sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

TEXTO DE JOSÉ DIRCEU

A política e o PT em 2013, por José Dirceu

Das eleições municipais à instalação da Comissão Nacional da Verdade, passando por questões de grande relevância como a aprovação da Lei de Cotas Sociais em universidades públicas federais e do Novo Código Florestal, o ano de 2012 foi marcado por uma agenda política extensa, cujas resoluções trazem novos parâmetros para a vida nacional.

E se falamos em agenda política, inevitavelmente, remetemos a todos os atores que a elaboram diariamente: sociedade, governos, parlamentos, movimentos sociais, sindicatos e, obviamente, os partidos políticos.

Não apenas por ser ter sido um ano eleitoral, 2012 foi marcado por embates muito demarcados entre os partidos políticos.

Sem incorrer em maniqueísmo, podemos dizer que, de um lado, esteve o partido da presidenta, Dilma Rousseff, e do ex-presidente Lula, o PT, juntamente com seus aliados, na luta pela consolidação de um projeto político que, iniciado há dez anos, tem mudado a história do nosso país, atacando a principal mazela da nossa sociedade - a desigualdade -, grande entrave à cidadania do nosso povo e ao nosso pleno desenvolvimento.

De outro, uma oposição liderada por PSDB, DEM e PPS, nitidamente sem rumo, incapaz de apresentar um programa alternativo, persistiu em sua jornada contra o governo e o PT, negando cega e mesquinhamente todas as mudanças que têm sido empreendidas na década e que são tão caras ao nosso país.

O agravante desta disputa compreensível e até salutar, não fosse a falta de propósito da oposição, é que, cada vez mais, a grande mídia conservadora se alia indistintamente àqueles que atacam o PT, seus líderes e governos, colaborando e até protagonizado campanhas difamatórias e denuncistas, com o objetivo claro de desmoralizar as transformações por eles lideradas.

Mas a despeito de tudo isso, o PT encerrou 2012 fortalecido. Enquanto a oposição e seu principal partido, o PSDB, praticamente desapareceram das prefeituras das capitais e principais cidades do Sul, Sudeste, Centro Oeste, o PT conquistou capitais e grandes cidades de ponta a ponta do país, coroando seu êxito com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo.

Saiu do pleito municipal como o partido mais votado e o que elegeu o maior número de prefeitos em todo o Brasil.
Além disso, em todas as pesquisas de opinião, o partido segue como o mais respeitado e mais admirado pela população brasileira, reconhecido principalmente por promover avanços sociais e econômicos, combater a fome e a miséria e fazer o nosso país crescer sendo valorizado lá fora.

Fundado há 32 anos, o Partido dos Trabalhadores, que tem sólidas raízes nos movimentos sociais, nunca abandonou suas bandeiras e é o partido mais democrático do Brasil, sempre respeitando as instituições, as divergências e a diversidade, disputando a opinião pública no debate e no voto.

Mas, evidentemente, não serão poucos os desafios a serem enfrentados pelo PT em 2013. O partido deverá se defrontar com lutas antigas e novas demandas, além da necessidade permanente de renovação de energias e inquietações.

Sempre comprometido com a transformação democrática da sociedade brasileira, o partido não poderá descuidar das importantes tarefas que lhe são impostas pela conjuntura, ocupando-se também dos problemas de dimensão estratégica e de cujo enfrentamento depende o futuro do país.

As enormes conquistas obtidas até aqui não ocultam a existência de uma volumosa agenda de mudanças pendentes - tanto sociais, como econômicas, culturais e político-institucionais.

Apesar dos avanços que permitiram a retirada de 40 milhões de brasileiros da pobreza, ainda temos muito que percorrer para superar as desigualdades, priorizando a atenção aos ainda existentes bolsões de miséria.

É preciso continuar atacando toda e qualquer forma de exclusão, expressas também pelos baixos níveis de educação, pela deficiente formação para o mundo do trabalho, precárias condições ambientais, de habitação, de saneamento, de mobilidade urbana e de acesso à saúde.

Também teremos de lidar com o aprofundamento de reformas estruturais imprescindíveis como a tributária, a agrária e a política, perseguir a melhoria dos investimentos públicos e privados, encontrar caminhos para uma gestão mais eficiente, resolvendo definitivamente os gargalos da infraestrutura e cuidando para evitar problemas na área energética, em que temos plenas condições de despontar como potência global.

Acelerar e ampliar as políticas de crescimento com distribuição de renda, geração de empregos e promoção da cidadania em meio a uma grave crise mundial não será tarefa fácil.

Porém, sabemos ser este o único caminho para dar sustentabilidade econômica e social ao nosso desenvolvimento, propiciando uma competitividade fundada na ciência, tecnologia e inovação, fazendo do acesso à educação e à cultura e da expansão das conquistas sociais a nossa estratégia para garantir oportunidades iguais a todos os brasileiros.

Também deverá engajar-se no esforço das entidades que lutam pela democratização da mídia, manter diálogo aberto com a população e lutar pela ampliação da participação social.

A acelerada mobilidade que experimentamos implica exigências novas em relação àquelas do passado. Os principais beneficiários das transformações ocorridas no país somente se identificarão com as forças políticas que as produziram a partir da ação coletiva e da compreensão partidária deste fenômeno.

A convocação do 5º Congresso do Partido dos Trabalhadores para fevereiro de 2014, deverá discutir todas essas questões e é preciso antecipar as reflexões e debates ao longo de 2013.

Não será pouca coisa. Mas o PT, que junto com os trabalhadores tem sido um importante ator político no processo de transformação do nosso país, possui um compromisso inalienável com a sua história de luta, de sonhos e de realizações.

Continuar liderando as mudanças que iniciou há 32 anos, com amplo apoio da população, e seguir prestando serviços ao país, na forma da defesa de uma sociedade mais justa e menos desigual, será sua principal razão de ser em 2013.

José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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