quinta-feira, 20 de julho de 2017

A FÉ E OS SÍMBOLOS

Não preciso crer na existência das pessoas com as quais convivo. Não preciso de que sejam representadas por nada porque estão próximas, posso tocá-las, ouvi-las, vê-las. Este é o centro desta postagem: Por que a fé e o próprio Deus precisam de representações? Não seria "creio porque existe" e nada mais?

Na prática a fé é a ausência, do contrário não precisaria de mais nada além de si mesma. Nos é exigida fé num ser superior porque não temos qualquer relação de proximidade com ele. Diriam alguns que é o contrário, que a fé é justamente a intimidade. Bem, certamente é o tipo de intimidade que não queres ter com o teu amor...

Vamos ao símbolo propriamente dito.

Por que precisamos de representações, objetos, reuniões, rituais e coisa do gênero quando bastaria crer e esse crer nos impregnar com todas as informações da coisa crida? E nesse ponto reside a certeza da dúvida.

O maior símbolo da Fé Bahá'í é a Estrela de Nove Pontas.
Para os bahá'ís, o número 9 é sagrado, o número da perfeição, pois é o dígito máximo. Também é o valor numérico da palavra árabe Baha e o número de religiões divinamente reveladas (sabeísmo, hinduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo, islamismo, zoroastrismo, fé babí e, finalmente, fé bahá'í). A forma da estrela pode variar, desde que contenha nove pontas. (Wiki)
Em meio a tudo que se possa dizer sobre fé (ato de crer) há de se registrar que tem sido marcada por ações humanas. Não somente na prática dessa fé, mas em sua identificação. No catolicismo, assim como nos antigos credos politeístas, há imagens que são usadas para lembrar a coisa crida e/ou seus ícones. Entre os evangélicos, que se orgulham de não ter imagens, há os cultos cerimonialísticos (cânticos, avisos, a pregação, o povo diante do púlpito para receber orações, mais cânticos e o povo se abraçando pra terminar), os templos, as invocações, além da Santa Ceia. A fé não existe em sua simplicidade, tornando-sendo necessário algo para tocar/visualizar.

Ao islâmico é determinado ir a Meca, ao menos, uma vez na vida.
E porque precisam usar representações? Porque isso reforça a fé. Coisa bem estranha supor e viver de modo que a fé, tida como a grande força, vê-se fraca. Sim, a crença que precisa de lembranças na forma de ícones e rituais é fraca em si mesma. Você só procura olhar fotos de quem tem saudade, de quem está ausente ou de quem quer conhecer pessoalmente.

A fé em Deus é uma exigência sacrificial porque o crente tem que abrir mão da materialidade de evidências universais para dar verdade a partir de si mesmo (Creio, logo existe!), que conta com o benefício de não haver provas em contrário. Não se prova a inexistência do que não existe. Ou você consegue provar que Unicórneo não existe?

O fato de haver uma criação remete ao Criador, sem identificá-lo com exatidão. Tanto que cada cultura desenvolveu o seu próprio Deus. Se Deus fosse a fonte geraria apenas uma crença.

Por fim, não me parece razoável convicções tais que dependam de pontos de vista, da cultura, do local onde nasceu, de aprender a crer pela família porque tudo isso muda e continuará mudando. A menos que aceitem um Deus mutável!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ENSAIO SOBRE O VENTO

Era como se te pegasse a blusa pelas pontas dos dedos
O vento te puxa pra longe
Soltei a blusa
Fechei as janelas
Fechei a porta
Meu mundo me acolhe sem tempestades

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A FÉ MORTA

"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." Tiago 2:17

Então não basta crer? Não. É preciso que haja uma prática, uma manifestação visível da coisa crida. No texto do apóstolo Tiago há exemplos do que seria essa prática. Começa com não fazer acepção de pessoas, entre pobres e ricos. Porém, há uma evidente exaltação do pobre, como se pobreza colocasse alguém em vantagem diante de Deus. No texto o rico é opressor e nada há da tal classe média. Evidente que reflete um estado de coisas da época. Assim, o apóstolo desconhece qualquer noção de quem oprime quem em nossos dias, isso graças ao Espírito Santo não o revelar. Escreve o que vê, sem inspiração divina alguma, deixando-nos à mercê das malditas interpretações. Segue o trecho:
Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? Tiago 2:5-7
Em seguida, outro exemplo que remete ao auxílio aos pobres. Contudo, quem ajuda a quem? Ao mesmo tempo que exalta o pobre coloca contra a parede aquele que tem como ajudar. Para eu praticar minha fé tenho que ter mais que o pobre, do contrário como praticarei essa tal fé? Fica a dúvida: se estou carente de ajuda minha fé é morta?
Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Tiago 2:14-16
Outro exemplo de fé e sua prática. A obra, neste caso, pode ser entendida como abri-mão de seu maior bem, de fazer um grande sacrifício. Mas, Abraão seria renegado se se recusasse em não arriscar a vida de seu próprio filho? Não saberemos. O que se vê hoje é filho vindo antes de Deus, antes da fé. Mas, calma, isso depende de Deus exigir de ti tal prova. Do contrário siga sem provar sua fé.
Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. Tiago 2:21-24
Por fim, Tiago cita uma prostituta. Interessante, neste caso, é que ela enganou, mentiu, ludibriou e traiu ao seu povo para salvar a si mesma. Ah, mas os emissários eram de Deus... Diriam! Ora, se fossem não precisariam de ajuda humana, tampouco ela agiu apenas por crer. Agiu para livrar a si e a seus familiares da iminente morte. Ela não fez o que fez apenas pelo discurso, mas porque havia um exército lá fora a ameaçar toda a cidade.
E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Tiago 2:25
Conclusão

Nesse trecho do Novo Testamento vimos que não basta crer, ainda que o bandido na cruz, ao lado de Jesus, não tenha praticado nada, nem a reparação dos males cometidos à gentes inocentes. Para o apóstolo Tiago a fé se manifesta através de exaltarmos o pobre e oprimirmos o rico, travestidos de não fazermos acepção de pessoas; se manifesta em ser rico para ajudar o pobre e que o pobre não terá como mostrar obras de fé porque precisa da ajuda do rico opressor; se manifesta em fazer alguma coisa que qualquer pai, consciente de seu dever, jamais faria; e, por fim, se manifesta em cometer o crime de mandar gente inocente para a morte para tirar o seu briobo da reta, desde que seja em nome desse Deus.

MACHISMO FEMINISTA OU FEMINISMO MACHISTA

Antes de qualquer coisa devo dizer que sou homem, hetero e não abro-mão de minhas vontades, necessidades e anseios masculinos. Sim, porque as manifestações das mulheres diante de suas necessidades atestam o meu direito de faze-lo sob minha ótica.

Da mesma forma as tais brigas por igualdade não se sustentam na vida, que é feita de desigualdades em todas as suas manifestações naturais. As mesmas manifestações sustentadas ao longo de milhares de anos e que são a base de qualquer cultura. Afinal, de onde vieram as culturas senão dos instintos animais dos humanos com a razão agregada? A menos que você entenda que surgimos com cérebro e capacidade de pensar que temos hoje. Mas mesmo neste caso seria de se supor que a dominação do homem seja correta, sendo inata. Coisa que não faz sentido.

Ora, a cultura não nasce do nada, da mera vontade individual ou de grupelhos. É construída a partir do seu primeiro passo: animal. E vem agregando a visão da existência dos muitos grupos ao longo da História com seus conhecimentos (ou a falta). Negar isso é ver nossa existência apenas sob a ótica do pensamento de sociedades organizadas a partir da constituição de cidades e, convenhamos, é muito pouco. O que são seis mil anos em mais de 100 mil? Da mesma forma basta olhar para aqueles grupos humanos longe da influência chamada de ocidental, que não conhecem a sociedade de consumo, as guerras mundiais, as tecnologias e, às vezes, nem a agricultura, muito menos o comércio.

Ignorar a construção das relações humanas geram atrofia da visão
Vamos a alguns fatos que sobejam diante de nossos olhos.

Em média as mulheres vivem mais (correm menos riscos) e produzem menos (menos horas extras e maternidade que as afastam do mercado). Têm estrutura de saúde pública mais onerosa, diversificada e acessível, dentre outros tantos serviços exclusivos como uma delegacia especializada e, em milhares de casos, ficam com o aposento do marido que faleceu sem terem contribuído com o INSS. Então, geram muito maior despesa ao erário. Enfim, é de se questionar se nossa sociedade é mesmo machista... Ou, é um estranho machismo que beneficia a mulher em muitas coisas que a protegem de diversas agressões da vida, como trabalhos perigosos. O homem corre sempre maior risco.

Diriam algumas que as mulheres não precisam mais de homens a defenderem-nas. Mas como? Fosse verdade não estariam a berrar contra o tal machismo. Quem pode se defender sozinho está absolutamente independente. Afinal, quem protege faz as regras de como irá proteger. Não o protegido dirá como quer ser protegido. Além disso, querem obrigar os homens a aceitarem um perfil de mulher que não os agrada? (Note: não é o que ME agrada, mas aos homens de um modo geral. Já que não trataria de casos individualmente aqui).

Antes das pedradas a este texto que fique claro que não me interessa romantismos, mas a vida como ela é. Se não lidarmos com os fatos ficaremos a elucubrar sobre como deveria ser e não trataremos de como é. Tampouco trato dos meus gostos pessoais, já que não sou adepto de ter uma mulher a depender de mim. Pelo contrário, gostaria de ser sustentado por uma. Por que não?

Assim, resta entender o que querem as mulheres. Impossível. Nem elas são claras quanto a isso e ficam a exigir de nós, meros seres inferiores, que as entendam e as saciem. E como as saciar se são independentes e auto-suficientes? Irônico!

Altamente irônico alguém se ter como superior, independente, auto-suficiente e sabedora de si, ao mesmo tempo querer que os inferiores resolvam essas questões. Sim, estou sendo sarcástico. E como não ser tendo sido criado entre mulheres como qualquer um de nós? Ao contrário de tudo quero muito vê-las dominar de uma vez e passar a ser a vítima a reivindicar direitos...

E esperavam deste texto alguma solução ao dilema? Tenho que rir...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

NOTA DO MPF SOBRE A CONDENAÇÃO DE LULA

Veja a íntegra da nota do MPF:

Justiça Federal condena o ex-presidente Lula com base em atuação técnica e calcada em robustas provas

Força-tarefa da Lava Jato do MPF/PR vai recorrer, inclusive para aumentar as penas

A força-tarefa da operação Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) vem a público reconhecer que a sentença que condenou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ostenta robusta fundamentação fática e jurídica, tendo analisado todo o enorme conjunto de provas apresentadas na denúncia e nas peças das defesas e produzidas na instrução da ação penal. O processo tramitou às claras, com transparência, e permitiu amplas possibilidades para a defesa produzir provas e apresentar argumentos, os quais foram analisados detalhadamente pela Justiça.
Com base nas provas, as quais incluem centenas de documentos, testemunhas, dados bancários, dados fiscais, fotos, mensagens de celular e e-mail, registros de ligações telefônicas e de reuniões, contratos apreendidos na residência de Lula e várias outras evidências, a Justiça entendeu que o ex-presidente Lula é culpado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro de que foi acusado pelo Ministério Público Federal.
A sentença não só reconheceu que o ex-presidente recebeu o valor correspondente ao tripex e as reformas feitas nele a título de pagamento de propinas pela OAS, que totalizaram mais de 2 milhões de reais, mas também que o ex-presidente Lula é responsável pelo esquema de corrupção na Petrobras. O caso focou especificamente nos crimes relacionados à empreiteira OAS.
As robustas provas levaram à condenação do ex-presidente a cumprir 9 anos e 6 meses de prisão e a pagar, a título de indenização, 16 milhões de reais corrigidos desde dezembro de 2009. Também foram condenados os ex-executivos da OAS Agenor Franklin e Léo Pinheiro. Como efeito da condenação criminal, nos termos da lei, da mesma forma que em casos similares, a Justiça decretou sua interdição para exercer qualquer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da condenação, isto é, por 19 anos.
Mais uma fez, fica manifesto que os constantes ataques da defesa do ex-presidente contra o julgador, os procuradores e os delegados, conforme constatou a respeitável decisão, são uma estratégia de diversionismo, isto é, uma tentativa de mudar o foco da discussão do mérito para um suposto antagonismo que é artificialmente criado unilateralmente pela defesa. Nenhuma das autoridades que atua no caso o faz com base em qualquer tipo de questão pessoal.
A atuação da instituição é apartidária, técnica e busca investigar e responsabilizar todas as pessoas envolvidas em atos de corrupção, além de devolver aos cofres públicos os valores desviados nesse gigantesco esquema criminoso. A ação penal contra o ex-presidente Lula é uma dentre várias que foram propostas na Lava Jato contra centenas de pessoas acusadas por corrupção. As investigações revelaram a prática de crimes por integrantes da cúpula do poder econômico e do poder político, envolvendo diversos partidos, sendo necessário que todos os responsáveis sejam chamados a responder perante a Justiça. 
O Ministério Público Federal tem cumprido seu papel constitucional no combate à corrupção, ainda que envolva os mais importantes líderes políticos do país. É importante que outras instituições, como o Congresso Nacional, também exerçam seu papel contra a corrupção, para que a Justiça possa funcionar plenamente e em relação a todos aqueles contra quem pesam provas da prática de corrupção. 
Tudo reforça o caráter apartidário, técnico e minucioso do trabalho desenvolvido pelo Ministério Público Federal. Como ressaltou o eminente Juiz Federal na sentença condenatória, “não há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a liberdade da imprensa” - e complementamos, isso se resolve sem retirar a independência do Ministério Público e a possibilidade de o Poder Judiciário examinar graves acusações independentemente de quem seja o investigado. Por fim, a força-tarefa informa que vai recorrer da sentença, manifestando a sua discordância em relação a alguns pontos da decisão, inclusive para aumentar as penas.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A BRITA QUE DIVIDE MARACAJÁ

Prefeito de Maracajá, Arlindo Rocha (PSDB), decidiu recentemente que não liberaria Alvará para duas mineradoras que exploram brita no município, uma data de 40 anos e a outra, de há cerca de 30 anos de exploração. Antes, porém, propôs às empresas que dessem algumas compensações como retribuição ao que seriam os danos pelo transporte do material em caminhões, por exemplo. O impacto imediato do episódio foram clientes não atendidos, inflação do preço da brita, e a iminente demissão de cerca de 70 funcionários.

As contrapartidas pela exploração solicitadas por Rocha seriam:
- Material para pavimentar ruas;
- Reforma do acesso Norte e a via até o centro;
- Recursos para um fundo de recuperação ambiental.

Das empresas, SBM Mineração e Cedro Engenharia e Mineração, houve uma contra proposta a mim encaminhada que constava das obras desejadas, com contrapartida da prefeitura de R$100 mil; 300 toneladas de brita mensalmente; doação ao município das áreas exploradas após o fim da lavra e sua recuperação ambiental; depósito de 0,75% do faturamento para o fundo que seria devolvido à empresa se recuperasse o local ou usado na recuperação; em caso de inviabilidade da lavra o contrato seria suspenso; a parte descumpridora arcaria com R$500 mil a título de penalização; aguardar o fim da Ação Civil pública 5005738-26.4.04.7204/SC que está à espera de julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Como as negociações não prosperaram, não somente deixou de emitir Alvará de funcionamento, como decretou o fim da exploração no morro de Maracajá. O decreto teve algumas informações como justificativas:
- Parecer técnico de perito do Ministério Público da União que recomenda que o morro seja área de preservação ambiental. No mesmo parecer diz que há desmatamento de vegetação nativa, poeira e fumaça, além dos barulho dos caminhões transitando;
- Artigo 178, inciso II, da Lei orgânica do município que considera a área de preservação;
- Reclamação apresentada pelo Instituto Socioambiental de Maracajá contra o trânsito de caminhões, poluição sonora, atmosférica e visual, dentre outros;
- Vocação ambiental do município por sediar o Parque Ambiental de Jerivás;
- Necessidade de medição de ruídos das empresas com decibelímetro;
- Que a Lei Complementar 50/2015 exige Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV-RIV) das empresas;
- Danos ao patrimônio público e privado no entorno das pedreiras;
- Degradação de vias públicas.

No decreto Nº 50, publicado na edição 2266, página 480, do Diário Oficial do Município, do prefeito Arlindo Rocha, de 01 de Junho deste ano, consta que o morro "abriga espécie da fauna ameaçada de extinção" sem citar quais sejam, nem estudo disso. Também considerou como base para sua decisão uma ação civil pública que ainda não foi julgada. Além disso, cita a Lei Orgânica do município, que considera a área de preservação permanente, sem que tenha sido regulamentada e, por conta disso, não tem efeito legal. Por fim, considera que as rachaduras nas casas são resultado da mineração sem laudo que aponte causa e efeito, pois rachaduras em construções são comuns. O chefe do Departamento Nacional de Produção Mineral de Criciúma, que atende a região, Oldair Lamarque, disse a este blog que fez meditação com sismógrafo e as detonações estão dentro dos padrões definidos em Lei.

O presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma e Região, Djonatan Elias, disse ter pedido às empresas que mantivessem seus trabalhadores para tentar um desfecho amigável junto à prefeitura. Sendo assim, os funcionários permanecem recebendo seus salários. Elias também tem feito intenso trabalho junto à opinião pública através da imprensa, já que há uma polarização na população, parte apoiando o prefeito, parte defendendo os empregos. O sindicalista também relatou ameaças de radicalização por parte de lideranças políticas ligadas ao prefeito, com possível fechamento de acessos à pedreiras caso voltem a funcionar. "Vocês podem tocar fogo em pneus, mas serão os mineiros de Criciúma que vão apagar!", teria dito em reunião com vereadores e prefeito.

"O técnico do MPU deu parecer, não podendo ser entendido como uma determinação, muito menos que se torne em Lei", disse Elias. Além da recuperação proposta pelas empresas que terá que ser feita com ou sem acordo, como facilmente verificável na foto de satélite à seguir.


O processo supra citado, que tramita no TRF4, foi oferecido pelo Instituto Socioambiental de Maracajá, cuja presidente é Selma Fernandes Silveira Aguiar, ao Ministério Público Federal em 2015, o qual apresentou denúncia à Justiça Federal, deferindo-o em Julho daquele ano. No conteúdo consta o pedido de tutela para proibição da lavra. Para Selma as mineradoras estão descumprindo a lei ao retirarem mais do que declaram para não cumprirem medidas compensatórias.

Segundo Selma as empresas estão completamente irregulares. "Inclusive no recolhimento do CFEM - Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais. (...) Conclui-se que pela quantidade de rocha explorada em média de 130 caminhões de brita ao dia comercializada pelas duas empresas juntas, configura-se sonegação fiscal com evidente dilapidação do patrimônio ambiental do município", disse.

Vale observar que Arlindo Rocha assina como advogado o estatuto da ONG dirigida por Selma. Questionada sobre sua relação com o prefeito a ambientalista nega proximidade e omitiu esse fato em sua primeira resposta. Depois, por WhatsApp foi muito além, fazendo uma acusação grave:
Eu nem conhecia o Arlindo na época. Na verdade nem lembrava deste detalhe. Vou te afirmar com toda a seriedade, a Ong não foi criada para servir a pessoas ou a partidos políticos. Não somos dados a parcerias escusas com interesses que não sejam coletivos. As empresas já estiveram nos sondando quanto custávamos... tentaram nos propinar e isto está fora de questão.

Por sua vez as empresas protocolaram Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) em Junho deste ano, junto a Fundação de Meio Ambiente (Fatma), em resposta à ação civil pública, conforme imagem do protocolo a seguir.


Em resposta aos questionamentos enviados à SBM – Sul Brasileira de Mineração LTDA por mim, seu diretor, Azenir Locks, através de sua assessoria jurídica, disse ter "licenças ambientais, autorização do DNPM e decisão judicial liberando as atividades". A possibilidade da empresa mover ação judicial contra Arlindo Rocha e/ou prefeitura de Maracajá "encontra-se em estudo pelo nosso Departamento Jurídico", disse Locks.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

URSA DEVORA CRIANÇAS

Há casos muito interessantes na Bíblia. E um dos mais assustadores você lê abaixo, em 2 Reis 2:23,24, sendo o profeta Eliseu:
Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.
O que se pode dizer deste fato? Bem, primeiro devemos ter em mente que trata-se do Deus cristão, o qual afirmam não ter mudado, tampouco sua palavra ("Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente." Isaías 40:8). E essa eternidade da palavra torna este texto atual e, portanto, deve ser visto com os nossos olhos, não com os olhos da época em que foi escrito. Digo isso porque resta impossível ter a visão do homem que viveu há 3 mil anos.

O descrito remete a um Deus que, não somente permitiu que crianças, vejam só!, morressem sob intenso sofrimento, mas agiu para que assim se sucedesse. Afinal, Eliseu não tinha poderes em si mesmo sobre animais, senão naquilo que o Deus dele o fez ter. Não há qualquer recriminação ao profeta pelo que fez, caso entendêssemos que teria poderes para tal.

Você consegue imaginar a cena de crianças sob tal ataque?
Outro detalhe é que houve uma sentença imediata, sem qualquer chance de arrependimento, sem opções, sem misericórdia. E tudo porque o profeta era careca e tinha vergonha de se-lo. O poder envolvido para que animais fossem usados como assassinos não propiciou uma farta cabeleira para esse homem.

Que consciência teriam crianças de que agiriam errado? Foram instruídas antes? Desobedeciam seus pais ou os adultos também faziam chacotas desse tipo? Nada disso tem no texto.

Eliseu se sentiu ofendido e sua ofensa teve maior relevância que a vida de 42 seres humanos. Uma careca ao peso de 42 vidas humanas inocentes. Crianças que não tiveram chances de um futuro, de constituírem família e, obviamente, se viverem para a glória desse mesmo Deus. Foram para o Inferno? Não, pois até esse episódio a Bíblia não trata de Céu ou Inferno. Simplesmente a vida era neste mundo.

No Velho Testamento não havia Céu como lugar a se ir depois da morte e o homem (a mulher não!) perpetua-se em seus filhos, como podes conferir o caso de Onã e Tamar, em Gênesis 38. Assim, essas crianças foram sumariamente riscada da existência.

Enfim, mesmo que trate-se de Velho Testamento e queiram descartá-lo porque estaríamos no período da Graça, eis que é mesmo Deus, imutável, o qual aprovou que tenha sido como no texto, quando poderia tê-lo evitado dando cabelo à cabeça do profeta que não lidava bem com sua aparência.