Esse caso é emblemático e vai revelar a índole do nosso eleitor. Duas observações: o eleitor, caso aceite que seu prefeito não seja cumpridor da legislação, o reelegerá; encerra-se assim qualquer discurso, ainda que legítimo, de moralidade, contra a corrupção e tudo o mais que constantemente comenta-se sobre o político. Seja lá qual for o número de votos que obtenha, todos serão desabonadores daquilo que mais desejamos: um Estado de Direito. Lei deve ser cumprida, muito mais que termos processos condenatórios na Justiça. Melhor que uma punição pela Justiça é não termos motivos para que o judiciário seja acionado.
Esta situação vai além do ''tocador de obras'' que foi construído em sua gestão. Atinge a moral do próprio povo. Afinal, o que querem os eleitores? Por que buscar a Justiça passou a ser vergonhoso? O ato de votar está acima da Lei? Pode o candidato ter qualquer tipo de conduta criminosa que o voto o torna incólume à Justiça? O que mais veremos?
Por seu lado, Romanna trocou de partido e por isso foi alvo de um pedido de impugnação (processo que foi ridicularizado pelos desembargadores do TRE). O que há de errado na troca de partido? Salvaro deixou o PFL (hoje DEM) pelo simples fato de não conseguir mandar mais que seu correligionário Júlio Garcia. Romanna seguiu o rito Legal. A fidelidade partidária não foi reivindicada pelo DEM, quando de sua saída. Como o PSD, autor do pedido de impugnação, vem arvorar-se defensor dos interesses de um outro partido? O que parece isso senão apenas uma forma de tumultuar o processo eleitoral?
Há quem a acuse de traidora porque deixou o mandato pela metade. Ora, Salvaro deixou o mandato de vereador para ser deputado estadual e deixou o mandato de deputado para ser prefeito. Se Romana traiu uma vez, Salvaro traiu duas vezes.
Há quem a acuse de traidora porque deixou o mandato pela metade. Ora, Salvaro deixou o mandato de vereador para ser deputado estadual e deixou o mandato de deputado para ser prefeito. Se Romana traiu uma vez, Salvaro traiu duas vezes.
Ora, a guerra eleitoral é franca e deve ser travada na Justiça também. Porém, essas ações e seus conteúdos revelam muito mais que um desejo de poder. Revela a índole dos que a movem. Não há nenhum santarrão nessas coisas. Contudo, acusar um lado de ser ''caçador'' sem atentar para o movimento do outro lado é cegueira. E cegueira eleitoral é a grande sustentação de toda a nojeira política, com a anuência tática do leitor.
Espero que cada vez mais que a Justiça seja acionada para que cada vez menos descumpridores da Lei tenham espaço numa eleição.
Espero que cada vez mais que a Justiça seja acionada para que cada vez menos descumpridores da Lei tenham espaço numa eleição.
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