29 dezembro 2017

PROFECIAS - O FUTURO NO PASSADO

Interessante o argumento de alguns cristãos que validam toda a Bíblia porque ''acerta'' em algumas profecias. São textos vagos, adaptáveis às circunstâncias. Basta ver o que diz no evangelho de Marcos 13:8 "Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes e tribulações. Estas coisas são os princípios das dores", ou tão subjetivo quanto esse, "E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas" (Lucas 21:25). Alguém ousa dizer que houve um tempo no qual não tenha acontecido coisas assim em alguma parte do mundo? O exemplo que mais usam que nos últimos dias o número de terremotos aumentaria (depende da tradução). Ora, e desde quando começaram a ser contados?

São Francisco, Califórnia-EUA, primeiro grande terremoto filmado em 1906
Contudo o que mais me chama a atenção é que há livros antigos que também "acertam" muita coisa e nem por isso são validados como divinos. Outro argumento falho é de que as guerras também aumentariam e nunca vivemos um momento de tão pouco conflito entre nações. Tipo assim, Europa, América e Oceania, vivem a ausência de guerras. Na Ásia está em pequenos pontos e na África é ainda mais insignificante se comparado ao número de habitantes e o território. Quando alguém quer que algo seja verdadeiro apega-se a detalhes em detrimento do todo e do óbvio. Note as muitas e extensas explicações que Adventistas do 7º Dia dão sobre os livros de Daniel e Apocalipse. Os pentecostais adoram profecias. Chegam a salivar de prazer em ''saber'' do futuro.

Mas vamos a um exercício bem simples da mais absoluta lógica.

Para que o futuro seja conhecido ele já aconteceu. Ora, por tudo que é mais sagrado, se podemos construir um futuro ele não pode ser conhecido. Além disso, todo o passado foi futuro de seu passado. Uma profecia sem data não é profecia, é chute. Pior, há aquelas que estarão indefinidamente no futuro, como a segunda vinda de Jesus. Quanto mais ele demora, mais pessoas morrem sem conhecê-lo. Sim, somente na China e Índia, onde o cristianismo é pífio, estão quase metade da população mundial. Imagine quantas morrem diariamente sem NUNCA terem ouvido, sequer, a palavra ''Jesus".

As indiretas dos livros ensejam uma dificuldade óbvia. Que razão haveria em o Supremo detentor da Sabedoria falar de forma a causar mais dúvidas que certezas? Como supor que ele estaria interessado em nos dar livros sobre os quais pode-se por toda a sorte de dúvidas sobre suas autorias etc? A isso dizem os crédulos que ele escreveu para pessoas daquela época, segundo sua capacidade de entender. "What?"... Onde está a nova versão conforme a NOSSA capacidade de entender? Pior, se é complicado neste momento, quiçá numa época de pouquíssimos alfabetizados e sem gráficas para reproduzirem textos de forma rápida e barata? Depois de Jesus foram 1.500 anos até que Guttemberg inventasse a imprensa tipográfica. E, se ainda temos que conviver com analfabetos funcionais que chances há de Deus ter algum sucesso falando através de livro?

Contrapondo-se a tudo isso resta usarem a fé. "É preciso ter fé!" dizem os crentes. Ora, e como surge a fé dos tais? Basta verificar a dinâmica da credulidade e veremos a forma obtusa com que surgem. Não há convicção, informações precisas e coisas do gênero para que exista. Tudo sob motivação subjetiva e cultural. Ou crê porque estava numa pior, com a vida financeira arrasada, doença na família, casamento despencando ou crê porque convive com a tal fé desde o nascimento. Isso é a tal "experiência espiritual"? O Brasil é cristão porque foram os cristãos que construíram esse país de corruptos...

Conclusão. Somente a estupidez pode mandar uma crença tão frágil, tão desprovida de conteúdo, tão facilmente descrível, mas de profecias sobre o fim do mundo sem soluções para o presente.

26 dezembro 2017

QUANTO CUSTOU O TJSC EM 2016

Todo o trabalho realizado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina resultou em 12,5 mil atos, abaixo discriminados. O custo do TJSC foi de 2,1 bilhões de reais ao longo de 2016. Portanto, custou 175 mil reais para cada uma das ações, de julgamentos até a emissão de documentos, como um pedido de informações, por exemplo. Por outro lado temos também o custo por juízes e desembargadores: 93 Desembargadores e 414 Juízes na ativa. São aposentados 44 Desembargadores e 108 Juízes, cada um deles custando mais de 3,1 milhões por ano porque toda a estrutura à volta existe para que possam executar seus trabalhos, inclusive dar Habeas Corpus pra bandido...
Poder judiciário independente é um dos sustentáculos da democracia
Informações relativas ao período compreendido entre 1º/2/2016 a 19/12/2016.

1. PEDIDO DE INFORMAÇÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Reclamação: 4
Medida Cautelar em Reclamação: 3
Recurso Extraordinário: 2
Agravo Regimental em Recurso Extraordinário: 1
Total de Informações: 10

2. PEDIDO DE INFORMAÇÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Habeas Corpus: 1.311
Reclamação: 10
Medida Cautelar em Reclamação: 2
Revisão Criminal: 2
Recurso Especial: 2
Recurso Ordinário em Habeas Corpus: 68
Agravo em Recurso Especial: 1
Conflito de Competência: 1
Total de informações: 1.397

3. PEDIDO DE INFORMAÇÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA
Mandado de Segurança: 110
Habeas Data: 1
Total de informações: 111

4. DECISÕES E DESPACHOS PROFERIDOS NOS FEITOS ATINENTES AOS PRECATÓRIOS
Alvarás: 2.384
Precatórios expedidos: 3.670
Decisões: 10.749

5. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES
Sindicância Investigativa: 12
Sindicância Punitiva: 4
Pedido de Providências: 69
Processo Administrativo Disciplinar: 8
Recurso Hierárquico: 10

6. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA – CNJ
Ofícios expedidos: 289
Despachos/Decisões: 285
Processos instaurados: 95
Processos arquivados: 216

7. DECISÕES E ACÓRDÃOS PROFERIDOS NOS PROCESSOS JUDICIAIS
Despachos: 54
Decisões: 4
Acórdãos: 4

8. ATOS NORMATIVOS
Atos Regimentais: 13
Resoluções TJ: 27
Resoluções GP: 56
Resoluções Conjuntas GP/CGJ: 6
Resoluções CM: 15
Resoluções CGSJEPASC: 1
Total: 118

Este blogue baseia-se na Lei nº 12.527/2011 que nos dá acesso às informações oficiais de órgãos públicos da administração direta e indireta.

GRAÇAS A DEUS!

"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco."

Quando estamos diante da expressão "Graças à Deus" vemos um agradecimento ou uma mera força de expressão? É evidente que perdeu o aspecto literal, haja visto ser empregado em situações que beira o insano. Um dos exemplos mais drásticos se dá em acidente onde há um sobrevive e outras tantas pessoas morrem. A pergunta óbvia é "e os que morreram, morreram graças à Deus?".

O "Graças a Deus" coloca as vidas humanas sob o controle divino, elimina, assim, o livre arbítrio e torna-o manipulador. Mas Deus te livrou no acidente de carro? Ué, e por que haveria de ter um acidente de carro?
140 pessoas morreram carbonizadas na explosão de caminhão de combustíveis no Paquistão em Junho de 2017.
Até onde, afinal de contas, Deus está atuando nas coisas da vida? É ele que determina o momento da morte? É ele que escolhe como morremos? E mais, vê-se o consolo diante do sofrimento ligado à uma sentença de vida. Se o sujeito foi uma boa pessoa, sofrendo as amarguras de uma doença, está sento "provado", como se Deus precisasse nos ver sofrendo para ter certeza de que somos fiéis a Ele. Estranho porque é de se supor que os crentes fossem protegidos por Ele. Ou, se o cara é do mal, está sendo punido. Neste aspecto fica claro a condição de juiz que as pessoas assumem, como se soubessem o que Deus quer ou está exigindo. Não raro, o sofrimento é uma expiação dos erros. Por fim, nesse contexto, o mais absurdo que vejo, o sofrimento da perda para que o sobrevivente seja provado, como se a vida de quem se foi servisse apenas para a evolução de quem fica.

O subjetivo (apesar de não sê-lo) é que o Deus da maioria das pessoas precisa receber agradecimentos. Precisa ser bajulado. Deve ter um ego muito frágil. É movido a "graças à Deus". Caso não o reconheçamos Ele se sente abandonado e reage com punições. Resta supormos que se nada acontecesse de mal o tal Deus seria esquecido. Ele, sendo sádico e frustrado, manda desgraças para ser cultuado como libertador. Por isso ocorrem tempestades e até barragens rompidas que fodem uma cidade inteira. Às vezes acho que Ele esquece que tem TODO o poder...

Por outro lado há quem agradeça por tudo de normal na vida a despeito do seu próprio esforço. O sujeito se forma na faculdade, estudou para tal, dedicou-se, deu do seu tempo, mas é graças à Deus. Como entender isso? Não sei. Pessoalmente não agradeço a Ele quando a conquista é minha. Também não agradeço por aquilo que é da vida, normal, comum a todos. Diante do fato de que nada, absolutamente nada nos ocorre além das possibilidades biológicas, sociais e científicas, nada há do que agradecer.

Você estava no mundo etéreo, sem os sofrimentos e paixões humanas, mas pediu para viver nesta Terra, Deus te atendeu e, por isso, és grato? Ora, ora, ora...

Mesmo diante de toda a normalidade da vida há quem veja milagres. Eis que, fico a meditar no quanto o sujeito, dizendo-se alvo de um milagre, esquece dos demais e, pior, coloca-se tão próximo de Deus que me surpreendo. Caso o milagre fosse verdade é de se ter certeza que Deus é seletivo. E, em sendo seletivo, é, obviamente, excludente. Quem seleciona também exclui!

Segue o texto que, provavelmente, teria dado origem à essa expressão para vermos que o contexto é de tornar o cristão um ser impossível de existir:
Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. Irmãos, orai por nós. Saudai a todos os irmãos com ósculo santo. Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém. (1 Tessalonicenses 5:14-28)

24 dezembro 2017

A TENTAÇÃO DE JESUS NO DESERTO

É MANOEL...
O episódio narrado no Novo Testamento, em Mateus capítulo 4, no qual Jesus passa 40 dias em jejum e é tentado por Satanás chama a atenção por alguns detalhes óbvios. Aliás, o óbvio é uma desgraça na teologia, pois ela o nega. Vamos aos tais detalhes.
É possível ficar sem comer por 40 dias em ambiente controlado, mas não sem ÁGUA
Primeira situação é de alguém que se intitula Filho de Deus se submeter à tentação. Sugere dúvida sobre sua capacidade e, principalmente, sobre sua idoneidade. Ora, não foi uma imposição dos seguidores para verem do que seria capaz ou incapaz. No caso, de sucumbir aos desejos humanos. Foi uma condução coercitiva: “conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (verso 1). Então estaria Jesus deixando-se por à prova para mostrar a si mesmo que era mais que humano? Ou uma exigência do Espírito por ter dúvidas sobre ele? Além disso, poderíamos supor que foi uma determinação divina, do Pai, porque o tal Espírito agiu por determinação superior (Eis um momento em que a Trindade sucumbe em seu conceito - mas é outro assunto). Coisa que me parece ainda pior, haja visto que Ele conhece a natureza de todos, do que são capazes e incapazes, dos seus desejos mais íntimos. Se parece ruim, pode piorar: o Diabo recebeu Jesus para uma situação em que poderia derrota-lo, sabendo da natureza do Messias? É impossível aceitar a possibilidade de que um cara esperto como o Diabo fizesse papel tão tolo. Isso me faz lembrar de Deus provocando o Diabo para sacanear Jó (leia sobre isso AQUI).
Segunda situação, um acinte à minha capacidade de pensar, dá-se quando o Diabo oferece os reinos do mundo, sua posse (versos 8 e 9). Ridículo pensar que estivesse mentindo justamente para quem sabia da verdade. Mas em não mentindo estamos diante de dois problemas: ele tomou para si ou Deus o deu? Se tomou o fez contra a vontade do Pai. Teria poderes para tal? Certamente que não. O Eterno deixou que acontecesse? Certamente não. Os reinos se entregaram ao Diabo? Só se de forma inconsciente e mesmo assim só se estivessem sem dono. Diriam alguns que pelo pecado transformaram-se em posse do Demônio. Ora, e deixariam de ser pecaminosos se passassem para as mãos de Jesus? Bem, Jesus negou-se em ser dono e quem é dono manda. Teria sido a oportunidade máxima de consertar tudo que havia de errado. Diriam outros, que isso não fazia parte dos planos. Sim, então porque a necessidade de ser tentado e justamente com a possibilidade de por ordem na casa? Bem, Jesus não queria consertar nada...
Outro detalhe: “Vai-te, Satanás… Então o diabo o deixou” (versos 10 e 11). Jesus dá uma ordem e é obedecida imediatamente? Sim, é. E por que não o fez tão logo o capeta o tentou pela primeira vez? Quanto a isso só me ocorre deixar-se submeter à situação. Além de mostrar quem manda, sugerindo que o Diabo está ativo porque esse mesmo Jesus quer que esteja. Quanta bondade para com sua criação!
Como esse tipo de piada nunca se esgota, não só o Espírito levou Jesus, mas o próprio Diabo o faz (verso 5). Que condição tem esse Inimigo de pegar Jesus e levar daqui para ali? Um poder dado pelo próprio Deus a alguém que tem como inimigo. Jesus se deixa tratar assim e isso soa tão normal para esses cristãos que imagino não estar diante dos mesmos fatos. Calma que tem mais: “Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (verso 7). Puxa, é mais ou menos o mesmo que dizer para um bandido: “Não furtarás”. Como supor que Satanás estaria interessado em cumprir preceito divino? E como Jesus não cita o texto logo de cara? Tipo, tu não pode fazer uma coisa e eu permito que você faça para depois que você terminar de fazer eu dizer que não podias e com poder para impedir. É um absurdo atrás do outro.
Os cristãos explicam que as riquezas dos reinos poderiam atrair Jesus e faze-lo mudar seus planos. Puxa, e qual o problema se um não exclui o outro? Como deixar de ser o Salvador porque passa a ser dono do ouro e da prata, a mesma riqueza que no Velho Testamento era de seu Pai? Ora, Deus criou a Terra e isso torna suas riquezas Sua criação e, por óbvio, sua posse. É a ideia de que pra ser bom tem que ser pobre, e ser rico é ser mau.
Bem, não havia, como não há, maneira de ludibriar a Deus, nem a seu Filho, pois deixariam de ser Pai e Filho se sucumbissem. Também não podemos colocar Satanás como um tolo, já que rivaliza com o Todo-Poderoso. Não havia determinação humana para que Jesus fosse testado. Da mesma forma a incredulidade humana não parece ter diminuído ou aumentado com este episódio. Ou seja, para nada serviu. Ainda mais que não houve testemunhas.
Concluindo. Vê-se que se trata de mais um mito bíblico, da crendice que surge da imaginação humana e, como é fruto da credulidade e tradição oral da antiguidade, não resiste a um mero questionamento como este.

23 dezembro 2017

COMUNICADO DA GLOBO SOBRE A SAÍDA DE William Waack


COMUNICADO
Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças. Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.
A TV GLOBO e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham.
A TV GLOBO reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações. E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV GLOBO e ao brasileiro. E a ele agradece os anos de colaboração.
Ali Kamel, diretor de Jornalismo da TV GLOBO

21 dezembro 2017

O ROMBO NA UNESC

Estive nessa quarta-feira em reunião com a reitora, Luciane Ceretta, a qual fez o convite e com o vice-reitor, Daniel Preve. Fiquei muito bem impressionado com as observações do ponto de vista ideológico, haja visto o recorrente esquerdismo que estávamos acostumados a ver. Quanto aos números a coisa é extremamente preocupante.
A Unesc está com uma dívida de cerca de 90 milhões com fornecedores, mas principalmente com o sistema econômico (a reitora preferiu não revelar números, mas este blogueiro buscou noutras fontes). Recentemente contraiu mais 6 milhões para o décimo terceiro e rescisões. Do montante, cerca de 36 milhões no curto prazo. Atualmente, 99% da arrecadação de 198 milhões vem das mensalidades dos estudantes e alcançou 67% de envolvimento com folha de pagamento. Ou seja, a universidade está próxima da insolvência e diante do momento a reitoria teve que tomar ações drásticas. Contudo, por mais que a situação esteja à beira do caos, Luciane Ceretta e Daniel Preve disseram estar convictos que superarão o desafio.
"Quando assumimos não tínhamos ideia de toda a realidade financeira da Unesc", Ceretta
De imediato ficou claro que a tal "demissão em massa" não existe. Afinal, foram demitidos 127 pessoas, entre professores e funcionários, restando 1.487, ou seja, ficaram cerca de 92%. A auditoria externa, contratada assim que a nova direção assumiu, apresentou ontem suas conclusões aos conselheiros e diretores e constatou que a despesa precisaria ser reduzida em 10%, mantida a receita. Os outros 2% serão conseguidos na gestão das demais despesas, como na manutenção dos próprios, por exemplo. Um dos contratos suspensos é da ordem de R$150.000/mês da manutenção preventiva. Um risco necessário. Dos professores em tempo integral foram demitidos 14, sendo os demais horistas. Essas demissões foram fruto de consulta às unidades de ensino de cada curso. Porém, uma fonte contrariou tal informação, dizendo que as demissões foram decisão de gabinete. O custo dessas demissões será coberto em cinco meses pela redução na folha de pagamento.
Outra mudança se deu nas negociações com inadimplentes que foi flexibilizada. Ainda não é possível determinar quantos, dos que deviam mensalidades, voltarão. Os valores das rescisões estarão absorvidos em cinco meses através da redução do custo em folha de pagamento. Ceretta afirmou que além de evasão, comum a todos os cursos, a média de matérias contratadas diminuiu drasticamente.
Os credores estão sendo contatados para negociações. Porém, os bancos são o maior desafio, pois a própria legislação os impede de amenizar o montante de dívidas. A gestão Gildo Volpato contraiu empréstimos, acredite, com todas as instituições financeiras. Até com cooperativas de crédito como o Sidredi. Somente as despesas financeiras chegaram a mais de R$13 milhões em 2016.
Por volta das 22 horas dessa quarta, 20, um dos demitidos me ligou manifestando a mesma dúvida relatadas por postagens em redes sociais de centro acadêmicos: "Qual o critério das demissões?".