Mas em se tratando do tal julgamento divino, quando todos os humanos estarão diante de um tribunal temos dois problemas absolutamente óbvios: primeiro, supor que Deus precise disso é colocá-lo na lata de lixo, afinal, se sabe tudo não há o quê julgar; segundo, julgamento remete ao contraditório. Sim, teremos espaço para defesa? Isso também é colocar Deus no lixo, pois parte da possibilidade de que possamos convence-lo de alguma coisa que não saiba ou esteja avaliando de forma errada. Deus se sujeitará a argumentos humanos?
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| “O Juízo Final” de Michelangelo na Capela Sistina, Vaticano |
A Bíblia diz que haverá. Porém, é apenas um livro. Deus não veio a mim, nem a ninguém que me lê agora e disse: "Vai pela Bíblia!" ou "Vai pelo Corão!". Quem diz isso é outro ser humano. E supor que Deus precise de outro ser humano pra dizer o que pensa é joga-lo igualmente no lixo. Nem a mais contundente descrença seria empecilho para Ele. O Todo Poderoso é todo poderoso, inclusive para falar por si mesmo.
Entretanto, há os que dizem que Deus falou com eles. Ora, isso não faz a menor diferença, já que comigo não falou e posso duvidar que tenha falado com outros. Eis que estamos diante, novamente, da insubstância da fé.
Segundo Sami Isbelle, autor dos livros "Islam: a sua crença e a sua prática" e "O Estado islâmico e a sua organização", diretor do departamento educacional e de divulgação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro, em artigo no jornal Extra:
Após o fim mundo, Deus irá ressuscitar os mortos para a prestação de contas de tudo aquilo que fizeram nesta vida. Aqueles que entrarem no paraíso ficarão lá eternamente, gozando de total felicidade, enquanto aqueles que adentrarem o inferno permanecerão lá um tempo, pagando por suas más ações, e depois entrarão no paraíso, pela misericórdia de Deus. Somente um grupo ficará eternamente no inferno: aqueles que não tiverem no coração nem mesmo a mais ínfima porcentagem de crença no Deus Único.
Detalhando mais
É inegável a influência da família. Para bem e para mal. Nossos pais determinam muitos dos nossos comportamentos e, em geral, repassam suas crenças. Sou um dos poucos que não fez isso.
O momento histórico é absolutamente determinante. Um homem do século 18 é muitíssimo diferente do século 19. E assim por diante, seja lá qual for a ápoca a ser comparada. O que mantemos são nossas ansiedades na vida. E, à essas ansiedades reagimos conforme as informações disponíveis.
Preciso detalhar mais? É preciso ser um gênio para arrazoar sobre sociopatias e deficiências do lobo frontal do cérebro que nos foram impostas geneticamente? Esquecem que assassinos em série sofrem de "deformidade" cerebral que os impede de ter remorso, por exemplo. E como seria o julgamento de quem veio com defeito por obra divina? O tal não pode ser responsabilizado por algo que foge à sua vontade. Se nascemos pela Sua vontade é preciso aceitar que Ele determinou que alguns nascessem para o crime. Como adequar esse fato à ideia de Juízo Final?
Ora, a ideia desse tal julgamento veio muito antes de termos tantas informações sobre nós mesmos. Há séculos buscamos respostas e o tema está inserido nesse contexto, pois é natural, me parece, que os antigos imaginassem que Deus haveria de julgar os atos humanos diante de tantas injustiças e da incapacidade humana de exercer a justiça. Simples, um cara que mata duas ou mais pessoas morre apenas uma vez... Como podiam entender que uma mulher morre no parto ou uma criança sofre? Tudo recaía sobre a ideia de que Deus resolveria tudo, ao menos, num futuro julgamento.
Desde o Código do rei Hamurábi, escrito aproximadamente em 1772 a.C., na região da antiga Mesopotâmia, que o homem vem tentando colocar regras de justiça nas relações humanas. Hoje tornou-se impossível seguir os Dez Mandamentos e seus desdobramentos nos livros da Torah, por exemplo. Nossos códigos são insuficientes para tudo e os livros sagrados são prova disso. Como supor que Deus vá dividir toda a humanidade em bons e maus? As penas para nossos atos jamais poderiam destinar-nos ao Céu ou Inferno, pois ninguém é totalmente mau, nem totalmente bom. E o contato com os tais livros sagrados é tão ridículo, seja por saber que existem, seja por conhecê-los profundamente, que quem ousa dizer que conhece seu Deus faz-se mentiroso.
E a vida segue.
Abraço roldânico a todos.
É inegável a influência da família. Para bem e para mal. Nossos pais determinam muitos dos nossos comportamentos e, em geral, repassam suas crenças. Sou um dos poucos que não fez isso.
O momento histórico é absolutamente determinante. Um homem do século 18 é muitíssimo diferente do século 19. E assim por diante, seja lá qual for a ápoca a ser comparada. O que mantemos são nossas ansiedades na vida. E, à essas ansiedades reagimos conforme as informações disponíveis.
Preciso detalhar mais? É preciso ser um gênio para arrazoar sobre sociopatias e deficiências do lobo frontal do cérebro que nos foram impostas geneticamente? Esquecem que assassinos em série sofrem de "deformidade" cerebral que os impede de ter remorso, por exemplo. E como seria o julgamento de quem veio com defeito por obra divina? O tal não pode ser responsabilizado por algo que foge à sua vontade. Se nascemos pela Sua vontade é preciso aceitar que Ele determinou que alguns nascessem para o crime. Como adequar esse fato à ideia de Juízo Final?
Ora, a ideia desse tal julgamento veio muito antes de termos tantas informações sobre nós mesmos. Há séculos buscamos respostas e o tema está inserido nesse contexto, pois é natural, me parece, que os antigos imaginassem que Deus haveria de julgar os atos humanos diante de tantas injustiças e da incapacidade humana de exercer a justiça. Simples, um cara que mata duas ou mais pessoas morre apenas uma vez... Como podiam entender que uma mulher morre no parto ou uma criança sofre? Tudo recaía sobre a ideia de que Deus resolveria tudo, ao menos, num futuro julgamento.
Desde o Código do rei Hamurábi, escrito aproximadamente em 1772 a.C., na região da antiga Mesopotâmia, que o homem vem tentando colocar regras de justiça nas relações humanas. Hoje tornou-se impossível seguir os Dez Mandamentos e seus desdobramentos nos livros da Torah, por exemplo. Nossos códigos são insuficientes para tudo e os livros sagrados são prova disso. Como supor que Deus vá dividir toda a humanidade em bons e maus? As penas para nossos atos jamais poderiam destinar-nos ao Céu ou Inferno, pois ninguém é totalmente mau, nem totalmente bom. E o contato com os tais livros sagrados é tão ridículo, seja por saber que existem, seja por conhecê-los profundamente, que quem ousa dizer que conhece seu Deus faz-se mentiroso.
E a vida segue.
Abraço roldânico a todos.

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