segunda-feira, 22 de maio de 2017

DEUS HUMANO

Imagino (só imagino porque não sei) que Deus (prefiro Criador) não tenha problema algum com a zoeira. Afinal é o Todo-Poderoso e nada deveria atingi-lo. Achar que Deus se incomoda com alguma coisa é diminuí-lo à condição de humano.

Chantico é deusa Asteca do fogo doméstico, do "calor dos corações" e dos vulcões.
Penso cá comigo que, por existirem tantos deuses, ele não se importa quem ou o que elegemos como deidade. Ou, não faz diferença ter concorrência na atenção humana que deveria ser só dele. Por isso sequer precisa ser lembrado, já que não faz qualquer diferença por se bastar em si mesmo. Adoto essa expressão de bastar-se em si mesmo como síntese de alguém cuja existência vem de si e de nada mais depende. No momento em que admito que Ele possa depender de algo deixa de ser o Todo e passa a ser uma parte. Querer ser lembrado e cultuado é uma forma explícita de carência. Diriam os crentes que quem precisa disso somos nós. Como, se cada cultura elegeu seu Deus? Ora, houvesse mesmo necessidade o culto seria apenas para o verdadeiro. No máximo posso pensar que precisamos da ''ideia de um deus'', não do Deus em si.

Jesus, com cara de europeu, traduz a identidade que católicos buscaram com seu ''salvador''.
O culto é, na minha humilde visão, uma redução do Criador para guindar o ser humano a uma importância que não tem. Como somos carentes de pedestais! Somos um ser entre zilhões de seres que não cultuam, não oram, não sabem ler um tal livro sagrado e continuam sendo criaturas do Criador. Se o sentido da vida é dado pela relação com Deus, as demais criaturas foram feitas por Ele para absolutamente nada. Que relação com o divino tem uma lesma? Neste particular, o de sermos criaturas, os cristão admitem que ao nos encontrarmos com Jesus nos tornamos filhos. E, na condição de filhos, passamos a ter um relacionamento com Ele a ponto de nos salvarmos do Inferno e provarmos da bênção da salvação. Tolice, toda essa engenhoca existencial diminui Deus à quase nada, como é a mente humana. Ora, que necessidade haveria de ter o Todo em condenar seres como nós, que andamos às cegas? Nenhuma! A condição de filhos não muda nossa mente que seguirá à mercê da cultura e informações disponibilizadas por nós mesmos, cada um em sua cultura, tempo, idade, gênero, educação...

Hórus, deus egício, também nasceu homem, foi morto e ressuscitou ao terceiro dia.
Ou esses crentelhos admitem o óbvio: que Deus não pode ser cultuado e muito menos obedecido, dado de nada necessitar, ou continuarão a vagar no mesmo vazio de qualquer ideia que possamos ter sobre nós mesmos. O culto só remete ao fato de precisarmos nos elevar acima dos demais (o meu deus é melhor que o teu!) e gerar a sensação de vida após esta vida, de imortalidade. No fundo, é o medo da morte que gera tudo isso.

Qualquer coisa que possamos pensar sobre Ele é obsceno, é limitado e de forma alguma o definiríamos. E mesmo assim homens ao longo do tempo ousaram falar o que ele seja e o que quer. Nem querer Ele pode porque querer é a ausência da coisa desejada. A menos que admitam que Deus tenha necessidades... Pode ser, afinal, o constituíram à nossa imagem e semelhança.

Voltando ao início. Posso zoar Deus sem medo de punição, pois um ser que se deixa ofender, como nós, pode ser atingido e atingido no que há de mais humano: o Ego.

Nenhum comentário:

Postar um comentário