CATÓLICOS, PROTESTANTES E O NAZISMO - O que nos ensinam?
| Catedral de Colônia (Kölner Dom), maior templo católico da Alemanha na década de 1930 |
A ascensão do nazismo na Alemanha pré segunda guerra traz um dado muito interessante: os protestantes luteranos foram a grande base eleitoral de Hitler e, em contrapartida, os católicos foram a resistência. Mas o espaço foi curto para que tudo mudasse. Segundo pesquisa que fiz no ChatGPT e Google Gemini a evolução eleitoral foi a seguinte:
Há duas razões básicas: a desestruturação dos partidos conservadores ligados aos protestantes com a crise econômica de 1929; e, a unificação dos católicos em torno de um partido, o Zentrum, muito bem estruturado.
Em julho de 1932, cerca de 17% dos eleitores do partido nazista eram católicos; aproximadamente 83% eram não católicos, e quase todos estes eram protestantes. Note no quadro a seguir que a proporção se manteve a mesma, o crescimento teve, basicamente, o mesmo multiplicador. A diferença foi, digamos, na arrancada, quando os protestante votaram mais no nazismo.
Outro aspecto, que ainda hoje se vê claramente, é que o eleitorado feminino é mais propenso ao voto ligado ao radicalismo e o masculino tende a ponderar um pouco mais, como neste exemplo de duas das principais cidades da época:
E O QUE MUDOU PARA O NAZISMO SE TORNAR EGEMÔNICO?
O mais impressionante dentre os movimentos políticos naquele momento estava no "Cristãos Alemães" (Deutsche Christen), uma ala protestante pró-nazista que tentava fundir o cristianismo com a ideologia de raça e a liderança de Adolf Hitler. Historicamente os evangélicos são mais abertos à mudanças, mesmo que implique em distanciamento dos fundamentos cristãos. Um dos exemplos recentes é a aceitação de segundo casamento, coisa que o catolicismo resiste.
A reviravolta! Embora as urnas se mostrassem baseadas na religião, após Hitler assumir a chancelaria em 1933, a resistência católica institucional ruiu. O Zentrum votou a favor da Lei de Concessão de Poderes de 1933, quebrando a última barreira ao totalitarismo, em dissonância com o desejo da maioria. Além disso, a assinatura do Reichskonkordat entre o Vaticano e a Alemanha nazista em julho de 1933 desmobilizou a oposição política católica formal.
O Reichskonkordat (Concordata do Reich) foi um acordo firmado em 20 de julho de 1933 entre a Santa Sé e o governo de Adolf Hitler, destinado formalmente a regulamentar as relações entre a Igreja Católica e o Estado alemão.Entre outras coisas:
Eis a grande ferramenta de Hitler: a Igreja Católica se comprometia a não participar diretamente da política partidária, enquanto o Estado reconhecia determinados direitos institucionais da Igreja.
- garantia formalmente a liberdade de culto e de prática religiosa católica;
- reconhecia direitos da Igreja em determinadas áreas, como educação e administração eclesiástica;
- garantia a autonomia da Igreja em assuntos propriamente religiosos;
- regulamentava a nomeação de bispos;
- estabelecia que o clero não deveria exercer atividade política partidária.
Agora observe a cronologia:
- Hitler nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933;
- Em março, aprovação da Lei de Concessão de Plenos Poderes (Enabling Act);
- Zentrum é dissolvido em 5 de julho daquele ano;
- 14 de julho, aprovada a lei que proibia a criação de novos partidos políticos;
- O Reichskonkordat (Concordata do Reich) foi um acordo firmado em 20 de julho de 1933.
A liderança da igreja católica entrega seu partido em troca de garantias e vai para a arquibancada ver o jogo. Coisa que os protestantes não precisaram fazer porque já estavam alinhados e no jogo.
CONCLUSÃO
Vemos que, num país essencialmente religioso, a relação partidária com a fé está intimamente ligada à política. Assim, nenhuma surpresa diante do Brasil desde as eleições de 2018. De um lado a histórica relação do PT com o catolicismo através dos grupos eclesiais de base, CNBB e a "Teologia da libertação". De outro, Jair Bolsonaro, apelando efusivamente para a cristandade com seu "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!" e o Deus, pátria e família. Em 2022 orações na frente de quartéis, como se Deus precisasse acordar pra a realidade. Agora vemos o avanço de Lula pra cima dos evangélicos com Janja cantando hino ao lado de cantor Gospel...
Cristãos mais atentos aos preceitos bíblicos deveriam rejeitar tudo isso. Mas pedir para um povo disfuncional, como o nosso, prestar atenção em textos doutrinários é pedir demais. Pois é, a religião dança conforme a música, o seu Deus dorme, e o poder humano determina tudo! E todos falam em "missão de Deus"...
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