terça-feira, 22 de novembro de 2011

A ESCRITA E A MENSAGEM

A escrita é um desenvolvimento humano. Começou com o que se denominou escrita pictórica ou hieroglífica há cerca de 6 mil anos. Veio a escrita cuneiforme dos Sumérios até o alfabeto dos fenícios, com 22 caracteres. Esse processo durou 2,5 mil anos. Isso não foi um 'presente' de Deus para facilitar sua comunicação com os homens. Foi um parto dificílimo. Como posso, então, achar que Ele tenha interesse em livros sagrados? Ou que seja ‘autor’ de algum?

Supor que Ele tenha enviado sua mensagem através de textos, seja Bíblia, seja Alcorão, é lançar fora dessa comunicação todo e qualquer povo ou indivíduo que esteja inacessível. Sim, além das pessoas que não poderiam ter acesso aos textos porque, simplesmente, nasceram antes, há aqueles que não sabem lê-lo e, mais ainda, os que estavam distantes, noutros continentes. No cristianismo a coisa é pior que no Islã, pois apenas uns raros não dependem de traduções.

Qual seria a forma mais ‘humanizada’ para que Deus se comunicasse conosco? Bem, parto do princípio de que Ele queira dizer alguma coisa para os homens. É natural pensarmos que Deus entenda nossas limitações e dentro das nossas possibilidades diga algo inteligível. É a partir da nossa capacidade de entender que ele trataria de dizer alguma coisa.

A julgar pelas divergências de concepções sobre ele, dado o surgimento de nichos de fé (locais onde uma fé se propagada a despeito de outras existirem e torna-se quase única) e as mudanças ao longo da história humana, notadamente o fim de sacrifício humanos em rituais, creio que essa comunicação esteja com problemas. Digo ‘problemas’, quando dizer inexistente parece fazer mais sentido. Tal a forma como surgiu a escrita que, por livros, Ele realmente não se comunica conosco. Como surgiu não podemos dizer que é coisa planejada por Ele. Ou como imaginaríamos a escrita como outorga divina senão como a mesma em todas as culturas? A diversidade mostra que Dele não veio.

O Divino poderia ter colocado sua mensagem diretamente em nossas mentes. Mas aí voltamos à diversidade de concepções a seu respeito. A quase unanimidade entre as crenças restringe-se a Ele existir, mas longe pode-se identificar mais que isso. Se ele deixou uma mensagem, não foi escrita, tampouco nas consciências.

Bem, nada resta senão afirmar que não há qualquer comunicação entre Deus e a humanidade, principalmente de forma escrita. Isso significa dizer que as religiões e seus deuses são devaneio humano e que ainda não descobrimos como é nossa relação com ele, se é que existe relação.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O RACHA ENTRE OS SALVARO (Atualizado)

O que levou a cisão entre Henrique Salvaro e seu sobrinho/prefeito Clésio Salvaro? Décadas de parcerias e a ascensão ao poder máximo do município de Criciúma?

Várias versões vieram à baila quando Henrique Salvaro e o sobrinho Clésio romperam relações. A primeira que soube foi de caminhos políticos diferentes, concepções sobre a condução da prefeitura que não estariam de acordo com a visão do tio e coisas dessa linha. Depois ouvi que era um jogo para estarem no poder seja lá qual for o resultado das urnas em 2012 com vistas a 2014.

Faz umas semanas o próprio Clésio disse, num bate-papo no café do Della, que o racha tinha se dado por causa dos bens da família, do patrimônio das empresas, e que isso era normal. Citou vários casos de famílias tradicionais de Criciúma que estariam em pé de guerra por causa de heranças etc.
Pois o assunto ficou remoendo meus neurônios e aproveitei uma oportunidade para questionar esse assunto de alguém absolutamente próximo ao HS. Um cara ombro a ombro, por assim dizer. Sua versão, muito complexa e significativa, é assustadora.

É sabido que o esquema de apadrinhamento dos políticos contrata pessoas-chave para trabalhar como cabos eleitorais muito antes de qualquer campanha. Há quem sustente pessoas por quatro anos com cestas básicas etc. Com o Clésio parece não ter sido diferente. Cabos eleitorais teriam sido contratados muitos meses antes das eleições somando algo na casa dos 100 mil reais por mês, patrocinados pelas empresas do tio Henrique. Acontece que parte do dinheiro teria sido desviado de sua finalidade, coisa da ordem de 50%.

Como de burro o tio não tem absolutamente nada, algo lhe chama a atenção e fez sua investigação. Finda as eleições para prefeito um aliado, que estaria administrando o esquema de campanha a mando de CS, teria inaugurado uma super casa no Balneário Rincão, incompatível com seus proventos... Dado o ‘start’ da desconfiança. Essa informação foi confirmada, hoje (21/03/12), de forma transversa, quando eu soube que o sobrinho está proibido de por os pés na rádio Eldorado (a minha fonte é inequívoca). Essa situação coloca o veículo num dilema por ser ano eleitoral. Se Clésio for mesmo candidato, livrando-se da Ficha Limpa, terá que ter obrigatoriamente os mesmos espaços jornalísticos que os demais postulantes à prefeitura. Como isso se dará saberemos em breve.

E por que o tio não processou o sobrinho? Ora, esse dinheiro não foi, nem jamais será, contabilizado. Qualquer processo levaria à apresentação de documentos, base de qualquer ação judicial. Não há como colocar tal esquema sob os olhares da Justiça e o todo-poderoso Henrique Salvaro teve que amargar em silêncio todo o prejuízo. Em sendo verdade, coisa que não poderemos saber com absoluta certeza, eis um provável perfil do atual prefeito de Criciúma.

sábado, 12 de novembro de 2011

POSSÍVEIS ORIGENS DAS DESIGUALDADES SOCIAIS (1)

Quem não conhece a origem ou processo de um problema jamais chegará na sua solução. No caso específico das desigualdades sociais, ou níveis de ocupação pessoal na escala social, ou seja lá o nome que queiram dar, o que se vê é muito palpite, poucas opiniões e menos ainda o entendimento claro do que é possível fazer.

Não cabe a mim apontar as soluções como se fosse capaz. Não sou porque tenho como certo que não há solução. Porém, neste texto tento, de forma simples e até superficial, apontar para as possíveis origens das desigualdades sociais que, nos discursos permeados de ira e burrice, aparece o tal do capitalismo selvagem como pai. Somente a desinformação e até a mais absoluta safadeza podem pensar dessa forma. Vejamos então a que ponto podemos chegar no tempo e espaço.

Ao retroagirmos no tempo, simplificando as nossas relações para antes da energia elétrica, antes da imprensa, antes da ideia de república, das primeiras noções de política, para antes da escrita... enfim, chegaremos ao tempo em que éramos pequenos grupos em deslocamentos atrás de comida. Está claro que as primeiras organizações sociais, portanto as primeiras vilas, estão no tempo dos Sumérios, há cerca de 6.000 anos, onde hoje temos o Iraque e Kuwait. Ali iniciou-se, por conta dos primeiros ajuntamentos humanos, o fim do nomadismo, a necessidade de registros e por conseguinte a escrita. Em algumas descobertas recentes arqueólogos apontam para o Egito também, Mas nada que seja anterior a esta época. Tampouco podemos ter datas exatas, ou quem seja de fato o primeiro.

O comércio, na forma de escambo, é mais antigo. A moeda era o produto produzido além da necessidade do grupo, em geral familiar, patriarcal. Animais, peles, utensílios de barro, algum produto agrícola faziam a vida numa época impossível para quem vive hoje. Podemos imaginar que esses povos, as diversas famílias que afluíam para junto das maiores, geraram cada vez mais a necessidade de alimentos, já que boa parte do grupo ficava circunscrita à vila, também pela segurança.

Aquela região, entre os rios Tigre e Eufrates, vivia de ciclos naturais de chuva e seca. As inundações faziam o calendário com o degelo das montanhas da Armênia (hoje). Assim, havia meses de fartura e meses de penúria. A liderança do grupo tinha que tomar alguma ação para melhorar a condição do grupo que tendia a permanecer num local e esquecer de vez a vida nômade. Apesar que os grupos nômades não desapareceram ainda hoje, muito menos naquele tempo. As vilas constituídas, e passando por elas, para todo o tipo de negócio, os povos da região. Desde a Índia ao Norte da África, dos Bálcãs aos povos do mar Adriático, dos montes Urais ao Golfo Pérsico. Nesse contexto temos a palestina como o grande corredor. Assim formava o mais antigo circuito comercial de que se tem registro, tendo como centro o que viria a se tornar o Império Babilônico, com seu Crescente Fértil, a Pérsia e as tantas ocupações que vieram e que não serão alvo desse arrazoado.

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