quinta-feira, 10 de setembro de 2015

AMOR, AQUELA COISA ROMANTIZADA

Vamos parar com frescura e tratar do texto em 1 Coríntios 13:1-8 com um pouco mais de honestidade, pelo menos. Contudo, já adianto que, para mim, é uma das demonstrações da aviltante capacidade religiosa de propor o impossível a quem não consegue nem o possível. Vamos a ele.

    Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
    E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
    E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
    O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
    Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
    Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;


Verso 1.

O apóstolo Paulo coloca o uso do sino como algo vazio. Pelo contrário, durante séculos o sino foi altamente útil em suas múltiplas funções. Ainda mais que igrejas cristãs o adotaram, o que seria irônico. O sino é útil, prático e transmutou-se nas versões de hoje em sinais sonoros que permeiam nossas vidas.

Da mesma forma o ser poliglota. Qualquer cidadãos de domina várias línguas é importante para traduções. Vemos pessoas sendo úteis, mesmo que o sejam pelo dinheiro que ganham. A Corte dos EUA usa intérpretes com regularidade por causa dos latinos que adentram o país sem saber o inglês. Imaginem irem a juízo sem entenderem o que se passa. Sequer seriam ouvidos. E que amor precisaria alguém para servir de intérprete? Nenhum.


Verso 2.

Bem, chega a ser ridículo achar que a ciência, para ser fundamental em nossas vidas, precisaria de amor. Os cientistas são movidos pela curiosidade, pelo desafio, pelos problemas que querem superar. Que amor você percebe num remédio que te trata?

Caso houvesse mesmo a capacidade de ser profeta bastaria o se-lo. Bastaria avisar as pessoas do futuro, mesmo odiando-as.

A fé, que tanto é defendida, que tanto é exaltada, vê-se aqui como vazia se sem amor. Até faz algum sentido, mas o transportar de montes me parece interessante, pois trata-se de retirar obstáculos do caminho. Note o asfaltamento de uma via. Não é muito bom? E que amor está naquilo? Perderia seu valor se descobríssemos que quem trabalhou nela estava apenas motivado pelo dinheiro a receber? Não, a rua continuaria sendo a mesmíssima.


Verso 3.

Neste caso o apóstolo dá em seus próprios dedos. Quem doaria sua riqueza se não por amor? Pra ser apenas ovacionado em público? Com certeza não para isso. Uma das possibilidades é dar tudo que possui para ficar de bem com Deus. Ora, o que é isso senão amor por si mesmo?

Quanto a entregar o corpo para ser queimado fico pensando que só haveria duas razões: por amar tanto alguém e substituí-lo numa pena de morte; ou por mera loucura, mera insanidade.


E mais...

O amor é sofredor? Não pode ser alegre e prazeroso? Quer dizer que por amor à minha companheira não poderei transar com ela e dar uma gozada bem boa. Dar um presente para meu filho é odiá-lo?

"É benigno"; sim, é. Mas quando o amor de mãe leva à super proteção, impedindo a criança de interagir com seu mundo? E quando o amor do pai não impõe limites ao filho?

"O amor não é invejoso". Puxa, é o mesmo que dizer que o preto não é branco. De qualquer forma a inveja é sempre ruim? Não é ela que nos move a conquistar algo bom para nós mesmos? Se invejo o carro do meu vizinho e compro um semelhante não estarei a contribuir com a geração de emprego? Ah, o apóstolo Paulo nada sabia de mercado e produção de riqueza, a mesma riqueza que urge dividir com os pobres...

"O amor não trata com leviandade". Outra vez ele diz que o preto não é branco!

"Não se ensoberbece". E a soberba não é o ápice do amor por si mesmo? Onde fica o ''amar ao próximo como a si mesmo"?

"Não se porta com indecência". Muito bem, eis o vazio que ele condena, pois definir indecência depende de tantos e conflitantes aspectos que torna-se quase impossível definir. Nem a nudez em público é indecente. Que digam nossos índios e praticantes de nudismo.

"Não busca os seus interesses". Hum, outra vez para onde vai o ''amar ao próximo como a si mesmo"?

"Não se irrita". Que objetivo teria um cara desses ao tentar destituir um dos nossos instintos de sobrevivência? Como, pelo Deus desse imbecil, não haveremos de nos irritar? Tanto posso como devo. Tão somente devo ser prudente no que fazer com a irritação. Muito mais proveitoso ele dar uma boa orientação do que passar uma ideia imbecil dessas.

"Não suspeita mal". Caramba, e se o sujeito for policial? Ora, é obrigação dele o desconfiar mal.

"Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade". Neste caso como fazer a conexão dessa parte com o "É benigno" e com o "Não se irrita"? Primeiro, que para ser justo é preciso ser ruim com o infrator; depois, é preciso se irritar, afinal sem esse sentimento não se age contra o mal.

"Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Tudo? Até ser corno, levar calote, ser alvo de fofoca...

Enfim, nem Jesus amou porque passou o chicote nos vendilhões do templo, agindo com extrema irritação, não sendo benigno para com eles e não suportando seu modo de vida e ganha-pão! Além disso, que tipo de amor impõe tal peso a quem o segue, como nesse texto? Ao amar desse jeito o Deus da Bíblia quer o sacrifício de quem diz amar e não os protege das agressões da vida.

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