sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A PRISÃO DIVIDIDA

Quando ideologias ou religiões definem o papel de um gênero, em geral o fazem em relação à mulher, manifestam algumas coisas bem interessantes.

Mais que dizerem o que o homem pensa sobre isso colocam em evidência a omissão da mulher, como se ela estivesse calada. E, de fato, supõem-se que esteja calada. Entretanto, o que se vê é que mulheres acabam sendo porta-vozes desses discursos. Estariam passivas ou entenderam que aquilo está correto e serve de parâmetro para TODAS? É possível que as construções sociais que geram tais posições tenham sido edificadas com a participação das mulheres. Ora, se hoje vemos dentre elas defensoras do ''papel da mulher segundo a Bíblia'', por exemplo, é possível que elas também estejam na base disso.

As lutas por liberdades de algumas mulheres trouxeram sempre à tona o desejo de utras tantas mulheres que não queriam essas liberdades. E mais, ensejaram que a maioria estava na arquibancada, vendo o jogo e esperando seu desenrolar.

Não é possível arrazoar pelo certo ou errado dos papeis genericamente. Contudo, vê-se que eles engessam os comportamentos. Ao colocar limites, definir o que pode ou não ser feito, vai ao encontro da acomodação do pensamento. "Para que vou gastar meu tempo pensando sobre o que pode ou não pode se está pronto?'' é mais ou menos o que está nessa relação. Coisa absolutamente comum em todas as relações humanas. Estamos, assim, diante da dificuldade em lidar-se com o novo. Todo e qualquer comportamento que tende a mudar o que está estabelecido gera conflito para a vasta maioria, pois esta maioria busca a linha de conforto, ausência de conflitos etc. É preciso analisar os casos em separado, coisa que não é objetivo agora. O que está em jogo é a impossibilidade de mudança, se é que se faz necessário mudança.

As tantas manifestações ao longo dos últimos 100 anos demonstraram que o que é bom para a mulher divide opiniões até mesmo, e principalmente, entre elas. Em se tratando de construção de cultura é impossível abstrair a mulher como agente, mesmo que passivo, sempre será agente.

A conclusão a que chego é que cada modo de vida não se limita ao desejo de viver em si mesmo de seu agente. Há uma pressão, de todos os lados, para que os diversos ''jeitos'' sejam o jeito do outro também. Está claro que não basta uma mulher ser como quer ser, mas como quer que as demais sejam. Neste sentido as religiões são o maior fomentador, tanto de manter limites, quanto de querer os mesmos limites aos demais.

Porém, nem tudo é permitido ou tacitamente permitido. Os comportamentos sociais levam em consideração a média de pensamento do próprio povo. Daí as diversas culturas que temos.

A dinâmica das relações impõe limites ao mesmo tempo que os expande e nessa briga sempre haverá perdas, danos e avanços.

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