14 outubro 2022

ESTRATÉGIAS DE DOMÍNIO X EMANCIPAÇÃO DO CIDADÃO

A filósofa do PT, Marilena Chauí, disse odiar a classe média por ser coisa repugnante e retrógrada. Do ponto de vista da sanha de poder desse grupo criminoso está correta. Mas por quê?

Note que as administrações petistas beneficiaram grandes conglomerados e bancos através de títulos da dívida pública, juros aviltantes e obras gigantescas com desvios trilhonários. Dinheiro drenado para enriquecimento pessoal da turma e para financiamento de campanha. Além de manter os custos de movimentos como o MST. Por óbvio banqueiros apoiam o Loula.

Por sua vez, o pobre pensa e age muito limitado às suas necessidades básicas, abraçando qualquer um que lhe "estenda a mão". Por isso, para a sanha de poder da ORCRIM, pobre precisa ser mantido pobre. Assim, a média de auxílio por família do Bolsa Família era de 192 reais. Ou seja, não deixa morrer, mas mantém na inanição.

A classe média, por sua vez, transcendeu suas necessidades básicas e sabe o custo de manter seu padrão de vida e certos luxos. É a massa de consumidores que mantém a economia do país com sua independência. Dessa forma a Esquerda não pode controlá-la. E controle é o maior dos seus objetivos.

O agricultor, que impulsiona toda a economia, é fascista para Loula

Nesse contexto o governo Bolsonaro outorgou 430 mil títulos de propriedades para assentados (mais que FHC, Lula, Dilma e Temer juntos), dando condições de ascenderem de pobres à classe média, como produtores rurais. Algo completamente contrário aos princípios petistas. Exemplos sobejam.

10 outubro 2022

LULA E O MENINO DO MEP

Segue a história do MENINO DO MEP, segundo CÉSAR BENJAMIN, especial para a Folha de São Paulo, em 27 de novembro de 2009.



São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta". 

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.