26 fevereiro 2018

A DESCOBERTA DO NOVO E AS UNIVERSIDADES

Por que precisamos de faculdades e universidades? O que queremos e o que não queremos do ensino superior? Bem, tive que ler um texto de Cipriano LUCKESI, "Fazer universidade: uma proposta metodológica" (1998), como parte dos estudos da disciplina de Metodologia Científica e da Pesquisa do curso de Direito da UNESC, matéria comum dos muitos cursos dessa universidade, que tratou da segunda questão. A primeira... Bem, reside basicamente nas exigências de mercado.

O autor faz uma análise da história da formação do ensino superior e aponta para uma suposta nova postura mais inquisidora de que precisaríamos. Na visão de Luckesi é preciso mais diálogo e mais senso crítico e assim um ambiente mais propício para a pesquisa. Tudo muito bom não fosse um detalhe: os estudantes querem?

Eis o que escapou do texto apresentado pelas tutoras: poucos universitários têm interesse em pesquisas. Ou, o texto não apresentou dado algum que apontasse que desejam esse tal ambiente mais livre. A vasta maioria, ouso dizer, quer saber o suficiente para tirar boas notas nas provas, acabar logo com tudo e ganhar sua grana no mercado ou passar em concursos públicos. Nada contra isso!

Falo baseado nas muitas conversas que tive com professores de faculdades ao longo de anos e com expoentes nalgumas profissões sobre os tempos de academia. É absolutamente comum que digam a mesma coisa, que dois ou três se destacam. A aterradora realidade dos nossos jovens é apresentada em pesquisas do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), do Instituto Paulo Montenegro (IPM), e pela ONG Ação Educativa. Nessas pesquisas "uma matemática simples leva à conclusão de que quase 80% dos universitários brasileiros não atingiram o nível ideal de alfabetização. Isso é diferente da definição clássica de analfabetismo funcional. Mas, como os números evidenciam, a situação é ruim", diz em matéria da Gazeta do Povo de 30 de Maio do ano passado que você lê na íntegra AQUI.

O mais incrível é o que está no boletim do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de Janeiro de 2018 sobre o anos de 2017 (negrito meu):
PATENTES DE INVENÇÃO - No acumulado janeiro-dezembro de 2017, entre os 5.480 depósitos de residentes, destacaram-se: pessoas físicas (2.575 depósitos ou 47%); instituições de ensino e pesquisa e governo (1.307 ou 24%); empresas de médio e grande porte (970 ou 18%) e MEI, microempresa e EPP (495 ou 9%). As demais categorias apresentam menor participação: associações e sociedades de intuito não econômico (129 ou 2%) e cooperativas (4 ou 0,1%).
DESENHOS INDUSTRIAIS - No acumulado janeiro-dezembro de 2017 foram efetuados por parte dos residentes 3.532 depósitos de desenhos industriais, destacando-se as seguintes categorias: pessoas físicas (1.402 pedidos ou 40%); empresas de médio e grande porte (1.290 ou 37%) e MEI, microempresa e EPP (753 ou 21%). Outras categorias apresentaram menor participação: instituições de ensino e pesquisa e governo (65 ou 2%); associações e sociedades de intuito não econômico (20 ou 0,6%) e cooperativas (2 ou 0,1%).
PROGRAMAS DE COMPUTADOR - No acumulado janeiro-dezembro de 2017, entre os 1.686 depósitos de programas de computador efetuados por residentes no Brasil, destacaram-se: instituições de ensino e pesquisa e governo (506 pedidos ou 30%); pessoas físicas (377 pedidos ou 22%); empresas de médio e grande porte (375 pedidos ou 22%); MEI, microempresa e EPP (242 pedidos ou 14%), associações e sociedades de intuito não econômico (184 pedidos ou 11%) e cooperativas (2 pedidos ou 0,1%).
Os EUA registram mais pedidos no INPI que o próprio Brasil
(Fonte: INPI)
Esses números mostram claramente que a universidade não é a maior produtora de conhecimento no Brasil. Aliás, como ambiente cuja estrutura exige pesquisa, diferente dos demais, esses dados a colocam num patamar vergonhoso, ao menos na minha avaliação. Ficamos, assim, entre o que diz um renomado pesquisador, o que dizem professores e estatísticas desanimadoras.

Cipriano Luckesi parte da ideia de que as nossas faculdades e universidades não propiciam o ambiente ideal ao senso crítico e que deveríamos buscar tal coisa. De onde saiu isso? Ele não diz, então, posso divagar. Estudantes podem participar das aulas fazendo perguntas? Podem. Os estudantes podem buscar outras fontes de informação além das sugeridas pelos professores? Podem. Os estudantes podem encontrar-se por iniciativa própria para trocarem informações? Podem. Creio que esteja respondido. Ou o pesquisador está absolutamente correto e, ao invés de promoverem conhecimento, estão, digamos, deitadas em berço esplêndido.

Finalizando. Onde está o problema? Na minha modesta visão está na forma como fomos criados, na cultura social e familiar. Não há, para onde quer que olhemos, um "culto ao conhecimento". Pelo contrário, cultuamos o atalho, a cola, a cópia, o jeitinho e a nota como objetivo. Nossos estudantes são apenas reflexo disso. Os dados do INPI apontam claramente que a profusão de conhecimento se dá, em sua vasta maioria, pela necessidade de mercado e do simples desejo individual de criar algo novo. Porém, a única forma de mudar, se é que se quer mudar, está na própria atitude de quem ingressa no mundo acadêmico, inclusive do professor em mostrar tesão pelo conhecimento em sua atitude, vibrando com cada descoberta e não na passividade de quem se arrasta esperando o tempo passar.

Tenho dito!

21 fevereiro 2018

SOCIALISMO X CAPITALISMO

Não é nada inocente essa disputa. Por trás, pela frente, por baixo e por cima está a insana vontade de um grupo em dominar e determinar o modo de vida dos demais.
Primeiro, o socialismo é uma ideologia e, como tal, é um cárcere à liberdade de pensamento, eliminando o indivíduo sob o coletivo. Toda a ideologia é um pacote fechado e impede questionamentos. Servem muito bem, todas, aos preguiçosos e aos que querem o poder.

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No capitalismo o acesso à riqueza baseia-se na competição
Segundo, o capitalismo não é uma ideologia. Não foi formatado para existir. O que houve ao longo do tempo foram estudos para entende-lo. Ele tem vida própria, ninguém o domina e qualquer tentativa de faze-lo resulta em erros graves e grosseiros, impondo nivelamento por baixo (porque por cima é impossível), aumentando as diferenças de padrões de vida, renda, acesso à informação. Suas crises são de sua natureza, nelas se recicla e expande e nele o consumidor reina absoluto, pois tem a liberdade de não comprar. O capitalismo é espontâneo, advém da única forma plausível de produção de riquezas que se baseia na liberdade de empreender e de fazer-se trocas pelo simples desejo de faze-lo, o que contraria toda e qualquer forma de escravidão e exploração. Os tais explorados não passam de ineptos para forjarem sua própria riqueza, restando-lhes depender diretamente de quem encara os desafios do mercado.
Para o socialismo ser implantado é preciso impor comportamentos e controlar o acesso a bens e ao consumo propriamente dito, onde o ser igual é por imposição, o dividir é por imposição. Não há a possibilidade da distribuição de riqueza, pelo simples fato de que não a produz. Entenda, o país pode ser socialista, mas como sobreviverá em si mesmo? Terá que vender e comprar, terá que comercializar seus produtos para obter aquilo que falta em sua produção.
Em toda a existência da humanidade o comércio multiplicou o acesso, a transferência de produtos e serviços. Não há como conseguir aquilo que falta sem dar algo em troca. Assim, como nenhum país produz tudo que precisa, ninguém tem acesso ao que precisa senão pelo mercado. Além disso, no socialismo é reforçada a necessidade de controle pelo governo que implica diretamente em restrição de liberdade. Não há como você decidir ter um bem feito no exterior, por exemplo, porque não tens, sequer, o meio de troca (dinheiro).
A igualdade apregoada pelos socialistas não existe nem na forma retórica. Não há nesse modelo a menor lógica. Duas são as razões básicas e simplórias para tornar o socialismo um mero discurso vazio: não somos iguais e não queremos as mesmas coisas. Assim, ele será para sempre uma ideia de futuro, comum às ideologias.
O capitalismo trata de fatos. E o fato (inegável) é a liberdade de produzir, vender e comprar. Uns terem mais condições que outros advém basicamente da ausência de capitalismo que gera a ausência de distribuição de riqueza. Somente essa forma propicia que a riqueza seja transferida de mão em mão porque não está sob controle. Sim, haverá acúmulo nas mãos de poucos e tal é necessário aos novos investimentos. Importa que a massa tem acesso aos bens de consumo a si suficientes. Além disso, os países onde há mais capitalismo, há mais conforto, mais segurança jurídica, mais educação, mais saúde...
Em suma: quem prega o socialismo quer controlar, enquanto no capitalismo há liberdade individual e cada um a exercerá conforme suas forças e contexto social.

20 fevereiro 2018

"PHODERAM" COM O SEXO

Ora, tão antigo quanto adorar um deus é atribuir ao sexo alguma relação com a divindade. Da mesma forma representá-lo em gravuras pornográficas (do grego pórne, "prostituta", grafos, "escrita", no caso, desenho). Não há como saber com exatidão como isso surgiu, mas vemos de forma absolutamente nítida em nossa cultura a influência da visão de que Deus tem restrições à liberdade sexual, impondo seu uso ao casamento. Nos evangelhos cristãos resta claro, inclusive, que sexo fora do casamento é prostituição ou adultério, incluído por alguns a masturbação. Vou poupá-los de citações bíblicas, as quais são facilmente encontradas.

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Gravura em Pompéia, destruída pelo vulcão Vesúvio há 20 séculos
Mas afinal de contas, qual a relação do sexo com pecado (transgressão às ordens divinas)? Nenhuma. Ou toda. Acontece que o sexo é um impulso natural, uma imposição dos nossos instintos e, até, uma ordem do Deus cristão com o seu famoso "crescei e multiplicai-vos". Entretanto, sejamos honestos, como nos relacionamos com o sexo?

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Pornografia, prostituição e dinheiro andam juntos
O sexo tem três pontos básicos inseparáveis, senão únicos: o corpo, as emoções e o cérebro. O corpo produz uma série de reações químicas, aceleração do coração, concentração de sangue nos aparelhos genitais, a necessidade de fricção, cheiros, idade, gênero etc. As emoções nos levam ao subjetivo do acasalamento, quando nos envolvemos mais intensamente na paixão, por exemplo, ou mesmo carências de carinho. E o cérebro porque há pensamentos objetivos, claros, de atos e desejos que queremos ou, obviamente, imaginamos.

Bem, quanto à masturbação não me parece haver problemas no ato físico, por ser apenas mecânico e individual, restando os pensamentos. Aí quem os controla? Mesmo quando estamos com a pessoa amada, com a qual desejamos a relação, certamente pensamos o que alguns têm dificuldades de assumir com o parceiro: outra pessoa, menage, swing etc. Eis a fonte de pecado, pois o ato em si não demanda pecaminosidade, já que uma pessoa em coma por ser abusada e inconsciente do ato.

E como pode ser pecado uma imposição da natureza? Só a religião explica, ou complica. Para os crédulos nada do que se possa dizer em contrário ecoa. Vale a determinação de sua fé mesmo que seu corpo, suas emoções e seu cérebro digam em contrário. Vemos, assim, os muitos conflitos advindos desse antagonismo. A religião, ora vejam, conecta ausência de desejo e do ato em si com pureza e mesmo com uma tal santidade. E porque a santidade não seria justamente o contrário? O uso do sexo como uma adoração ao Criador. Sim, ele criou o desejo.

Temos aqui outro problema segundo os cristãos. O desejo sexual era puro até o comer do fruto no Jardim do Éden. A partir da saída do Paraíso o sexo passou a ser impuro. Como era puro não há uma única palavra na Bíblia que possa dar uma luz à questão, restando apenas sabermos como é impuro. Refiro-me aos pensamentos, pois Adão e Eva, suponho, tinham libido e podemos inferir que ele andasse de pau duro pelo Jardim até que copulasse. Da mesma forma ela ficava molhada até que desse "um pega" nele. Como imaginar que fosse diferente? Isso ser verdade é outra história, já que achar que tenha sido como relata o tal livro não me parece algo minimamente razoável.

Por fim, não seria eu a encerrar a discussão. Contudo, resta as pressões sobre os desejos impostos pela ideia de pecado e santidade. A ansiedade gerada, a frustração, o medo e a tortura psicológica são inegáveis. O resultado disso são dois: infelicidade e infidelidade para com a fé. Ouso dizer que ninguém se salva...

De minha parte prefiro pensar que essas imposições são meros controles humanos de uns sobre outros e que o Criador não seria tão obsequioso, tão maléfico, tão sórdido para nos querer sofrer pelo prazer não usufruído.

Transemos!

16 fevereiro 2018

ESCOLAS, PROFESSORES E MERCADO

Precisaríamos voltar às origens dos governos: Segurança!

Você sabia que os governos começaram com os patriarcados tribais, as grandes famílias se fixando, e depois as cidades, concentrando gentes? (Às vezes acho que as pessoas pensam que sempre foi do jeito que é hoje). Antes disso os grupos humanos eram basicamente nômades. Com isso o tal ajuntamento, e lá se vão quase 6 mil anos, exigiu o ordenamento da convivência e, portanto, o poder coercivo de quem mandava e impunha as regras. Principalmente quanto a ataques externos. Nada muito fora disso. Nesses tempos remotos quais eram as necessidades de conhecimento das pessoas? Ora, saber lidar com animais e com algumas das plantas cultivadas, tecelões/curtidores de couro, ferreiros ou ser apropriado para as armas. Vê-se que a escolaridade tinha pouca ou nenhuma utilidade para tarefas aprendidas na prática, sendo que as primeiras escritas, as cuneiformes, surgiram nessa época para controle de gado e grãos.


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Ainda hoje vemos tribos vivendo de forma rudimentar, sem escrita, sem comércio, adaptadas ao seu ambiente

Daí que escolas são coisa recente na vida das sociedades e só começaram a se popularizar a partir do século 19. Há culturas sem escolas que não têm escrita e não têm MERCADO. Ora, não as têm porque não precisam. O conhecimento que lhes basta à sobrevivência é passado oralmente, pela convivência.

Relacionados aos dias atuais, ao menos a Educação formal, deveria ser regida pelas necessidades de mercado. A sobrevivência (trabalho e renda) diz o que as crianças têm que aprender na escola. Não é o governo a ditar conteúdo, mas a própria sociedade diante de suas necessidades. Não é questão de ideologia, nem aquela conversa mole de desenvolvimento de senso crítico (como se esquerdopatas tivessem!).

Muito bonito o discurso libertário de que é preciso dar conhecimento. Lindo! Porém, o que liberta é o poder do dinheiro e a capacidade de fazer trocas espontâneas. Isso fez as mulheres ascenderem no mercado com a Revolução Industrial. Isso fez com que os burgueses derrubassem os poderes feudais e de reinos. Isso faz com que o consumidor esteja no topo e não a empresa.

Imaginem escolas do ensino fundamental, cada uma com seu conteúdo focadas em uma ou várias áreas, levando as caraterísticas de cada criança em consideração, e os pais a escolherem qual a mais adequada até que as crianças possam escolher. Seria uma antecipação do que se vê nas faculdades e universidades para que, em chegando a essas, os estudantes não tivessem tantas dúvidas sobre o que fazer na vida. A redução da evasão em nível superior seria, suponho, expressiva. Ganharíamos muito tempo e evitaríamos desperdícios de recursos. Além, claro, de não ter que conviver com um diploma a bater na cara os anos relativamente perdidos porque atua numa área diferente.

Os pais não escolheriam a escola pelo endereço, mas pelo futuro de seus filhos.

Ainda há dúvidas que nossas crianças passam anos estudando coisas que não gostam, que jamais aprenderão, que esquecerão ao tocar do sinal sonoro? Hoje a escola é boa para elas se for divertida. E não estão necessariamente erradas. Quanto tempo ganharíamos se o aprendizado estivesse dirigido tão logo a criança mostrasse quais áreas fossem de seu interesse? Bem, suponho que há uma parcela considerável de gentes sem uma identificação tão clara. Mas mesmo essas estariam preparadas para serviços mais gerais, administrativos ou braçais, etc.

A diversidade de conhecimento se multiplicaria para todos os lados e não esse pacote engendrado por gentes que se arvoram saber o que necessitam quem não as conhece. Afinal, o quê professores do ensino fundamental sabem de MERCADO? Pouco ou nada! O que se vê nas pesquisas é que a maioria é ligada à Esquerda sem que isso esteja claro em suas mentes ou, pior, admira Che, acha que Cuba é bacana, que Marx foi o cara, ou ainda mais terrível, são militantes partidários do PSTU, PT, PSOL...

As ideologias de Esquerda desconhecem o que seja produção de riquezas
A receita foi bem simples em relação aos meus filhos: propiciei conhecimento e experiências em várias áreas para que sentissem o gosto das atividades e, assim, eles mesmos escolheram seus caminhos. E isso não se deu pela escola, mas se houvesse uma escola para cada um deles seguir o que gostassem o esforço e gasto teriam sido muitíssimo menores. Assim, foram anos desperdiçados.

Nos moldes atuais o ensino fundamental não propicia que as crianças tenham contato com a diversidade do mercado, tampouco gera conhecimento básico para a vida em família e sociedade sob a ótica da sobrevivência (mercado). Nossos alunos saem com tão pouco conhecimento que dá a impressão que foram para a escola para brincar. Não mais que isso.

E por que o governo deve estar fora disso? Por que as escolas não são mundos à parte. São expressão da sociedade e suas necessidades. Estão inseridas na competitividade de mercado e deveriam estar absolutamente ligadas a ele. Elas precisam concorrer entre si para atrair o consumidor, não por serem bacaninhas ou bem localizadas, mas por prepararem melhor para a sobrevivência. Afinal, conhecimento é um bem negociável - o que sabemos vale mais ou vale menos no MERCADO. O governo tem que se afastar e manter-se, no máximo, como fiscalizador e manter a essência de sua existência: SEGURANÇA.

09 fevereiro 2018

Homens transexuais deverão fazer alistamento nas Forças Armadas

Alistamento nas Forças Armadas é obrigatório para os que possuem menos de 45 anos e deve ser feito assim que obtiverem o novo registro civil.
Por REVISTA EXAME.


Os homens transexuais (mulheres que fizeram transição para o gênero masculino), com menos de 45 anos, devem alistar-se nas Forças Armadas assim que obtiverem o novo registro civil, refletindo a mudança de sexo e nome, segundo o Ministério da Defesa.

Já as mulheres trans (homens que mudaram para o gênero feminino), que alteraram seus documentos antes dos 18 anos, deixam de ter a obrigação de se apresentar para o serviço militar obrigatório.
O posicionamento oficial da pasta ocorreu na semana passada, diante de consulta feita pela Defensoria Pública do Rio. O órgão enviou ofício à pasta questionando a situação, uma vez que não há lei sobre o tema.
Em resposta à Defensoria, o ministério informou que os homens trans devem alistar-se em uma das Forças. Avisou também que podem ser convocados a prestar serviço militar obrigatório ou fazer parte do cadastro da reserva para eventual convocação se necessário.
“Temos conseguido muitas sentenças para retificação do nome e do sexo nos documentos”, diz a defensora Lívia Casseres, do Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos da Defensoria Pública do Rio.
“Mas, no caso de homens que nasceram mulheres e buscam ser reconhecidos como homens, a mudança de documentos não resolve todos os problemas. É que os homens precisam do Certificado de Reservista para fazer concurso público, tirar passaporte, título de eleitor, entre outras coisas. Pelo volume de pessoas com esse mesmo problema, pedimos orientação do ministério".
“Para ter certificado de reservista, os homens trans (como os demais) devem comparecer à Junta de Serviço Militar mais perto de casa. Já a mulher trans não precisa se apresentar se a alteração dos documentos tiver sido feita antes dos 18 anos. Se a mudança for após o serviço militar obrigatório, o certificado deixa de ter utilidade a ela".
O serviço militar obrigatório é composto de três etapas: o alistamento, a seleção e a incorporação ao serviço militar. Nem todos passam pelas três etapas. Muitos são dispensados na seleção geral por excesso de contingência ou por não atenderem aos critérios exigidos.
“No caso das pessoas trans, o serviço militar obrigatório deveria ser limitado ao alistamento, para cumprir as exigências legais, dando a opção de dar seguimento ou não às outras etapas”, diz Giowana Cambrone, professora de Direito da Família, transexual e ativista LGBT.
“Pelas características dos treinamentos, das atividades dos quartéis e da cultura organizacional das Forças Armadas, considero que pode ser muito arriscado e mesmo causar danos psíquicos e físicos a presença de homens trans nas corporações.”
Mas ativistas alegam que muitos homens trans querem servir ou, pelo menos, ter assegurado seu direito de servir.
E haveria preconceito por parte das Forças, que nunca os convocariam. A Defesa garantiu não haver preconceito.
E explicou que, entre o alistamento e a seleção não há exame físico; a escolha é feita só com base no número do CPF. O que ocorre, diz a pasta, é que em muitos locais há excesso de contingente.

Clandestinidade

No fim dos anos 1970, o sexólogo, escritor e ativista João W. Nery, de 68 anos, se apresentou em uma cidade do interior, onde sabia haver excesso de contingente, para ser dispensado do exame física, conta. Ele fez a transição em 1977, quando ninguém conhecia a palavra trans.
“Para fazer um novo registro, do sexo masculino, fui ao cartório no peito e na marra e disse simplesmente que não tinha documento algum. Que precisava tirá-los.”
Ele conseguiu os novos documentos e o Certificado de Reservista. Mas perdeu os registros pregressos, incluindo a formação escolar, o diploma de Psicologia e o de mestrado. “Passei 30 anos me escondendo da polícia – afinal tinha dois CPFs -, até meu ‘crime’ prescrever.”

Violações

Em janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu recomendação para que Marinha, Exército e Aeronáutica aceitem transexuais.
A Transexualidade, diz o MPF, não pode ser determinante para reformar ou considerar militares incapazes. A recomendação, sem caráter judicial, veio em decorrência de inquérito civil que apura a violação de direitos humanos de trans nas Forças.
O Ministério da Defesa diz não orientar “o processo seletivo de recrutamento e incorporação por qualquer critério excludente que não esteja baseado em condições de desempenho respaldadas por exames médicos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

07 fevereiro 2018

PERFIS FALSOS CONTRA ROGÉRIO CIZESKI

Ora, por que alguém usaria perfis falsos para atacar Rogério Cizeski? O empresário está até o pescoço de processos, tem contra si o próprio Ministério Público e deve passar o resto da vida frequentando escritórios de advogados para defende-lo. Ou seja, qualquer um que for contra ele tem ao seu dispor uma infinidade de documentos e, se for credor, a sua própria condição.

Quando a bomba estava para estourar fui convidado para reuniões com clientes, estive na empresa e fui o primeiro a publicar decisão do MP contra a Criciúma Construções (leia AQUI), em Agosto de 2014, enquanto a imprensa local se calava. Enfim, não vi, como não vejo, razão alguma para me esconder não tendo feito negócios com a empresa. E quem fez tem todas as razões para se manifestar abertamente. Inclusive ex-funcionários.

Então, quais razões levariam alguém para esconder-se por trás de perfis falsos e atacá-lo?

Divagando aqui creio em algumas possibilidades. Primeiro, pode ser um que deu o calote, ficou devendo milhares de reais à CC e contribuiu para que ela despencasse. Outra possibilidade é de ser um corretor de imóveis que vendeu imóveis irregulares e está de olho no que podem dizer a seu respeito. Pode ser também um ex-funcionário exalando sua raiva por não poder roubar mais. Por fim, pode ser até mesmo do próprio Rogério Cizeski para monitorar o que dizem a seu respeito e printar os comentários com vistas à ações indenizatórias na Justiça. Haveria mais alguma razão?

O fato que quem usa perfil falso tem muito a esconder. E esconde sujeira. Além disso, os que participam do grupo são igualmente enganados e NÃO APRENDERAM A LIÇÃO, haja vista não se preocuparem com as implicações judiciais do que é feito no grupo, os quais são solidários nas curtidas.

O grupo de Facebook Enganados pela Criciuma Construções é este caso. É administrado por dois perfis falsos, um chamado Ana Da Silva e outro Luci Silva. Você pode conferir facilmente pelas fotos, como segue:

Perfis falsos não impedem de serem encontrados pelo IP que usam


Uma dezena de sites trazem a mesma foto que identifica esse perfil

Uma das fotos de Luci foi facilmente encontrada através do Google


04 fevereiro 2018

SELFIE, O SINTOMA

O selfie não é tão inocente quanto possa parecer. E, como em quase todos os problemas de ordem psicológica, o doente não tem consciência de seu mal. Pode ir do clássico narcisismo, carência afetiva, falta de sexo, até um jeito desesperado de dizer "eu estou aqui". Eis que, tal a dimensão dada pelas redes sociais, estamos diante de um mal de proporções inimagináveis.

A exposição de si mesmo é muito anterior aos celulares
Matéria da revista Exame diz, em reportagem no dia 11 de Outubro de 2016:
Pessoas que usam o Facebook com frequência para fazer posts sobre dietas, rotinas de treino e conquistas na academia tendem a ser narcisistas, revelou um estudo conduzido por psicólogos da Brunel University London. (...) Esse comportamento foi diagnosticado pelos estudiosos como um transtorno de personalidade.

Mas não fica no narcisismo via assuntos, passa pela própria exposição de si mesmo de forma contínua. Inclusive diária. Há uma excitação, um prazer incontido de mostrarem-se sem que seja avaliado qual o interesse dos outros em ver. Ora, e quem vai considerar que gostar de se mostrar não é auto-estima, mas um problema? Paralelamente verifica-se em que nível se estabelece a relação com as demais pessoas que acompanham as postagens, notadamente no Instagram. Segua mais da matéria:
Os psicólogos também ponderam que, apesar de atrair um grande número de “likes” e comentários de incentivo, essas reações de outros usuários não necessariamente indicam aprovação. “Esses amigos podem estar educadamente oferecendo seu apoio, mas secretamente reprovando essa exibição egoísta”, afirma a professora Tara Marshall, uma das responsáveis pela pesquisa.

Faraós tinham a necessidade de modificar a própria aparência
Aliada às muitas necessidades de expor-se estão outros aspectos como a mudança de aparência e a luta contra o envelhecimento que vemos em nossos dias através de intervenções cirúrgicas, repulsa às gordurinhas etc. Creem alguns que há uma cobrança da sociedade. Entretanto, noto que a cobrança é mesmo do indivíduo. Como culpar uma sociedade que está crescendo em níveis de IMC (Índice de Massa Corpórea) acima do normal por cobrar que você tenha este índice sob controle? Incoerente, não achas? Nos EUA mais da metade da população está gorda.

A foto, como poucos observam, é uma forma de perpetuar-se numa imagem agradável para si, produzida, seja com poses, seja com maquiagem, seja em ambientes cuidadosamente escolhidos. Para o autor a foto cristaliza o seu melhor e ultrapassa os danos do tempo. O "Eu" não é o de agora, mas o daquela foto bonita. A superficialidade disso é assustadora, haja visto que não traz consigo nenhum valor social, intelectual ou cultural. Talvez algo familiar que terá significado muitíssimo restrito e não diz respeito aos de fora.

O reforço da imagem é um dispositivo, digamos, natural, instintivo, já que no ritual do acasalamento estão as condições de saúde, capacidade de provimento/proteção do macho e fertilidade da fêmea. E tudo isso se manifesta pela beleza do corpo. Sendo "beleza" a simetria e proporcionalidade desse corpo. Fica evidenciado que as redes sociais são vitrines, como um produto à "venda". Sendo muito mais claro na quantidade de fotos quando do fim de um relacionamento e busca por outro.

Diante de carências as curtidas servem para amenizar o vazio. Ora, a curtida é a materialização da visualização. "Puxa, fui vista!", pensa, mesmo que subliminarmente, o(a) autor(a) da foto. Mas sua ausência também agrava a escuridão em que a mente se encontra. O comentário, geralmente elogioso, serve como um carinho tão necessário. E, como tudo que é momentâneo, não satisfaz por muito tempo, exceto ao narcisista que tem em si a satisfação de que sente necessidade.

O fato de precisar urgentemente de sexo tem o obstáculo de não poder tratar disso abertamente. Quem, em sã consciência, postaria: "Quero transar!"? Além disso, temos muitos dispositivos de filtragem para chegarmos ao sexo com alguém. Nesse contexto a selfie é o "Quero transar!".

Há algumas possibilidades de lidarmos com isso. Contudo, gostamos mesmo da pessoa que está exagerando? Se sim qual seria a possibilidade de comentar? Pior se você pratica o mesmo... Ficou clara a dificuldade do assunto quando o expus em rede social dizendo numa #roldanica: "Burrinha, se você tivesse um conteúdo atraente não postaria fotinha do corpo com a ideia de que não vêem sua essência". Coisa que foi logo tratada como se eu estivesse condenando a selfie. Não, nada disso, creio que ela seja necessária aos modelos fotográficos e de passarela, por exemplo. A postagem se refere à conexão que a pessoa faz de ideias desconexas: aparência e essência, pois nega sua essência na foto ao dizer que o outro não a vê. Resta claro que as demonstrações de quem somos estariam mais consistentes nas ideias que temos, nas relações interpessoais, atividades profissionais, sociabilidade, locais que frequentamos etc. A foto jamais refletirá o todo.

Há ainda o problema não sanado de não postar e não ter suas necessidades resolvidas. O fim do selfie não é o fim do narcisismo e muito menos das carências. Daí vem o objetivo deste blog: a discussão do assunto. Aqui jogamos o tema e alguns de seus muitos aspectos envolvidos.

Que seja útil!