CARMEL - HERANÇA DE LULA, SALVARO E GEOVÂNIA DE SÁ
| Salvaro sempre com esse semblante de contrição pra convencer desavisados |
Esta semana, NOVAMENTE, a Polícia Militar fez operação no Residencial Carmel, em Criciúma, 11 anos após a primeira. Mas por quê? Qual a história por trás desse local que insiste em ser um problema para a cidade? Bem, o que pude encontrar revela algumas coisas que o prefeito da época, Clésio Salvaro, e a secretária da Assistência Social, Geovânia de Sá, nada vão falar. Muito menos Lula e seu ministro, Patrus Ananias, que comandou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) de 2004 a 2010, se manifestariam.
O Carmel faz parte do Minha Casa, Minha Vida, na modalidade destinada à população de menor renda (ou nenhuma!). A documentação da Caixa registra o empreendimento como Residencial Carmel, com 272 unidades, contratado em 3 de dezembro de 2009, pelo valor de R$ 12.420.591,94, dentro do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).
O governo Federal/Caixa entrou com o financiamento e operacionalização do programa (as regras para o benefício). O município com o cadastramento das famílias, seleção/indicação da demanda e trabalho social, dentro das regras do programa. A divisão de responsabilidades é bem clara, com ação direta da secretária da época, Geovânia de Sá, filha do sindicalista Itaci de Sá. Assim, a seleção tem sua influência.
Havia regras federais do Minha Casa, Minha Vida/FAR, complementadas pelos procedimentos municipais de cadastramento e seleção. Entre eles estavam:
Havia regras federais do Minha Casa, Minha Vida/FAR, complementadas pelos procedimentos municipais de cadastramento e seleção. Entre eles estavam:
- baixa renda;
- inscrição/cadastro habitacional;
- residência no município;
- não possuir imóvel;
- enquadramento nas regras do programa;
- análise da situação socioeconômica;
- atendimento de prioridades sociais estabelecidas pelas normas do programa.
Eis que, tal programa não levou em consideração que colocar pessoas ligadas ao crime num mesmo lugar daria problema. Algo tão óbvio! Ora, dentro da seleção foi considerado mulheres com filhos, cujo homem da relação estava ligado ao tráfico, por exemplo. Assim, ela recebeu o imóvel e ele, ao sair da cadeia, tinha para onde ir. Imagine o resultado em 272 famílias. Claro que não eram todos. Bastavam umas 10 nessa situação. Só que eram mais de 10. O número exato não possuo, mas ele aparece num dado momento, como verás adiante. Para identificar tais casos seria necessário pesquisar cada cadastro e o parecer dos profissionais de assistência social encarregados das entrevistas. Como não possuo financiamento, assumo que não farei tal pesquisa.
Em 2014 houve um recadastramento dos moradores. Mesmo assim, em 2015 o delegado André Milanese afirmou que os problemas persistiam. Nesse ano, por exemplo, a DIC de Criciúma realizou a chamada Operação Carmel, depois de meses de investigação. Segundo a Polícia Civil, havia uma quadrilha que traficava drogas e atuava dentro do condomínio. A investigação apontou que os criminosos possuíam ligação com organização criminosa atuante no sistema prisional catarinense, tinha pessoas responsáveis pela chefia, gerência, transporte, guarda e venda dos entorpecentes. Uma estrutura muito bem formada com base no Carmel. Naquela operação foram presos os apontados como "patrões" e "gerentes" do tráfico.
Em 2016, o MPF registrou um inquérito civil provocado por comunicação do próprio Condomínio Carmel à Caixa, informando que 160 condôminos estavam inadimplentes e que o condomínio não conseguia sequer pagar despesas básicas.
Em 9 de maio de 2018, a PM realizou uma operação com participação da Secretaria de Ação Social. O objetivo incluía: prender pessoas procuradas pela Justiça; apreender armas; apreender drogas; recuperar veículos roubados/furtados; e, identificar apartamentos ocupados irregularmente. A Secretaria de Ação Social auxiliou na fiscalização dos imóveis e dos proprietários/ocupantes.
Poucos meses depois, em 11 de julho de 2018, Polícia Civil e Polícia Militar fizeram uma operação ainda maior. Participaram mais de 170 policiais, além do helicóptero do SAER. Foram expedidos 40 mandados de busca e apreensão, com outros nove ainda a cumprir naquele momento. Foram seis presos e um flagrante relacionado a porte de arma. Portanto, em 2018 o problema tinha raízes profundas.
Poucos meses depois, em 11 de julho de 2018, Polícia Civil e Polícia Militar fizeram uma operação ainda maior. Participaram mais de 170 policiais, além do helicóptero do SAER. Foram expedidos 40 mandados de busca e apreensão, com outros nove ainda a cumprir naquele momento. Foram seis presos e um flagrante relacionado a porte de arma. Portanto, em 2018 o problema tinha raízes profundas.
Em 2019, por exemplo, havia 58 dos 272 apartamentos ocupados irregularmente, segundo o secretário municipal de Assistência Social, Paulo César Bitencourt. Nesse momento o condomínio acumulava aproximadamente R$ 2,4 milhões em dívida com a Casan e chegou a ficar 12 dias sem água.
Em janeiro de 2023 outra grande operação, denominada Operação Ordem Pública, com a participação da Polícia Militar, Defesa Civil, Celesc, Casan, Vigilância Sanitária e Secretaria de Assistência Social. Foram encontrados irregularidades no sistema de prevenção contra incêndio, problemas no manejo do lixo, sistema de esgoto sem manutenção, ocupações irregulares (note que isso persiste desde o início). Efeito "natural" de tanto problema: 48 ligações clandestinas de energia, as quais foram desativadas. Ainda nessa ação foram apreendidos cerca de 55 cigarros de maconha, aproximadamente 20 g de maconha, 21 buchas de cocaína, 15 g de cocaína, balança de precisão e material para embalagem de drogas.
Em 10 de julho de 2025, novamente houve uma operação conjunta no Carmel. Dessa vez, o foco principal foi o furto de energia elétrica. Foram identificadas 39 ligações clandestinas e 13 pessoas presas em flagrante. Participaram PM, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Celesc.
Em 24 de agosto de 2026 a Polícia Militar iniciou uma nova fase da Operação Apneia no Residencial Carmel. O objetivo declarado pelo comandante do 9º BPM, tenente-coronel Mário Luiz, foi retirar criminosos, prender envolvidos, restabelecer a ordem pública, proteger os moradores que não estão envolvidos com o crime. E o comandante definiu a origem do problema. Segundo ele, o programa habitacional teria sido "extremamente conturbado, mal conduzido", contribuindo para que a criminalidade tomasse conta do ambiente e para que moradores de bem fossem afastados.
Tudo, absolutamente tudo mostra que o PODER PÚBLICO errou no início, sabia e sabe da situação do Carmel e NADA, ABSOLUTAMENTE NADA feito até agora resolveu de fato. Ouso dizer que na raíz do problema está a presença das esposas de criminosos. Elas não são, juridicamente, criminosas, mas dão suporte. O cara entra e sai da prisão, tendo para onde ir. O sistema não os retira da sociedade. As leis deixam brechas para que tirem férias às nossas custas!
Resumo da cronologia dos eventos envolvendo o condomínio:
2009 - Contratação do empreendimento pela Caixa/FAR (primeiro ano de Clésio Salvaro)
2010–2011 - Implantação/construção e processo de seleção dos beneficiários
2011 - Prefeitura anuncia 272 famílias contempladas
2012 - Condomínio passa a ser ocupado (registro do CNPJ do condomínio, 27 de março de 2012 e último ano do primeiro mandato de CS)
2015 - Primeira grande operação policial contra tráfico
2018 - Novas operações policiais e recadastramento
2019 - Grave crise de inadimplência e falta d'água
2023 - Grande operação conjunta de ordem pública (prefeitura, PM, PC e MP)
2025 - Nova operação, com 13 prisões por furto de energia
2026 - Operação Apneia da PM
Os políticos não voltam pra corrigir seus erros. Salvaro e Geovânia simplesmente ignoraram o que fizeram ou deixaram de fazer. As consequências, contudo, são da sociedade.
Uma possível solução, cujos mecanismos legais não possuo, mas entendo que quem quer resolver age para isso, seria a transferância das família de envolvidos para unidades isoladas. É mais do que comprovado que locais são dominados pelo crime por neles se ajuntam parceiros de crime. Isolados perdem força. E parte de sua força está nas famílias que deixam pra trás.
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