quarta-feira, 27 de julho de 2011

DO PRECONCEITO À VITÓRIA (breve relato de uma história breve do skate em Criciúma)

No início da década passada o skate ainda era marginal na região de Criciúma. A PM, a pedido do cidadão, prendia o 'carrinho' constantemente. Como colunista do Jornal da Manhã abracei a causa da gurizada e a coisa começou a mudar.


Na Associação Empresarial de Criciúma (ACIC) o esporte passou a ser comentado. Falava para os empresários do nicho de mercado e das empresas da região que ganhavam com o estilo street de roupas. “O Brasil exporta o truck (eixo) do skate”, comentava orgulhoso para que mudassem a visão recorrente sobre o esporte.


Num domingo à tarde eu ia para a redação do jornal com um disquete no bolso para baixar a coluna de segunda-feira. Em certa altura, no bairro Próspera, ‘pedalava’ meu skate, quando um cidadão passou num Chevette branco e gritou da janela: “Vai trabalhar vagabundo!”. Como ciclista ainda hoje ouço, assim como meus colegas do pedal, esse tipo de manifestação.


Durante oito anos lutei pela construção da pista ali no Parque Centenário. Foram muitas reuniões e do começo ao fim uns raros acompanharam em todo o tempo. A cada ano mudavam os companheiros de luta. Na primeira vez que fui num campeonato não sabia nem o que era um shape. A gurizada me olhava estranho porque não era da tribo.


Nesse tempo realizei com outros camaradas dois campeonatos de skate e ajudei num outro, levei guris para dois eventos em Florianópolis, dormi em hotel de putas para economizar e busquei recursos para irem a Novo Hamburgo, num dos maiores do país. Propus a inovadora criação de equipe municipal e tentei a criação de uma escolhinha. Também fui o único da região no 1º Congresso Brasileiro de Skate em São Paulo (2002). Na ocasião conheci Bob Burnquist, Marcelo Negão e César Gyrão, ícones do esporte no país. Para tanto vários empresários me deram grana (Eza Engenharia, Gráfica Líder e Álvaro Arns).


No caso da escolinha a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) me tratou com tal desprezo que hoje, ao ver sua propaganda dizendo-se comunitária, suponho, deve ter mudado muito sua postura.


Faço este registro porque não quero cair no esquecimento. Privei minha família da minha presença e tive muitos gastos. Além disso, olho para tantos colegas de imprensa que são ‘defensores’ da coisa pública e não os vejo abraçar causa que não lhes dê ainda mais mídia e elogios, quando na realidade não movem um dedo sequer.

Por fim, registro o empenho de Daniel Bristot pelo skate. Um dos poucos, senão o único, que abraçou este esporte em Criciúma como um investimento para a vida. Desejo a ele todo o sucesso possível.

domingo, 3 de julho de 2011

DESRESPEITO NO FACEBOOK (e outros...)

“Cada um tem sua opinião”. Isso é lógico e básico em qualquer relação. Porém, é constante o pedido de “respeito” diante da divergência de opinião. Ainda mais contundente quando é o caso da condenação de uma opinião.

Haveria algo por trás disso? Sim, há!

Quando há a discordância de uma idéia não há necessariamente o desrespeito. Aliás, não há qualquer traço de desrespeito. O desrespeito está em, sob o argumento do respeito, sugerir-se e até impor o não contraditório. Sem que percebam, os que não admitem o pensamento contrário, pedem o silêncio do opositor. Isso, deveras, é um ato de desrespeito similar às ditaduras. Querem apenas as manifestações de apoio. É negar do direito do contraditório.

Tenho notado a dinâmica das discussões no Facebook. Primeiro alguém adiciona um texto. Em geral pensamentos parciais e extremamente superficiais. Em seguida outro apresenta um contraponto. É estabelecida a discussão. Em dois ou três posts é reivindicado o “respeito” à opinião alheia. Fica evidente que não é o caso do respeito, mas da falta de argumentos ou da impaciência. Pois, se diante do primeiro contraditório é feito silêncio houve o tal respeito tão requerido. A coisa continua porque vem a defesa do que foi dito inicialmente.

Ora, se um tem que respeitar a opinião do outro, o outro tem que respeitar a opinião do um...

Afinal, onde está o problema? Primeiro, não fomos educados para a discussão. Fomos instruídos em fugir disso e não disputar ideias. Acontece que isso é tolice, já que na escola, assim como na família, haverá o embate. Como não temos o treinamento vamos para o bate-boca. Segundo, além de todos terem opinião sobre tudo, está o caso de não se ter conhecimento sobre o que se discute. Está claro que qualquer motorista de ônibus, frentista, empresário, médico e professor sabe dar jeito no mundo, principalmente na política. É evidente que não têm noção das implicações de suas idéias, tampouco na dimensão dos problemas. À medida que o mundo vai ficando menor, do país pra cidade e da cidade para sua própria casa, as soluções ficam inversamente proporcionais ao ponto de não saber coordenar nem a arrumação da casa.

De minha parte, mais que reivindicar um tal respeito burro, estúpido, é necessário a busca das ferramentas diante das divergências e dos problemas.

Uma delas, talvez a mais difícil, é ouvir o outro. Segundo, entender que as possibilidades, os demais ângulos de visão, não são, necessariamente, uma condenação, mas uma complementação. Terceiro, suspeitar que o outro pode estar certo. Quarto, mais que firmar posição, podemos estar diante da possibilidade de aprender coisa nova. Quinto, buscar dados num mundo cheio de informações é um prazer, não um problema. Sexto, identificar o que é de fato importante, necessário e útil no tema. Por fim, discussão não é queda de braço!

Não raro o que se vê nas discussões em família, mais que a busca de solução é achar um culpado. Ah, é daí? São duas coisas distintas. A solução vem antes, bem antes, de identificar o culpado, se há um culpado e se houver a necessidade de se culpar alguém, quanto mais estabelecer uma punição.
Reconheço que é complicado ter paciência diante de alguns absurdos.

Discutir ideias não é discutir pessoas. E quando alguém descamba para o ataque pessoal... bem, desses me afasto. Devemos levar em conta que há sujeitos inaptos que, quando se veem acuados, atacam na tentativa de fragilizar seu oponente por não conseguirem com suas ideias.
Por favor, diga se houver algo além disso.