sexta-feira, 17 de junho de 2011

POLÍTICO PODE OU NÃO AJUDAR ENTIDADE FILANTRÓPICA?

Burro que sou fui cavar uma discussão tola com gente tola dia desses. Alguém se manifestou dizendo que não ajudaria uma entidade de amparo a crianças em tratamento de câncer porque viu um político ajudando, ou envolvido, e fui absolutamente enfático em condená-la. Fi-lo por conhecer a entidade, sua bandeira e pessoas envolvidas. Tomei as dores para mim. Melhor que eu me indisponha com alguém do que a direção da entidade.

Depois dos ânimos acalmados (até onde pude observar) fiquei ponderando sobre o assunto. Busquei estar errado, busquei reafirmar estar certo. O caso é este: político eleito ou que tenha sido candidato pode ajudar ou se envolver em entidade assistencial etc, uma ONG qualquer e essa entidade pedir ajuda aos demais cidadãos? Todos podem ou haverá entidade que recuse ajuda?

De cara nota-se que há um jogo suscitado pelo cidadão, o de não se envolver com o político porque, suponho, o político queira se envolver com o cidadão. Isso é uma flagrante discriminação. Se discrimino é porque, em tese, considero-me melhor. Considero que o cara é sujo. Nada disso leva em consideração a pessoa em si, sua família, sua história, suas ações. É político? Não me misturo, a menos que saiba de malfeitos dele (não de ouvir falar, mas de forma comprovada). Ora, seria o caso do cidadão, esse ser puro e imaculado, acima de qualquer suspeita, de moral ilibada e ética irreparável, forçar a atenção do político aos que lhe aceitam a presença. Eis que se justificariam os apadrinhamentos.

A justificativa de não ajudar uma entidade dá-se em não beneficiar o político que apareceu por lá. Nisso está clara a relação de valores. Ora, o que a entidade quer, qual sua proposta, seus objetivos, as necessidades que quer suprir? Com certeza quem defende a não ajuda recusa-se em responder tais questões. O que está acima, o que vem primeiro? O fato do político obter vantagem eleitoral é ilegítimo? Não está na busca e no recebimento de votos a legitimidade do cargo que ocupa? Seus eleitores não querem vê-lo envolvido com lutas que beneficiam a sociedade? Creio que querem. Para que foi eleito senão para se dispor em amparar boas ações? Além disso, a vantagem eleitoral é intangível. Não há como dimensionar essa vantagem. Tampouco afirmar que se receber votos por causa disso sua eleição torna-se um mal. O sujeito que se nega o faz porque não quer que aquele político em especial obtenha essa vantagem e quer que outro obtenha. Duvido. O outro que não se envolveu com a entidade é merecedor de votos? Os cargos serão ocupados e serão melhor ocupados por políticos que não ajudam entidades? A resposta é a mais óbvia possível.

Afinal, o que quer um eleitor que pensa assim?

O único caminho é o cidadão, antes de quaisquer conclusões, buscar informações sobre a entidade, sua diretoria, pessoas envolvidas e, principalmente, seus objetivos. E, dada a ajuda, acompanhar a aplicação. Ademais, se um político estiver envolvido a ponto de obter vantagem eleitoral seria o caso de ponderar, pois o benefício da causa pode valer a pena o efeito colateral do voto.

terça-feira, 7 de junho de 2011

ESFORÇO PETISTA PELA IGNORÂNCIA



Um dos mais contundentes discursos petistas, ou da chamada esquerda brasileira, era da manutenção da ignorância do povo pelas “elites dominantes”, pela direita, pelos capitalistas e outros tantos demônios engendrados pela criatividade bestial de políticos de bosta. Porém, a educação no país sempre andou, lentamente, mas andou. Não há registro de fechamento de escolas como estratégia política, tampouco de restrições institucionais do acesso à escola, senão por circunstâncias muito peculiares, como a distância, por exemplo. O esforço pela educação levou até rincões as escolas multisseriadas, mesmo que longe do ideal que todos almejávamos, dentre tantas alternativas.
Os sucessivos governos foram atrozmente perseguidos pelo discurso do flagelo imposto pela ignorância como fruto do caso pensado, da política da dominação e por aí em diante. Essas aberrações iludiram mais do que proveram consciência. Enganaram mais que elevaram o conteúdo do brasileiro a níveis de conhecimento que os fizesse contrapor os demais cidadãos de países vizinhos, ou ainda pior, dos chamados desenvolvidos.
Mas o tempo revelou quem queria mesmo a ignorância do povo: o PT. Num caso mais de burrice do que sutileza marxista, o governo, sob o comando da corja, eclode três casos para os quais não encontro adjetivos: kit gay, “os livro” e 10-7=4.
Afinal, quem quer um povo ignorante e despreparado para enfrentar a concorrência internacional? O PT não será capaz de mudar a lógica capitalista e as empresas continuarão necessitando de pessoal capacitado. Ao que parece o PT, para se manter no poder, planeja uma legião de gentes aptas a limpar o chão e servir o cafezinho. Gente cega que só verá as benesses do governo que manterá no poder.
Há salvação? Espero que sim. Ah, espero mesmo que sim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ROMANNA REMOR X SILVIO ÁVILA

Por não observarmos detalhes nosso voto pode ser comprometido. Nossa visão sobre o candidato pode ser obscurecida. Por esses dias um detalhe, aparentemente longe da vasta maioria dos criciumenses, dos que votam em Criciúma, foi o caso envolvendo a obra da Unidade Básica de Saúde da comunidade da Quarta Linha.
A coisa veio a público com a manifestação da vereadora Romanna Remor (DEM) postando vídeo na internet e fazendo ruidoso comentário na tribuna da Câmara no dia 22 de março do corrente, onde acusou a prefeitura de abandonar a obra da USB, parada havia seis meses, segundo ela. Na ocasião o líder do governo, vereador Itamar da Silva (PSDB), fez ‘oposição’ à manifestação ao dizer que a edil estava equivocada. Um dos argumentos dele foi de que a Unesc havia feito um laudo sobre a obra, constatando irregularidades e que a prefeitura havia suspenso o contrato com a empreiteira. Romanna, por sua fez, fez contato com a Unesc e verificou que nada fora feito pela instituição.
Recebi da vereadora pelo Facebook: “Na ocasião, o Vereador Itamar respondeu que a obra havia parado em função do convênio da Prefa com a Unesc, pelo qual técnicos da Universidade recomendaram a paralisação. Fui averiguar. E adivinha? Mais uma M-E-N-T-I-R-A deste Governo. Pedi informações oficiais à Unesc que, até abril deste ano, não tinha sido sequer solicitada a avaliar aquela obra. Uma semana depois do vídeo e da repercussão, a obra foi retomada. E cancelar um contrato e convocar 2º colocado não leva meses, né.”
Em contato com o secretário da Saúde, Sílvio Ávila Jr., recebi as seguintes informações devidamente documentadas. Documentos que tive acesso com exclusividade:
·         Dia 27 de agosto de 2010 a Prefeitura de Criciúma notificou a empreiteira pela lentidão na obra, o que acarretaria em não cumprimento do prazo contratual, a qual teria cinco dias úteis para apresentar defesa na Comissão de Descumprimento Contratual;
·         Dia 16 de novembro de 2010 o corpo técnico da secretaria de Obras emitiu laudo comprovando as irregularidades da obra (vigas tortas, reboco mal feito etc), com muitas fotos. Novamente a empresa foi notificada;
·         Como nenhuma defesa foi apresentada a prefeitura emitiu documento no dia 28 de janeiro de 2011, ordenando a paralisação e cancelamento da obra sem, no entanto, que a empresa assinasse a notificação. Inicia-se aqui o processo jurídico.
·         Em 22 de março Romanna faz sua manifestação no Legislativo, um dia após postar na internet um vídeo do local;
·         No dia 15 de abril a segunda colocada, ConstruHab de Tubarão, inicia os trabalhos.
Foi a própria comunidade que fez a denúncia das más condições da construção da Unidade. Fato confirmado pelo presidente do Conselho Municipal da Saúde e morador da localidade, Flávio Darós. “Cada passo foi comunicado ao Conselho Comunitário de Saúde”, acrescentou Ávila.
Note que há um desencontro cronológico entre Romanna e Ávila, além da informação desconcertante envolvendo a Unesc protagonizada por Itamar da Silva (que se mostrou desinformado) e pelo secretário da Saúde. Porém, o caso revela um procedimento incompatível com a função de vereador: denunciar sem documentação, sem averiguação precisa, sem o clássico ‘pedido de informação’. Esse ‘pedido’ é atribuição constitucional do vereador. Remor e Itamar sequer ouviram os representantes da comunidade. A ausência da Unesc não é o ponto principal, pois o corpo técnico da Prefeitura, com seus engenheiros, foi capaz de verificar os desmandos da obra por parte da empreiteira.
Reiteradas vezes me manifestei favorável à candidatura de Romanna Remor à prefeitura de Criciúma. Dei meu voto e manifestação pública em prol do seu desejo de ser deputada federal em 2010. Entretanto, este caso mostra uma postura repudiável da parlamentar, com uso leviano da situação, o que gera outra questão: ‘é assim que ela quer que os vereadores se comportem se chegar ao Paço?’.