quinta-feira, 2 de maio de 2013

QUEM AMA NÃO TRAI?

Se a questão fosse, de fato, amor, quem ama não se importaria com as puladas de cerca do outro porque seu amor o faria feliz com o prazer que o outro teve. Nunca foi uma questão de amor e não se trata de amor!

Ah, a traição... Tema recorrente e inesgotável sobre a relação entre cônjuges. Bem, não serei eu a me desviar do assunto. Vamos pular o conceito de traição, aceitando o usual: sexo com outro que não o cônjuge e sem que ele saia. Mas antes deem uma lida nessa forma de evitar conflito e ainda transar muito com outros e outras que você lê AQUI. Num outro texto, de forma até poética, vou um pouco além desse conceito que você lê AQUI.

Historicamente foi construído o império da fidelidade. Nos 10 mandamentos da Bíblia, por exemplo, está que não devemos cobiçar a mulher do próximo. Mas não diz que a mulher do próximo não deva cobiçar, tampouco que não ceda à cobiça alheia. Um joguinho de palavras bem interessante. Ora, essa Lei era para o povo hebreu, não valendo para o outro de outra fé. Daí, vem o cara que dá em cima da mulher hebreia e ela, como não tem sobre si a determinação de não ceder... Evidente que não é isso, mas mostra como podemos achar um jeitinho de driblar uma regra, mesmo a mais clara. Além disso, para o traído não importa religião, Deus ou igreja. A cornitude é inaceitável para alguns. Para outros não chega a ser um problema.

Há um evidente antagonismo nessa relação. Evidenciamos a importância do amor e de que quem ama não trai. Contudo, por que considerar que só se pode amar a uma pessoa de cada vez? Conseguimos amar pai e mãe, irmãos e irmãs, filhos e filhas ao mesmo tempo, mas não poderíamos amar mais de um cônjuge? Sendo o sexo a única diferença entre os casos. É evidente que podemos. Não só podemos como amamos. Afinal, além de amarmos várias pessoas ao longo da vida, com as quais queremos e tivemos sexo, é óbvio que nos interessamos afetivamente por outras pessoas que não nossos cônjuges ao longo de um relacionamento estável. A estabilidade de um relacionamento não elimina nosso desejo por outro. Quiçá fosse assim.

A experiência de vários casais tem demonstrado que a monogamia é uma decisão pessoal, não uma lei irrevogável e absoluta.

Quem ama pode sim trair. O caso é que também nos deparamos com o ímpeto da exclusividade. O caso não é de traição em si, mas de posse. Queremos ser donos do outro, de ter sua exclusividade sexual, de mandar em seus desejos.

Os conflitos se seguirão a menos que o casamento, ou namoro, seja tratado com racionalidade que o tesão requer. Porque em se tratando de irracionalidade já basta o próprio tesão.

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