terça-feira, 25 de agosto de 2015

PREFEITURA DE LM SE MANIFESTA SOBRE VEÍCULO OFICIAL FLAGRADO

Nota Oficial da Prefeitura Municipal de Lauro Müller
A Prefeitura Municipal de Lauro Müller vem a público esclarecer fatos relacionados à presença de um veículo oficial em local estranho à sua atividade no domingo dia 23 de agosto de 2015, flagrado por imagem fotográfica publicada em mídias sociais. 1 – O veículo em questão foi deslocado para a cidade de Criciúma a fim de atender a solicitação da Coordenação dos Grupos de Mães e 3ª Idade do município, que levou equipamentos e materiais oriundos de trabalhos realizados por grupos de mães das comunidades do interior de Lauro Müller que participaram da AgroPonte, Agronegócio & Agricultura Familiar e Feira Estadual de Animais, realizada de 18 à 23 de agosto. 2 – No domingo (23), data do enceramento do evento, um servidor público do município foi designado para buscar os materiais restantes da exposição e trazê-los de volta para Lauro Müller. A de se destacar que ele não foi remunerado, em forma de horas extras, por esse serviço. 3 – Por decisão pessoal e para atender a sua necessidade particular o servidor público em questão desviou-se do trajeto previsto, deslocando-se até o local onde acabou por ser fotografado e, por conseguinte, a imagem acabou por ser publicada em mídia social, gerando uma impressão ainda mais negativa ao fato. 4 – Foi utilizado veículo destinado ao trabalho de distribuição de merenda, no município de Lauro Müller, pelo fato deste ser o único que não possui bancos para transporte de passageiros, o que era necessário para que fosse possível o transporte dos materiais relativos ao evento destacado acima. 5 – Em momento algum o serviço de fornecimento de merenda escolar de Lauro Müller foi prejudicado, afetado, ou alterado, já que, por se tratar de um domingo, esse veículo não era necessário em nosso município. 6 – A respeito da atitude do servidor público, a Administração já tomou medidas punitivas como, advertência verbal e escrita e abertura de sindicância para apuração de eventual prejuízo causado pelo desvio do trajeto inicial. Por fim a Prefeitura quer reiterar seu compromisso com a lisura das ações e políticas públicas, bem como destacar que está sempre atenta aos procedimentos dos seus agentes públicos, quer sejam estes efetivos, ou comissionados. Prefeitura Municipal de Lauro Müller Secretaria de Administração

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A NUDEZ NUA

Por que a nudez agride tanto? Por que somos tão preocupados, alguns pelo menos, em que o outro não mostre seu corpo? Neste texto espero que o nudismo seja tratado com um pouco mais de nudez. Ou a nudez com um pouco mais de nudismo.

Era sexta-feira, dia 7 de Agosto, quando postei um vídeo de um homem nu, andando pela avenida Centenário, em Criciúma, que me fora enviado via WhatsApp. O rapaz padece de esquizofrenia e não foi a primeira vez que faz isso. Seria um sucesso, como foi. Chegou a mais de 23 mil visualizações em 14 horas, contando que nesse período estava a madrugada, até que deletei-o.

Nesse dia ponderei com pessoa da minha relação pessoal e deletei-o porque me senti constrangido e percebi que havia errado, tal a condição do sujeito. Evidente que a informação de sua doença veio depois da postagem.

A partir disso passei a considerar do porquê da nudez nos agredir tanto. Vamos a alguns pontos, de suposições a teorias, sem ordem de importância. Contudo, devemos considerar que originalmente, segundo a ciência, surgimos em terras quentes e por isso nossa pele não nos serve, necessariamente, para nos aquecer. Com as migrações chegamos ao frio europeu, vindos da África. Nesse momento já dominávamos boa linguagem, tecnologias de caça e uso de peles de animais. A roupa, digamos, impediu que nos adaptássemos ao frio como um urso polar, por exemplo.

Chegamos ao primeiro ponto: a roupa passou a ser uma "pele", mesmo que ainda tenhamos silvícolas que não a usa ou aborígenes que mal cobrem a genitália. Naturalmente a nudez é nossa forma natural de andar e a cultura nos faz conceber uma outra forma. Paralelamente temos os "naturalistas" que formam grupos sociais, como as praias de nudismo, nos quais a roupa é abolida. Há ainda casos de exibicionismo, quando há o desejo de que outros vejam o ato sexual - outro tema, para outra postagem.

A nudez agride ou é revestida de curiosidade, fetichismo, voyerismo, porque é coberta. Deixou de ser "natural" e passou a ser algo da intimidade.

Há o que considero ainda mais interessante: a concorrência entre as mulheres. A beleza do corpo é fator essencial na competição pelo acasalamento. Tanto que a roupa, nossa segunda pele, compõe umas das formas mais exploradas de atração sexual, pois visa embelezar, muito mais que proteger, coisa de sua origem. A roupa faz parte do apelo ao macho e a nudez seu ápice. No mundo subliminar feminino essa competição é deveras acirrada e a beleza de uma é agressão a outra, caso sintam-se competindo pelo mesmo macho ou machos. E a linguagem é essa mesmo!

Considerando outro aspecto fundamental nesse assunto que é a dificuldade recorrente de lidar com o sexo. O oceano de barreiras na cama é incrível. Da religião à educação da família. Do "pecado" ao nojo. Da ligação de sexo ao caráter à ideia de que a mulher tem que dificultar as coisas para não ser taxada de "fácil".

O caso do rapaz revela a relação entre reservas quanto à nudez e o ato de pensar. Acometido de esquizofrenia, assim como outros tantos desarranjos mentais, tirar a roupa em público não foi problema para ele. Nossa necessidade de cobrirmos o corpo vem da razão. É ela que cria coisas absurdas como o uso da Burca. É ela que cria ícones adorados no catolicismo, todos totalmente cobertos com panos que evitam até as "curvas"... Enfim, desde a mais tenra idade nos é incutido uma ligação fortíssima com a roupa, tanto para cobrir, quanto para embelezar. A razão também nos faz aceitar sem problemas que o corpo seja exposto na praia. Há uma conexão, ou desconexão, estranha nisso. Nossa mente desliga-nos desses princípios para reduzirmos a roupa a frações do costumeiro e sem constrangimentos.

Assim, criaram-se muitas e diversas formas de reprimir a nudez. Muitas ligadas aos meandros mentais inconfessáveis e até mesmo desconhecidos do próprio agente. A repulsa ao ato de andar nu remonta, inclusive, à negação do desejo. Sim, trata-se de condenar aquilo que deseja fazer. Na impossibilidade de realizá-lo, proíbo-o. Coisa comum da religião, por exemplo.

Por fim, vale ressaltar que nossa espécie chegou a um ponto que a repressão faz sentido. Aqueles que rompem com esses códigos, via de regra, envolvem-se com um mundo sem outras regras de convivência como se vê na prostituição - um mundo absolutamente arriscado. Talvez a exceção sejam os clubes de swing, onde as mulheres cultuam a nudez e ditam as regras. (Sobre SWING leia AQUI).

Bem, são algumas considerações que certamente não encerram o assunto.

Abraços!