quarta-feira, 24 de maio de 2017

EU, ROBO

Tente colocar-se no lugar de um corrupto e imagine quais seriam suas motivações.

Afinal de contas por que alguém corrompe a si e leva outro a fazer o mesmo? Vamos tentar ver as razões e o contexto brasileiro desse câncer nacional: a CORRUPÇÃO.

corrupção
substantivo feminino
  1. 1.
    deterioração, decomposição física de algo; putrefação.

    "c. dos alimentos"
  2. 2.
    modificação, adulteração das características originais de algo.

    "c. de um texto"

TREZE ANOS depois do Mensalão e TRÊS anos de Lava-Jato a corrupção continua franca no país. Que o diga Joesley "Safadão". Cultura? Portugal e Espanha, pais na nossa cultura, superaram essa sanha. Então, qual é o nosso problema? Quem começou isso? Falamos aos quatro ventos que os políticos começaram e esquecemos que eles vieram do povo. Seria o povo brasileiro um ser essencialmente corrupto? Responda você...

Eis que vemos uma Dinamarca, há décadas no topo da lista da ONU sobre corrupção como sendo o país mais honesto e mesmo assim, vez ou outra alguém pisa na bola. Este país nórdico tem carga tributária das mais altas (40%), educação pública (coisa que sou contrário), lojas sem atendimento, onde o cliente deixa o dinheiro do pagamento sem que seja fiscalizado.

De minha parte, sem encerrar o assunto, quero que lembrem-se de que depois da abertura politica da década de 1980, quando vereadores ainda faziam rifas pra juntar fundos de campanha, os pleitos eleitorais tornaram-se cada vez mais caros. Seja honesto consigo mesmo: se você fosse candidato preferirias receber votos apenas por tuas propostas e histórico, ou gastarias com materiais e cabos eleitorais? Pois é, os políticos também não querem gastar, mas têm. Daí vê-se que é o eleitor que acaba exigindo alguma coisa.

Participei de campanhas e ficou claro que um candidato a prefeito que andasse com uns poucos amigos, nenhuma bandeira e demais apetrechos, sem dar gasolina, certamente teria votação de vereador. Contudo, a coisa não se resume em campanhas.

A evidente sanha por dinheiro fácil é recorrente. Veja o sucesso do golpe do bilhete premiado e outros tantos golpes que se sustentam na vontade do dinheiro fácil, do caminho curto, que ouso dizer que corrupção tem múltiplas facetas. Acorrem a estas facilidades os adeptos do marketing multi-nível que agregando outros depois de si passam a ganhar em cima do esforço alheio. Imoral? Pergunte aos tais se acham imoral.

No que tange ao dinheiro público entendo que o que é de todos, a coisa pública, os bens públicos, foi transmudado em "é de ninguém". Esta pequena forma de pensar é uma bela forma de anestesiar a consciência e aterrorizante ao mesmo tempo. O tal corrupto em momento algum para para pensar que seu ato trás prejuízo a quem ama e a todos os cidadãos. O fato de ele proporcionar bem estar aos seus lhe confere legitimação de seu crime. Imagino que seja assim.

Aliado a tudo isso vem o "ele conseguiu e não foi pego...". O exemplo é marcante nesse processo. O medo é um limitador poderoso e sua ausência um liberador igualmente poderoso. Se um tal meteu a mão, não foi pego e tem um estilo de vida atraente eis que o outro entende como possível a si mesmo.

De todos os ingredientes há um pouco lembrado: empresário é bandido. Criou-se no discurso político brasileiro engendrado pela Esquerda e sem oposição até bem pouco tempo, que todo o empresário é ladrão e explorador. Ora, pessoas de bem não seriam empresários, nessa lógica. A exaltação ao empreendedorismo virtuoso e como sinal de virtuosidade resta negado. O que sobra disso senão a busca por meios transversos de enriquecimento. Houvesse em nós o louvor ao empresário como sustentáculo da Nação, certamente teríamos mudança significativa da cultura. Quem não gosta de aplauso? Todos gostamos e acabou por seguir o aplauso ao ter uma carteira assinada ou a um serviço vitalício numa empresa pública ou setor do governo. Quem acorre aos concursos quer servir ou ser servido das benesses da Lei? Nada na cultura, forma de pensar de um povo, está isolado. Tudo e todos interligados. E mais, o trabalhador se sujeita, vejam só, a participar da "bandidagem" ao prestar seu esforço ao bandido empresário! Gente honesta faz isso? Não. Eis a tal a anestesia da consciência.

Paralelo a tudo isso vem a célebre contribuição da legislação. A tal Lei, de tantas que temos, leva à necessidade de superá-la. As Leis ambientais são de tal monta que inviabilizam qualquer empreendimento. Lembram da briga entre shoppings em Criciúma até que o Almeida Júnior levou a parada. O que fizeram durante meses os brigões? Acusaram-se de crimes ambientais. Claro, nenhuma outra forma é melhor pra criar problemas a um empreendimento. Via de regra, ao menos para agilizar e tirar a bunda de alguém de cima dos documentos, rola um jabá coroando o servidor público que fará a coisa andar. Quanto mais leis, mais corrupção.

Enfim, sigamos na busca de diminuição do poder do Estado para que volte ao povo. Pena não estarmos à altura disso.

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