27 março 2023

NA FALTA DE EXPLICAÇÕES, AS ESPECULAÇÕES

Como entender uma teologia que aponta para a existência da alma, ao mesmo tempo que fala em ressurreição do corpo?

O Céu/Paraíso deve ser conquistado sem se saber como seremos lá

Em se tratando de concepções sobre Deus ou deuses a humanidade é pródiga. Vamos às perguntas! O tal Deus cristão, Jeová, ou Javé, ou Helohim, ou Jesus, ou Trindade (nem eles são capazes de determinar com exatidão), através da Bíblia, criou um sistema inserto de normas para salvar o homem do Inferno. Por quê salvar?

Qual a necessidade ou lógica da ressurreição do corpo (matéria) se, supõe-se, o Céu seja imaterial, ou espiritual? Talvez a razão esteja na Torah, onde não havia Céu e nem Inferno e a eternidade do ser estava em sua descendência, com exceção das mulheres que apenas sumiam. Sim, a descendência era coisa exclusiva dos homens. Inclusive porque se um homem morresse sem deixar filhos seu irmão deveria gerar um com sua cunhada e, assim, eternizar o falecido. A despeito de qualquer explicação que teólogos cristãos possam inventar tal ordem divina é, no mínimo, coisa de demente.

Para que haja uma ressurreição é preciso um corpo. Então, como ficam os fetos, por exemplo? Isso mesmo, um feto. Fetos são consumidos por completo, não restando qualquer fração material, como ossos. Isso supondo que um feto seja um ser humano com alma e que tenha assegurada sua eternidade. Da mesma forma os que foram consumidos por animais ou incinerados.

Se um novo corpo surgir não é ressurreição!

Sendo o Céu um local para onde irão corpos, dos salvos, então é razoável pensar que este local seja material, como outro planeta ou coisa parecida.

Mas se a ressurreição não é dar vida ao corpo físico e, sim, fazer surgir um outro que seja imaterial, como seriam identificados? Qual sua aparência que remeteria ao corpo original? Seriam todos iguais? Nada disso é respondido pelas "escrituras sagradas".

Talvez você se pergunte qual a relevância dessa questão. A justificativa está no conteúdo ou ausência dele. Para crermos em algo é preciso que esse algo contenha explicações claras sobre o que é, o que propõe, o que almeja, retribui etc. Como crer em algo que não deixa claro este "futuro". Assim podemos supor que não seja verdade ou se trata apenas de uma forma de iludir pessoas e, assim, controlá-las.

O fato que temos é a ausência de fatos, já que tudo o que creem está circunscrito ao ato de crer. A verdade é conforme a crença, não o contrário. Ou seja, o Todo se submete à parte. o corpo à célula e o oceano à gota.

Como entender uma teologia que aponta para a existência da alma, ao mesmo tempo que fala em ressurreição do corpo? Não se entende!

NA FALTA DE EXPLICAÇÕES, AS ESPECULAÇÕES.

CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO

CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO

A discussão dicotômica, em se tratando da origem do universo, é limitada para mim.

Os criacionistas não conseguem definir a razão de cada ser existir como existe, muito menos explicar a extinção de outros do ponto de vista de uma mente inteligente por trás de tudo. Que lógica tão incrível haveria em corpos celeste destruindo-se ao cruzarem a trajetória um do outro? Que mente maravilhosa e permissiva é essa que ações da criação poriam fim na própria criação?

Os evolucionistas partem apenas do "marco zero", não conseguindo entender o "antes" e nem sua autoria. Que adaptação é essa que necessita de condições tão impossíveis no caos para darem origem à seres tão complexos? O fato é que numa floresta não veremos horta alinhada, mas uma incrível horta à base da chuva e vento transportando sementes que surgem incrivelmente diversas sob as mesmas condições de temperatura e pressão. Como uma planta estabelece uma sinergia com um animal e sua subsistência depender disso? Como um réptil consegue encontrar o local exato para por seus ovos porque ali a temperatura é a necessária para sua eclosão, por exemplo?

Então, para mim, ambos não estão essencialmente corretas e não podemos ver apenas desses dois prismas. Talvez, suponho, haja um pouco de cada em ambas numa terceira visão. Não há uma razão clara, ao mesmo tempo tem de ter uma razão, uma motivação. É inaceitável o nada agir sobre o nada, através do nada e tudo se formar.
Mundos a bilhões de anos-luz em função de seres como nós?

Por fim, o maior entrave é que os Criacionistas insistem em seu Deus. Cada povo com seu Deus e, portanto, circunscrito ao que foi criado num passado remoto sobre Ele. Não consegue supor que Criador não seja a mesma coisa que Deus. A possibilidade do autor não se comunicar conosco sequer é aventada. Mas é, igualmente, razoável. Um cristão não concebe a criação senão na ótica bíblica que, convenhamos, é ridícula demais, em que toda a Natureza gira em torno da salvação de almas humanas. Um mente minimamente sadia não consegue aceitar.

E segue o baile!