O episódio narrado no Novo Testamento, em Mateus capítulo 4, no qual Jesus passa 40 dias em jejum e é tentado por Satanás chama a atenção por alguns detalhes óbvios. Aliás, o óbvio é uma desgraça na teologia, pois ela o nega. Vamos aos tais detalhes.
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| É possível ficar sem comer por 40 dias em ambiente controlado, mas não sem ÁGUA |
Segunda situação, um acinte à minha capacidade de pensar, dá-se quando o Diabo oferece os reinos do mundo, sua posse (versos 8 e 9). Ridículo pensar que estivesse mentindo justamente para quem sabia da verdade. Mas em não mentindo estamos diante de dois problemas: ele tomou para si ou Deus o deu? Se tomou o fez contra a vontade do Pai. Teria poderes para tal? Certamente que não. O Eterno deixou que acontecesse? Certamente não. Os reinos se entregaram ao Diabo? Só se de forma inconsciente e mesmo assim só se estivessem sem dono. Diriam alguns que pelo pecado transformaram-se em posse do Demônio. Ora, e deixariam de ser pecaminosos se passassem para as mãos de Jesus? Bem, Jesus negou-se em ser dono e quem é dono manda. Teria sido a oportunidade máxima de consertar tudo que havia de errado. Diriam outros, que isso não fazia parte dos planos. Sim, então porque a necessidade de ser tentado e justamente com a possibilidade de por ordem na casa? Bem, Jesus não queria consertar nada...
Outro detalhe: “Vai-te, Satanás… Então o diabo o deixou” (versos 10 e 11). Jesus dá uma ordem e é obedecida imediatamente? Sim, é. E por que não o fez tão logo o capeta o tentou pela primeira vez? Quanto a isso só me ocorre deixar-se submeter à situação. Além de mostrar quem manda, sugerindo que o Diabo está ativo porque esse mesmo Jesus quer que esteja. Quanta bondade para com sua criação!
Como esse tipo de piada nunca se esgota, não só o Espírito levou Jesus, mas o próprio Diabo o faz (verso 5). Que condição tem esse Inimigo de pegar Jesus e levar daqui para ali? Um poder dado pelo próprio Deus a alguém que tem como inimigo. Jesus se deixa tratar assim e isso soa tão normal para esses cristãos que imagino não estar diante dos mesmos fatos. Calma que tem mais: “Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (verso 7). Puxa, é mais ou menos o mesmo que dizer para um bandido: “Não furtarás”. Como supor que Satanás estaria interessado em cumprir preceito divino? E como Jesus não cita o texto logo de cara? Tipo, tu não pode fazer uma coisa e eu permito que você faça para depois que você terminar de fazer eu dizer que não podias e com poder para impedir. É um absurdo atrás do outro.
Os cristãos explicam que as riquezas dos reinos poderiam atrair Jesus e faze-lo mudar seus planos. Puxa, e qual o problema se um não exclui o outro? Como deixar de ser o Salvador porque passa a ser dono do ouro e da prata, a mesma riqueza que no Velho Testamento era de seu Pai? Ora, Deus criou a Terra e isso torna suas riquezas Sua criação e, por óbvio, sua posse. É a ideia de que pra ser bom tem que ser pobre, e ser rico é ser mau.
Bem, não havia, como não há, maneira de ludibriar a Deus, nem a seu Filho, pois deixariam de ser Pai e Filho se sucumbissem. Também não podemos colocar Satanás como um tolo, já que rivaliza com o Todo-Poderoso. Não havia determinação humana para que Jesus fosse testado. Da mesma forma a incredulidade humana não parece ter diminuído ou aumentado com este episódio. Ou seja, para nada serviu. Ainda mais que não houve testemunhas.
Concluindo. Vê-se que se trata de mais um mito bíblico, da crendice que surge da imaginação humana e, como é fruto da credulidade e tradição oral da antiguidade, não resiste a um mero questionamento como este.

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