sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BOEIRA X IDELI X VIGNATTI X MESCOLOTTO

Em recente manifestação do deputado federal do PT, Jorge Boeira, no meu Facebook, ficou claro o que todos sabemos: captação de recursos para campanhas eleitorais através do cargo de presidente da Eletrosul. Disse Boeira: “não aceitei o cargo de presidente da Eletrosul porque tinha a clara convicção que iria servir de arrecadador de campanha em função do cargo, coisa que não me presto e fere meus princípios.


O petista fez essa afirmação em meio ao meu questionamento sobre se sabia de maracutaias no Dnit, do Ministério dos Transportes. Ele negou que soubesse, mas disse o que reproduzi.

Entrevistado pelo jornalista Adelor Lessa na rádio Som Maior, Boeira foi além ao mencionar que havia divergências com a ex-senadora e atual ministra da Integração Nacional, Ideli Salvati, sem dizer quais. Divergências ainda mais profundas dela com Cláudio Vignatti, que concorreu ao senado nas eleições de 2010. Nesse mesmo pleito Ideli amargou a terceira posição na corrida para o governo do Estado de Santa Catarina.

Suas manifestações após a fragorosa derrota mostraram uma mulher movida pela paixão, mais que pela razão em função dos fatos. E sua rixa com Vignatti mostra seu lado vingativa.

Retroagindo no tempo, quando deputada estadual foi por mim alcunhada de ‘madame CPI’, tal sua fúria incontida por achar culpados de toda ordem. Um dos exemplos, que não sei no que deu, foi seu pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito por conta de viaturas da Polícia Civil, cujas placas estavam com as iniciais MDB. Sim, o governo de Pedro Ivo Campos havia comprado vários veículos e todos daquela leva vieram com essa placa. É evidente que o partido agiu para ‘marcar’ seus carros, mas instaurar uma CPI para isso me pareceu um exagero. Ora, se ficasse quietinha quem iria notar essa bobagem. Bem mais recente foi sua postura de ardorosa defensora do governo Lula, que hoje, mesmo com sua sucessora, vemos o quanto foi conivente com toda a sorte de desvios. E quentinha ainda a denúncia da revista IstoÉ sobre armações dela para manter um ‘suspeitável’ diretor do Dnit em Santa Catarina, o engenheiro João José dos Santos.

Boeira, de forma clara, mostra do que é feito o cargo de presidente da Eletrosul, ora ocupado pelo ex-marido da ministra, Eurides Mescolotto.

Há duas considerações sobre tudo isso. Primeiro, Ideli dá sinais claros de ter rasgado qualquer código de ética, principalmente do seu próprio partido e de seus contundentes discursos contra a ‘direita’ impiedosa. Segundo, o que o Partido dos Trabalhadores fará com isso? Abrirá mão de suas lutas apenas para jogar o jogo do poder?

Por mais distantes que possamos estar desses assuntos, eles atingem toda a sociedade. E você e eu fazemos parte dos efeitos, queiramos ou não.

domingo, 14 de agosto de 2011

LESSA X SALVARO


Na edição do dia 13 de agosto do corrente em A Tribuna, o colunista Adelor Lessa traz notícia que 30% dos precatórios da prefeitura de Criciúma são da gestão Clésio Salvaro, que assumiu o Paço em janeiro de 2009.
O caso é o seguinte. Precatório é uma dívida do poder público, superior a 60 salários mínimos, que tramitou em julgado e não cabe mais recurso. Ou seja, chegou na última instância do judiciário nacional. Por exemplo, a prefeitura deve para a Previdência, ou outro credor qualquer. Esse credor entra na Justiça, ou a própria prefeitura o faz por entender que há algum tipo de erro e estaria pagando valores maiores. Essa demanda vai para o Fórum da Comarca, dali vai para o Tribunal de Justiça, na capital, para depois seguir para Brasília. Vale lembrar que o poder público, seja qual for, tem obrigação legal de recorrer de qualquer sentença desfavorável até o Supremo. O prefeito que pagar uma ação judicial em decisão de Comarca incorre em descumprimento de Lei.
Quem tem um mínimo de conhecimento, ou mesmo de bom senso, saberá que esse processo levará, pelo menos, 10 anos. Isso mesmo, um mínimo de 10 anos. Então, como poderia ter precatórios do governo Salvaro?
Eu não tenho qualquer dúvida que a atual administração pública de Criciúma deixará precatórios para seus sucessores. Aposto, ainda, que se reeleito Salvaro não pagará um centavo se quer desse tipo de dívida surgida sob seu comando. Tudo dentro da maior ‘normalidade’ jurídica brasileira. Da mesma forma que ainda não são pagos precatórios da gestão de Anderlei Antonelli.
E por que Adelor Lessa daria uma informação equivocada dessas? Desinformação? Má intenção? Desafeto com o prefeito? Fonte errada? Não sei.
Por fim, devo dizer que não há aqui defesa de qualquer ação do atual prefeito. Não entrei no mérito das dívidas e não vou fazê-lo.