domingo, 29 de maio de 2011

MULHERES LIBERADAS

Desde a descoberta, ou invenção, da pílula anticoncepcional na década de 1960, que o comportamento sexual das mulheres e, por conseguinte dos homens, mudou. Ficaram menos controladas, ou receosas, para o sexo. Porém, o que se vê hoje são mulheres que ainda mantém muitas restrições para ter relações sexuais. Essas restrições fazem parte do ritual do acasalamento. O que chamam de romantismo é o tempo e esforço para observar, analisar e ter “certezas” sobre o macho antes do ato.

Todos os detalhes podem sofrer das exacerbações comuns ao gênero humano. Por exemplo, uma mulher que analisa a saúde do homem, mais que seu caráter, poderá muito bem se entregar a um jogador de futebol. Outra, visando garantir a subsistência da prole buscará um bom provedor, mais que um belo homem. Essas coisas não são claras na mente quando estão acontecendo, no flerte ou na convivência. Mas fazem parte da busca pelo parceiro. Mais ou menos como o homem que instintivamente busca uma mulher com belas curvas, sinal de saúde e fertilidade.

Esse ritual é complexo e vai desde aspectos de personalidade, comportamentais, até aos dotes físicos (simetria e proporcionalidade = beleza). Elas são, em geral, muito mais seletivas que os homens. Na história esse lado feminino foi abafado pelos costumes de arranjar casamento de muitas culturas e que ainda perduram nos conselhos dos pais sobre como deve ser o marido da filha. Para o macho basta ter uma buceta que é meio caminho andado.

Mas o que houve para terem continuado com a “seleção” de sempre? Instinto. O básico, irrefutável e restritivo instinto.

Daí vem a questão que me parece de resposta clara e de forma absurda é negada: os costumes não seriam uma dimensão consciente do que é animal? Tenho como certo que muitos dos nossos costumes, ao longo da existência, são fruto direto do nosso lado animal. No caso do instinto do macho de cuidar da fêmea levou ao “aprisionamento” dela. A ânsia da fêmea de ter um macho que dê alimento à prole leva às “Maria-Gasolina”, sendo o carro um símbolo de poder econômico que é, invariavelmente, a capacidade de trazer a subsistência.

Ao retroagir em cada aspecto da nossa intrincada existência em sociedade vejo o animal que resiste em nós. As mulheres, animais como os homens, mantiveram vívidas suas observações, critérios e testes. Dessa forma penso que a razão trai muitos quando o assunto é machismo, feminismo, natureza humana, feminilidade, casamento e filhos. Sim, ninguém saberá responder objetivamente do porquê de desejarmos filhos.

Por fim, não raro, mulheres bem sucedidas, financeiramente tranquilas, desejam um homem que lhes dê a sensação de proteção. Tudo muito animal!

sábado, 14 de maio de 2011

O FRUTO DA ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTOS

“E já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” (Mt 3.10)
“Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.16-20)

A Bíblia não contém qualquer ensino claro sobre preservação ambiental. Pelo contrário, prega o fim do mundo, a destruição completa do nosso planeta com a instalação do Reino de Jesus – o filho assunto ao lugar do Pai. Mesmo que na época em que foi escrita não houvesse necessidade de alertas ambientais haveria nas profecias esse ingrediente. Doutra forma, em apregoar o fim poderia ser o caso de não nos preocuparmos com este mundo e destruí-lo sem remorso. Afinal, o que interessa mesmo para o cristão é a vida além dessa vida.

Nos textos bíblicos acima, pelo menos, vê-se a menção das árvores e seus frutos. Os contextos do evangelho de Mateus, tanto no capítulo três, quanto no sete, são do homem como árvore e os frutos como suas ações, boas ou más. Mas também alerta para a condenação de quem não dá bom fruto. Além da identificação da árvore pelo fruto. Evidente que são relações supostamente espirituais. Entretanto, partem do que é natural e por isso podemos ter a visão do que é natural permeando o discurso espiritual.

Há muitas figuras nos evangelhos, provavelmente usadas de forma a tornar o discurso mais didático, relacionado com o cotidiano dos ouvintes. Eis que, em se tratando de árvores, há o claro apelo aos homens se tornarem como árvores frutíferas.

Porém, o que se entende por fruto? A sombra num dia de calor não seria um fruto? Os galhos que abrigam ninhos não seriam frutos? As muitas matérias-primas de madeiras, como a borracha da seringueira, não seriam fruto? A lenha produzida não seria fruto? O abrigo e alimento a insetos não seria fruto? A fixação do solo com suas raízes, evitando erosão, não seria fruto? As folhas fornecendo alimento a mamíferos, aves, répteis e estes sendo alimentos para outros não seria fruto? A queda das folhas que produzem substratos não seria fruto? A produção de oxigênio pela fotossíntese não seria fruto? Nesse sentido você é capaz de conceber que haja alguma árvore que não dê bom fruto? Que árvore produziria fruto ruim se até em sua morte servirá de adubo e alimento para outros seres vivos?

Conhecemos uma árvore apenas pelo fruto como indica Jesus? Claro que não. Conhecemos as árvores não só pelas folhas ou caule, mas por sua relação com o meio-ambiente. São, inclusive, divididas em ‘famílias’, por tipos de raízes etc. Seria esse ‘conhecer’ algo diferente do que entendi? Pode ser, mas também na forma que entendi.

Na total impossibilidade de uma oliveira produzir melancias está na fala de Jesus um fatalismo sórdido: uns nasceriam para serem maus e outros para serem bons. Além disso, cai na vala fétida da dicotomia superficial, comum às mentes limitadas: dividir os seres humanos em bons e maus. Ora, somos ruins e bons em muitas e intensas formas. Coisa de uma obviedade abissal.

Está mais que evidente que Jesus, ao tentar explicar uma verdade espiritual ou social, mostrou seu próprio conceito do que é natural ou da intrínseca relação das árvores no ecossistema. Aliás, Jesus tinha consciência do que seria o ecossistema? Com certeza não. A consciência de que um simples arbusto é imprescindível para a manutenção do planeta passa longe da visão do fundador da maior religião da história. Tal consciência, a que temos hoje, levá-lo-ia a um discurso completamente diferente ou com exemplos diferentes.

Por fim, está implícito que, qualquer cristão que se preze, estaria “autorizado” a olhar para as árvores somente pelo do fruto (fruta) gerado. Ao lançar a árvore e homens supostamente maus no fogo, sob a ótica do fruto, não percebe todos os mundos neles contidos.

Quem determina o que seja um fruto bom e como identificá-lo? Pais que cuidam de sua prole dão bom fruto, mesmo que não estendam suas mãos aos sofredores do mundo. Uma pessoa que nasce com problemas tais que tenha que ser servida até que morra produz bom ou mal fruto? Um profissional que exerce com dignidade e honradez suas atividades dá bom fruto. Porém, como classificá-lo se não dá atenção devida à esposa na alcova?

Suponho que uma prostituta ao dar prazer aos seus clientes seja uma árvore frutífera. Como pretender que um agricultor que cultiva coca na Bolívia e, assim sustenta sua família, possa ser classificado? Um policial que trabalha para a segurança de todos nós, com toda a honestidade, numa troca de tiros com bandidos, acerta também um inocente, deu bom fruto?

Diriam alguns que esses frutos a que Jesus se referia são espirituais. Pode ser. Só que tornam a avaliação ainda mais complexa.

Enfim, dada a limitação dos textos e ainda mais limitados os discursos deles advindos do púlpito, creio que o Filho de Deus não diria tal absurdo, ou uma verdade tão meia boca como esta. Pensar nessas afirmações como ''sabedoria divina'' é colocar Deus num patamar dos mais paupérrimos.