17 abril 2026

NATALIDADE E CRIMINALIDADE TEM ALGO A VER?

Vi num podcast dia desses que a queda na criminalidade no Brasil se dava à queda de fecundidades e não a ações de governo. Apesar de ter fundamento, é parcial. Então vamos aos números.

Em 1980 a fecundidade era de 4,12 filhos por mulher. Em 2000, 2,39. Hoje estamos com 1,69 e as projeções estimam 1,51 em 2030. Paralelamente temos a expectativa de vida que era de 45,5 anos em 1940; 62,58, para homens e mulheres, em 1980; 66,94 em 1991; 69,83 em 2000; 73,9 em 2010; em 2014, 75,2 anos; e em 2022 chegou a 78,8 anos para mulheres, e 71,6 anos para os homens.

Agora compare com o gráfico abaixo:
Se observarmos os dados friamente a ideia apresentada está correta. Porém, a queda de fecundidade não foi abrupta de 1999 para 2000, sugerindo que a queda em 2017, quando os filhos de 2000 estavam no auge da adolescência, idade em que os crimes começam e são gravíssimos, fosse resultado da redução na natalidade.

Por outro lado temos este dado, sem levar em conta a comparação, mas apenas o número absoluto do Brasil:

Este crescimento de cerca de 30% de 2019 para 2020 vai totalmente contra a ideia inicial. Porém, na minha opinião, é preciso cruzar os dados. Apesar da queda na fecundidade ela mantém o crescimento populacional, também porque a expectativa de vida se mantém em crescimento. Bem, como não encontrei um estudo que apontasse tal relação (natalidade/expectativa de vida/nascimento anual/criminalidade na adolescência, não podemos ter certeza de que a queda tem essa relação.

O fato é que nada, absolutamente nada, substitui a punição e o encarceramento. Com um governo da Esquerda tupiniquim no poder não se pode esperar muito. Diferente de outros países, como a China, sendo alinhada, as taxas são mínimas porque há punição e muito mais severa que aqui.

O governo chinês reportou uma taxa de 0,44 por 100.000 habitantes. Agora compare com nossos melhores Estados: São Paulo, 8,2 por 100 mil; Santa Catarina, 8,5; e, o Distrito Federal, com 8,9. Lá a pena de morte é muito aplicada e, para casos de menor impacto, perpétua. Nada disso em nosso Código Penal.

Esta postagem não é uma defesa da pena de morte ou prisão perpétua, mas uma referência à diminuição da criminalidade pela queda de natalidade. Coisa que não me parece claro, mesmo que faça algum sentido. Também há outros aspectos a serem analisados como onde cada homicídio ocorre, atuação das polícias, incidência de transtornos mentais etc. A criminalidade é uma ciência e demanda estudos sob vários ângulos.

11 abril 2026

PERDOE TU. EU NÃO!

Encaramos Deus, cada um o seu, como seres plenos, sábios e santos. No cristianismo ele é o bem absoluto. Opondo-se a isso, há uma expressão comum para aqueles que se insurgem contra Ele e acabam na miséria, ou mesmo morrendo de forma trágica: "Deus pesou a mão". Um Ser com a natureza que a ele atribuímos mata porque alguém discordou ou nem sabia de sua existência. Mata porque o sujeito tinha algum transtorno e cometeu um crime. Mata porque blasfemou, fez piada, mentiu sobre algo e assim por diante.

No Velho Testamento todas as mazelas humanas vêm dele como forma de punição. Seja por peste, seja pelo clima severo, como secas, seja por inimigos de "seu povo". Enfim, seu povo é disciplinado/punido por outros povos ou pela natureza. No caso de outros povos (filisteus, egípcios, persas, assírios e babilônicos) resta nítido que os manipula. Algo muito estranho, já que não se relacionam com Ele e são igualmente punidos por quem é Seu povo. Jericó é um exemplo drástico, bem como o Egito. Gentes que não sabiam dele, ou tinham seus próprios deuses, sendo ferramenta. Hum, onde estaria o livre arbítrio? Como obedeceriam a um deus desconhecido ou repudiado?

Vejamos alguns exemplos do Velho Testamento:
Êxodo 21:23-25 - "Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe."
Números 31:1-10 - "E falou o Senhor a Moisés, dizendo: vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois recolhido serás ao teu povo. (...) E pelejaram contra os midianitas, como o Senhor ordenara a Moisés; e mataram a todos os homens. (...) Porém, os filhos de Israel levaram presas as mulheres dos midianitas e as suas crianças; também levaram todos os seus animais e todo o seu gado, e todos os seus bens. E queimaram a fogo todas as suas cidades com todas as suas habitações e todos os seus acampamentos."

Porém, esse mesmo Deus muda radicalmente no Novo Testamento e passa a exigir perdão e orações pelos inimigos. Seguem alguns trechos dos evangelhos:
Mateus 5:44 - “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”
Lucas 6:27–28 - “Mas a vós que ouvis, digo: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam.”
5:39–41 - “Não resistais ao mal... ao que te ferir na face direita, oferece-lhe também a outra...”

Como equacionar a oração pelos inimigos se é para um deus que não aceita inimigos? O que ele faz com o teu pedido para abençoar um inimigo? Nada. Tu oras pelo nada porque Ele nada fará quanto a isso. Por outro lado, acreditam, é para o bem de quem faz a oração. Seria uma forma de auto disciplina e anulação de quaisquer reações contra o agressor. Bem apropriado para um livro (NT) compilado dentro do império romano.


O dito popular tem, assim, sua base bíblica, digamos. Só que estamos diante de um problema muitíssimo complicado. O mesmo Deus que manda perdoar e abençoar não segue seu próprio ensinamento, como vemos a seguir:
Mateus 25:41-46 - “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.”
João 3:18 “Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado...”
Apocalipse 20:15 - “E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado no lago de fogo.”

Eis que o Deus cristão exige dos seus crentes um padrão moral que ele mesmo não segue. A resposta seria "porque ele é Deus e faz o que quer!". Interessante! Seria o mesmo que eu disser "tenho o livre arbítrio e faço o que quero e, por isso, não posso ser punido". Não te parece um raciocínio lógico?

Obviamente, os crentes não vão aceitar que há algo errado e, portanto, esta fé teria problemas para ser verdadeira. Igualmente não aceitariam que está explícita a contradição entre Jeová e Jesus, não sendo este, filho daquele. No máximo um rebelde que ousou implantar outro reino, opondo-se ao seu Pai.

Também argumentariam que Ele ofereceu um Salvador. Meus queridos, é justamente de quem não aceita esse salvador que seria o "inimigo" e precisaria do perdão. Se aceito o salvador, elimino o erro a ser perdoado. É como não imputar pelo crime não cometido!

A quem devemos seguir? Onde está a perfeição, em não perdoar ou em perdoar? Fique com este impasse e reajuste tua fé, seja num, seja no outro, seja em nenhum deles:
Mateus 5:48 - Sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial.”
Efésios 5:1 - “Sede imitadores de Deus, como filhos amados.”