quinta-feira, 29 de março de 2012

MARX E A DIVISÃO DA SOCIEDADE

A pior e ao mesmo tempo a melhor divisão da sociedade foi feita por Karl Marx: proletariado x burguesia. Assim nos dividem seus seguidores nos dias de hoje de uma forma simples e de fácil entendimento. Porém, que outras tantas divisões há nesta mesma sociedade? Vejamos algumas: de gênero, de renda, de cor (pele, olhos e cabelos), de geografia, de idioma, de altura, de peso, de idade, de saúde ou da falta dela, de profissão, de escolaridade, de origem (imigrante, migrante ou emigrante), de esporte, de time de futebol, de família, de gosto sexual, de temperamentos... Haveria mais alguma?

O contexto histórico em que viveu Karl Marx limitou sua visão.

Quando disse que talvez seja a melhor é porque a visão marxista se resume à luta pela sobrevivência, presumo. Sem querer esgotar cada uma dessas divisões e nem fechar a lista, permitam-me viajar por elas. As divisões tal como expus são óbvias. E o que me interessa neste texto não é exatamente mostrar que elas existem, mas que elas sufocam a divisão marxista, tornando-a mais uma.

Note que a divisão em gênero coloca num mesmo pacote todos os ‘burgueses’ e ‘proletários’ no momento em que há homens de um e de outro lado, há mulheres de um e de outro lado e que vão agir unidos e desunidos conforme a situação.

Na mesma linha há a renda, haja vista que proletários aos montes ganham mais que burgueses aos montes. Ora, o dono de um bar de bairro não tem renda maior que o gerente de banco, por exemplo. Mas o dono do bar é burguês porque é dono do negócio e o gerente é proletário porque é contratado pelo banqueiro.

A divisão de cor de pele da mesma forma, porque há negros ricos e brancos pobres e vice-versa. Há negros burgueses e brancos proletários e vice-versa. Não entra a aqui a quantidade de um ou de outro, mas a condição de brancos e negros, amarelos ou vermelhos serem, pelo mundo a fora, burgueses e proletários. Porém, a condição de tez os une, reforça cultura etc.

A cisão geográfica se dá na razão de um ser latino-americano e outro ser asiático e isso servir de distinção entre um e outro, mas coloca todos os asiáticos (burgueses e proletários) na condição de serem asiáticos e isso os une num dado momento.

No caso do idioma. Bem, nada pode servir mais de liga entre as gentes que o idioma. Não se entender torna a relação pior do que a de ser proletário ou burguês. O idioma é um fator de convergência e de divergência.

Ufa... Somos divididos pela nossa altura e peso. O fato de ser paciente pela obesidade coloca burgueses e proletários a dividir a mesma angústia. Ora, o obeso come mais que deveria e se come alguém paga esse alimento. Daí pode-se pensar que, na condição de doente desse mal pouco importa quem paga, mas como se livrar da gordura. Assim, se movem os grupos de AA ou doentes crônicos. Tampouco a condição de burguês ou proletário faz toda a diferença no acesso à solução. Haja vista que um proletário pode ter melhor aposento que um que foi empresário quando o assunto é o custo do tratamento. Correm por fora os servidores públicos...

Escolaridade é um bom exemplo, pois é comum encontrar-se um burguês de pouco estudo contratando um pós-graduado. E os pós-graduados da mesma forma se encontram na condição de patrões e empregados. Mas têm o estudo em comum.

Segue nessa mesma linha as origens de cada um (imigrante, migrante ou emigrante), o esporte que pratica, o time para o qual torce. E principalmente de família já que duas pessoas (um burguês e um proletário) podem ser irmãos e como ficaria sua relação diante da pregação do proletário extinguir o burguês? Seria o vínculo afetivo/familiar tão menos importante? Quem não conhece um sujeito que é empregado de seu irmão ou mesmo pai empregando filho.

O que discorro aqui é que as nossas relações impedem uma divisão da sociedade em apenas dois grupos. Muito menos dividi-la em burgueses e proletários. Ainda mais pela origem das palavras que hoje estão totalmente fora de contexto. Ao ver citações com esse conteúdo fico a pensar no tamanho da ignorância ou má intensão de quem profere. Ora, o máximo que temos em nossa sociedade, que pode chegar perto de um ‘Burgo’, seriam os sindicatos patronais. Mas, convenhamos, a distância é enorme. Além disso, Marx não tinha em sua análise um ingrediente fortíssimo de nossos dias: governos democráticos. Esses governos interferem na relação empregado/patrão impondo uma série de preceitos, coisa que não havia nos primórdios da Revolução Industrial, como a Previdência, carga horária e condições de trabalho (insalubridade etc), por exemplo.

A condição de igualdade não explica como ficam várias atividades em sociedade tais como a de um desportista olímpico. Ele produz algo intangível, meramente publicitário e como concorreria à condição de cidadão com o operador de máquina? Da mesma forma não explica qual a condição dos líderes de governo, afinal exercem o poder, inclusive bélico. Além disso, esse sistema não imputa punição ao poder central em seus desvios, como numa democracia até mesmo o presidente da república pode ser punido. E mais complexo ainda seriam os erros dos amigos do poder, haja visto que relações se travam e favores fazem parte das intrincadas redes que sustentam a “última palavra”. E não poderia deixar de se mencionar que riqueza é gerada pelo comércio. Ora, um país comunista só poderia gerar riqueza ao vender para outro. E como fazer o preço de venda? Para sustentar-se precisaria “explorar” outro país.

Mas o pior ainda não é isso. O caso mais grave das análises dos seguidores de Karl Marx é a atribuição da miséria e exploração à existência do capitalismo e dessa relação burguesia e proletariado. Negam toda a desgraça das relações anteriores em que o homem explorava o homem e a miséria grassava. No Capitalismo, pelo menos, há uma troca: te presto um serviço e por ele você me paga. Se o pagamento não é bom há vários mecanismos de pressão, como a greve e a abertura do próprio negócio. Ironicamente, marxista patrão e consultor de empresas tem aos montes! O PT que o diga.

Por fim, tão obtuso quanto dividir a sociedade nesses dois é supor que o proletariado possa extinguir a figura do patrão. Essa ideia é tão burra que nem poderíamos discuti-la. Sim, nem posso discuti-la. É como dizer a um Aiatolá que só Jesus salva!

Um dono de mercadinho aqui perto trabalha seis dias por semana, das 8h às 19 horas, tem dois funcionários que podem conseguir trabalho em qualquer outro mercado, mas ele pode falir e perder seu patrimônio para pagar passivo trabalhista... Há que se rever quem explora quem e em que dimensão.

A ditadura do proletariado impediria, por exemplo, que eu não queira ser proletário. Da mesma forma ignora o fato de o Estado ser dono de tudo e a ideia da posse é uma marca instintiva da nossa espécie. Queremos ser proprietários, nem que seja do nosso cantinho. Ignora também as discrepâncias entre as posições na produção, pois quem é do chão de fábrica não verá jamais com bons olhos os do escritório (no ar-condicionado).

Um dos exemplos mais significativos deu-se em três anos dessa pseudo-igualdade no início dos anos de 1970 no Chile. As empresas instituídas à época que se viram sob o domínio de “todos” foram destruídas pela falta de dono, de comando. Os proletários se sentiam donos e levavam para casa parte da produção para vender como bem entendessem. Sem contar as mortes sumárias em nome do fim dos exploradores. E quem poderia impedi-los? Em três anos o país foi de uma certa estabilidade para quase a miséria, sendo economicamente “salvo” pelo regime militar, quando Pinochet reagiu ao para-exército que se formava com o dinheiro público com vistas à invadirem outros países à volta (mas essa é outra história). Chilenos que fugiram dos marxistas para o Brasil testemunham a diferença, pois aqui tinham acesso aos bens básicos, como uma geladeira, quando o comunismo fez isso sumir ou virar artigo superfaturado pelos amigos do poder. Claro, não podemos esquecer do racionamento de comida para o povo ao mesmo tempo que rolavam banquetes no palácio... O comunismo é algo muitíssimo semelhante ao que era a França antes da queda da Bastilha.

Para terminar uma experiência familiar. Meu pai foi empresário e faliu. Teve que trabalhar de porteiro de prédio para completar seus anos de contribuição e se aposentar. Foi um explorador e virou explorado?

Definitivamente essa turma que divide a sociedade entre burgueses e proletários, pregando o fim daqueles e o poder destes, não sabe o que diz, tampouco tem uma proposta decente para a sociedade. São “raivinhas” que usam esse discurso para legitimar seus devaneios e derrotas e que, infelizmente, estão por aí, nas faculdades a encher o saco.

quarta-feira, 28 de março de 2012

AUTÊNTICO É SER FALSO

Qual a distância entre ser autêntico e se adaptar ao que os outros esperam dos outros? Deve ser a mesma que há entre importar-se ou não com o que os outros pensam.

Muito bem. Ser autêntico é o cara ser ele mesmo? Sim, mas esse ser ele mesmo pode ser muito ruim, inclusive para consigo. Os pais educam seus filhos, impõe-lhes regras e disciplina justamente porque se a criança for ela mesma será um desastre na maioria dos casos. Sem educação podemos ser uma coisa mal formada, indisciplinada, de péssimos hábitos. Dependerá da pressão externa. Os pais, a família, os amigos e a sociedade como um todo é a pressão externa. Basta ter um emprego qualquer e logo vamos perceber que, para manter-se nele, muita coisa em si mesmo deverá ser reprimida ou expandida, por exemplo.

Enfim, ser autêntico seria, no máximo, ser falso para agradar conscientemente? Em certo sentido sim! Há ainda um belo ingrediente da imagem distorcida no espelho. Vemos o que somos, o que gostaríamos de ser ou o que achamos que os outros veem? Não tenho dúvidas que a terceira opção é a mais comum – mera intuição.

Somos seres sociais e como tal temos relações com as demais pessoas à volta e isso significa influências mútuas. Neste sentido quando um sujeito diz que não se importa com o que os outros dizem, penso: “Ora, se não se importasse nem teria o trabalho de dizer isso.”

É fato incontestável que nos importamos com as pessoas à volta, queremos criar uma imagem admirável e conquistadora. Negar isso é fruto de uma coisa, ao meu ver: “O que ele disse me arrasou, mas preciso demonstrar que não me atingiu!” Evidente que há relevâncias nesse contexto. Umas opiniões pesam mais que outras, dependendo de quem a emite. Além disso, conforme quem fala mal é bom. Há pessoas que de tal forma comprometeram sua credibilidade que ao falarem mal de alguém sugerem que esse alguém seja pessoa muito boa.

Hipocrisia dos que dizem não se importar e ser autêntico? Não creio. Está mais para não se aperceber dessa relação e ter dificuldade de aceitar a condição humana tal como é.

Talvez o mais autêntico nesse processo, por conta do ofício, seja o político, pois reconhece a necessidade de uma imagem, no mínimo, agradável, mesmo que falsa. Por outro lado conheci políticos sem receio de brigar com quem quer que seja. Mais, no comércio somos atendidos por quem quer apenas dinheiro e são simpáticos(as), nos tratam bem e, não somente gostamos disso como exigimos que seja assim.

E o que os outros esperam de mim e de ti? Bem, faz-se necessário pesar na balança. Todos dependemos de outros. Ninguém sobrevive sozinho e ninguém é sempre bom, tampouco sempre mal. Amadurecemos ao reconhecer os erros e ao ter clareza no que precisa ser mudado. Porém, ninguém vai mudar seu jeitão, no máximo disciplinar. Um cara falante pode, no máximo, frear-se em dado momento, mas jamais deixará de ser falante.

É uma guerra de egos incrível.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Acompanhe meus comentários sobre as coisas da vida em vídeo pelo YouTube. Este é o primeiro.







quinta-feira, 8 de março de 2012

O DIA QUE NÃO É DA MULHER

Ao ler sobre o Dia Internacional da Mulher fica evidente que foram muitas as lutas desde o século XIX, notadamente nos EUA e Russia, com a industrialização iniciada pela Inglaterra. Sim, nessa fase da História humana as mulheres passaram a deixar seus lares em grande escala para ocuparem postos de trabalho na indústria e o processo não parou desde então. Durante as Grandes Guerras essa “saída” ficou ainda mais acentuada e levou a uma nova realidade: conhecimento tecnológico. A emancipação da mulher está diretamente ligada à sua profissão, aos seus conhecimentos e, por isso, à sua sobrevivência. Não há ser emancipado cuja vida dependa de outra.

Eis aqui um grande impasse. É sabido, queiram assumir ou não, que as mulheres desejam um homem que as proteja e que dê, inclusive, o sustento, preferencialmente com muito conforto, com as exceções de sempre. A natureza exige que a maternidade, se levada com a dedicação que merece, impede a mulher de trabalhar por, pelo menos, seis anos. Sim, um pré-natal adequado e os cuidados que a criança precisa até que vá para a escola levam esses anos.

Ao mesmo tempo que a vida tem pressionado para sair de casa, há uma boa parcela que quer ficar em casa. Não vou entrar no mérito, pois acho da maior dignidade uma mulher que quer apenas dedicar-se ao lar e ter em seu companheiro o provedor. Da mesma forma minha admiração às que se lançam à vida profissional com muita competência. As vadias, despreparadas e mal intencionadas são tão comuns quanto entre os homens e classificar moralmente pelo gênero é coisa de gente tola.

Para mim, como homem, é o fio da navalha, pois qualquer coisa que eu diga pode ser taxado como fruto da “sociedade machista” - expressão que encerra a incapacidade de analisar a sociedade, sua composição e história, mas que está grudada como chiclete em banco. Poucas pessoas conseguem ir além do imediato. Mesmo assim não vou recuar das minhas observações sobre o assunto e atesto que há uma dicotomia em se tratando da mulher dos últimos 200 anos - tempo irrisório dentro da existência humana.

O dia 8 de março, dia da mulher, tem origem nas manifestações delas contra o Czar Nicolau II e contra a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Desencadearam, assim, a Revolução Comunista que estava sendo articulada e que foi um dos cânceres da humanidade no século XX. Mas havia muitas outras manifestações em vários locais do mundo. Todas relativas ao trabalho, para dar melhores condições em suas atividades profissionais, além do direito ao voto e ao divórcio. Não houve, até onde pude ver, uma luta para que mudassem o conceito de família, direito de ser mãe solteira etc. Não pediam que os homens fossem mais cordiais, por exemplo. Não pediam liberdade sexual, pelo contrário, foi uma época em que pipocavam manifestações pela moralidade da família, também contra o divórcio e coisas do gênero. A luta não foi unânime.

O quê, afinal de contas, se comemora no dia 8 de março? Nada. Isso mesmo, não se pode comemorar algo que não se tem ou que divide desejos. Ora, há desejos femininos de toda a ordem. Das puritanas às despudoradas, as que querem o formato tradicional de família às lésbicas... Estamos num processo e este dia não é de comemoração, mas de discussão. E para tal, é preciso que as muitas necessidades sejam discutidas e, principalmente, respeitadas. Se uma mulher quer ser dona de casa, que seja, se deseja não ter filhos e não depender de homem algum, que seja.

A dignidade e condições adequadas a cada uma para que exerçam a vida que desejam, sem agressões às individualidades, é a maior das conquistas. E para isso, ter um dia é o que menos importa, pois essas conquistas são de todos e não de um gênero.

AS PALAVRAS TÊM PODER?

As palavras têm poder? Sim e não. O poder das palavras é dado muito mais por quem ouve do que por quem fala. Onde estaria, então, o poder das palavras, as quais faço uso agora?

Creio que têm poder nos primeiros anos de vida, quando são ditas pelos pais. Nesse caso há o ingrediente da deflexão, intonação da voz, que dá o sentido emocional ao que é dito. “Amor” não seria dito com rispidez, tampouco um “não” com um sorriso meigo no rosto no momento de uma correção. Essa deflexão fará com que a criança entenda o sentido de cada palavra, mesmo que um “não” seja dado com carinho e meiguice em certos momentos.


Na forma da Lei a palavra assume outra dimensão, o da punição, do cerceamento, da normatização. Essa tem poder pela força do Estado. Nesse caso não importa ser na forma escrita, pois mesmo assim requer a ação do agente da Lei, seja policial, seja juiz, seja um funcionário público investido de poder.


Quando se outorga autoridade a quem fala, quando se tem respeito, admiração, a palavra é meio de motivação e de ampliação do mundo. Numa palestra o orador está nessa condição e, mesmo dizendo o que já sabemos, suas palavras nos atingem de uma forma mais intensa.


Na condição de patrão ou chefe a palavra tem outros significados, outra dimensão. Muito semelhante com a Lei, mas com o ingrediente da relação interpessoal. Coisa que não ocorre quando somos autuados. A palavra de chefe pode ter a deflexão que nos fere. Não raro vemos casos de humilhação. Nesse momento o humilhado abriu as portas para a agressão.


Há ainda a palavra que não tem significado objetivo como o palavrão, mas subjetivo. Certa vez um rapaz disse que outro era um “filho da puta”, aí perguntei se ele conhecia a mãe do rapaz. Disse que não, foi então que o fiz pensar no que disse: “Como você sabe que ele é um filho da puta se não conheces a mãe dele?” Nesse contexto temos o famoso “mal entendido” que pode ser revertido com uma boa conversa. Mas a palavra já havia sido dita e exigiu mais palavras para contornar o malfeito.


Temos as palavras que não são palavras na forma que conhecemos: os sinais. Aliás, as primeiras escritas não passavam de sinais, de representações. O homem engendrou mais e mais significados, mais e mais necessidades de comunicação de muitas formas. A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, é o mais forte exemplo das muitas formas que podemos dar às palavras. Antes disso tivemos o Código Morse, que com uma infinidade de pontos, como o Braile, transmitia mensagens. As placas de trânsito, faixas nas vias, setas, cores... enfim, são palavras porque ensejam ideias e “dizem” algo inteligível. Basta que quem recebe esteja devidamente informado de seu significado. Daí verifica-se que o texto só terá impacto desejado se quem lê, ou ouve, o entende. E muito mais problemas temos pela limitação do nosso povo de interpretar o que lê.


Por outro lado, seguindo a vida, na adolescência, no ímpeto de ser dono de seus próprios passos, o jovem contraria muito do que os pais dizem. Ora, eis um dos momentos em que esse poder das palavras fica desestabilizado. O maior dos efeitos está na repetição, quando pais dizem muitas vezes algo negativo como “você será um nada na vida!”, não há como não marcar. Porém, marca muito mais pelos laços afetivos que estão envolvidos. Note que marca, não porque disse uma vez, num momento de irritação, mas porque repete ao longo de anos. Dizer coisas erradas é algo que fizemos muitas vezes e nem tudo que se diz com carga negativa resulta num mal, num trauma. Muito do que se diz cai num vazio e jamais será lembrado.


As palavras tem de fato poder? Esse poder é outorgado por quem escuta. Disso não tenho dúvidas. Esse escutar depende de outras tantas variáveis como o momento emocional de quem ouve. É como um hino que faz chorar. Há notas musicais que tem essa capacidade. Ou aquelas cartas “psicografadas” que a mãe, cujo coração está estraçalhado, quer que seja verdade.


Concluo, pois, que não há qualquer poder intrínseco nas palavras, sejam faladas, sejam escritas, senão na dimensão dada por quem recebe.