quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A MENTIRA COMO TRAMPOLIM

Pobreza é nossa condição natural. A riqueza, sim, é fruto de necessidades de mercado atendidas pelos meios de produção/distribuição, esforço, regulamentações, burocratização, tributação, inflação, capacidade produtiva, políticas etc. Basta notar que há cerca de 200 anos os países (ou reinos) estavam de tal forma próximos, em se tratando de riqueza, que pouca diferença havia entre uma Inglaterra e um Congo. Foi justamente a industrialização iniciada no século XIX que mudou drasticamente o mapa econômico. Nem isso se pode creditar ao capitalismo.

É preciso distinguir que um lord inglês poderia ter mais riqueza que um rei africano, mas o modo de vida, a tecnologia disponível, os aproximava. O que havia disponível até o final do século XVIII não ía muito além de cavalos e roupas, alguns tipos de armas e nada mais. A riqueza, notadamente o ouro, servia até certo ponto, pois a ele tinham acesso líderes tribais aos montes, não somente na África, quanto na América dos Maias, Incas e Astecas.

Com a industrialização, iniciada com a máquina a vapor, a coisa mudou profundamente. Para tanto analisemos do que era necessário, como ainda é, para produzir um trem, por exemplo. A mineração ganhou força total na produção de carvão, a tecnologia para fabricar as peças das máquinas cresceu exponencialmente e o ganho em produtividade que tudo isso gerou, além dos serviços que são acrescidos. Fomentaram a circulação de dinheiro, nova mão-de-obra e novos relacionamentos entre países. Empresas surgiram e as necessidades advindas dessas mudanças levaram a novas Leis. A mecanização barateou a produção fazendo surgir a produção de massa. Com a redução dos preços de roupas, por exemplo, as populações das cidades puderam comprar mais, fazendo crescer o comércio, inclusive de outros seguimentos. Enfim, isso não é obra do capitalismo, mas de uma situação espontânea, haja vista o capitalismo estar nas relações comerciais desde que essas iniciaram com o escambo - a troca de excedentes de produção agrícola por cobre, por exemplo. Onde há capital (dinheiro ou semelhante) há capitalismo e isso remonta a tempos que ignoramos. O inverso não existe. Sem capital, sem capitalismo. Pois este é consequência, não causa.

Por sua vez os socialistas/comunistas reproduzem um discurso que não se sustenta na História ao condenarem o capitalismo. E muito mais tolos ao se referirem à burguesia. Tal anacronismo ainda se vê. Como nesta semana o Rodrigo Maciel, que foi candidato pelo PCB a prefeito de Criciúma, fez menção na rádio Som Maior. Falam como se a pobreza fosse fruto do capitalismo, da exploração do homem sobre o homem, quando não é fruto de nada. Basta pensar que não fosse a tecnologia e o crescimento da produção tudo o que seríamos estaria resumido em criadores de rebanhos para consumo próprio e plantadores de hortas.

Mais dramático, e absolutamente verdadeira, é a análise de Walter Williams, do Instituto Ludwig von Mises, ao afirmar: "Um fato trágico — embora pouco comentado — é que vários países da África passaram por expressivos declínios econômicos após suas independências. Em muitos desses países, o cidadão médio pode dizer que comia mais regularmente e usufruía mais proteções aos seus direitos humanos quando ainda estava sob domínio colonial. As potências coloniais jamais perpetraram os indescritíveis abusos de direitos humanos — incluindo-se aí o genocídio — que vimos ocorrer em países como Burundi, Uganda, Zimbábue, Sudão, África Central, Somália e outros lugares após sua independência." Ou seja, nem o colonialismo explica a miséria em que nações se encontram.

E por que insistem em negar os fatos e afirmar mentiras? Porque necessitam manter um discurso que legitime uma ascensão ao poder. Nada mais, nada menos. Não importam-se com a verdade, tampouco com as soluções, mas com seu projeto de poder.

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