terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

IMAGEM


Hugo Ronchi colunista de A Tribuna, publicou o seguinte:
"O brasileiro é criativo por natureza, inteligente, sabe conquistar quando quer chegar ao pódio, mas também sabe hostilizar, usar da “inteligência” para executar tal brincadeira de mau gosto e distribuir via e-mail, achando que está arrasando, para milhares de internautas uma tamanha besteira denegrindo ou querendo denegrir a imagem dos bairros que compõem a região da minha querida Criciúma. Não pensem vocês, que levaram horas para criar tamanha campanha publicitária contra nossa gente, que sairão ilesos, sem serem punidos. A lei é clara, criar algo que venha trazer danos ao cidadão e gerar desconforto deve ser punido todos os responsáveis pelo ato. Digo isto, pois estou por dentro da lei, não estou falando de algo sem ciência, muito pelo contrário, estou falando de uma situação mais do que séria. Quero eu acreditar que essa arte publicitária não foi desenvolvida por criciumenses, mas por monstros. Pois gente inescrupulosa se encontra pelos quatro cantos da cidade. Quanta criatividade ou quanta ignorância! Agora pensem comigo: se inspirar em um programa de televisão, como as Brasileiras, da Rede Globo, exibido toda quinta-feira depois do Big Brother Brasil, com o intuito de tentar manchar a marca de nosso cidadão, sem sombra de dúvidas, só pode ser uma pessoa com a mente vazia, perturbada, não pode ser normal, é claro. O que mais chamou minha atenção foi escolher nossa cidade, nossos bairros, e ainda, enviar para este colunista com mensagem de ataques contra meu trabalho. Grandes criadores, vocês deveriam fazer uso da inteligência para cooperar com a cidade que tanto tenho orgulho, não para tentar denegri-la. Os atores e atrizes da Globo que vocês utilizaram para cada bairro são talentosos e fazem sucesso mostrando a realidade dos brasileiros com pitadas de humor, diferente de vocês, que sem graça, tentaram passar uma imagem totalmente contrária de nosso cidadão."


Na minha visão
Bem, ao ver essa brincadeira pelo Facebook realmente achei criativa e engraçada. Isso é tão verdadeiro quanto se só colocasse elogios. Ora, é evidente que os adjetivos se encaixam perfeitamente para cada comunidade, pois, certamente, há meninas frívolas, bem como inteligentes, como em qualquer lugar no mundo.
Mas em que denigre? Em nada. Não vejo no que possa atrapalhar a vida dos criciumenses. Creio que seja muito melhor encarar como uma brincadeira, uma ironia, uma sátira já que não passa disso.
O Hugo me pediu este espaço para postar essa foto sem que tenha pedido que publicasse seu texto. Mas fi-lo porque sua manifestação é absolutamente democrática. Quanto aos ataques pessoais, devo dizer que irritam mesmo, muito mais pela covardia do anonimato dos e-mails registrados para esse tipo de finalidade, do que pela bravata em si, mentirosas como sempre. Fui alvo deles quando colunista do JM.
Por fim, o objetivo dos detratores foi atingido: publicidade. Com certeza riram muito quando leram sua coluna. O Hugo Ronchi é novo e vai aprender, assim espero, que a melhor resposta é a indiferença ou, como gosto, concordar. Quando se concorda o mentiroso perde seu argumento, mas aí depende do caso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

BREVE ANÁLISE DO LIVRO DOS ESPÍRITOS

Ao ler o Livro dos Espíritos, de Alan Kardec, vejo-me diante de algo tão banal, de explicações tão toscas, que me atrevo, um reles mortal, fazer alguns contrapontos óbvios.
Antes, porém, devo dizer que se digo que é banal ou tosco porque um livro levaria atrás de si multidões ao longo de mais de 150 anos? A razão me parece igualmente óbvia: querem que seja verdade, aceitam que determinados ‘fenômenos’ tenha aquela explicação dada. A necessidade de respostas é de tal monta que não somente o espiritismo, mas toda e qualquer crença é resultado da fé e não de fatos. Os fatos doem, os fatos machucam, os fatos encerram nossa vida em limites que não aceitamos. Daí a facilidade de surgirem caminhos, os mais diversos e incríveis que aliviam a vida. Sejam lá quais forem sempre haverá quem devote credibilidade como fruto de uma convicção poderosa que só existe dentro de si – isso é a fé.
Nesse contexto como aceitar que a Bíblia seja a ‘palavra de Deus’ quando dá orientações claríssimas quanto à venda de pessoas como se fossem objetos? Mas esse é outro assunto.

DAS FONTES
Em qualquer informação veiculada na imprensa a fonte é coisa básica. Nesse livro as fontes são ‘espíritos superiores’. As informações são direcionadas a um grupo de privilegiados que, obviamente, é superior aos demais. As verdades vêm para os médiuns, não são distribuídas individualmente a todos os seres humanos. Ou seja, como não sou médium não recebo dado algum, não tenho como conferir a veracidade das fontes, não posso dizer que são falsas. Do mesmo modo se dissesse que o que escrevo aqui foi dado por um ser superior ninguém teria como provar o contrário. Enfim, é o clássico “dito pelo não dito”.
Por outro lado, ele mesmo não tem qualquer garantia que o que recebeu é de fato vindo dos superiores. Pode ter sido enganado, afinal não é porque os tais espíritos se comportam dessa ou daquela forma, que dizem coisas agradáveis e que passam um ar de sabedoria, serão verdadeiros. É plausível que um dos ‘brincalhões’ poderia ter dito coisas aparentemente sábias e depois, numa roda de espíritos, dizer às gargalhadas: “Sacaneei!” Essa aparência de algo elevado é o melhor caminho para enganar. É como receber um visitante de terras e cultura que não conheço: o que ele disser será verdade.
Não posso testar essas fontes. Se eu dissesse: “Espírito que falou com o Alan, venha conversar comigo”, e o tal viesse, nem assim teria como atestar que é o mesmo espírito. Pode ser outro brincalhão a me sacanear.
Acima de tudo isso está a fonte absoluta da Verdade. Por que Deus precisaria de intermediários para nos ensinar sua verdade? Nada, explicação alguma, estaria à altura do ridículo de Deus precisar que alguém, ou alguma coisa, que fale por ele. Muito menos através de um livro, seja o tratado aqui, seja a Bíblia, seja o Alcorão. Qualquer um que fale em nome de Deus mente!

DICOTOMIA
Logo de início Kardec divide em dois grupos os tais espíritos: evoluídos e inferiores. Os do bem e os do mau. Os íntimos de Deus, elevados e sábios que resolveram esclarecer as coisas para o autor; e os “eivados de nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se do mal. (...) A malícia e as inconsequencias parecem ser o que neles predomina”.
Nossa existência, em relação direta com nossa parte imaterial, se é que ela existe, não é posta em dois grupos. Caso nossas ações nesta vida estivessem dissociadas do mundo vindouro minhas análises perderiam o sentido, tanto quando às dos espíritas. E por esta mesma relação estou autorizado a ver os espíritos sob a ótica das nossas humanidades, como o próprio Kardec deixa claro. Se os espíritos têm características humanas é como humanos que serão divididos.
Sugiro ao leitor entender nossa humanidade com todos os tons de cinzas entre o branco e o preto, que seriam o absoluto nos extremos: o mal total e o bem total. E quem é um ou outro? Quem é totalmente branco ou totalmente preto? Ninguém! Não estamos divididos em maus e bons. Evidente que há quem esteja mais para um que para outro. Essa divisão é míope. Caso só consigam ver sob exemplos bem específicos: um traficante é capaz de constituir família e dar aos seus filhos muita atenção, carinho e fazer avaliações sábias sobre a vida. Ao passo que os exemplos estão aí de caridosos religiosos que se enveredam pela pedofilia, líderes que arrastam multidões em lágrimas, delas retiram o dinheiro e dão esperança, vazia, mas esperança. É natural que eu entenda que espíritos, mesmo motivados pelas mais belas das intenções, digam inverdades e deem esperança.
Há nos seres humanos o bem e o mal. Assim como um analfabeto pode ser eticamente irrepreensível e um intelectual desprovido de princípios de moralidade pública. Da mesma forma um espírito pode destilar todas as verdades do mundo e sem, contudo, ser evoluído. Se sua superioridade está na relação direta com o conhecimento que tem, o mesmo deve servir para avaliarmos os seres humanos: superiores são os com diversas faculdades, doutorados, mestrados etc.

DOS ESPÍRITOS MAUS
Mas, em havendo essa divisão, a existência dos tais espíritos maus ou ‘não evoluídos’ mostra algo muito interessante. Como se poderia supor que nesse outro mundo haveria ignorância? Ora, é plausível que, na condição de espírito, toda a verdade esteja acessível em sua plenitude. Daí um espírito fazer chacota, mentir e desdenhar com tudo torna a verdade irrelevante. É o ápice da liberdade. O que é a ética senão o cerceamento da liberdade em prol das relações, de conceitos coletivos? Ora, que aprisionamentos poderia haver no mundo espiritual que não impusessem medo em todos?
Os tais espíritos maus sabem que ser mau não tem qualquer problema e que a suposta verdade é uma enorme bobagem. Não há regras e sem regras não há condenação. Portanto, devem ser mais divertidos, mais alegres e livres das tensões de consciência. Não há o que matar e, assim, que mal poderiam cometer senão fazer chacota dos chatos metidos a sabichões?
Se vêm até os humanos e se apossam de suas mentes e corpos é porque isso lhes foi permitido. O próprio Kardec fala que aos humanos determinadas coisas não é permitido saber. Ora, se há limites à consciência humana que permissão é essa para espíritos a manipularem? Há uma grave incoerência nisso. E, em havendo essa possessão, os tais espíritos maus, sabedores do que há nesse outro mundo, veem que não há problemas. Isso não seria um caso de não evolução, mas de burrice.
É possível imaginar que os espíritos têm níveis de inteligência? Em havendo tais níveis é razoável pensar que ao desprovido de capacidade para entender um fato as consequências não poderiam ser a ele imputadas. É impossível imaginarmos a condição de certo e errado quando há um bloqueio natural à verdade.
Em havendo um mundo espiritual não é possível que haja essa distinção humana e, por havê-la feito, Kardec se mostra fantasioso, delirante ou extremamente mal intencionado.

DAS NOSSAS HUMANIDADES
Além da divisão entre bons e maus, ao mencionar ódio, ciúmes etc, como lado negativo, o autor mostra-se alguém limitado. Ora, esses mesmos sentimentos são a força para se opor ao mal, ou buscar o bem. Incontáveis povos se livraram de seus algozes graças aos que, movidos pelo ódio, lançaram mão de lutas. Buscamos reparação através do Poder Judiciário por amor a quem nos maltratou? O ciúme é mola propulsora para a conquista desse ou daquele conforto que, não raro, acaba por ser dividido com outros, como uma TV ou um ar-condicionado. O orgulho nos faz agir em nossa própria defesa, faz parte da auto-estima e nos protege de diversos agressores, que por sua vez também agem por estes mesmos sentimentos. Ora, isso é da humanidade e é bom e ruim ao mesmo tempo, conforme o meio, a cultura e o momento em que estamos. É simplesmente impossível que tais sentimentos sejam abstraídos porque nos tornaríamos bonecos, sem vontade própria e sem iniciativas. E, se é mesmo que os espíritos seguem as ações dos encarnados, suponho que sejam como nós.
Os bonzinhos, os crédulos, são pisados e manipulados com facilidade. Somente olhos atentos e treinados pela maldade são capazes de propiciar proteção. Logo nos nossos primeiros anos de vida, quando começamos a interagir, dá-se início esse aprendizado. Na escola o passo é ainda maior e nos vemos forçados a, lançando mão dessas coisas que Kardec acha negativas, nos protegemos, juntamo-nos em grupos, traçamos estratégias e assim seguir a vida. São essas coisa que estão implícitas nas palavras da mãe: “Não provoca os outros na escola!” Evidente que há distorções de todo o tipo assim como vemos pessoas que exalam sexo, tornam isso o centro de suas vidas, enquanto há quem seja celibatário. Os bons costumes sempre serão diferentes de povo para povo, de época para época.

CONCLUSÃO
Se Alan Kardec erra ou não dá segurança nesses aspectos básicos porque eu haveria de dar importância tal que seus escritos serviriam para conduzir minha vida? O Livro dos Espíritos pode ser a verdade, mas que espíritos superiores seriam de fato superiores ao negarem a verdade aos seres humanos que viveram antes de 1857? Ora, a verdade divina não poderia ser negada aos demais em hipótese alguma e quando uma informação vem tão tarde na existência humana é evidente que não se trata de uma verdade, senão de mais um devaneio. Maturidade da consciência coletiva? Desde quanto se espera a criança entender sobre o remédio para fazermos com que tome?
Diriam alguns que os ensinamentos se mostram verdadeiros pelas comprovações que são vistas ao longo dos tempos, mesmo antes do livro ser escrito. Muito bem, quem procura acha, quem deixa conduzir seu olhar ‘verá’ o que quiser ver. A verdade não poderá, jamais, ser submetida a pontos de vista e o mais cético dos homens a experimentaria, seja lá a época que tenha vivido. É extremamente confortável dizer que estou com a verdade e você não a vê porque o problema está em não teres fé ou não teres atingido um tal grau espiritual. São coisas intangíveis, impossíveis de serem averiguadas. Como minha experiência é toda em contrário devo usar isso para atestar a falibilidade de Kardec? Claro que não. Em momento algum minha experiência, assim como a dos demais espíritas, será o comprovador. A razão é muito simples: nossa mente é pródiga em inventar coisas nessa área da espiritualidade. E ficará o nobre e eloquente “dito pelo não dito”.
Eis que, interessado muito mais em entender os fatos do que arranjar explicações que emocionam e inebriam as mentes, não vou fazer curvas.
Não há Verdade a ser buscada e continuaremos cogitando sobre ela em vão.
Abraço roldânico!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

SURDOS NO ENSINO PÚBLICO DE CRICIÚMA

A senhora Marilena Barreto me procurou aqui pelo Facebook para relatar o caso de seu filho/neto que é surdo e passou para o 3º ano sem ser alfabetizado em Português e Libras – Língua Brasileira de Sinais. No primeiro ano esteve na escola Pascoal Meller, bairro Santa Augusta, onde ficava num canto, desenhando. No ano passado foi para a escola estadual São Cristóvão, no bairro homônimo, onde há professor capacitado.

Vamos a alguns dos fatos.

Segundo informações da coordenadora de Educação Especial da prefeitura de Criciúma, Sônia Regina Rabelo Alves, há apenas dois profissionais que conseguem comunicação com surdos em toda a rede. Mesmo assim não estariam em totais condições, pois é preciso muita prática. O município investiu em treinamentos a partir de 2009 com 120 horas e mais 40 horas em 2011. Estão planejadas mais 40 horas este ano. Sônia acrescentou que não há na rede municipal estudante que conheça Libras. Ou seja, o caso é ensinar primeiro para depois integrá-los aos demais e ter as aulas interpretadas. Só que esse ensino está nas mãos do Estado e na ausência de alunos conhecedores de Libras esses profissionais não podem praticar de forma a agilizar seu próprio aprendizado da língua de sinais.

Em Criciúma apenas uma escola do Estado dispõe do ensino regular para surdos, a do bairro São Cristóvão. A diretora, Dione Teixeira, informou que há turmas do 1º ao 5º ano bilíngue – alfabetização em Português e Libras. Há, contudo, algumas dificuldades de aprendizagem nesse processo. Primeiro a família não conhece e a convivência ajuda muito; depois há casos em que a criança sente dificuldades de entrosamento e outras possuem limitações cognitivas; e, há a necessidade de passarem de ano como as demais, fruto da apresentação de números de desempenho da escola para a Secretaria de Estado, do Estado para o MEC e do Brasil para instituições internacionais financiadoras (mas isso é outro assunto). Mesmo em meio às dificuldades, segundo Dione, “as crianças apresentam um grande avanço nos primeiros anos.”

Entretanto, Marilena testemunha que seu filho pouca evolução apresentou, não passando da identificação de letras, quando deveria ler. Nestes casos, argumenta a diretora, é de praxe que a criança seja retida no final do terceiro ano para que volte a fazer as disciplinas nas quais não teve desempenho adequado, que é o que pode ocorrer com este menino, concomitante às aulas de quarto ano.

Este caso é muito interessante porque está em meio a um processo. Ou seja, o ensino de Libras não está consolidado, nem nas escolas municipais, nem no Estado e muito menos entre as famílias, cuja atuação é fundamental em qualquer situação de aprendizado, seja entre os portadores de necessidades especiais, seja entre os chamados de normais. Há carência de profissionais habilitados e as escolas estão adequando suas estruturas. Por conta disso há um caminho longo a ser trilhado por professores, pais e, principalmente, pelos portadores dessa anomalia física.

Não obtive precisão nas informações que pesquisei, mas é possível que no Brasil haja cerca de 750 mil deficientes auditivos, entre eles os surdos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O DÍZIMO... e a dinheirama das igrejas.

É recorrente ouvirmos comentários sobre o absurdo de grana que circula nas igrejas evangélicas, os templos suntuosos e a vida de rei dos grandes líderes. Realmente há muito dinheiro nisso. Mas onde está o problema? Se é que existe um problema. Por que deveríamos condenar algo que não é imposto, é voluntário e individual? As discussões sempre são, ao meu ver, rasas como um pires e neste texto me proponho em lançar alguns detalhes para meditação porque, sem sombra de dúvidas, esse fenômeno social tem algo mais profundo que o dinheiro. Creio que um sociólogo consiga ir mais fundo, mas mesmo assim vou me atrever.

Dízimo não é doutrina neotestamentária. Tampouco está na Lei mosaica. Surgiu espontaneamente quando Abraão assim o quis, se tornou uma tradição e está vinculado ao templo. O templo, nas culturas antigas, notadamente as sumérias de onde vieram os hebreus, servia de depósito e controle de alimentos para épocas difíceis.

Ora, não há qualquer diretriz nesse sentido no Novo Testamento. O apóstolo Paulo não cita a palavra 'dízimo' uma vez sequer. Fala em ‘ofertas’ apenas, 'segundo propôs em seu coração'. No livro de Hebreus apenas relembra a iniciativa de Abraão, precursor do dízimo, mas não determina que seja seguido.

Na única vez em que Jesus fala de dízimo como algo a ser seguido está em conversa com os fariseus, já que o templo mantinha-se por conta das contribuições, como é hoje. Em nenhum dos seus discursos diz que dízimo é obrigatório ao seu seguidor, talvez porque também não há orientação na construção de templos. Por outro lado está implícito que os líderes da igreja recebiam salário. Porém, isso não está claro no Novo Testamento. Sem qualquer sombra de dúvidas não há orientação sobre a gestão de recursos e despesas da igreja cristã. No máximo podemos aceitar que houvesse a figura do tesoureiro, como o foi Judas Iscariotes. É um assunto quase inexistente no Novo Testamento.

Eis, meus caros amigos, o primeiro dos problemas: a desconsideração do que seja de fato determinação bíblica. Os cristãos evidenciam muito bem isso ao defender o dízimo e falar que é coisa da Palavra de Deus. Evidente que replicam o discurso dos líderes, que por sua vez, replicam o que receberam... A vasta multidão de crentes não têm conhecimento neste sentido e tudo é muito confortável: nada a ser questionado.

O segundo problema: a troca. Os cristãos refletem essa mesma problemática. Deus abençoa porque o crente faz alguma coisa? Esse Deus é um negociante? Não dá algo porque ama, mas porque é obedecido? Ou, ainda mais nebuloso: Deus não abençoa se não for fiel no dízimo? Uma boa discussão que as igrejas não fazem porque se descobriria o óbvio: tem boi na linha e a vida revela outra coisa. Claro que revela. Os dizimistas não estão imunes às desgraças, doenças, crimes, acidentes e toda a sorte de males. É o estelionato divino. De qualquer forma a ideia da troca está de tal forma entranhada na concepção religiosa que tornou-se inquestionável nas igrejas pentecostais e neo-pentecostais, já que nas fundamentalistas (Presbiteriana, Menonita, Batista, Luterana etc) o assunto é tratado de forma mais amena e nem sempre há essa pressão. Mas devo fazer duas pequenas provocações: se Deus abençoa porque se tem uma vida digna e dizimista o mérito é do abençoado; e, amor implica em ser bom independente do outro, muito mais se pensaria isso de Deus.

O terceiro problema: a necessidade de algo maior. O instinto de pertencimento a um grupo é muito forte em nós. Poucos conseguem subtrair de si essa máxima da vida em sociedade. Daí, como temos um povo sem qualquer estudo, incapaz de pensar por si, é imperioso ter uma ideia maior. Precisam de dogmas que deem diretriz a uma vida perdida. É assim que tantas e tantas idéias sobre Deus e a existência surgem. Isso é um buraco sem fundo, no qual vão entrando toda e qualquer concepção sobre o mundo imaterial, sobre o que seja felicidade, vida em abundância, espiritualidade etc. Se o grupo contribui com o dízimo e é orientação da liderança, como pertencer ao grupo sem fazer o mesmo que o grupo?

Quarto problema: liderança. Da mesma forma que o povo necessita de algo para pensar, precisa de líderes. Esses religiosos cumprem bem esse papel e o palco (púlpito) é sedutor, é um ícone. Essas gentes precisam de homens e mulheres que tenham firmeza em suas palavras, que não oscilam entre pensamentos, que passem segurança. Mesmo que o conteúdo seja falso, como se vê nessa turma de Era de Aquarius, ritos indígenas, comunismo etc.

Essas doações de dinheiro apenas manifestam problemas muito maiores e não são o mal em si. Afinal, mesmo que o caso não seja o das bênçãos, o templo requer manutenção, funcionários, investimentos etc.

É isso meus queridos... resumidamente é claro!