É preciso distinguir que um lord inglês poderia ter mais riqueza que um rei africano, mas o modo de vida, a tecnologia disponível, os aproximava. O que havia disponível até o final do século XVIII não ía muito além de cavalos e roupas, alguns tipos de armas e nada mais. A riqueza, notadamente o ouro, servia até certo ponto, pois a ele tinham acesso líderes tribais aos montes, não somente na África, quanto na América dos Maias, Incas e Astecas.
Com a industrialização, iniciada com a máquina a vapor, a coisa mudou profundamente. Para tanto analisemos do que era necessário, como ainda é, para produzir um trem, por exemplo. A mineração ganhou força total na produção de carvão, a tecnologia para fabricar as peças das máquinas cresceu exponencialmente e o ganho em produtividade que tudo isso gerou, além dos serviços que são acrescidos. Fomentaram a circulação de dinheiro, nova mão-de-obra e novos relacionamentos entre países. Empresas surgiram e as necessidades advindas dessas mudanças levaram a novas Leis. A mecanização barateou a produção fazendo surgir a produção de massa. Com a redução dos preços de roupas, por exemplo, as populações das cidades puderam comprar mais, fazendo crescer o comércio, inclusive de outros seguimentos. Enfim, isso não é obra do capitalismo, mas de uma situação espontânea, haja vista o capitalismo estar nas relações comerciais desde que essas iniciaram com o escambo - a troca de excedentes de produção agrícola por cobre, por exemplo. Onde há capital (dinheiro ou semelhante) há capitalismo e isso remonta a tempos que ignoramos. O inverso não existe. Sem capital, sem capitalismo. Pois este é consequência, não causa.
Por sua vez os socialistas/comunistas reproduzem um discurso que não se sustenta na História ao condenarem o capitalismo. E muito mais tolos ao se referirem à burguesia. Tal anacronismo ainda se vê. Como nesta semana o Rodrigo Maciel, que foi candidato pelo PCB a prefeito de Criciúma, fez menção na rádio Som Maior. Falam como se a pobreza fosse fruto do capitalismo, da exploração do homem sobre o homem, quando não é fruto de nada. Basta pensar que não fosse a tecnologia e o crescimento da produção tudo o que seríamos estaria resumido em criadores de rebanhos para consumo próprio e plantadores de hortas.
Mais dramático, e absolutamente verdadeira, é a análise de Walter Williams, do Instituto Ludwig von Mises, ao afirmar: "Um fato trágico — embora pouco comentado — é que vários países da África passaram por expressivos declínios econômicos após suas independências. Em muitos desses países, o cidadão médio pode dizer que comia mais regularmente e usufruía mais proteções aos seus direitos humanos quando ainda estava sob domínio colonial. As potências coloniais jamais perpetraram os indescritíveis abusos de direitos humanos — incluindo-se aí o genocídio — que vimos ocorrer em países como Burundi, Uganda, Zimbábue, Sudão, África Central, Somália e outros lugares após sua independência." Ou seja, nem o colonialismo explica a miséria em que nações se encontram.
E por que a Esquerda insiste em negar os fatos e afirmar mentiras? Porque necessita manter um discurso que legitime uma ascensão ao poder. Nada mais, nada menos. Não importa-se com a verdade, tampouco com as soluções, mas com seu projeto de poder.
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