não tem pronta no mercado, pode ser feita, mas sairá com maior valor. Essa potência e uso exige esse tipo de pneu, mas o sr. terá que optar por melhor desempenho na chuva ou não. Se o sr. excluir esse item ganhará espaço ali e pode colocar tal equipamento acolá. E assim vai... Por isso não existe um carro com todos os benefícios gerados pela tecnologia.

Para termos alguma ideia do que estamos falando em termos de Plano Diretor de Criciúma (dados de 2009): 2.764 ruas, 70% delas com 12 metros de caixa (dá apenas para um lado de estacionamento) e 8,4 mil lotes vazios; o município tem 237 quilômetros quadrados e 75% de sua área é urbana; sua densidade populacional é a 5ª maior do Estado com 816 habitantes por Km² (Florianópolis 627 hab/km² e São José 1.346 hab/km²); seu território está abaixo da média do Estado; o atual Plano Diretor é mais restritivo que o de Curitiba, por exemplo, H/5 aqui e H/6 lá (H=área).

Não cabe ao Delegado do PD dizer como as coisas serão tecnicamente. Isso é do arquiteto/urbanista. A definição de taxa de sombreamento, análise de escoamento de veículos, acesso aos equipamentos públicos e a criação de novos, as restrições impostas pelas minas de carvão, áreas para empresas potencialmente poluidoras são exemplos de amarrações que precisam cruzarem-se umas com as outras e com a proposta de cidade desejada. Cabe ao Delegado dar a ideia geral e alguns aspectos da cidade que ele deseja para o futuro, quais problemas quer resolver, que necessidades tem hoje etc. Os técnicos analisarão cada item e a repercussão de cada um em si e sobre os demais itens arrolados e ainda aqueles que o Delegado nem faz ideia, além de mostrar soluções e iniciativas doutras cidades etc. Não coincidem o que se conhece da cidade com o que os números revelam.

Da mesma forma como quem compra um carro não conhece todas as opções de mercado que correspondem à sua necessidade, tampouco poderá exigir que tudo seja exatamente como ele quer. Alguma coisa não será possível ser atendida. É assim quando se vai construir uma casa. O arquiteto levantará informações que o contratante nem faz ideia. Não cabe ao proprietário determinar as plantas hidráulica e elétrica, quais tubos e canos são melhores. O morador limitar-se-á ao uso da água e da eletricidade, peças da casa e seu entorno.

Mas em Criciúma um cidadão comum quer determinar cota e recuo, por exemplo, quer garantir que não tenha um prédio fazendo sombra em sua casa, sem se ater às implicações disso. Quer que a cidade seja 'mais humanizada' sem levar em conta que cada cidadão trará consigo sua família, carro, trabalho, diversão... Saber e dimensionar não são a mesma coisa. Ora, quando exigimos mais espaço para a bicicleta menos espaço para os carros haverá, já que, dificilmente as ruas mudarão. Ou poderão ser mudados apenas algumas. Não há como mudar cada item sem afetar outros tantos. E isso é coisa para estudos e mais estudos para os quais um presidente de associação de bairros não tem condição alguma de lidar.

Como os Delegados deixaram claro que o que vem das empresas de construção civil é criminoso, que rico tem que ceder ao pobre, que casa é melhor que apartamento... Não há, como querem alguns, um PD perfeito porque a cidade é dinâmica, novos problemas surgirão para serem resolvidos. Enfim, claro que daria em 12 anos de emperramento!!!

A cidade tem que crescer pra cima. Mesmo não sendo do agrado da maioria é em apartamento que temos que morar (eu não gosto da ideia de morar em apartamento). A conta é simplérrima: pegue cada apartamento e coloque ao lado um do outro e veja quanta terra será necessária. Além disso, os serviços e comércio ficam mais concentrados, facilita os negócios e o próprio acesso da clientela. Sem essa verticalização teremos menos áreas de lazer, menos espaço para a indústria e agricultura, menos áreas verdes e por aí vai.

Caso você queira ler o Plano Diretor, que duvido que os Delegados tenham feito, é bom saber: são 500 páginas, 29 mapas, nove tabelas, 58 anexos e 26 apêndices. Tudo em oito capítulos.

SOMOS ALIENADOS

O que vem a ser um alienado? Suponho que pelo uso deveríamos saber. Mas pelo contexto fica claro que a vasta maioria, pelo menos, não sabe usar a palavra. Em sendo assim as discussões e, principalmente, as acusações se perdem num vazio aterrador. Os embates de ideias geralmente esbarram num dizendo de outro: "você é um alienado." E se o sujeito não sabe o que isso significa como o restante da conversa poderá ter sentido? O uso recorrente define uma pessoa que deliberadamente não aceita um determinado pensamento ou só defende um tipo de postura ou ideia.

Muito bem. Alienar é dar a outro sua posse. Isso em linhas gerais. O termo é muito usado em financiamento de bens. Enquanto as prestações não estiverem quitadas o bem estará alienado, pertencerá, por assim dizer, ao banco ou financiadora. Não é totalmente de um ou de outro. Porém, o bem será retirado do adquirente em caso de inadimplência para quitar o saldo, através de leilões. No mundo das ideias é muito semelhante.

O que ocorre é a posse da mente, ou dos pensamentos, por uma ideia pronta. Todo o religioso, ateu, partidário, ideológico, torcedor é um alienado. Isso não é necessariamente ruim. O sujeito entrega a outro seus pensamentos e passa a reproduzir o que foi formatado independente de sua vontade ou de quem quer que seja.

Pode ser uma construção social, algo que sofreu mutações pela sociedade na medida em que a vida transcorreu. Nesse particular vê-se o que se conhece por preconceito. Um dos exemplos foi a gravidez de menina solteira que, de vergonha para a família, tornou-se comum e nem é mais o caso de perturbar as consciências, mas os bolsos e a uma suposta carreira profissional. Tanto no passado, quanto agora, há uma alienação de quem segue conforme o senso comum.

Aliás, poucas coisas são tão alienantes quanto o chamado senso comum. Isso tem extremo poder porque é da natureza humana seguir a maioria, imitar comportamentos e coisas do gênero.

O grande problema é que não é percebido que tal situação é excludente. Quando alieno meus pensamentos a um sistema excluo outros. Mais profundamente deixo de absorver o que os demais têm de bom e, num caso ainda mais extremo, nego o direito do outro de existir. Ora, um cristão rejeita um islamismo como opção religiosa e contra ele atua, faz pregações, busca tirar seguidores - é uma legítima guerra. Da mesma forma na política.

Na minha avaliação não é possível existir alguém que não seja alienado de uma ou de outra forma, com maior ou menor intensidade de um lado ou de outro. Nesse sentido está na liberdade individual escolher suas influências. O frustrante é saber que poucos têm noção disso e seguem suas vidas como se fossem absolutamente autônomos.

sábado, 7 de abril de 2012

A VERDADE SOBRE A VERDADE

Muito interessante quem diz que há quem se sinta o dono da verdade. Ora, ora, ora... E quem não se sente? Ao assumir uma posição e defende-la todos estão como donos daquilo que professam. Por outro lado, tem que ser muito tolo para achar que a Verdade estaria dependente de pontos de vista. É por isso que defendo a inexistência da Verdade, já que tudo é uma questão de ponto de vista. Penso, logo crio uma verdade para mim! E dela sou dono.

Esses tais que dizem dos outros aquilo que são, não passam de gente tão profunda quanto um pires. Vivem de arrazoar o óbvio e de se defender com clichês idiotas, tais como: "cada um tem sua opinião", "fé é uma coisa pessoal" e outras tantas mentiras que ajudam a aplacar seus medos de encarar algo mais profundo. Sim, mentem descaradamente a si mesmos. E qual seria o mal disso? Todo! Quando não avalio meus conceitos que mais posso ser que um imbecil que anda por aí achando-se correto? Mais das vezes não sabe que não passa, como eu, de um sujeitinho perdido na vida. Quem só sabe de uma mentira como saberá pensar sobre ela? Mentirá convictamente como se vê aos montes. Em estando perdido, com a consciência fervilhando de merdas existenciais, cria ou se apropria de pratos prontos.

Vou dizer o que me parece a Verdade. Sem a arrogância do título.

A Verdade é que não há verdade alguma senão as Leis naturais, como a Gravidade, por exemplo. Além de coisas das quais não podemos nos livrar há aquelas que nos perseguem, como a gravidez de uma mulher que não se cuida - pode ser que engravide! Além disso, há as leis de convivência que são sempre parcialmente boas. Aliás, uma das frases mais idiotas que conheço é "a liberdade de um termina quando começa a do outro". Ora, o segundo leva absoluta vantagem sobre o primeiro. Liberdade não começa nem termina, ela existe ou não. Pode existir para uma coisa, sem existir para outra no mesmo ser. Além disso, ter liberdade não significa realizar isso ou aquilo. O que deveras há de ser preservada é a condição do "não-crime" de um sobre o outro. Exemplo simples seria tomar o que não me pertence. Sou livre para isso!

Somos e estamos perdidos. E a única razão é porque pensamos. Já viste a alegria de um deficiente mental? Ele nada sabe, apenas sente algumas coisas, e por isso ri. A razão nos perturba. Nada além disso!

Durante toda a história da humanidade a opressão veio da aliança entre convicção e força bélica. Nada mais, nada menos! Por isso o receio que tenho das ideologias e das religiões, das pessoas que querem mudar o mundo para melhor. Fuja de tais pessoas, são vermes que buscam poder pelo poder ou, como é o caso dos românticos, não dimensionam o que estão dizendo. Desejar um mundo melhor sempre (a palavra é essa mesmo: sempre) está dissociada da complexidade da vida em sociedade.

Bem, se entendo que minha verdade é tão forte quanto um barquinho de papel na água, da mesma forma entenderei as verdades do outro. Obviamente parece paradoxal. Ora, o que fiz até agora senão ditar o que seja a verdade?

As "verdades" existenciais são tão somente remendos para nos acalmar diante da infalível verdade da morte biológica, a qual pode ser o fim de tudo. Eu disse "pode ser."

OS OLHOS ENGANAM

O que ronda a tua cabeça? As postagens, sejam no Facebook, sejam no Twitter, revelam muito do que se pensa, senão tudo. Quais papo te atraem, quais te dão repulsa e quais simplesmente não te interessam?

Fiz uns cálculos em cima das minhas postagens no Facebook, as quais saem automaticamente no Twitter. Considerando uma semana atípica com a religião em alta como a Páscoa, das 149 postagens, 25 foram sobre religião, o que dá 16,5%. Na semana anterior foram 129 postagens, sendo oito sobre religião, o que dá 6%. Fica a pergunta: eu falo demais sobre religião?

Vale o registro que 93% dos brasileiros professam fé religiosa e por isso o tema deveria ser recorrente e tranquilo. Talvez o mais citado, pois apenas 17% da população é filiada a partidos, por exemplo. E que outro tema seria de apelo tão universal, que fizesse parte da vida dos brasileiros tal como religião? Futebol?

Fiz isso porque o colega de Face César Bússolo, que me excluiu, fez a seguinte postagem: "Gosto muito de tê-lo como amigo aqui nessa rede social pois em vários momentos li e participei de debates interessantes acerca de muitos assuntos relevantes. Só que me causa desconforto a toda hora (de forma genérica) que atualizo o facebook, tem lá uma opinião sua seja sobre religiões, seja sobre Deus, seja sobre pastores ou padres... Respeito sua opinião, suas informações e frases, mas realmente acho que o assunto acaba cansando. Não sei se fazes isso para fomentar discussões ou exaltar os ânimos das pessoas ou se simplesmente para afirmar sua falta de fé. Simplesmente acho que o assunto perde interesse assim como se todo dia recebesse noticia de gente que morre vítima de acidente ou de político corrupto. Diversificar faz parte para se obter leitores e “seguidores” heterogêneos. Grande abraço." Essa ponderação de Bússolo não é a primeira e, creio, não será a última em meu perfil.Há várias razões para a visão ficar turvada e o que vou dizer não se refere diretamente a este amigo, mas é de forma genérica. Uma delas é que o assunto não é interessante para a maiorira das pessoas justamente porque não há uma relação de fato. Afirmam crer em Deus, dizem ser católicos ou evangélicos (2,7% dizem que não são praticantes), ou de outras crenças. É mais ou menos o que fazem os gamers ou os torcedores de futebol, discutem para firmar posição. Muito diferente da ciência.

O fato é que a religião tem uma característica básica: pacote fechado. E os seguidores de cada uma não precisam pensar, pois dominicalmente recebem na bandeja o que deve rondar suas mentes. Assim sendo, qualquer provocação que lhes seja feita fora desse eixo é incompreendida e intolerada.

É comum que, ao fazer uma ponderação sobre os ritos de fé, ou sobre texto sagrados, haja quem relacione isso com o ateísmo. Ou seja, quem questiona a Bíblia, por exemplo, torna-se ateu. Daí a dimensão da capacidade de pensar dos crentes é absolutamente diminuta. Ora, por que não arrazoar sobre a possibilidade de ser um livro humano e não uma revelação de Deus? Isso é demais, inconcebível para os cristãos.

No Brasil, assim como em países tidos como muito religiosos, como os EUA, por exemplo, é ofensivo não professar uma fé. Contudo, basta 10 perguntas sobre a fé (conteúdo) e constata-se que dela poucos sabem. Fiz esse teste várias vezes e é incrível como não sabem, simplesmente não sabem, o que é aquilo que dizem professar.

Enfim, a religião continua forçando o mesmo de sempre: é preciso ser ignorante para ser praticante.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CRIME SEXUAL DAS IGREJAS

Qualquer pessoa sexualmente ativa entenderá perfeitamente o que vou dizer. Mas para os puritanos, que não sabem o que é uma banheira de hidromassagem e um espelho de motel, esse texto vem das profundezas do inferno.


Considero um crime a pregação das igrejas que estimula, e até impõe, a virgindade até o casamento. Várias igrejas, das mais variadas correntes do cristianismo, têm levado seus adeptos, notadamente seus jovens, para que vislumbrem sexo apenas dentro da vida conjugal e esta vida até a morte. Doutra forma incorrem em pecaminosidade tal que podem, em algumas das correntes cristãs, serem afastados do convívio do grupo ou passarem pelo constrangimento de um pedido de perdão em público.

Ora, quem conhece minimamente o sexo sabe que, por mais que sejamos levados ao ato e por mais que mesmo ruim poderá ser bom, é um impulso prazeroso e parcialmente controlável. Nesse contexto há gostos que devem ser levados muito a sério. Podemos combinar ou não no sexo com o cônjuge, como em várias outras coisas da vida. Não raro mulheres e homens desaparecem um da vida do outro logo depois da primeira transa porque simplesmente foi um desastre. São vários aspectos que entram em cena (físicos, de jeito, de desejos e fantasias, de gosto etc) e que podem definir uma vida de prazer ou de extremo sofrimento. Se o sexo não for coisa boa os resultados poderão ser absolutamente desastrosos para a vida de qualquer um.

Imagine-se casado com aquela pessoa que você teve uma relação, que antes do ato era só tesão e que, consumada a transa, passou a não ter a menor graça. Claro que não dá para avaliar em definitivo só por uma noite. Por isso mesmo muito maior razão tenho em afirmar que impor o sexo somente depois do compromisso do casamento é um verdadeiro crime. O casamento, nesse contexto religioso, toma dimensões ainda mais significativas porque esses mesmos pregadores e doutrinadores dão a ele a eternidade da alma e o sentido de pureza ou pecaminosidade atroz. Na religião o casamento não é como na natureza: a união de dois seres em função de seus instintos, necessidade psíquicas e físicas. Na religião o casamento não natural, animal, uma condição da existência em si. Na religião o casamento faz parte da relação com Deus e que pode remeter às bençãos ou maldições. Casamento na religião é coisa muito mais séria que educar os filhos, pois remete à possibilidade de ser, inclusive, descartado por Deus, haja vista a dimensão dada ao sexo extraconjugal ou dos filhos como representação da presença Dele.

O sexo sempre foi alvo de todo o tipo de imposições, de restrições e criminalizações. Já chegou a ser considerado uma verdadeira maldição. Até a ejaculação masculina, não sendo para procriação, foi considerada assassinato. Pois é!

Não raro casados passam a ter uma vida desprovida de alegria quando o assunto é sexo. Isso é óbvio porque ninguém aperta um botão e desliga seus desejos, fantasias e taras. A pressão de desejar e não poder realizar com certeza leva, inclusive, ao uso de psicotrópicos, conforme artigos em revistas especializadas. Sexo reprimido é causa de transtornos psíquicos e emocionais.

A irresponsabilidade, ao meu ver, das igrejas, está em não levar os vários aspectos do ato sexual em consideração. Achar que Deus vai abençoar e tudo se resolverá é de uma infantilidade absurda. Há limites para o diálogo. Em se tratando de sexo muito maiores são os limites porque sexo se resolve com sexo. Evidente que também há limites para o desejo e boa parte dele poderá e deverá ser controlada. Só que esse controle também teu seu limite. Um dia o desejo será forte demais.

As igrejas colocam esses desejos no limite da fidelidade conjugal. Porém, um dia a traição poderá bater à porta (eu disse "poderá") e quem se responsabiliza pelo estrago? O pastor? É necessário, dada a experiência, que os pretendentes ao casamento devam passar pelo sexo antes de firmarem o propósito da construção de uma vida em comum que deverá ser para a toda a vida para os que seguem o cristianismo.

O quê, afinal, tem maior importância: a virgindade ou o casamento em si? É evidente que o casamento, por sua dimensão, tem muito maior importância. E para seu sucesso é preciso saber se haverá um mínimo de convivência na cama.

domingo, 1 de abril de 2012

QUEM QUER UM POVO IDIOTIZADO?

Uma das nossas muitas dificuldades sobre a vida é entendermos, ou aceitarmos, que tudo tem seu lado bom, seu lado ruim, seu lado inócuo, seu lado parcial, seu lado que pode ser bom para um e ruim para outro. Enfim, nada é somente bom, somente ruim ou somente nada. Tudo pode ser usado, ou manipulado, para uma coisa ou outra. Esse conflito, segundo me parece, jamais terá fim. Conceba qualquer coisa e verás esses aspectos em si, inclusive no amor.

O conceito dado pelo apóstolo Paulo, segundo a tradição cristã, é o ápice dessa situação: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha...” (I Coríntios 13:4-8). O texto fala de outros aspectos, mas estes são o suficiente para esta análise.

Quando fala que é “sofredor” dá um impacto gigantesco e negativo à primeira vista. Ou seja, não estaria no amor a alegria ou felicidade. Seria o mesmo que dizer que quem está alegre não está amando. Pelo contexto é possível supor que se refira à empatia. Sofre porque sente a dor do outro ou algo semelhante. As demais características começam a embotar a beleza do que seria o amor conforme algumas circunstâncias recorrentes na história.

Imagine o domínio de um povo sobre o outro. O primeiro não ama porque está invadindo e o segundo não busca a libertação porque ama. Ora, suponhamos que seja o cristianismo dominante e o texto citado seja a “Lei”. Simplesmente sofrerão como cordeirinhos à espera de uma ação diretamente divina, sem qualquer participação humana. Qualquer um que se insurja, que ouse lutar, que queira devolver ao seu povo a condição primeira incorrerá em grave erro. Pecará ao não cumprir a Palavra de Deus.

Não tão agressivo seriam as eleições. Como escolher um novo governante se o voto em contrário a quem já está no poder seria uma insurreição? Ora, se o prefeito foi ruim o amor não buscaria “os seus interesses” e não se irritaria. O cristão, imbuído do respeito e obediência aos preceitos de sua fé, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Além disso, como poderia ir à prefeitura em busca de melhorias no posto de saúde? Diria alguém que isso é válido porque é bem comum. Sim, bem comum, mas seria igualmente de seu interesse e não estaria tudo sofrendo. Vale lembrar que “suportar” neste texto vem suporte, de apoio.

Não seria esse texto contraditório? Não duvido. Mas poderíamos arrazoar que o texto trata do amor, não do ser humano. Ainda mais por dizer que o amor “nunca falha”. Se fosse assim ele estaria sentenciando que o ser humano não seria capaz de amar. Também é possível, mas é óbvio que fala do amor na prática. Em sendo assim se entenderia porque Deus não age diante da injustiça sofrida pelo inocente. Pois Deus “tudo espera”. Esperar, com certeza, torna quem ama um ser passivo, não reage, sequer protesta. Um cristão não poderia, nem ao menos, buscar seus direitos na Justiça humana. É tudo de que o mal precisa para tomar conta.

Outra situação em que há uma dicotomia. Como seria amar assim no trabalho? Impossível. Um colega faz uma falcatrua e o cristão silencia e, conforme, assumiria a culpa. O próprio fato de ter emprego quando outro está desempregado seria descumprimento dessa Lei.

Tem a parte “não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”, só que isso não explica muita coisa. Em sendo tão passivo diante de agressões como seria esse não folgar com a injustiça? Como seria esse alegrar-se com a verdade? Não sei. Ora, dá a impressão que é um mero expectador. Não age, mas deseja a justiça e a verdade. Não vai brigar, mas quer as coisas certinhas. No máximo, diante disso, o amor fica a apreciar as ações de quem não ama. O cara mata e é perdoado? Sim, porque qualquer ação de Justiça implicaria em punição e a punição vai contra o perdão. Para fazer a Justiça agir há que se deixar o amor de lado.

Por fim, há atividades na sociedade impossíveis de serem realizadas com amor: a do policial, do professor, do comerciante... Do policial dispensa comentários. O professor não poderia aplicar reprimendas aos indisciplinados e o comerciante não buscaria lucro e sem lucro não há investimentos etc.

O mundo é o que é pela falta de amor. E o amor, como está posto, tornaria as coisas ainda piores. Não se assuste. Esse papo de amor é uma grande besteira. Não é dele que precisamos porque naturalmente vamos fazer o bem que já fazemos. É na força coerciva do Estado em reprimir os maus comportamentos que nossa vida fica um pouco melhor, nada muito além disso.

Encerrando o babado. Um povo amando como quer o texto Bíblico é tudo de que precisa o Poder. Isso me parece coisa bem humana. Se ainda tem alguém que fica com papo de as pessoas se amarem... Bem, dá dó! Isso não é, nem de longe, praticável e nem é o que faz qualquer diferença. Isso é a perda da ilusão. Os desiludidos, que perderam a ilusão, veem tudo com mais clareza.