24 junho 2018

TRÂNSITO - A SAÍDA FORA DELE

Diante das enormes dificuldades de locomoção nas cidades, principalmente as acima de 200 mil habitantes, os engenheiros e urbanistas têm se debruçado sobre estudos para tentar amenizar os impactos dos automóveis, motos, ônibus e caminhões. Com relação ao trabalho desses profissionais não posso inferir. Eles estudam para isso, eu não. Contudo, também penso sobre o assunto e imagino que quanto mais soluções houver, mais carros estarão nas ruas.

Antes faço um registro: não tenho carro, somente moto e uso Uber ou ônibus quando usar a moto não seja possível. Além disso, sou ciclista e vou pedalando para a universidade (Unesc), que fica a pouco mais de 12 quilômetros de minha casa. Estou tão adaptado que dirigir um carro tornou-se um tanto desconfortável.

Os profissionais citados vivem num legítimo "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" tal a conta que jamais fechará. Enxugam gelo! A coisa chegou ao ponto de grandes cidades como Londres e Paris terem tachado usar carro em suas áreas centrais. No Brasil isso seria privilegiamento dos ricos em detrimento dos pobres no discurso ideológico. Na prática é forçar o uso do modais coletivos (trem, metro e ônibus). O máximo que vemos por aqui são os Rotativos tão criticados por alguns.

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O Sistema de ônibus de Criciúma foi um avanço, mas insuficiente - Foto: Lucas Colombo (A Tribuna)
Mas vou para um outro aspecto dessa trama. Uma das alternativas que imagino é ampliar o trabalho doméstico como algumas empresas já fazem. Funcionários trabalham em casa, cumprem horário, recebem treinamento e estrutura. Assim, ganham tempo e tranquilidade, descansando mais na segurança do lar. Eu trabalho em casa e quando tenho que ir ao centro procuro os horários intermediários aos de pico. Para tanto o governo federal flexibilizou as leis trabalhistas.

Uma reorganização das escolas é outro aspecto. As mais procuradas para o ensino médio público em Criciúma estão mal distribuídas forçando o uso do transporte coletivo. Além disso, é um péssimo hábito adolescentes usarem ônibus para percorrerem um ou dois quilômetros, os quais podem ser feitos tranquilamente a pé.

Outra alternativa seria facilitar a ampliação de comércio nos bairros. Minha esposa, desde meados do ano passado, trabalha no bairro onde moramos. Tudo ficou melhor, pois almoçamos juntos e reduzimos os custos de transporte e alimentação fora de casa. Além do descanso ganhar em qualidade.

Nesse sentido o poder público pode e deve empenhar-se na urbanização de espaços em bairros para atrair e ampliar o comércio. O investimento não é proibitivo. Uma rua asfaltada, com calçadas bem feitas pode gerar o ânimo necessário. Todos os bairros naturalmente concentram comércio em uma ou duas ruas. Não há necessidade de estudos profundos de demanda. O próprio povo, espontaneamente, dará o caminho. Os exemplos são fáceis de serem verificados em Criciúma: as avenidas Luis Rosso (Quarta Linha), Dos Italianos (São Francisco), Assembleia de Deus (Cidade Mineira), Dos Imigrantes (Rio Maina), Universitária (Santa Lusia/São Defende), Osvaldo Pinto da Veiga (Próspera), Santos Dumont (São Luiz) estão consolidadas como destino local de compras. Neste sentido o único prefeito que realmente investiu foi Anderlei Antonelli ao reformar e urbanizar a avenida Universitária em 2007.

São sugestões de relativo impacto que se somariam a outras. Não vejo solução definitiva, mas vejo mitigações. E tais mitigações devem ser abordadas sob vários aspectos. Que a discussão siga!!!

18 junho 2018

E SE OS MILITARES ASSUMISSEM - A MORAL DO OUTRO

Triste, mas não devemos fugir da realidade, a ideia de que se os militares assumissem o poder no outro dia haveria uma elevada moral espalhada pela imensidão do Brasil. É essa a visão por dentro do apelo por uma intervenção inconstitucional reivindicada pelo povo, ou boa parte dele. Inconstitucional por não ter amparo legal. Nem podemos discorrer sobre o "tem que matar tudo", por tratar-se apenas de mero desabafo sem qualquer sentido.
O pensamento inserido nessa revolta remete à moral do outro. Sim, emerge a ideia de que precisamos de outro, no caso o Exército, para refazer a moral de um povo. Ora, não estávamos sob a égide dos militares até 1985? Estávamos. E como o país virou um antro de corrupção em tão pouco tempo? A resposta, creiam, está no próprio povo. A corrupção estava ali, inerte, latente.
Contudo, sabe-se, sem muito esforço, que os próprios militares, os honestos, lidavam com a corrupção 24 horas por dia, 365 dias por ano. Não havia trégua. A entrevista do ex-presidente João Figueiredo para o jornalista Alexandre Garcia (abaixo), faltando menos de dois meses para deixar o poder, não deixa dúvidas.

Não tenho dúvidas que nosso povo é, em geral, de bom carácter. Aquele percentual de picaretas, desvairados, bandidos, anti-éticos, é bem abaixo da vasta maioria. Porém, fazem o estrago necessário em nossa sociedade. E como se criam? São fruto de nós mesmos. São nossos parentes, colegas de escola, colegas de trabalho, vizinhos... Não creio que sejam a maioria. Apenas estão entre nós desde o berço. A maioria é leniente, flexível, passiva, não reacionária diante do crime. É, no mínimo, o "silêncio dos bons". Ou, deveras evidente, a consciência do mal pode ser temporariamente anulada, como no roubo de carga de caminhão acidentado. Levam até os pneus e nem por isso saem praticando crimes como modo de vida.
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O saque de cargas é um estado febril da imoralidade nacional
Infelizmente não há o que fazer se na origem está o ambiente propício para a formação de assaltantes daquilo que é bem público. Ainda mais com a força da ideia de que todos os políticos são ladrões. Coisa que leva a não ter trabalho de observar os bons. Supondo que todos os gatos são pardos porque acenderiam as luzes para distingui-los?
Evidentemente vemos os arautos da verdade com suas soluções incríveis. A mais comum é a da falta de Educação, a formal. Nada mais desconectado da realidade que escolaridade tirar do crime. Quem vem com essa não observa a Lava-Jato. Também não percebe que pobres há de elevada moral e que a matéria (ou falta dela) não o corrompeu. Escolaridade jamais produzirá um povo exemplar em sua conduta. No máximo bandidos ainda mais espertos!
Há possibilidades. Pais que gerem filhos que assumam responsabilidades e que deixem (ao menos em parte) a ideia de que a solução será uma moral elevada DO OUTRO, seria um bom começo. Crianças que cresçam num ambiente de patriotismo, no qual haja a consciência de que o país é feito por homens e mulheres honrados. Quiçá a força de entender que o país é de seu povo e não de seus políticos.
Enfim, e se os militares assumissem? O máximo que o Exército poderia fazer é meter medo e, assim, a criminalidade seria diminuída. Entretanto, a corrupção, como uma doença momentaneamente controlada, um dia tomará conta do corpo aflorada num estado febril.

07 junho 2018

URNAS ELETRÔNICAS E AS FRAUDES

O descrédito para com as urnas eletrônicas é impressionante. Eis um sistema que não sobreviveria a uma consulta popular, o tal do referendo. Para acirrar a aflição do caso não há argumento que se possa pôr à mesa que faça diminuir tal descrença. Eis um caso sui generis em que nos resta tão somente confiar no Tribunal Superior Eleitoral e seus técnicos. Vale dizer que são técnicos altamente especializados, com vasta formação e que, suponho, não estariam interessados em perder suas carreiras com salários bem acima do mercado e todas as vantagens do serviço público. Ou seja, estão numa condição absolutamente confortável. Também é interessante observar que a fraude seria um trabalho de várias mãos e isso significa não haver sigilo. Um dia alguém daria com a língua nos dentes, como nomes e sobenomes.

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Desde 1996 (22 anos) que o Brasil adota a urna eletrônica
Pesam contra as urnas a possibilidade de serem "invadidas" por hackers. Todo e qualquer sistema é fraudável. Por isso técnicos se debruçam sobre meios de protegê-lo com firewalls poderosos, etc. Houvesse facilidade de burlar essas proteções você faz ideia do que seria a atuação das nossas polícias? É simplesmente tudo feito através de conexões de internet. O judiciário está 100% on line. Todo o trabalho de advogados passou a ser via rede. Acabou o tempo de protocolar processos no balcão. Os e-mails do mundo seriam tornados públicos. Ou a CIA não usa e-mails? Diriam alguns que as redes sociais são acompanhadas pelo Trump, antes dele pelo Obama... Bem, em se tratando de redes sociais a coisa muda. Enfim, fraude é possibilidade e possibilidade não é fato.

Mas deixem-me lembrá-los dos tempos do voto no papel. Tempo que participei como presidente de mesa receptora e na contagem. Ou seja, sei do que estou falando. Havia o "voto formiguinha", por exemplo, em que um primeiro ía votar e colocava na urna um voto em papel falso. Levava consigo o verdadeiro, entregava para o cabo eleitoral, recebia sua grana e esta inaugurada a fraude. Aquele papel era preenchido e entregue a outro. Esse, por sua vez, depositava na urna e trazia outro em branco e assim por diante. Já o "voto carbonado" consistia em votar com outro papel por baixo, de mesmo tamanho, usando um carbono. Assim, o eleitor levava consigo como votou e recebia sua grana. Da mesma forma na contagem. Os votos para o fulano poderiam ser colocados na pilha dos votos do beltrano. Os fiscais cansavam. Havia momentos que restava um fiscal e por vezes de papo com outra pessoa. Ative-me a observar comportamentos e movimentações para ter uma ideia das possibilidades. Naquele momento, diante de uma dúvida que tive alertei a juíza eleitoral de que havia um candidato homônimo daqui com um de Joinville. Um furo do nosso TRE. A juíza parou a contagem no ginásio municipal de Içara, para conversar com todos e decidir o que fazer. Isso foi citado na imprensa, sem que eu aparecesse na matéria. Onde há o homem, há o erro.

Em suma, não resta a menor dúvida que o voto no papel é muitíssimo mais frágil, como sistema, que a urna eletrônica. Eis que surge a ideia de unir os dois como quis o deputado Jair Bolsonaro. Em princípio pareceu uma boa ideia. Mas, qualquer problema na impressão anularia os votos daquela urna, já que o técnico teria acesso ao que tentou ser impresso no momento que deu o problema, violando o anonimato do eleitor. Uma possibilidade mínima, porém real. Além disso, precisaria haver uma denúncia muito bem amparada legalmente de fraude e não o mero desejo do perdedor para ser realizada a contagem do voto impresso. Ou seja, se o "poder" quiser a decisão levaria tempo suficiente para dar em nada.

Note que há as tais possibilidades... E antes que venham com o argumento de que nos EUA não se usa urna eletrônica, lamento te decepcionar, mas usam.

Vamos aos fatos! Até o momento não há qualquer prova de que houve fraude com o uso da urna eletrônica e, portanto, as desconfianças são no âmbito do achismo. Assim, movido pelo fato, sem tirar de vista as possibilidades, vejo como muito mais plausível o uso das tais urnas.