
Ora, de imediato salta aos olhos que, no mesmo episódio, o motorista foi morto. Nada sobre ele, pois é homem. A morte de uma mulher negra é mais importante. Diriam alguns que isso se dá porque ela, e não ele, era militante social e política, ou coisa que o valha. Isso só seria possível afirmar se o crime fosse desvendado. Como não há autoria, não há motivação. Há várias hipóteses para um caso assim: ela morreu, mas o alvo era ele; mataram a pessoa errada; envolvida com o crime, foi queima de arquivo; e assim por diante. Há muitas possibilidades e por ora fica impossível apontar causas.
Além disso, fica outra questão absurda: e as demais mulheres? Qual o princípio moral para privilegiar a cor da pele por conta da morte de uma mulher? O que teria para dizer às demais mulheres, de diferentes cores de pele, a deputada estadual Enfermeira Rejane? Que são menos importantes?
E o uso da palavra "genocídio" fica completamente desvinculada da realidade. Seis milhões de ucranianos mortos de fome pelo regime stanilista entre 1931 e 1933 é genocídio; seis milhões de judeus mortos em campos de concentração nazistas é genocídio. 20 milhões de chineses mortos por Mao Tsé-Tung é genocídio. Adiante argumentar com quem muda até o significado das palavras? Resta lamentar.
Por fim, como combater um crime que não escolhe etnia, escolhendo uma etnia para ser defendida?
Este caso é mais um, dentre tantos, da vitimização grosseira em descompasso com a realidade. Desprezo e valorização da mulher conforme sua cor não cabe mais num mundo que deseja ardentemente livrar-se das amarras da divisão burra da sociedade.
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