quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EXPERIÊNCIA DE ABORTO

Há quase 10 anos servi de amparo para duas amigas que ficaram grávidas sem desejá-lo. Uma de transa de festa de sábado, a outra de um cara com o qual não vislumbrava um relacionamento sério. Ambas me procuraram com o desejo de abortarem.

A primeira teve a bebê e a segunda abortou, mas veio a ser mãe anos depois num relacionamento que perdura até hoje e está muito bem, com um trabalho social de amparo à mães carentes maravilhoso. A que seguiu a gravidez sumiu e dela nada sei.

Não fui juiz, não as condenei por quererem. Apenas ponderei as opções e ajudei conforme podia. Como homem fui pai dedicado e sei que não posso interferir no coração de uma mulher, tampouco sou cartesiano, como se certo e errado fosse como preto e branco.

Houvesse um desejo SUPERIOR de proteção da vida as crianças só nasceriam em lares estruturados, de muito amor e em condições de receberem o melhor da vida. Mas a realidade aponta para a mera humanidade e suas loucuras. Não há verdade suprema que evite o sofrimento, a morte e uma vida mergulhada na escuridão. O tal ''Deus no controle" não existe em se tratando de uma vida vir ao mundo e muito menos de permanecer por aqui até a velhice.

Não ouso supor mundos melhores e ideais. Cabe à minha consciência lidar com fatos e em como a vida é, não como eu gostaria que fosse.

O ABORTO EM NÚMEROS
A queda de mais de 50% na criminalidade nos EUA verificada a partir dos anos de 1990 se deu porque a Suprema Corte liberou o aborto em Fevereiro de 1973. Nos cinco Estados que liberaram antes daquele ano a queda se deu antes. Todas as variáveis foram analisadas para aqueda dos índices, mas somente o aborto explicou-a. Tudo descrito no livro que li este ano E MUDOU MINHA CONCEPÇÃO SOBRE O ASSUNTO, chamado "Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta", de Stephen J. Dubner e Steven Levitt. Aceite os fatos. É melhor que tergiversar sobre o que seria ideal.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

NOTA DE ESCLARECIMENTO - PMC

NOTA DE ESCLARECIMENTO
A respeito do Projeto de Lei 54/2016 do Poder Executivo, protocolado na Câmara de Vereadores no dia 21 de novembro, a Prefeitura de Criciúma vem a público esclarecer que:
- Trata-se de um texto construído a quatro mãos entre Prefeitura e Ministério Público Estadual e tem como objetivo tornar mais transparente a contratação de pessoal temporário. Caso aprovada, define a Lei que a contratação de pessoal que não integra o quadro efetivo do Município (aprovados por concurso público) não seja realizada apenas com análise curricular – como acontece atualmente –, mas, sim, com a aplicação de provas. Tal processo já é realizado na contratação de professores Admitidos em Caráter Temporário (ACTs) e corre na mais perfeita normalidade.
- A intenção da Administração Pública Municipal e do promotor Diego Rodrigo Pinheiro, da 11ª Promotoria de Criciúma, foi formalizada em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 06/2015 00000945-0) com sugestões do próprio Ministério Público para evitar casos de pessoalidade nas contratações.
- Buscar a regularização da contratação de pessoal conforme determina a Constituição Federal de 1988 não significa que a Prefeitura de Criciúma irá se valer de lei apenas para fazer contratações desnecessárias. Isso não ocorrerá e é leviano quem levanta tal hipótese. Amplamente divulgado por toda a imprensa e repercutido em toda a sociedade, a Prefeitura precisou este ano exonerar mais de mil funcionários que estavam exercendo suas funções baseados em leis consideradas inconstitucionais, alguns profissionais já trabalhando no serviço público municipal há mais de 20 anos. Precisaram ser exonerados trabalhadores de todas as áreas, mas principalmente da Saúde. Foram médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem, higienizadores, operadores de máquinas, serventes, e isso provocou um déficit no atendimento ao público. Para normalizar os serviços, a Prefeitura realizou Concurso Público com vagas para todas as áreas e está, de forma responsável e com o único objetivo de não prejudicar o cidadão, reconstruindo seu quadro de servidores ao chamar os aprovados no certame.
- Por fim, a Prefeitura de Criciúma reitera e enfatiza que o Projeto de Lei 54/2016 tem um único objetivo: tornar cada vez mais transparente a contratação de servidores públicos. Qualquer tentativa de desmoralizar o trabalho realizado pelo Ministério Público e pela Administração Municipal é irresponsável e será rechaçado.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

ABORTO, PERDÃO, DEUS E A IGREJA

Provocado pelo irmão querido, jornalista Aderbal Machado, venho fazer algumas considerações sobre ABORTO e perdão:

Ô inveterado André Roldão, o que achas disso? Quer dizer que eu posso matar quantos quiser, friamente e sem motivo, pedir perdão todas as vezes e posso ser "perdoado"? É assim ou entendi errado?

Mano, tudo isso seria verdade se não fosse mentira. Mas, tratemos da mentira como se fosse verdade e dela tentemos tirar algum sentido moral.
Antes algumas perguntas:
- Preciso ser perdoado pelos homens?
- Que ligação há entre o perdão humano e o divino?
- Deus perdoa a partir do pedido de perdão ou ele é capaz de entender a relação causa/efeito/arrependimento?
- Se agi sob os mandos da cultura preciso de perdão?
- Deus pode ser ofendido para que tenhamos que pedir perdão? Se sim, ele não é Deus - um Ser que se basta a si mesmo.

Uma mulher que faz aborto precisa que a Igreja saiba? Acho que não.
Um Deus que não é capaz de evitar a morte de um ser inocente não é Deus.
A concepção foi permitida por ele, mas não a sobrevida...
Houvesse controle divino sobre quem nasce somente bons nasceriam. É o que imagino.

Não seria a mão divina, a mesma que outrora mandou matar (VT), a força para que uma mãe livre-se de um bebe? Conhece instinto mais forte que a maternidade?

Abaixo a postagem do Machadão no Facebook sobre o tema:

Voltando ao perdão do aborto, pregado pelo Papa: invocaram 70 x 7. Vamos lá (aBiblia.org):
O evangelista Mateus narra o fato do pecador incorrigível, caso extremo, que leva o afastamento de Deus. Mateus quer mostrar um fato contrário dos que normalmente são comuns: Existência do perdão e reconciliação entre os membros da comunidade. A situação da narrativa nesta passagem bíblica: "Se teu irmão tiver pecado...", O que fazer? O evangelho mostra a parte ofendida falando com o pecador, testemunhas e a comunidade também. A chamada questão da correção fraterna. Outra questão aparece. Até quantas vezes uma pessoa deve ser perdoada? Pedro, tomando a iniciativa dá uma resposta generosa: "Até sete vezes?" Entretanto Jesus corrige Pedro e surpreende a todos quando responde: setenta vezes sete.
Como entender setenta vezes sete?
Não se deve interpretar ao pé da letra este número 7, devemos entender a partir do simbolismo, que ele traz em si e nos dará uma explicação. O número 7 na Bíblia, tem significado de totalidade, plenitude, complementação. Lembro ainda os setenários do Apocalipse: sete taças, sete Igrejas, sete selos, sete trombetas, etc ... Se entende o número sete também a partir da trindade (Pai, Filho e Espírito Santo como sendo o número 3 e o 4 seria os pontos cardeais: norte, sul, oeste, leste totalizando 7. Número perfeito, une o divino com o terreno.
No Antigo Testamento encontramos no livro do Gênesis (Gn 4,24b), o número sete multiplicado por ele mesmo, como no caso de Lamec, vingado por setenta vezes sete, aqui os número não significa excesso, mas na totalidade das ações.
O Novo Testamento também confirma para o número sete a ideia de totalidade como plenitude. No evangelho de Mateus (Mt 15,34.37). são sete os pães e alguns peixes que são multiplicados por Jesus e sete os cestos de pedaços que sobraram O que deve ser apreendido deste trecho é que ao cristão não cabe colocar limites ao perdão.
Concluindo:
O evangelho nos adverte (quando fala em setenta vezes 7) de que o perdão de Deus, e inesgotável, mas está condicionado a nossa disposição interior de saber perdoar os outros. Mostra-nos também que até o perdão concedido por Deus pode ser revogado, se não soubermos, como Ele, perdoar a quem nos ofende. Jesus quer nos ensinar que a misericórdia divina, receberão somente para aqueles que souberem ser misericordiosos com os outros.

Volto para dizer que a moral dessa história toda é que com esse Deus cristão fazemos trocas: me abençoa porque fui um bom menino. Além disso, aqui na Terra em nada nos resolve o tal perdão divino porque vamos exigir justiça aos nossos olhos. Em relação ao aborto que diferença fará ao abortado? Nenhuma. Mas à mãe, em pesando sua consciência, a religião virá com seu papo de perdoar-se a si mesmo e que seu Deus vai perdoar. Tudo balela que ajuda muito aos corações aflitos. Interessante é esse Deus sempre precisar de interlocutores...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

XENOFOBIA, RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA

PENSEMOS UM POUQUINHO...

A despeito de eu e você desejarmos que as pessoas vivam em união, respeito e sem agressões, a realidade depõe contra tudo neste sentido. Basta ver os que pregam o fim das diferenças serem os mais radicais em acentua-las, em deseja-las e, pior, em vive-las, condenando o preconceito dos demais, não o seu próprio. Os demais replicam velhos chavões românticos. Além disso, com séculos de civilizações ao redor do globo é de se supor que a solução já deveria ter sido engendrada. Coisa que nem perto estamos.

Há alguns anos meu pensamento sobre globalização, limites, grupos étnicos, e coisas do tipo ía na ilusão do fim das barreiras entre as pessoas. Mudei! Hoje vejo como fundamental que os grupos possam exercer o seu direito de serem grupos, de se auto-excluírem dos demais e manterem aqueles fios que interligam pessoas como a idade, roupas, esportes etc. O diferente sendo diferente e vivendo sua diferença, quiçá, sem ser perturbado.

O que vemos é a não aceitação do diferente sob o ponto de vista de ser errado ou coisa que o valha. Por todos os lados da questão as ideologias, religiões, torcidas, são coisas que realçam a oposição ao diferente. O exemplo mais demente dessa relação vem da Esquerda, pois quem não é ''esquerda'' é homofóbico, xenofóbico (e são antissemitas!), machista (ser feminista é virtude para os tais) e racista (mesmo que exaltem grupos negros ao invés da humanidade). E repetem esse clichê à exaustão!

Seria inofensivo torcer para um time de futebol. Porém, não é. Agressões de toda a sorte aos trabalhadores que entram em campo por seu sustento, às infindáveis conversas inúteis sobre quais times são melhores, haja visto que um grupo de jogador é sim melhor que outro, mas não por causa do escudo que defendem, mas pelas contratações bem-sucedidas de quem comanda e dependendo do dinheiro disponível. Um grupo é melhor que outro, inclusive, pela afinidade desenvolvida com o treinamento. A camisa não ''entra em campo''. É a vontade, arranjos técnicos e táticos, e o treinamento que entram.

As famigeradas ideologias são tentativas de encontrar a receita exata de redenção humana e suas sociedades. Esqueçam, já temos tempo e histórias suficientes para saber que nenhuma ideia contemplará todas as nuances de nossas necessidades e relações.

Por sua vez, ainda mais sórdidas, as religiões. Sob a aura da inconcebível vontade divina, homens corrompem homens com vistas ao nada. A diversidade é tal que é estúpido considerar que houve, em algum momento da nossa existência, algum recado objetivo do Criador. Alegar que o erro está na interpretação humana é colocar esse mesmo Criador num nível mais baixo que o nosso. Sim, quando nos é dada a oportunidade de mandarmos não permitimos que haja desvios. Submeter a tal mensagem divina aos desmandos humanos é de uma perversão tão grotesca que me espanto com esse mau uso do cérebro. Deus submetido ao homem. Como conseguem?

Contudo e apesar de tudo nos sujeitamos a todos os tipos de divisões em grupos. Nenhum problema se isso não fosse a condenação, segregação e expurgo do outro.

O problema é não aceitar o diferente. Não é ser gay, branco, baixo, rico ou de olhos azuis. O mal está em interferir no desejo do outro. E isso vemos de forma recorrente a cada segundo. Não se trata de apontar no que o outro está errado, mas na falta de razões para supor o erro.

Uma sociedade que entende o gay como ''safadeza'' não o olha como cidadão, por exemplo. Uma religião que insiste em dominar pela força os povos não olha para os demais como humanos livres. Um torcedor de time de futebol perdeu a visão do esporte, não enxerga mais sua beleza, não vê o atleta na grandeza de seu esforço caso não seja do ''seu'' time.

Onde está a clara superioridade branca e amarela sobre os negros? Ora, nas circunstâncias ao longo dos séculos. O frio, onde a alimentação é escassa e a caça mais complexa, moldou esses povos e fê-los desenvolver instrumentos mais eficazes e eficientes. Como um conhecimento leva a outro os brancos europeus cresceram em tecnologias. E isso é poder. Negros pouco produziram de tecnologias e no confronto os mais equipados sobressaíram-se.

Saída? Não, não há. Estamos apenas lidando com nosso instinto animal de grupo que, por milhares de anos, garantiu a sobrevivência na escassez de comida e nas agruras do clima. Ao final, findas as motivações do passado não nos adequamos à realidade presente. E há quem nem perceba seu próprio comportamento...

ANGELONI, O BLOQUEIO DE BENS E OS IMPOSTOS DEVIDOS

Do portal Engeplus: "Os donos de uma rede de supermercados da região Sul do Estado tiveram bens sequestrados como forma de garantir o ressarcimento ao erário em razão da sonegação de impostos no valor de mais de R$ 500 mil. A medida de sequestro de bens foi deferida pelo Juízo da Comarca de Criciúma, no dia 26 de outubro de 2016, atendendo o pedido da 6ª Promotoria de Justiça, especializada no combate à sonegação fiscal na região.
Ao todo foram sequestrados três veículos: um Mercedes Benz S500, ano 2014/2015; um VW Touareg, ano 2011/2011, e um BMW X5, ano 2014/2014. Com a medida, tais bens foram cadastrados no sistema RENAJUD, o que impossibilita a sua transferência."

Segue resposta dos acusados:
“Inicialmente, diante da notícia veiculada no site do Ministério Público na presente data, o Grupo A. Angeloni & Cia. Ltda. (“ANGELONI”) afirma que não teve a oportunidade de apresentar a real versão dos fatos. Nenhum representante legal ou advogado do ANGELONI foi contatado acerca da questão, antes desta inverídica publicação.
Não existe hoje qualquer débito fiscal em aberto das empresas do GRUPO ANGELONI. A empresa detém, ininterruptamente, sua certidão de regularidade fiscal expedida pelo Estado de Santa Catarina, a qual foi renovada pela Administração Catarinense no último dia 16.11.2016, o que comprova que todas as discussões fiscais encontram-se regularmente garantidas.
A discussão objeto da matéria ventilada também se encontra plenamente garantida e a ação ajuizada pelo Ministério Público busca uma segunda garantia para a mesma cobrança, o que é vedado pelo ordenamento jurídico e já foi objeto de recurso próprio pelo ANGELONI nas esferas competentes. 
Não é fidedigna a informação de que o GRUPO ANGELONI ostenta a condição de segundo maior devedor de ICMS do Estado de Santa Catarina, pois o critério adotado no levantamento realizado pela Fazenda Estadual desconsidera os valores dos créditos decorrentes das vitórias da empresa contra as cobranças indevidamente realizadas, o que desqualifica o número apresentado.   
E por fim, a afirmação de que teria havido sonegação de impostos é totalmente descabida, uma vez que não há decisão final em nenhum processo neste sentido. Diante da gravidade desta acusação, a empresa encaminhará notificação própria acerca do tema aos responsáveis por esta indevida informação.
O Grupo ANGELONI reafirma a lisura de sua operação e o cumprimento integral de suas obrigações fiscais e rechaça, veementemente, qualquer tentativa de cobrança de valores indevidos, que seguirão sendo regularmente discutidos pelos meios próprios.”

Estranho alegarem que seus representantes legais não foram contatados.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

EDUCAÇÃO VEM DE... TODOS OS LADOS

É lamentável ignorar a influência da escola na disciplina da convivência em grupo, na formação do cidadão, de suas ideias, de sua visão de mundo, de sua noção do que seja sociedade. Na escola a criança começa a perceber que há hierarquia e que terá que se submeter às regras, sejam boas ou ruins para si, inclusive às tácitas, aquelas que estão nas ruas, onde a Lei não tem vez. A família não abarca essa gama de coisas.

Achar que educação é coisa exclusiva da família é uma grosseria. Da mesma forma é tolice achar que professor não tenha que educar o aluno no sentido atribuído à família. Educa por ser adulto com alto grau de influência na vida das crianças. Educa porque é exemplo de postura e porque as crianças o admiram. Coisa que se perde com o tempo, na medida em que crescem e têm outros interesses. O professor pode e deve suscitar discussões e ensinar a pensar, a ter senso crítico.

Todos nós tivemos professores que nos inspiraram e outros que preferimos esquecer. A rigidez das regras é absolutamente necessária na vida de todos e o professor é parte disso.

Quais são as melhores escolas? As que exigem mais, as que têm regras rígidas. Isso é parte do processo educacional e essencial na formação de bons cidadãos. Escolas onde há frouxidão gera ignorantes e prejudica os que querem estudar. É na cobrança firme do desempenho que são forjados melhores profissionais. Ora, não há uma distância muito grande entre o professor e o patrão a exigir resultados.

Educação tem que vir de casa? Sim, tem. Mas jamais será sua única fonte e os profissionais da Educação querem isentar-se disso. Julgam que pais largam seus filhos na escola, como em depósitos. Bem, isso é resultado da legislação que os obriga. A escola deixou de ser local para os excelentes, para os que gostam dos estudos, para ser depósito. Agradeçam aos pedagogos e políticos por este problema.

"Lugar de criança é na escola." Muito bonita essa ideia. Contudo, depende do profissional entrar para a vida de professor sabendo da sua responsabilidade com o futuro. Ou é melhor ficar em casa.