Desde a descoberta, ou invenção, da pílula anticoncepcional na década de 1960, que o comportamento sexual das mulheres e, por conseguinte dos homens, mudou. Ficaram menos controladas, ou receosas, para o sexo. Porém, o que se vê hoje são mulheres que ainda mantém muitas restrições para ter relações sexuais. Essas restrições fazem parte do ritual do acasalamento. O que chamam de romantismo é o tempo e esforço para observar, analisar e ter “certezas” sobre o macho antes do ato.
Todos os detalhes podem sofrer das exacerbações comuns ao gênero humano. Por exemplo, uma mulher que analisa a saúde do homem, mais que seu caráter, poderá muito bem se entregar a um jogador de futebol. Outra, visando garantir a subsistência da prole buscará um bom provedor, mais que um belo homem. Essas coisas não são claras na mente quando estão acontecendo, no flerte ou na convivência. Mas fazem parte da busca pelo parceiro. Mais ou menos como o homem que instintivamente busca uma mulher com belas curvas, sinal de saúde e fertilidade.
Esse ritual é complexo e vai desde aspectos de personalidade, comportamentais, até aos dotes físicos (simetria e proporcionalidade = beleza). Elas são, em geral, muito mais seletivas que os homens. Na história esse lado feminino foi abafado pelos costumes de arranjar casamento de muitas culturas e que ainda perduram nos conselhos dos pais sobre como deve ser o marido da filha. Para o macho basta ter uma buceta que é meio caminho andado.
Mas o que houve para terem continuado com a “seleção” de sempre? Instinto. O básico, irrefutável e restritivo instinto.
Daí vem a questão que me parece de resposta clara e de forma absurda é negada: os costumes não seriam uma dimensão consciente do que é animal? Tenho como certo que muitos dos nossos costumes, ao longo da existência, são fruto direto do nosso lado animal. No caso do instinto do macho de cuidar da fêmea levou ao “aprisionamento” dela. A ânsia da fêmea de ter um macho que dê alimento à prole leva às “Maria-Gasolina”, sendo o carro um símbolo de poder econômico que é, invariavelmente, a capacidade de trazer a subsistência.
Ao retroagir em cada aspecto da nossa intrincada existência em sociedade vejo o animal que resiste em nós. As mulheres, animais como os homens, mantiveram vívidas suas observações, critérios e testes. Dessa forma penso que a razão trai muitos quando o assunto é machismo, feminismo, natureza humana, feminilidade, casamento e filhos. Sim, ninguém saberá responder objetivamente do porquê de desejarmos filhos.
Por fim, não raro, mulheres bem sucedidas, financeiramente tranquilas, desejam um homem que lhes dê a sensação de proteção. Tudo muito animal!