quarta-feira, 26 de novembro de 2014

DESCULPEM, MAS BELEZA É FUNDAMENTAL

O visual tem relação com a saúde. Tanto que parte do diagnóstico feito por um médico e o olhar clínico de nossas mães baseiam-se na aparência. Nossos estados febris manifestam-se imediatamente, por exemplo. A postura, massa ou tônus muscular, a prática de esportes, enfim, manifestações externas de nossa condição de estar apto para a procriação, base instintiva, animal e basilar à existência. Afinal, tanto saúde, quanto doença são transmitidos aos descendentes por várias gerações.

Além do exemplo do Pavão, dentre tantos animais que usam a aparência, há os que travam lutas pela fêmea. Os chifres e cornos maiores, de bovinos e ovinos respectivamente, são dos machos mais saudáveis e, portanto, melhores geneticamente. É uma forma natural de seleção feita pela fêmea. Ela faz a escolha e se submete ao vencedor dentre os machos. Outro exemplo, a juba do Leão demonstra sua melhor condição genética, sua saúde e até sua virilidade. Os leões menos fortes tem juba menor, mais rala.

Então, nosso apego a beleza não foge ao instinto, mas o reflete. Somos igualmente animais neste particular. E beleza é proporção e simetria, basicamente. Quem fala negativamente do nosso apego à aparência é um péssimo observador das nossas humanidades.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ricardo Semler: nunca se roubou tão pouco

E esse Semler denunciou? Não né... Nem quando o PSDB estava no poder. Ou seja, sabia mas não quis por o seu na reta para bem do país!!! E, evidentemente, ele não considera o tanto de empresas públicas privatizadas após o Regime Militar, especialmente na gestão de FHC. Segue o que foi publicado na Folha por um empresário que cultuou e alimentou a hipocrisia que ora menciona.


Ricardo Semler: nunca se roubou tão pouco


Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.


Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.


Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.


Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão - cem vezes mais do que o caso Petrobras - pelos empresários?


Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?


Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.


Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.


É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.


Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.


Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.


A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.


O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.


É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.


A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.


Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.


Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?


Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.


O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.


RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

COMO SURGIU O VIBRADOR E A HISTÓRIA DO ORGASMO FEMININO

Vibradores eram utilizados como remédio contra a "histeria" no século 19
Publicado por TERRA

Em um mundo onde o desejo sexual das mulheres era tratado como doença, o vibrador foi apresentado como a cura. Parece mentira, mas não faz tanto tempo assim: o vibrador foi inventado no século 19 para ajudar no tratamento de sintomas atribuídos a uma doença conhecida como “histeria”. Demorou até que o orgasmo feminino fosse aceito, a psiquiatria abolisse conceitos antigos e o acessório ocupasse um espaço na gaveta de mulheres completamente saudáveis.

A histeria
Nas primeiras décadas do século 19, mulheres que apresentavam irritabilidade, insônia, ansiedade, dores de cabeça, choro e falta de apetite, entre outros sintomas, eram diagnosticadas com “histeria”, uma doença psíquica tida como exclusivamente feminina. O problema, acreditava-se, era causado por perturbações no útero. “Na medicina hipocrática, ao contrário do Egito antigo, um ativo desejo feminino por sexo e seus sintomas - inclusive excitação, fantasias eróticas, lubrificação vaginal e comportamento em geral melancólico ou irracional - eram conhecidos como uma doença chamada histeria - literalmente, doença causada por um deslocamento do útero”, esclarece o jornalista Jonathan Margolis em seu livro O: The Intimate History of the Orgasm ("A história íntima do orgasmo", lançado no Brasil pela Ediouro).
Assim, para amainar a “histeria”, o tratamento recomendado era a massagem no clitóris, feita diretamente pelo médico, em consultório. Com as mãos, o médico estimulava a paciente até que ela atingisse o “paroxismo histérico”, conhecido hoje como orgasmo. Depois de uma sessão de gemidos e gritos, a mulher ficava mais calma, e os sintomas desapareciam - pelo menos por um tempo.
Esse mesmo tratamento já havia sido indicado muito antes, em 1653, pelo médico holandês Pieter Van Foreest, quando publicou um compêndio médico com um capítulo sobre doenças femininas. Para a histeria, Foreest aconselhava o auxílio de uma parteira para realizar a massagem na genitália, com um dedo dentro da vagina, usando óleo de lírios como lubrificante.
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“Essa suposta doença exibia uma sintomatologia compatível com o funcionamento normal da sexualidade feminina, e para a qual o alívio, não surpreendentemente, era obtido através do orgasmo, seja através de relações sexuais com o marido ou por meio da massagem na mesa do médico”, explica Rachel P. Maines, cientista visitante na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade de Cornell e autora do livro The Technology of Orgasm: “Hysteria”, Vibrators and Women’s Sexual Satisfaction (“A tecnologia do orgasmo: histeria, vibradores e a satisfação sexual das mulheres”, em tradução livre).

Nos consultórios
Com ou sem marido, as mulheres passaram a lotar os consultórios médicos em busca da “cura” para a histeria. E os médicos passavam horas masturbando suas pacientes, preocupados com sua saúde. Para Rose Vilella, psicóloga com formação em sexualidade humana e mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além da falta de conhecimento, o orgasmo feminino não era reconhecido devido ao machismo de não enxergar a mulher como um ser capaz de expressar seus desejos e satisfações sexuais. “A sexualidade feminina sempre sofreu com a repressão, nesta época principalmente, em que o órgão sexual na mulher era puramente para procriação”, ressalta.
Mas a massagem clitoriana era uma tarefa maçante, e muitas pacientes demoravam horas para atingirem o tal “paroxismo histérico”. Com isso, os médicos começaram a ter problemas nas mãos devido ao esforço repetitivo, e novas alternativas passaram a ser testadas. A primeira delas foi um jato de água diretamente no clitóris. Como o método não rendeu bons resultados, um acessório diferente foi inventado.

O vibrador
Para agilizar as sessões nos consultórios, o médico americano George Taylor patenteou, em 1869, o primeiro vibrador, a vapor, e o batizou de "The manipulator". Embora fosse um aparelho grande e de aparência assustadora, o aparato levava as mulheres ao orgasmo mais rapidamente, permitindo aos médicos descansar as mãos e atender mais pacientes.
O vapor não durou muito. Em 1880, o médico inglês Joseph Mortimer Granville inventou o vibrador movido à manivela. Aperfeiçoada, a ideia se materializou em 1902 no primeiro vibrador elétrico, lançado pela empresa americana Hamilton Beach.
Nessa época, os vibradores deixaram de ser usados apenas nos consultórios médicos, e as mulheres passaram a tratar a “histeria” em casa. Ainda assim, o conceito de que aqueles sintomas caracterizassem uma doença só foi abolido pela Associação Americana de Psiquiatria em 1952.

Propaganda
Nas duas primeiras décadas do século 20, uma variedade de modelos, em todas as faixas de preço e com vários tipos de energia, eram anunciados livremente em catálogos e revistas femininas. “O aparelho foi comercializado principalmente para as mulheres para ajudar na saúde e a relaxar, em frases ambíguas, como ‘Todos os prazeres da juventude...vão pulsar dentro de você’", relata Rachel.
Os filmes pornográficos subverteram essa ideia. Neles, atores começaram a usar o acessório a fim de promover o prazer de suas parceiras. Com isso, a imagem do vibrador ganhou uma conotação negativa na sociedade. “Então ele deixou de ser usado e comercializado com finalidade terapêutica. Começou-se a associar a utilização do vibrador com mulheres vulgares”, justifica Rose. Logo o aparelho desapareceu das revistas e dos consultórios médicos.
Os fabricantes até tentaram formas mais discretas de divulgar o produto, anunciando seu uso em outras partes do corpo, vendendo-o disfarçado em caixas de aspiradores de pó, e até como um acessório que, uma vez conectado, poderia ser utilizado para outras finalidades, como prova o anúncio “A ajuda que toda mulher necessita”.

O verdadeiro atributo
Apesar do esforço publicitário, os vibradores sumiram dos impressos respeitáveis e ficaram “escondidos” até a década de 1960. “O vibrador retornou nos anos 60, junto com o conceito de orgasmo visto como prazer, com a revolução sexual feminina da descoberta da pílula anticoncepcional, que mostrava que o sexo não era mais visto única e exclusivamente como função reprodutora”, esclarece Rose.
Foi assim que o vibrador passou a ser vendido como acessório sexual, em vez de instrumento médico. Inclusive, pontua Rachel, “sua eficácia na produção de orgasmo em mulheres tornou-se um argumento de venda no mercado consumidor”. Melhor assim.