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    O CASO MULTIPLICANDO TALENTOS

    O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) começou a investigação da ONG Multiplicando Talentos em 2015 a partir da denúncia de um ex-funcionário. A deflagração de detenções e apreensões de documentos se deu ontem pela manhã porque os agentes entenderam que havia material suficiente para a apresentação de uma denúncia ao judiciário e que havia um certo risco de vazamento de informações dada as muitas consultas e pedidos de informações.

    A primeira constatação é de que Eduardo Milioli, presidente da MT sacava dinheiro em seu próprio benefício. O Grupo começou por entender como foi feita, em que condições, a contratação da organização não governamental pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania para administrar os Caseps (Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório) de Criciúma e Tubarão, e a Case (Casa de Semiliberdade) de Criciúma e Araranguá. Em seguida foi verificado quais pessoas estavam trabalhando na ONG. Depois foi feita a quebra de sigilo bancário de Milioli, sua empresa de coach e da entidade, das contas vinculadas aos convênios e de alguns fornecedores que prestavam serviços ou vendiam materiais que seriam destinados ao Casep e Case. Tudo retroagindo a 2011, quando iniciou as parcerias com o poder público, com dados até Março de 2016, com pedido de prorrogação da quebra de sigilo de 2016 até ontem. Portanto, pode haver aumento significativo dos valores apurados. A investigação culminou com a prisão do presidente da Multiplicando e mais seis funcionários, sendo que um encontra-se foragido e outra foi liberada ontem mesmo, dada sua colaboração com os investigadores. Além de bloqueio de contas bancárias (extra-oficialmente em cerca de 700 mil reais), bens imóveis e veículos.

    De imediato foram identificadas movimentações suspeitas nas contas bancárias. Os promotores classificaram tais movimentações como "amadoras", pois em havendo o pagamento aos fornecedores, cerca de dois ou três dias depois o dinheiro retornava para a conta pessoal de Eduardo Milioli.

    A partir de 2015 foi observado que Milioli criou uma empresa particular, a Instituto Coach de Talentos. Desde o início ficou clara uma confusão com funcionários da ONG trabalhando para o instituto, tanto que esses funcionários passaram a trabalhar dentro da sala dessa empresa, pagos por meio do convênio com o Estado, alguns, inclusive, vinculados ao Casep de Tubarão, outros ao de Criciúma e ao CASE. Uma delas testemunhou nessa manhã de que nunca havia estado no Casep de Tubarão.

    Outra constatação dos investigadores diz respeito às notas fiscais. Tanto produtos, quanto serviços prestados não condiziam com o que havia sido entregue aos Caseps e CASEs. A MT costumava contratar instrutores para darem oficinas os adolescentes internados, com emissão de Notas Ficais e pagamento pelos tais serviços (danças, informática, música, fotografia etc). Contudo nada era feito, restando a suspeita de que também não recebiam os valores, os quais eram desviados para a ONG. Da mesma forma contas de energia elétrica das 11 salas alugadas no Supermercado Giassi Santa Bárbara, em torno de 3,5 mil/mês, foram pagas com recursos públicos, sendo contrário à Lei, que determina que cada recurso seja investido para o destino determinado no convênio, no qual não consta esse tipo de despesa.

    Naquele mesmo ano, 2015, o ICT firmou convênio com o Caverá, de Araranguá, dada a necessidade de mais espaço para os eventos de coaching, haja visto o "crescimento" dos cursos que duravam de finais de semana a uma semana inteira, mesmo cobrando mais de 5 mil reais por pessoa. Com o tempo houve a necessidade de um depósito para guardar equipamentos. Em Novembro de 2016 houve uma diligência do Gaeco ao Caverá e não havia edificação alguma para o tal depósito. Em nova diligência, em Março deste ano, o local estava edificado. No cruzamento do que foi visto dessa obra com as notas emitidas em nome dos Caseps e CASEs por lojas restou incompatível, estando os gastos muito acima do posto no imóvel. A conclusão do Gaeco foi de que na casa construída no Caverá pelo ICT foi usado dinheiro público. Sendo que o local jamais fora usado por adolescentes do Casep, por exemplo.

    A investigação também observou que a partir de 2015 houve a contratação de uma agência de publicidade pelo instituto. Contudo, em nenhum momento houve pagamento do ICT para esta agência, mesmo administrando as suas mídias sociais, tendo feito anúncios de jornal, outdoors etc. Tais pagamentos aparecem nas contas da Multiplicando Talentos com recursos dos convênios com poder público.


    Até o atual estágio das investigações, as quais seguirão, não foi detectada participação de funcionários da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania.

    Por fim, Casep não tinha telefone, usava a Lei Rouanet para receber recursos para os dois cinemas que administrava e cobrava mensalidade (tipo um passaporte) de cinéfilos, cujos recursos íam diretamente para uma de suas empresas e usou cartão de crédito da ONG para pagar despesas em viagens internacionais de turismo.

    Os promotores do caso optaram por acusá-lo de peculato apesar de não ser funcionário público, mas administrar verba pública.

    A entrevista com os membros do Gaeco você asiste na íntegra AQUI.

    Um comentário:

    1. MULTIPLICARAM "talentos".
      Cumpriram rigorosamente a finalidade.

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