22 maio 2018

QUANDO UMA UNIVERSIDADE ESTÁ EM OUTRO MUNDO

Segue o que foi proposto para discussão num fórum de uma universidade e a resposta que ousei dar.

UM PAÍS COM CIÊNCIA OU APENAS UM PAÍS COM CIENTISTAS?
“Com o avanço das fronteiras do conhecimento humano, a ciência proporciona aos povos que participam de fato de seu desenvolvimento melhor qualidade de vida. Isso é alcançado mediante libertação do homem quanto às necessidades básicas de sobrevivência e da consequente sofisticação da atividade humana em seus aspectos sociais, econômicos, culturais e artísticos. Em última instância, fazer ciência é viver na plenitude a aventura do homem sobre a Terra. Os povos que não participam do desenvolvimento científico estão, em grande medida, alijados dos avanços nos padrões de qualidade de vida e são economicamente subalternos em relação aos povos que lideram os avanços do conhecimento. Reverter esta situação não é tarefa fácil já que criar uma cultura científica exige inúmeros investimentos em educação e cultura, o que é agravado pelas carências advindas da dificuldade que essas sociedades têm em criar riquezas sem o insumo principal para isso, que é o conhecimento. Encontrar modos de romper esse círculo vicioso é o grande desafio das sociedades dos países em desenvolvimento como o Brasil.” (UNICAMP, 2002)*.

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Miséria é fruto da ausência de capitalismo, ausência de mercado
Orientação
A partir da leitura (...) elabore uma reflexão pessoal que contemple a seguinte ideia:
Qual a importância da pesquisa acadêmica e dos relatórios científicos para o desenvolvimento da ciência?
Resposta:
A questão levantada para análise difere em essência do texto da Unicamp. Ao remeter à "libertação do homem quanto às necessidades básicas de sobrevivência" o texto trata de mercado, o qual não depende regionalmente da pesquisa científica, mas das transações comerciais e da capacidade de logística. Uma pesquisa feita nos EUA, pode ser produzida, como geralmente é, na China, e de lá distribuída para o mundo. A pobreza não está ligada à ausência pesquisa científica, mas ausência de mercado, ou, impeditivos que o façam expandir. O exemplo está dentro de nossas casas. Nossas condições de vida melhoram, ficamos mais confortáveis, com eletrodomésticos, eletrônicos e assemelhados. Tudo o que temos hoje não remete a descobertas, ou desenvolvimento tecnológico, no Brasil. Uma ou outra adaptação sim. Fica evidente que "Os povos que não participam do desenvolvimento científico estão, em grande medida, alijados dos avanços..." é uma premissa falsa. O que faz os povos não terem acesso é a não liberdade de mercado, como na Coréia do Norte, ou mergulhados em guerras civis, como na Somália.
Em relação à proposição "Qual a importância da pesquisa acadêmica e dos relatórios científicos para o desenvolvimento da ciência?" é o mesmo que perguntar qual a importância da bola para o futebol. Ora, existe desenvolvimento da ciência sem pesquisa? Não. Feita a pesquisa precisa fazer um relatório? Por óbvio que sim. Contudo, a realidade nos dá outra informação que depõe contra o louvor à pesquisa acadêmica, como se ela fora a única forma, ou principal. Os relatórios do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, mostram claramente que as universidades perdem em muito para a iniciativa privada no registro de patentes (fruto de pesquisa, científica ou não). O melhor dos exemplos é a 3M que supera em muito qualquer empresa ou universidade nesse sentido no mundo. Os EUA registraram 27%, contra 26% do Brasil, no INPI entre 2006 e 2015. Nesse período São Paulo registrou 41,7% e Santa Catarina apenas 7,6% das patentes, fruto da atividade industrial de cada Estado. Em 2015, por exemplo, apenas 4,7% dos registros foram de pesquisas científicas (sic). Precisa dizer mais? Precisa!
Outro destalhe importante dá-se quanto a afirmação "carências advindas da dificuldade que essas sociedades têm em criar riquezas sem o insumo principal para isso, que é o conhecimento". Ora, meus caros, conhecimento se transfere, se contrata profissionais etc. Foi o que fez Singapura. Contratou os professores do colonizador Império Britânico ao se emancipar em 1963 e tornou-se uma potência. Não perderam tempo com o ufanismo do discurso de identidade nacional etc etc etc.
Enfim, lamento ser realista, mas nossas universidades não são referência em pesquisa. As empresas o são. Principalmente os laboratórios farmacêuticos. Isso não depõe contra a pesquisa em si, mas, retornando ao texto da Unicamp, revela uma visão absolutamente distorcida do que seja ser um povo subalterno ao outro, já que a produção de um bem não gera riqueza sem o mercado (consumidor), o que remete à interdependência.

*UNICAMP. Desafios da pesquisa no Brasil: uma contribuição ao debate. São Paulo Perspec.,  São Paulo,  v. 16, n. 4, p. 15-23,  out.  2002 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392002000400004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  17  out.  2017. 

15 maio 2018

O QUE O MIRANTE DE SALVARO MOSTRA?

A construção de um mirante no morro Cechinel, em Criciúma, revela muitas nuances da nossa administração púbica e do que pensa e sabe nosso povo. As críticas foram muitas e praticamente sob os mesmos argumentos de falta de grana pra saúde, educação, etc.

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Primeira coisa que fica clara é de que o governo Federal disponibiliza recursos pelos ministérios, ou seja, foca investimentos. Por outro lado, para que os municípios tenham acesso são precisos projetos. Segunda observação é que os 2,4 milhões de reais tem o dedo do deputado Ronaldo Benedet (MDB) e, portanto, mostra a importância de um parlamentar. Terceira informação é que o recurso só pode ser usado no turismo. E o mirante tem esse apelo. Quarta situação que se revela é que o cidadão, em geral, não sabe como funciona essa de "dinheiro carimbado". Quinta, não há hierarquia na divisão dos recursos, mas lobby. Sexta situação é a UPA da Próspera (ops, é da Saúde!).

O povo acha que o dinheiro público está todo numa conta e o presidente, governador ou prefeito usa como quiser. Saber disso é tão básico que até as crianças no primário deveriam saber. Por outro lado, o fato de ter dinheiro para o turismo e vermos problemas abissais na Saúde advém de uma explícita deformidade na prefeitura de Criciúma, não no governo federal e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Próspera mostra isso.

A presença de um deputado no processo é gravíssimo. Revela o porquê de o governo federal canalizar muito mais recursos para si do que dispõe na base - município. Neste sentido tanto Amoedo, quanto Bolsonaro, presidenciáveis, prometem reverter. Ter dinheiro é poder e, resta claro, quem tem poder não quer perdê-lo. Enquanto essa pirâmide de recursos públicos não for invertida teremos que amargar um deputado recebendo aplausos por algo que não deveria se meter.

Ronaldo Benedet também revela que há o lobby. Nas melhores democracias isso é natural e reconhecido. Mas o lobby nos EUA, por exemplo, é de grupos dos seguimentos produtivos...

E a UPA? Juntamente com o Hospital Materno Infantil Santa Catarina demonstra claramente que a Saúde carece de gestão. E ser gestor é pensar em dinheiro, custos, investimentos etc. Neste sentido a inauguração da Unidade é postergada porque aumentará a despesa da prefeitura de Criciúma, sem que aumente a receita. Entendeu porque a inauguração está atrasada mais de SEIS ANOS?

Voltando ao mirante. Ao contrário do que possa parecer eu entendo como altamente benéfico. O investimento atrairá muita gente da região e o comércio local vai ganhar. Nenhum gestor pode se dar ao luxo de só atuar numa área quando a outra estiver saneada e bem. Queiram ou não os senhores, Clésio Salvaro agiu corretamente.

CLÉSIO SALVARO CONDENADO

Prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, foi condenado em segunda instância por fraudar aluguel de sua própria sala comercial para auferir dinheiro da Assembléia Legislativa. Decisão proferida no dia 10 deste mês, conforme processo 0004314-57.2012.8.24.0023. Agora sua luta será por não perder os direitos políticos. Devolver a grana é o de menos.
O processo tem decisão parcial no que tange os direitos políticos. Nesse sentido o desembargador Jorge Luiz de Borba pediu vistas.
Salvaro pode ficar inelegível pelos R$5.950,00 que ganhou no aluguel 
O CASO
As duas salas comerciais no edifício Uno, na rua João Pessoa, onde hoje está o diretório do PSDB, a ele pertencem. Quando deputado, Salvaro forjou a venda dos imóveis para o cunhado de seu chefe de gabinete, Dóia Guglielmi. Um jovem desempregado à época. Assim, não tendo imóvel próprio, poderia alugar um para seu escritório regional, pago com sua cota parlamentar. Um golpe rasteiro, convenhamos. A decisão em primeira instância você lê clicando AQUI.

08 maio 2018

WILD WILD COUNTRY

O documentário WILD WILD COUNTRY, do Netflix, mostra a trajetória de Rajneesh Chandra Mohan Jain, o Osho, um guru indiano que ganhou adeptos mundo afora, até falecer de forma estranha em 19 de janeiro de 1990, em Pune, Índia, aos 58 anos. De 1981 a 1985 implantou uma cidade modelar em Antelope, Oregon (EUA), onde seus habitantes plantavam a própria alimentação, tinham total liberdade sexual, numa área adquirida com doações. Toda a infra-estrutura foi construída onde nada havia além de morros e pedras. O documentário não revela em detalhes a origem de milhões de dólares para tal empreendimento. Com a pressão de moradores vizinhos uma longa e extenuante guerra judicial se travou, com ameaças de luta armada, inclusive. Por fim, pessoas mais chegadas a ele fugiram para a Alemanha e Osho foi detido, preferindo um acordo com promotores e deixar o país para sempre.

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O uso da imagem de "mestre", guru, facilita o convencimento
Esse documentário mostra quanto o nada pode ser altamente significativo para parte da sociedade. Imagino ser assustador para quem ignora a fragilidade emocional, necessidade de líderes e o quanto é possível usar mentes fracas. Também reforça que a tal espiritualidade, campo fértil para qualquer ideia que não necessite de comprovação, seja racional ou material, move seres humanos por respostas para perguntas básicas. Perguntas que tentamos responder desde sempre.

Por outro lado, a reação dos vizinhos foi emblemática. Não havia razão objetiva para alarde, já que o grupo estava restrito ao seu modo de vida em sua própria comunidade. Vê-se claramente o quanto a formação de uma ideia, baseada em suposições, pode geral um conflito danoso a milhares de pessoas. Queriam uma cidade para si, só isso.

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Edir Macedo percebeu a importância da imagem de líder espiritual
Sigamos. Ora, a ausência de respostas absolutas me faz pensar que as perguntas estão erradas ou, ainda mais aterrador e significativo, NÃO HÁ RESPOSTAS. Porém, como venho dizendo insistentemente, em havendo um SER superior, não está interessado em esclarecer coisa alguma.

No caso dos tais gurus fica evidente o distanciamento das pessoas de suas próprias realidades, haja vista que seus mestres não vivem o dia-a-dia de seus seguidores. São seres separados, falam o que os adeptos querem ouvir, falam de um mundo melhor, do desapego às coisas mundanas, de vida além das tais mesquinharias, que o amor é tudo e por aí vai. Nada, absolutamente nada que coloque o pão na mesa, nem faça prosperar nos estudos e no trabalho, exceto pelo bom comportamento. E para isso precisa-se de um guru?

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O reverendo Jim Jones levou 918 pessoas ao suicídio em 1978
Mas o que ocorre com você, que está envolvido numa crença que julga ser absoluta, verdadeira, que não se sente manipulado e que está eufórico com a nova vida? A primeira coisa é que você está na crença. Isso revela o quanto está necessitado e não percebe que usa de uma forma indireta de alcançar alguma coisa. Se se refere a um Deus está aceitando que use de interlocutores, de meios e não está ligado a ti individualmente. Ao não perceber essa relação eis que se encontra cego para quaisquer outras informações e não está aberto à questionamentos. Segunda característica é de que não pesquisa o contraditório em busca das fragilidades de sua crença. E, mesmo que alguém as aponte, não aceita. Não aceita a possibilidade de estar errado porque faz tanto sentido que ao estar diante da falta de resposta coloca sobre si a incapacidade de entender. Seria um "Não entendi e a culpa é minha!". Terceiro, não percebe que uma relação com Deus não precisaria de referências materiais e não haveria qualquer distinção entre pessoas, seja lá quais forem, seja lá onde estiverem, seja lá em que época tenham vivido. Acha-se tão merecedora da verdade que coloca-se alvo do que outros não foram capazes de receber.

Para mim o exemplo mais contundente é a incapacidade dos cristãos, islâmicos, indus etc, aceitarem a forma obscura e evidentemente manipulada, consciente ou não, com que foram formados seus dogmas. Negam de forma ruidosa a história de sua fé. Chegam a aceitar que um sepulcro vazio, por exemplo, "só pode ser de Jesus", quando há tão infinitas possibilidades que a verdade simplesmente se perdeu. Aceitam que um sujeito sozinho em local ermo receba a verdade divina e só ele seja capaz de se relacionar com o Todo Poderoso. Além, claro, de a fé ser tão forte que uma Vaca se torne sagrada.

A sensação de VERDADE é inquestionável e nisso permanecem firmes as crenças a despeito de todas as circunstâncias que as cercam.

07 maio 2018

MODELO DE FAMÍLIA - O que a maioria não quer ver

Tenho convicção plena de que se há um modelo de família melhor que os demais é papai, mamãe e seus filhos. A razão é simples: dar à criança a multiplicidade de referências que homens e mulheres podem dar. Ora, e por que haveria de defendê-lo se é melhor? O melhor já é melhor e, portanto, não vejo razão em se defender esse ou modelo algum. Parece-me necessário que defendamos a liberdade de cada um constituir o que é bom para si e não traga prejuízos a outrem. Como trata-se de relação de foro íntimo em nada poderá ser prejudicial se for diverso do jeito "melhor", apenas por ser diferente. Assim, em o sujeito sendo homossexual, a única coisa que redundará em ser forçado num modelo hétero, é sofrimento, angústia e desespero. Além disso, sobejam exemplos de pais e mães que cuidaram sozinhos da prole, dando à sociedade homens e mulheres da mais alta dignidade. E relações multirraciais já foi alvo de condenação em nossa sociedade, notadamente entre descendentes de europeus nos estados do Sul.

A experiência de cada um fará com que reproduza o que lhe fez bem ou mal. Ou que busque o diferente. Assim, tenho o testemunho de quem não experimentou tal modelo melhor por viuvez de seu pai ou mãe, por exemplo, sendo criado apenas por um dos progenitores. Ou, mesmo estando sob os cuidados de um casal hétero teve sua infância marcada por dissabores. Contudo, o impulso natural de nos aproximarmos de alguém e fazermos uma união afetiva estável é muitíssimo forte. Por isso não tenho receio algum de que prevalecerá indefinidamente o que chamamos de "modelo tradicional" por ser maioria, espontâneo e instintivo. Os que se sentem ameaçados precisam entender que o tal modelo hétero prevalecerá naturalmente. Basta ver como se constituiu um heterossexual.

A vida acaba por se resumir no coração aquecido por quem amamos
Mas vamos a algumas considerações.

Primeiro, há homens e mulheres que têm más referências familiares e se tornaram ótimos pais e mães. A experiência ruim fê-los desejar e se esmerar para dar o que não receberam. Temos também quem teve boas relações e se tornou um pai ou mãe não tão bom quanto seus pais. E, por óbvio, quem recebeu dá o que tem de mais elevado em se tratando de família. Apesar das muitas possibilidades o normal, o razoável, o certeiro, é de que vamos reproduzir o que recebemos na educação amparado em nossa disposição instintiva, isso inclui gerar filhos e tratá-los com desprezo.

Segundo, em todas as reclamações que vi sobre modelos alternativos de família restou evidente que a preocupação não estava no afeto, mas na sexualidade. Isso é deveras deprimente por duas razões, me parece. Uma que acham que a opção sexual é fruto da educação e, outra, que desconhecem nossa natureza. Ora, se a educação fosse determinante e só ela formasse a opção sexual do indivíduo jamais teríamos homossexuais, pois está em nossa base histórica a família com pais héteros. Se não entendeu, vou repetir: como viemos de relações heterossexuais é óbvio que jamais seriam reproduzidos outra coisa senão relações heterossexuais tal o poder da educação. Assim, surgem homossexuais de héteros porque está acima da educação. É uma força maior.

Terceiro, haja vista a recorrente preocupação com o apetite sexual dos filhos é bom que reconhecemos o celibato. Assim, ao observar a natureza dos desejos sexuais em nossos filhos vamos aceitar que possa haver quem simplesmente não tenha a tal "fome de sexo". Neste caso o desvio do que consideramos natural não é agressivo, mas está presente. Da mesma forma se houver entre eles homossexuais, os quais têm duas origens que eu aceito. A genética, onde a formação independe da educação ou decisão pessoal do indivíduo. E, por certo, fruto de agressões emocionais ou físicas passíveis de amparo de profissional psicólogo. Não há, obviamente, ninguém que, em sendo hétero, adulto, resolva, do nada, por mera curiosidade, torna-se homossexual. O máximo é dar vazão aos seus desejos contidos, tais como a bissexualidade, ou apenas experimentar.

Quarto, tão "ameaçador", digamos, para a família tradicional é o filho ou filha que não quer casar. Tem sido comum o cara ou a cara ficar na barra da saia da mãe bem mais... O garotão passou dos 30 anos e tem tudo nas mãos por ainda morar com seus pais. Igualmente "ameaçador" à família a redução do número de filhos. Tornou-se comum casais com apenas um filho. Teremos, assim, a redução da população, exceto pelos muçulmanos e pobres com muitos filhos. Mas isso merece outra discussão. O fato é que as pessoas que podem oferecer um bom ambiente para seus filhos não os têm na quantidade para manter a espécie: cada casal gerar, pelo menos, dois filhos. Estamos a caminho disso.

Quinto, a ideologia de gênero. Ora, poucas coisas vi tão burras e deprimentes, ou de maucaratismo mesmo. Não vejo motivo algum, minimamente razoável, para que haja qualquer profusão da mistura de gêneros como se fossem miscíveis no mesmo ser. Ou que a homossexualidade, sendo foro íntimo, deva ser exaltada em público. O foco está absolutamente errado. Precisamos, sim, de que a cidadania seja respeitada. São os direitos civis já consagrados, os quais não têm gênero, a serem preservados. Um homossexual agredido é um cidadão agredido, assim como um hétero. Não há agressão maior ou menor pela orientação sexual. Além disso, os defensores dos "direitos" gays estão numa maratona absurda de enganação. O seu discurso de que gay agredido ou morto o foi por ser gay não se sustenta na realidade, onde penas 8% dos casos de homicídio são esclarecidos no Brasil. Então, como podem afirmar que há um motivo se o desconhecem? E mesmo que o dolo foi pela orientação sexual, a vida perdida deixa de ser a vida perdida? O machucado pela agressão será mais dolorido ou profundo num corpo de um gay do que no corpo de um hétero? Um gay é psicologicamente mais frágil que um hétero requerendo mais e maior reparação? Trata-se, assim, de uma luta leviana, a qual não merece apoio. A agressão deve ser punida por ser agressão e se o motivo for fútil, como a orientação sexual, temos amparo legal em nosso Código Penal, em seu artigo 121, parágrafo 2º. O valor da vida não deve ser medido ou distinguido por determinarmos, à revelia da igualdade perante a Lei, que uns seres são mais valiosos que outros. Isso vale para as mulheres.

No fundo de toda essa discussão não está no que o filho deseja, mas a vergonha dos pais (homens) diante da homossexualidade do seu guri. Suponho, por mera observação, que o lesbianismo não seja tão agressivo aos pais e mães. Há também a possibilidade, e falo em hipótese, de que a vergonha resida no que se vê, do exagerado, de alguém que seria um homem rebolando como mulher. Ou seja, a possibilidade de ser um efeminado sem reservas. Para um pai é algo vexatório ao extremo.

Pouco ou nada se pode fazer quanto ao anseio de pais e mães de terem filhos constituindo suas famílias e gerando seus próprios filhos porque é absolutamente natural. Por isso socialmente aceito. Nada há o que se possa condenar nesse desejo. O que falta, também observo, é cogitar entender as possibilidades e superar a vergonha social porque sabe que os amigos farão chacota. O conflito começa em não aceitar, sequer, a discussão, quanto mais o fato. E não aceitar só piora.

Concluo, pois, que não tenho receio algum de que a família tradicional possa estar ameaçada como apregoam, principalmente, os religiosos. Da mesma forma, querer impedir outros modelos de família não obterá êxito, pois surgiram em meio aos próprios héteros. Ou aceitamos uma convivência pacífica, na qual a vida íntima é a vida íntima, ou andaremos em círculos discutindo o imponderável.

É o que penso hoje.