21 maio 2019

A PÁSCOA DE OVOS QUEBRADOS

Como levar a sério uma data cristã se os próprios cristãos a transmutaram em uma aberração? Páscoa é amor e compaixão só na cabeça de românticos que não fazem a menor ideia do que dizem crer. Quanto ao chocolate nem preciso comentar. E não adianta selecionar o bacaninha da fé. Ou a aceita por inteiro ou será condenado ao Inferno dessa mesma fé que não aceita secção de si mesma.
Não se avalia algo apenas pelo que é, sem voltar no tempo e ver o que foi, porque foi alguma coisa e as transformações sofridas apenas mostram que o que era não servia.

A Páscoa tem sua base na morte de um inocente para aliviar a barra do criminoso (pecador). Se não, vejamos: o sujeito peca, mata um animal que não faz a menor ideia do que está acontecendo, para anular seus atos diante de um Deus que não aceita o simples pedido de perdão. O Deus judaico-cristão só aceita a morte, o derramamento de sangue. Isso é a base no Velho Testamento. Você nunca parou para questionar isso? Aceita assim, passivamente? No Novo Testamento é supostamente o Filho que morre para expiação dos nossos delitos, mas só dos que curvam-se a uma série de preceitos legais (a Graça não retira a imposição de um modo de vida e isso é Lei).

A adição de símbolos à Páscoa mostra a insuficiência da mensagem original
Deixo-vos um brinde da lógica supostamente divina:
"Se dois homens estiverem em disputa, e a mulher de um vier em socorro de seu marido para livrá-lo do seu assaltante e pegar este pelas partes vergonhosas, cortarás a mão dessa mulher, sem compaixão alguma." Deuteronômio 25:11,12. Nessa lógica que pertenceu ao modo de pensar do Deus cristão, mesmo que digam que mudou (sic), não há a possibilidade de expiação. Condenação sumária! A mulher, na ânsia de ajudar seu marido, esbarra nos bagos do outro homem e simplesmente terá sua mão amputada. Pode isso Arnaldo? Que Deus é esse que o simples toque na genitália impede que seja, sequer, pedido perdão e de algo que, certamente, foi fruto de uma luta corporal? Vê-se que a Páscoa não expiava qualquer pecado e, portanto, era limitada.

Dado o exemplo da pobre mulher, voltemos à expiação exaltada na Páscoa cristã, onde o filho de Deus morre e ressuscita para que sejamos salvos. O fato de os humanos dependerem de crerem na narrativa de livros antiquíssimos, sobre os quais não temos qualquer segurança de autoria, precisam ser traduzidos, impressos e distribuídos por meios meramente humanos, não te faz desconfiar de que esse Deus tenha sido fruto do delírio de homens vitimados pela esquizofrenia? Afinal de contas, o Criador te coloca na Terra para que corras o risco de sucumbir à vida e Ele te condenar? A coisa é bem pior! Existimos a partir do nada. Em algum momento da nossa existência é o "marco zero". Assim que passamos a existir estamos enlameados no "pecado original"... Ou seja, Deus nos cria condenados. Sequer nos cria salvos com o risco de nos perdermos.

Somos criados condenados com possibilidade remota de nos salvarmos. E essa possibilidade remota dependerá que outros homens nos passem a informação correta, se alguma informação nos chegar, já que temos mais gente que nada sabe dessa dinâmica cristã de salvação da alma nascendo e morrendo a cada segundo. O Deus cristão, que poderia simplesmente limpar de pecados todos os seres humanos e dar-lhes vida plena, prefere a morte, o sangue, o Inferno como coisa garantida, e o Céu como possibilidade.

É tão claro que Jesus é uma invenção que o cristianismo me ofende, porque ofende a mais simples lógica. Para crer é preciso riscar qualquer possibilidade de se pensar sobre o que alguém quis que creiamos.

Impossível aceitar isso.

Abraço afetuoso.

20 maio 2019

MOISÉS, VAMPIRO, ALIADOS E O "RECADO"

Segundo Adelor Lessa o governador Carlos Moisés (PSL) e o deputado Vampiro (MDB) fecharam acordo institucional (imagem da coluna ao final deste texto). Assim, o governador tem aprovada a reforma administrativa e os prefeitos do partido terão livre acesso ao governo. Sem atrelamento (sic).

O que Daniela, Lucas e Moisés, poderão fazer por Santa Catarina?
De tudo que li na coluna do Lessa ficaram quicando algumas coisas: o discurso de campanha e a postura de Ana Campagnolo e Jessé Lopes, os "ideólogos da nova política" catarinenses dentro do PSL e que, se coerentes, não aceitariam isso; os prefeitos dos demais partidos terão dificuldades?; o texto do colunista não cita o presidente do PSL, coisa que seria natural num acordo dessa amplitude, já que atinge diretamente o discurso de campanha pela "nova política"; e, por fim, o MDB vai, com o tempo se contentar em "apenas" ter seus prefeitos tratados como diferentes?

O deputado Jessé Lopes disse a este blog que não foi consultado. Tampouco tratou disso com seus colegas de partido na Assembléia. O presidente do partido, Lucas Esmeraldino, silenciou em responder sobre este assunto. Restando claro que o governador ignorou seus pares, dialogando exclusivamente com Luiz Fernando Vampiro, líder do MDB da Alesc. A mensagem foi clara: "Na ausência de um, melhor com o MDB sem PSL, do que com PSL sem MDB".

Como ficam os prefeitos de partidos de oposição? Eis, aqui, o grande mistério. Ora, se o governador da NOVA POLÍTICA fosse tratar a todos por igual este acordo não teria sentido. Igualmente claro é que Carlos Moisés não tem nada de novo, mantendo sua relação visceral com o partido de seu passado. Do contrário não se limitaria aos do Movimento.

Por sua vez o PSL demonstra que não tem força. Esperava-se, com o apoio do voto que teve, ser uma força, uma voz de peso. Mas vê-mo-lo franzino. Lopes deixou isso claro ao definir-se como um andarilho no legislativo catarinense. A este blog declarou: "Eu participo pouco da bancada. Sou independente, não me preocupo muito. Não gosto de me comprometer com a bancada".

O quadro geral dessa situação é a máxima da governabilidade em detrimento do razoável para o Estado. O governador curvou-se, já que não precisaria de acordo algum se sua reforma administrativa espelhasse a ânsia dos catarinenses, posicionando-se como liderança por exaurir os velhos "hábitos".

De igual modo, sem que a maioria tenha percebido, a vice-governadora, Daniela Reinehr, é uma ilustre desconhecida e, segundo alguns pesselistas, uma inabilitada para o cargo. Diante deste RECADO não vejo no que será diferente de seus antecessores...



O presidente do PSL, Lucas Esmeraldino, enviou resposta (também enviada à imprensa de um modo geral), às 17h07, às minhas mensagens pelo WhatsApp:

"Em reposta aos questionamentos quanto a base de apoio ao governo Carlos Moisés da Silva na Assembleia Legislativa, o Partido Social Liberal (PSL) de Santa Catarina, apresenta os seguintes esclarecimentos:

1) O governador Carlos Moisés da Silva foi eleito com mais de 71% dos votos válidos, situação que demonstra claramente o apoio de nossa população às suas propostas de mudanças;

2) Para efetivar boa parte de suas propostas, o governo necessita do apoio do parlamento estadual e, por isso, as conversações com deputados de todos os partidos se mostra mais que natural, sendo  mais um indicativo de que Carlos Moisés fará uma gestão totalmente diferenciada: transparente e democrática.

3) Com este pensamento, todas as propostas do Poder Executivo, aqui incluídos o projeto da reforma administrativa e todos os demais que enxugarão a máquina pública e resultarão em considerável economia ao erário, são discutidas pelo governo com os deputados estaduais que comungam da visão de que vivemos um momento novo na política e na administração pública e, por isso, precisamos seguir e respeitar os anseios da população catarinense.

4) Assim, a base que o governo Moisés busca na Assembleia Legislativa nada mais é que um grupo de mulheres e homens públicos que desejam uma mudança por completo na forma de se fazer gestão, mais eficiente, econômica e transparente, e isso independentemente de bandeiras políticas.

5) Por tudo isso, na condição de filiado e presidente do PSL-SC, ratifico meu total e irrestrito apoio ao nosso governador."

03 maio 2019

O SUICÍDIO E A FAMÍLIA

Destilaram muitas imbecilidades numa única postagem sobre o assunto esta semana nos meus perfis e página de Facebook, dentre outros. Uma delas foi limitar à "falta de Deus na vida". Contudo, é de penalizar a família ou os mais próximos por não perceberem os sintomas que trato nesta postagem.
Então vou dar a real sobre isso!

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A multidão nos absorve, nos distrai até de tem que está ao lado
Primeiro, temos nossas próprias vidas, nossos problemas íntimos, e com os tais temos que lidar sozinhos, muitas vezes. Se lidamos sozinhos o outro também deve lidar. Família não deve carregar no colo nenhum dos seus membros, senão em clara fraqueza, como na velhice. Assim, uma pessoa fisicamente saudável não expressará "fraqueza". E, como parte das nossas histórias, há casos em que uma boa surra deu jeito. Portanto, tudo se mistura no dia-a-dia e a falta de conhecimento, que gera a falta de percepção, impede que os sintomas sejam percebidos e, se percebidos, podem esbarrar nos afazeres da sobrevivência, ficando em segundo ou terceiro plano.
Segundo, se a pessoa está em tratamento é porque está recebendo atenção. Como conseguem não ver o óbvio? Sim, li que a faltava amor etc etc etc no caso em que o paciente estava recebendo atenção profissional. E esta atenção é, invariavelmente, melhor que o amadorismo da família. Um dos exemplos é de que a depressão pode estar ligada a não produção de enzimas pelo organismo e medicamentos poderão controlar o problema.
Terceiro, não confunda depressão com tristeza, desilusão e frustração, que temos naturalmente, para opinar sobre isso. Apesar que a linha divisória é tênue aos olhos dos familiares.
Quarto, para entender os sintomas é preciso entender do que seja a doença e isso poucas pessoas são capazes. Eis a razão pela qual deve haver o exame profissional.
Quinto, sejamos honestos e francos: pessoas em depressão são péssimas companhias. O isolamento é espontâneo. Qual a dificuldade de entender que não queremos pesos em nossas vidas? Ora, nos ajuntamos por afinidades e alguém em depressão certamente romperá com traços de afinidades com os demais.
Enfim, o sujeito quis morrer e a família não pode ser responsabilizada por algo que ocorre na cabeça de um de seus membros, exceto se vítima de crime dentro de seu lar. O texto parece ser duro demais, mas é preciso falar disso com franqueza e, se possível, dar o amparo necessário, mesmo que insuficiente.
É o que vejo desse aspecto!