quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NÃO ENTENDO O POVO BRASILEIRO

Há algumas ideias que rondam nossas mentes e que a gente nem sempre sabe decifrar. Uma delas era de uma tentativa de entender a mente do nosso povo, o povo brasileiro. Ora sentia sabedoria, ora estupidez, ora isso, ora aquilo. O fato é que não chegava a um consenso, algo que me satisfizesse além de achar, na maioria das vezes, que é um povo medíocre, sem, necessariamente, ser maldoso. Mais para um bobo alegre, que adora pão e circo.

Creio firmemente que o homem é fruto do meio. Todos os mecanismos de sobrevivência nos fazem captar o ambiente para dele obter o máximo de proveito e sobreviver a esse mesmo meio. Nossa fala, habilidades, capacidade de aprendizagem, enfim somos aptos a sermos do meio. Um porco é sujo se criado na lama, mas limpo se criado na limpeza. Mas o gato? Deixa o gato prá lá senão meus argumentos ficam fracos. Somos fruto do meio e pronto.

Criados em meio a um povo tolo, que se autolimita, que não sabe ser alegre fora da festa ou da igreja, que só melhora um pouco seu comportamento quando a Lei está novinha, como ser diferente? Somos fruto desse meio. Com as raras exceções de sempre.

Minha ansiedade se dá porque sou fruto desse meio. Mergulhado na ignorância comecei a ver um pouco mais além da nossa sociedade burra e eis que a angústia só aumentou. Minhas suspeitas estavam se tornando certezas com as palestras do professor Olavo de Carvalho em dezenas de vídeos que acompanhei pelo YouTube. É sim, há além de acidentes, artistas e situações engraçadas no YouTube.
Além disso li um artigo de Diogo Mainardi que me trouxe um pouco de luz: “Quem compreende a mente e o comportamento dos brasileiros é Valdemar Costa Neto. Quem compreende a mente e o comportamento dos brasileiros é a Mulher Melancia. Quem compreende a mente e o comportamento dos brasileiros é Chico Buarque. Eles sabem o que os brasileiros querem. Eu só sei o que os brasileiros repelem. Eles repelem Antonello da Messina e Memling. Eles repelem Pitágoras e Empédocles”. Pois é, agora “caiu a ficha” do porque não tenho qualquer condição de entender o povo brasileiro. Porque não faço parte do grupo mencionado pelo Diogo.

O ruim, aterrador, permanece. Mainardi disse o que repelem, mas o quê os brasileiros precisam? Educação? Não, pois quem quer tem, busca.

Puxa, eis que voltam as dúvidas! Só não se duvida da paixão pelo futebol (circo)!!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GOVERNO INVERTE O PROCESSO PARA MANIPULAR

Uma década? Duas? Um pouco mais talvez essa pressão para que as escolas assumam efetivamente a educação sexual das crianças desde o primário. Do ponto de vista biológico recebemos informações sobre nosso corpo há muito mais tempo, haja vista a lembrança que tenho dos meus anos de escola. Não sei exatamente quando foi introduzido no currículo, dada a “gravidade” do assunto e o domínio do puritanismo que se viu num período não muito distante. O fato é que, nas aulas de biologia ou ciências, o acasalamento entre mamíferos foi tema recorrente.
Porém, isso toma outros contornos, não somente pelos termos usados, mas também pela “normalização” do ato homossexual que vemos. Ora, somos regidos por dois pilares: a autopreservação e a preservação da espécie. Daí ramifica-se todas as nossas relações, inclusive regem os movimentos das populações no mundo em toda a história. A homossexualidade contraria o pilar da preservação da espécie por razões óbvias. Portanto, não há como trata-la como natural. É um desvio, seja por questões genéticas, psicológicas ou sociais. Mas é, sem a menor sombra de dúvidas, um desvio.
A crise que se instalou não está no homossexual, tampouco em se dizer que é normal ou anormal. De um lado as agressões que homossexuais sofrem por sua própria vontade ao se exporem e do outro os homossexuais ao se exporem como sendo absolutamente normal. De toda a forma é na atitude do homossexual a geração desses conflitos. Ora, seu desejo sexual é para si e não para a sociedade. O que se faz na intimidade é para a intimidade, não para a sociedade. A mesma coisa se dá com os casais que praticam o swing etc. Imagine esse grupo fazendo passeata para que seja aceito. Ora, quem está aí para o que um casal faz com o outro num motel?
No caso das escolas há uma determinação claríssima para nossas crianças acharem a homossexualidade normal. Essa tendência parece estar acima da questão do respeito ao diferente. Posso não gostar do diferente e isso não quer dizer que tenha que agredi-lo. Eis uma inversão de valores absurda. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e ninguém vai agredir ninguém cujo comportamento é inexistente. Ou seja, cabe ao homossexual viver sua opção no reservado de sua vida, da mesma forma que um casal hetero usufruirá dos seus prazeres como lhe convier. O foro é íntimo.
No caso dos transexuais a coisa fica complexa porque querem uma mudança física por conta de uma mudança psíquica ocorrida antes. Se o corpo é de um sexo e a cabeça é de outro, por que mudar o físico? Bem, suponho que o tratamento, que existe, seja complexo e demorado e para quem o deseja. Raramente um homossexual opta por ser hetero por convencimento alheio, senão por seus próprios conflitos.
O problema maior está no desejo do Ministério da Educação que os pais submetam seus princípios morais e religiosos ao que o Estado quer. E o que o Estado quer é de interesse de uma minoria. Isso está certo?
Ao Estado cabe propiciar o conhecimento, aos pais cabe dar as diretrizes comportamentais que acharem adequadas, como o costume de ir à igreja nos domingos, por exemplo.
Creio que seja muito mais adequado que os pais passem por esclarecimentos sobre a vida sexual e suas muitas variações, de forma madura, e possam escolher como lidar com isso dentro de casa. E o estado pode fazer isso? Ah, pode sim.
Em mantendo crianças nas escolas por força do Bolsa Família, manterá os pais nas escolas pelo mesmo modelo. Basta dar algum benefício e os pais irão às aulas! Assim trataremos o assunto da forma equilibrada que ele merece. Do contrário vemos uma estratégia grotesca de manipulação para a construção de uma sociedade segundo o desejo de poucos.

A MULHER É INFERIOR AO HOMEM

Tolerar que Deus tenha cometido um erro de planejamento é o cúmulo, o ápice do absurdo. Essa é a impressão que tenho ao ler no Gênesis que Ele decidiu criar a mulher depois que percebeu que os demais animais foram criados aos pares e “não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma ajudadora" (Gn 2.18). Ou seja, no texto a mulher surgiu a partir da necessidade do homem: sua solidão.

Evidente que aparecem as mais incríveis interpretações para justificarem essa tolice. Porém, devemos analisar sob alguns aspectos. Primeiro, não é necessário nenhuma intervenção de Espírito Santo algum para me revelar o sentido do texto porque o texto é a Revelação ("Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça." II Timóteo 3.16). Seria como precisar de alguém para ler o que eu mesmo posso ler, ou seria a própria negação da necessidade de um texto, quando o Espírito poderia revelar diretamente a mim; segundo, é necessário levar em consideração a possibilidade desse texto não ser coisa alguma além de mais uma fantasia humana; terceiro, é evidente a colocação da mulher num patamar inferior ao homem. Deem a explicação que quiserem sobre a "criação" da mulher, como a de que não saiu da cabeça para não mandar e nem dos pés para não ser pisoteada.

Como advinda de Deus a Bíblia não poderia deixar dúvidas, mesmo para o mais cético dos homens. As dúvidas são parte da fragilidade do texto. Alguns seres obtusos chegam a dizer que estamos cegos por nossos pecados ou que temos que ter fé para entendermos, ou, ainda, que é preciso ler espiritualmente. Todas essas opções são de uma grosseria inominável, pois lançam para longe da razão, único caminho que nos resta.

A opção de ser mais uma fantasia humana para explicar um mundo longe do conhecimento científico, como o dá época, é razoável e até legítima. Os humanos precisavam de alguma coisa que dissesse como surgimos e nada mais natural, naquele contexto, que essas “erudições”.

Todas as civilizações colocaram a mulher em submissão. E se houve alguma matriarcal não sobreviveu para contar sua história. Minha dúvida está em que as sociedades se formaram patriarcais pela incapacidade feminina ou se a mulher se submeteu à cultura que foi se formando ao longo do tempo substituindo algo mais igualitário que se perdeu no tempo. O que se sabe é que as culturas mais primitivas começaram a dividir suas atividades por sexo e idade. Algo absolutamente natural. Afinal, num ataque o homem estava mais apto, pelo biótipo, à defesa, por exemplo. E, a partir da força bruta, criou-se a ideia de que o homem manda.

É óbvio que a criação da mulher seria concomitante à do homem ou mesmo a mulher poderia ter vindo primeiro. Muito mais natural, pelo criacionismo, o homem nascer da Eva por fecundação do divino Espírito Santo.

Enfim, se logo no primeiro capítulo a Bíblia começa a engendrar um Deus desse tipo, o que nos resta senão pô-la em descrédito como livro divino?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

MISERICÓRDIA NÃO É JUSTIÇA

Deus é justo? Deus é misericordioso? Há alguma diferença entre ser um e outro ou é possível ser os dois ao mesmo tempo? Vale a pena discutir isso? Vale!

Não encaro o ato de crer (fé) como algo distante da razão. Além de ser nosso único caminho, a razão é nossa grande dádiva. A profusão de caminhos de fé está no abandono da razoabilidade e na necessidade de experiências que fogem ao pensamento objetivo para que não seja preciso pensar.

Sem receio algum entendo que podemos e devemos discutir todo e qualquer assunto que diga respeito à divindade, seja ela qual for. Essa possibilidade me faz pensar se Deus pode ser justo e misericordioso ao mesmo tempo. Bem o senso comum diz que Ele é justo e misericordioso.

Misericórdia é a retribuição contrária aos atos maus. Ou seja, o sujeito mata e nem vai preso porque recebeu esse “presente”. Já a justiça se faz na justa recompensa, seja pelos atos bons, seja pelos atos maus. A justiça divina, em tese, seria a justa retribuição por qualquer ação humana. A dúvida reside em que tempo isso se daria. Além disso, é possível pensar que, em sendo essa justiça atuante em tempo real, imediatamente à agressão, não teríamos a menor necessidade de o homem resolver seus embates. Ou seja, matou, morreu. Ninguém, em momento algum, cometeria o mesmo crime duas vezes. Como isso está muitíssimo longe do que se vê na vida, suponho que a justiça divina atue noutra esfera, doutra forma, num tempo que, honestamente, é um prato cheio para criminosos.

A misericórdia, por sua vez, faz mais sentido. Deus não imputa nossa maldade, mas nós queremos nossa restituição na proporção e medida exatas pelo que fazemos de bom. A misericórdia de Deus, em existindo, tampouco é eterna, pois o caos se instalaria.

Por outro lado, ao usarmos dos nossos sistemas jurídicos estaríamos passando por cima da justiça divina? Com certeza. Se deus não mata imediatamente o que cometeu homicídio é porque esse é seu desejo. Ou se Ele não faz estragar o carro de quem acaba de estourar um caixa eletrônico é porque quer que o cara fuja.

Mais complexo é encaixar essa forma de atuação quando há países que não tem pena de morte contra os que têm. Essa discrepância anula totalmente a possibilidade de Deus se manifestar pela justiça humana, porque ela é extremamente diversa. Caso quisesse fazer sua justiça através da nossa parece óbvio que haveria uniformidade na legislação terrena e uniformidade no acesso a essa justiça. Então, sem querer ser taxativo, mas querendo ser, para que serve a misericórdia divina? Até a gora para nada.

Após nossa passagem pela Terra a justiça de Deus se manifestaria. Isso contraria toda e qualquer atuação dele neste nosso momento terreno. Sim, ou ele atua aqui ou atua lá. Complicado seria encaixar a atuação de deus ora aqui, ora acolá.

Seria capaz de ser justo em alguns momentos, para com algumas pessoas e não para outras? Pode ser. Ora, essa possibilidade seria a admissão da sua atuação, não por um conceito de justiça, mas por um conceito de interesses difusos – sua justiça dependeria de fatores que somente ele é capaz de entender e nos impede de, sequer, dizer que ele é justo tal a nossa ignorância sobre ele e seus interesses em cada caso.

Um Deus atuando com critérios de justiça circunstanciais não combinaria com a noção que formamos: um Deus Justo. Esse ser justo não dependeria de nossa fé nele, ou de expressões de culto. Ele atuaria pelo simples fato de alguém ser vítima de outrem. Caso ele atuasse conforme nossa fé nele seria como um negócio em que se recebe o que se compra. Você crê, você recebe a justiça dele – Você não crê, está dependente da justiça do seu país e se for atrás de utilizá-la, com toda a burocracia pertinente. A fé não poderia ser o critério e nisso eu não tenho a menor dúvida, ou Deus é sectário.

Pior dos piores é explicarem tudo pelo respeito dEle ao live arbítrio. Que coisa nojenta! Um Deus que respeita o livre arbítrio de criminosos não compactua com nossa vontade de justiça. Tampouco, respeita a vontade da vítima em não ser vítima. Enfim, um Deus inútil em nossa vida terrena.

Afinal, há ou não justiça divina? Não sei. E não saber é tão triste quanto dizer que não há. Uma coisa podemos arrazoar: nenhuma religião tem resposta à esta questão e, portanto, não são dignas de serem seguidas.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lexotan no demônio

Possessão demoníaca faz parte do credo cristão desde sempre. Porém, isso me faz ir à numa análise bem simples: como um medicamento pode deter uma manifestação espiritual?

Não poderia deter em hipótese alguma. Afinal, uma força material pode ser contida por uma química qualquer? Somente este raciocínio serviria para encerrar a discussão. Entretanto, o que se vê é a mais ampla e irrestrita aceitação que demônios e espíritos maus se apoderam dos corpos de seres humanos, quase que indiscriminadamente. Os cultos pentecostais são recheados dessas "manifestações" sobre-humanas.

Qualquer pessoa, ao receber uma injeção de calmantes, vai cair no sono. Então vamos imaginar a cena. O vivente está sob domínio maligno, uma equipe de paramédicos é chamada e aplica um tranquilizante. Em seguida o corpo está calminho, dormindo. Porém, eis que espírito do Mal passa a usar o sujeito dando chutes e pontapés, com língua caída para o lado e tudo o mais que se possa imaginar de alguém com o corpo todo mole, andando e dando porradas.

Não há como discutir isso com crentelhos. O que se nota é que, via de regra, os estudiosos atestam que pessoas vitimadas por supostos espíritos são pacientes psiquiátricos. Coincidência? Claro que não. O problema é que, nos argumentos do populacho, os médicos falam isso por ignorância espiritual, por serem ateus, para detratar a fé e coisas do gênero.

Enfim, assumir o óbvio é negar uma das bases do cristianismo e, portanto, negá-lo de fio a pavio. É como puxar um fio e desmanchar a blusa.