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    "GRANDE É ESTE MISTÉRIO"

    Sejamos práticos, não idealistas! Joguemos com a realidade, não com uma utopia romântica! Das muitas promessas de bênçãos e prosperidade, envolvendo a família, do Velho Testamento, filhos e vida longa, para algo discreto e sem recompensas no Novo Testamento, eis o casamento. E foi além da discrição, digamos. Não há mais bênçãos e chega a ser melhor evitá-lo. Vamos aos textos!

    No Novo Testamento há uma clara prevalência pelo celibato. E isso tem um peso quando o assunto é dedicação espiritual ou ao serviço/obra divina, muito mais importante que família, me parece. Bem, podemos inferir sobre a "mortificação da carne", onde os desejos carnais devem ser contidos para a santificação. Ora, se a santificação está ligada, também, ao sexo (ou falta dele) é preciso esclarecer os limites de um e outro. Porém, o que está claro, ou obscuro, quanto ao casamento nos ensinos bíblicos neotestamentários? Eis o dilema que cerca todos os assuntos. Quase nada é absoluto, não como essência, mas como ideias que não se alinham. A coesão de uma ideia confronta a coesão de outra. Neste contexto, o casamento é uma ordenança e um "plano de Deus" para nossas vidas? É, de fato, uma bênção? Verifiquei o tema e trago algumas observações.

    Primeiro, analisei os textos que tratam de casamento e celibato no Novo Testamento. Também deixo claro que o Velho Testamento serve como referência na história da fé cristã, mas não como fonte doutrinária. Qualquer ensino cristão fundamentado apenas no VT é falso. E não tenho qualquer dúvida do que digo. As referências consultadas estão ao final.

    Quando Jesus fala, em Mateus 19, que "deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne" está no contexto de uma questão levantada pelos fariseus na Lei. Argumentaram que "Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?", reivindicando o direito de dar carta de divórcio. Não podemos entender como uma doutrina neo testamentária porque Ele explica o que entende da Lei mosaica. Ou seja, reage à provocação SEM APRESENTAR ALGO NOVO.

    Antes, no capítulo 5, fala que dar carta de divórcio coloca a mulher em adultério e quem com ela casar cometerá adultério. Assim, a repudiada nem precisaria ter relações com outro homem para ser adúltera. Um absurdo! Outro detalhe que salta aos olhos é tratar a mulher como passiva. Não há abertura para a mulher desejar divórcio. Tampouco trata de caso de agressão por parte do marido, estabelecendo apenas uma possibilidade: fornicação. Se o homem for violento, ela terá que se submeter.

    Estes dois trechos são a única referência ao casamento nos discursos de Jesus. Em momento algum trata da relação em si, de problemas conjugais ou algo que se assemelhe. Parece ignorar tudo o que pode haver entre homens e mulheres como casal. Mas por que disso?

    O que resta-nos são especulações. E, no mundo da especulação, cabem quaisquer coisas. Nesse caso, coisas fora da fornicação, já que a ela se refere claramente. Ora, o máximo que podemos inferir é que, uma vez casados, fiquem juntos, não importando as circunstâncias e o tratamento que um dá ao outro. Nesse aspecto, a instituição está acima das aspirações que possam ser criadas ou mesmo do tipo de vida a ser vivida.

    Especulando... Se um casal decide transar com outros, o que não configura adultério por ser um acordo entre marido e mulher, estaria liberado? Uso de brinquedinhos é adultério? E ver filmes pornôs? Amigos, dizem que a Bíblia tem todas as orientações para a vida... (literalmente ri ao escrever esta última frase)

    E o que seria "o que Deus uniu, não o separe o homem"? Não faço a menor ideia. Afinal, precisaríamos aceitar que o casamento, não importando a trajetória até o altar, foi uma união feita por Ele. E é assim? Ora, se o casamento foi feito por ele como aceitar que termine mal, em tragédia, filhos sem a base familiar, etc? É como se Deus não desse amparo ao que ele instituiu. Veja bem, como poderíamos conciliar o livre arbítrio dentro de uma instituição divina, sendo a união feita por Ele? Ele une pessoas incompatíveis, com traumas, desvios morais e psíquicos? Qual o propósito disso? Vamos ver se há diretrizes para a manutenção dessa união no restante dos textos. Caso o casamento fosse uma bênção ou um plano divino, homem e mulher deixariam de ser pessoas frágeis e desamparados como solteiros para atingir a plenitude como casados. Tudo no automático. Casou, resolvido!

    Em Efésios 5:22 diz “mulheres, sede submissas a vossos maridos, como ao Senhor". E como seria submissão ao Senhor? Seria de questionar suas decisões? Seria fazer o que quer e impor regras? Seria ter dores de cabeça pra recusar sexo? Ou seria fazer discursos intermináveis porque uma cueca ficou no banheiro? Meus caros, a despeito do discurso bonitinho de amenizar o que submissão signifique, tal situação é de obediência absoluta e inquestionável, pois a referência é o próprio Deus. Ou os cristãos escolhem o que obedecer sem consequências? É "como ao Senhor" e pronto!

    O apóstolo Paulo, bem como Pedro, falam em amar e honrar as mulheres. Nesse caso a dedicação a elas é óbvia. Contudo, não entram nas vivências conflituosas que se vê facilmente. O que seria amar uma esposa? Servi-la com sua própria vida? Parece que sim e é o que provedores fazem. Juntando o parágrafo anterior com este vamos a um exemplo. O marido chega em casa, toma banho e quer alimentar-se. Quer a casa limpa, filhos alimentados e limpos, roupas bem cuidadas e paz. Se sentir vontade ela não pode recusar porque seu corpo a ele pertence. E mais, ao dizer que o marido deve amar a esposa como Jesus amou a igreja, dando a vida por ela, não fala que a igreja deva determinar como Jesus tem que pensar e agir. Não há a possibilidade de a igreja definir qualquer coisa. A relação é desajustada para nós. Não é uma referência de relacionamento, onde um dá a vida, mas o outro APENAS obedece.

    Outro detalhe é que mantém a mulher passiva, como no Velho Testamento. Não há qualquer texto dizendo algo como "deixará a mulher pai e mãe e se unirá ao seu homem". Ou, "dará ao marido carta de divórcio".

    Em Hebreus 13:4 diz “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, e o leito sem mácula; porque Deus julgará os fornicadores e adúlteros”. Honra remete à liturgia, como se casamento fosse, ou é, algo muitíssimo especial. Assim, os casados estariam numa condição superior aos solteiros. O que seria a mácula? Sexo anal? Gozada na boca? Parece se referir apenas a sexo fora do casamento. Ufa! Que alívio! A fornicação (em grego: πόρνοι — pórnoi, singular πόρνος — pórnos) remete à suruba, troca de parceiros, e coisas do tipo. Mas não fala disso antes do casamento. Está implícito que devemos chegar ao casamento virgens. ALGUÉM CHEGA, HOJE? Parece que a Bíblia está desatualizada!

    Sabemos perfeitamente que os desejos sexuais são múltiplos e o tesão se perde na rotina e com o tempo. Não nos esqueçamos das fantasias e fetiches. Como conciliar tais vontades? Alguém na relação ficará sem se satisfazer porque não experimentou antes se o cônjuge dava conta. E, convenhamos, sem uma loucura vez ou outra a coisa perde completamente a graça. Até mesmo uma ida no shopping com a companheira de saia e sem calcinha vira um pecado. Imagine transar no carro, na praia, ou ir a um motel. Se o desejo é por mais um na cama... O Inferno os aguarda! (tenho que rir novamente). Definitivamente este livro sagrado não se importa com coisas íntimas e que têm peso em nossas vidas, a menos que sejamos assexuados. (Para ver o que digo especificamente sobre SWING, clique AQUI)

    E o celibato? Agora a coisa se complica porque cria uma hierarquia. Antes o registro de uma frase depreciativa que cristãos usam, mesmo sendo oposta ao que veremos a seguir na Bíblia: "Ih, vai ficar pra titia!".

    Há pessoas que, naturalmente, vivem sem sexo, ou sua ausência não lhes aflige. Noutra ponta há os que dele precisam diariamente. No caso específico do celibato há a complexidade de sua imposição a quem precisa de sexo. Na melhor das hipóteses o celibato natural é inquestionável. É impensável alguém ser obrigado a manter relações sexuais apenas para satisfazer uma instituição chamada casamento e agradar uma plateia. Sujeitar-se ao sexo para manter uma relação, pelos muitos vínculos, é razoável. É como obrigar-se a algumas tarefas pela paz conjugal. E, nesse contexto, um homem manter-se ereto diante de quem não o estimula é uma barreira intransponível. Já a mulher pode sem problemas. Afinal, se conseguem se prostituir, por que não manter seu marido sossegado, mesmo sem tesão? Este detalhe é uma das coisas que mais me perturba. Por que usam o sexo para atrair homens, ganhar dinheiro, mas não para manter seu marido satisfeito? Sensualizam nos trajes para atrair, mas não para dar aquele "up" num sábado qualquer num casamento de mais de 30 anos, por exemplo.

    O apóstolo Paulo, munido de certo bom senso, chega ao ponto de admitir uma realidade: "Mas, se não podem conter-se, casem-se, porque é melhor casar do que abrasar-se”. Contudo, e se o "abrasar-se" vem quando a relação está desgastada e o cônjuge não é mais atraente? E se houver problemas físicos vindos com o tempo e que retiram o tesão? O outro que se vire com sua "brasa"? E se se casa achando que a brasa será contida e o cônjuge não dá conta? Além da brasa natural fica sobrecarregado por ter escolhido a pessoa errada e não tem mais volta. Imagine a mulher desejosa e o cara se revela um sem criatividade? O cara, cheio de expectativa e a guria, quando muito, apenas levanta a camisola? Novamente a Bíblia fica com generalizações e não atende a vida como ela é.

    Quando se é honesto com os textos nos deparamos com uma encruzilhada atroz: "Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens". Em que posição a mulher é colocada neste trecho do Apocalipse... Um púlpito, pastor ou padre, que trate a mulher desse jeito passaria a falar para as paredes, ou, em tempos de internet, o cancelamento seria feroz. Mas tem mais!

    O casamento é uma distração! É inconveniente para a obra do Senhor. “O solteiro cuida das coisas do Senhor… O casado cuida das coisas do mundo, em como agradar à esposa. Digo isto para o vosso proveito… para que vos atendais ao Senhor sem distração alguma”. Eis que o celibato está noutro nível, sendo superior e contrário às bênçãos do Velho Testamento. Afinal, o Deus bíblico muda de planos tão facilmente como um acadêmico de humanas, militante pelo PSOL, muda de curso.

    Pesando a balança, sinceramente, você quer mesmo agradar e servir ao Deus cristão? Não se case.

    Conclusão!
    A Bíblia, no Novo Testamento, não trata de relacionamentos conjugais e suas dinâmicas conflituosas, sendo muito superficial. Impõe regras gerais impossíveis aos nossos dias. Sabedores do quanto um casamento pode ser uma prisão num Gulag, os "novos" cristãos não estão interessados no que seu livro sagrado realmente diz. Preferem aquele mundinho de shopping dos NEO PENTECOSTAIS, cultos pra dançar, e vida de conquistas materiais. Os pentecostais tradicionais satisfazem-se com rituais de possessão fraudulentos, gritaria e sensações de poder do nada.
    O leito imaculado foi substituído pela ideia de que o outro é sua propriedade. A traição não é vista como uma afronta ao seu Deus, mas como a perda do controle sobre o outro e uma ofensa pessoal. O celibato, absolutamente exaltado na bíblia, ganhou um espaço temporário se coberto por trajes cerimoniais num mosteiro, depreciado fora dele e jamais como virtude de adoração ao Senhor.
    Bem, senhoras e senhores, safadinhos, o evangelho não vos serve. Não atende suas necessidades sexuais. E o seu Deus não se importa se tu queres subir pelas paredes ou rolar pelo chão. Também não se importa se ela ou ele te trata bem, se é carinhoso(a) ou se faz coisas pra te agradar. Ele só quer saber se te dedicas à fé, se estarás apta(o) para os Céus.

    "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito." (Romanos 8:5)


    REFERÊNCIAS

    Mateus 19:4–6 — Jesus sobre o matrimônio: “Portanto deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Assim já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não o separe o homem.”

    Marcos 10:6–9 — Repetição do mesmo ensino, reforçando a indissolubilidade do casamento.

    Efésios 5:31–32 —  “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.”

    Efésios 5:22–25, 28, 33: “Vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos, como ao Senhor; [...] Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” [...] “Assim também os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos.” [...] “Cada um de vós, de per si, ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o marido.”

    Colossenses 3:18–19: “Mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com amargura.”

    1 Pedro 3:1–7: “Do mesmo modo, mulheres, sede submissas a vossos maridos [...]. Vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher como vaso mais fraco e como sendo vós os seus coerdeiros da graça da vida.”

    1 Coríntios 7:2–5: “Por causa da imoralidade, cada homem tenha a sua própria mulher, e cada mulher tenha o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e semelhantemente a esposa ao marido. [...] Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo [...] e depois ajuntai-vos de novo.”

    Hebreus 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, e o leito sem mácula; porque Deus julgará os fornicadores e adúlteros.”

    1 Tessalonicenses 4:3–5: “Porque esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que vos abstenhais da imoralidade sexual; que cada um saiba possuir o seu corpo em santificação e honra.” 

    Mateus 5:31–32: “Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério.”

    1 Coríntios 7:10–11: “Aos casados, ordeno não eu, mas o Senhor: que a mulher não se separe do marido; mas, se o fizer, que permaneça sem casar ou se reconcilie com o marido; e que o marido não se aparte da mulher.”

    1 Coríntios 7:7–9, 32–33: “Quisera que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom. [...] Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se permanecerem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se, porque é melhor casar do que abrasar-se.”

    Mateus 19:10–12: “Há eunucos que nasceram assim; há os que foram feitos eunucos pelos homens; e há os que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus.”

    1 Coríntios 7:7–9: “Quisera que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom… É melhor casar do que abrasar-se.”

    1 Coríntios 7:25–28: “Não tenho mandamento do Senhor, mas dou parecer… É bom para o homem permanecer assim, por causa das aflições do tempo presente.”

    1 Coríntios 7:32–34: “O solteiro cuida das coisas do Senhor… O casado cuida das coisas do mundo, em como agradar à esposa.”

    1 Coríntios 7:35: “Digo isto para o vosso proveito… para que vos atendais ao Senhor sem distração alguma.”

    1 Coríntios 7:37–38: “Quem está firme em seu coração, e resolve guardar sua virgem, faz bem; quem não a guarda, faz melhor.”

    Lucas 2:36–37: “Ana… viúva de oitenta e quatro anos, que não deixava o templo, servindo a Deus em jejuns e orações.”

    Apocalipse 14:4: “Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens. Seguem o Cordeiro por onde quer que vá.”

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