Qual é ou qual foi o discurso do PT? Igualdade? Justiça social? Valorização das minorias?
Vamos aos fatos. Lula e seu PT chegaram ao poder por mera identificação do eleitor com uma figura. O fato é que nosso eleitorado, de modo geral, dada sua baixa intelectualidade, não vota em ideias. Era a vez de um retirante, vindo da miséria do Nordeste, pobre que lutava pelos trabalhadores.
Depois da saída dos militares, na primeira eleição, tivemos o "caçador de Marajás". Antes disso, uma série de planos econômicos com Sarney. Em seguida a renúncia de Collor diante do impeachment. E veio Itamar e mais um plano. Este, por sua vez mostrou-se acertado e trouxe, à luz das eleições, um homem desconhecido até então. Fernando Henrique Cardoso é reeleito em nome da economia. E quem não gosta do "poder de compra"? E a Dilma? Bem, a Dilma refletiu a continuidade de Lula no eleitor.
Em todo esse tempo corria por fora o metalúrgico. Com a economia estabilizada a massa do eleitorado ficou compadecida com tamanha insistência, com um "trabalhador", um homem do povo, um guerreiro que veio de baixo... Eu disse que nosso eleitor não vota em ideias. E isso porque não as tem. O brasileiro médio é um ser que não lê e, muito menos, estuda. Isso limita sua capacidade de avaliação. Quer apenas suas necessidades atendidas.
Em todos esses candidatos uma projeção do que o eleitor ansiava naquele momento. Agora, dado o avanço da criminalidade, onde sair à rua é a mais absoluta incerteza de volta, onde o roubo de carro chega a SETE por hora no Rio de Janeiro, que chegamos ao incrível patamar de país mais violento que a Síria que está em guerra, com a Lava Jato mostrando as vísceras do poder, o que nos resta ansiar? Que bandido seja trado como bandido!
Eis que surge Bolsonaro com um discurso na medida exata diante desse quadro. Antes que se ergam os míopes, vale dizer que ele não adaptou o discurso com vistas às eleições. O deputado federal pelo Rio de Janeiro bradava nesse mesmo tom há décadas. Não caiu de paraquedas, apenas passou a ser visto mais do que antes, notadamente por sua cruzada contra o "kit gay" que o sintonizou com a família tradicional e com a ideia de que homossexualidade é coisa de safado. Novamente o eleitor vê o candidato a partir de suas necessidades imediatas.
O mais incrível é que toda essa corrupção política que nos assombra, somada à total falta de medo do bandido nas ruas, nada mais é que uma manifestação (legítima) de nossa gente. A impressão que tenho é de que honestos, sérios, respeitadores das Leis, são uns raros. A impressão que tenho é de que nossa gente é má, essencialmente má, que tem prazer em ferir, em subtrair, em ultrapassar pela faixa dupla contínua. "Mas é rapidinho!" e deixa o carro em cima da calçada...
Bolsonaro não é uma criação, um político sob encomenda. É um cara que protagoniza a ação contrária ao status quo dos últimos 15 anos em que a frouxidão legal, as algemas nas polícias, a leniência travestida em intermináveis recursos judiciais, geraram um Estado onde a impunidade reina. Ora, se a impunidade reina é porque o crime reina.
Do outro lado qual a identidade que os políticos têm? Lula continua sendo um líder. Por óbvio seu séquito é muito forte dada sua trajetória como político. Suas ações pseudossociais e seu pseudossocialismo tiveram forte impacto, pois ajudaram muita gente a não precisar se ajudar. E quem recebe ajuda não esquece de exigir mais ajuda.
Neste ano de eleições o povo vai eleger novamente um reflexo de si, seja lá qual for.
25 abril 2018
01 abril 2018
O BALA MORREU
Sim, o Bala morreu. UM HERÓI! O cidadão mais famoso do bairro Presidente Vargas, Içara, morreu. Seu corpo não suportou mais a bebida. Não sei seu nome, apenas o apelido e isso basta; não sei sua idade, acho que sei onde morava, mas sei que fomos camaradas um com o outro. Passava por aqui e dizia "Ô André!".
Ele foi um herói. Um bêbado, de amanhecer deitado na calçada. Mas um herói. Ao menos para mim. Ele teve a coragem de satisfazer seu desejo de embriaguez, sem receio dos outros. Não tive, até hoje, esta coragem. Ele foi o "fodam-se vocês!". Viveu entorpecido, distanciando do sofrimento à volta na cachaça. Muito melhor que nos entorpecermos com ideias loucas, com a ânsia de "mundo melhor", reprimidos por moralidades de boa convivência.
Não foi daqueles diretores de Caep, posando de exemplares, que se vendem por trocados em época de eleição. Não foi aquele chapeador que passou massa por cima da ferrugem, arrotando ser o melhor. Tampouco não foi o pastor que pregou curas divinas e correu pro médico pra consertar o joelho ou suturar o resvalo do facão. Não foi aquele eleitor que pega dinheiro de um e vota no outro (ou foi?). Não foi o marido que privou a família pra gastar com putas. Não foi aquela esposa que trata o marido como o pior ser humano do mundo porque quer apenas fazer algumas coisas sem ela por perto resmungando. Não foi o professor esquerdopata que fala em democracia e liberdade pra doutrinar seus alunos numa ideologia podre.
O Bala, não se preocupou com o "pecado". Deus era uma coisa, a cachaça era outra. Deixou-se dominar por quem de fato aliviava sua mente e não precisava de fé, nem de rituais, nem de medos, nem "fazer o bem". Ele fez o bem que quis a si mesmo e viveu mais que religiosos babadores de ovos de líderes ou que pegam em bíblias como se fosse um amuleto sem saber porra nenhuma do que está escrito.
Foi um herói pra mim. Ou melhor, um anti-herói. Não quis fazer história e será lembrado por gerações. A dona Cotinha, minha vizinha, falecida há uns 20 anos, é lembrada por quem? O Barra Velha, dono de um bar aqui na esquina é lembrado? Bem, serviu o Bala e outros tantos viciados em bebidas. O Bala será comentado por meus filhos com seus filhos porque divertiu, porque falava coisas sem nexo, porque era fora do normal. O Hercílio também será lembrado por gerações!
Não se enganem com este texto. É verdade. Os aduladores de culturas podres como a nossa, cheia de moralidades e absolutamente leniente com o roubo e a propina, que enchem igrejas no culto à hipocrisia, não me atraem. Olho para os incorretos, honestos em sua existência, pecaminosos, de moral questionável e penso, penso muito.
Adeus Bala, o bêbado, não te sigo os passos porque não consigo chutar o balde e mandar a vida pra puta que pariu! Que bem é ser bom? No fundo queria ser andarilho... Queria não pagar impostos, sem telefone, sem responsabilidades, sem exemplos a dar!
É tudo muito pesado.
Ele foi um herói. Um bêbado, de amanhecer deitado na calçada. Mas um herói. Ao menos para mim. Ele teve a coragem de satisfazer seu desejo de embriaguez, sem receio dos outros. Não tive, até hoje, esta coragem. Ele foi o "fodam-se vocês!". Viveu entorpecido, distanciando do sofrimento à volta na cachaça. Muito melhor que nos entorpecermos com ideias loucas, com a ânsia de "mundo melhor", reprimidos por moralidades de boa convivência.
Não foi daqueles diretores de Caep, posando de exemplares, que se vendem por trocados em época de eleição. Não foi aquele chapeador que passou massa por cima da ferrugem, arrotando ser o melhor. Tampouco não foi o pastor que pregou curas divinas e correu pro médico pra consertar o joelho ou suturar o resvalo do facão. Não foi aquele eleitor que pega dinheiro de um e vota no outro (ou foi?). Não foi o marido que privou a família pra gastar com putas. Não foi aquela esposa que trata o marido como o pior ser humano do mundo porque quer apenas fazer algumas coisas sem ela por perto resmungando. Não foi o professor esquerdopata que fala em democracia e liberdade pra doutrinar seus alunos numa ideologia podre.
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| Herói porque viveu à marguem das regras morais |
Foi um herói pra mim. Ou melhor, um anti-herói. Não quis fazer história e será lembrado por gerações. A dona Cotinha, minha vizinha, falecida há uns 20 anos, é lembrada por quem? O Barra Velha, dono de um bar aqui na esquina é lembrado? Bem, serviu o Bala e outros tantos viciados em bebidas. O Bala será comentado por meus filhos com seus filhos porque divertiu, porque falava coisas sem nexo, porque era fora do normal. O Hercílio também será lembrado por gerações!
Não se enganem com este texto. É verdade. Os aduladores de culturas podres como a nossa, cheia de moralidades e absolutamente leniente com o roubo e a propina, que enchem igrejas no culto à hipocrisia, não me atraem. Olho para os incorretos, honestos em sua existência, pecaminosos, de moral questionável e penso, penso muito.
Adeus Bala, o bêbado, não te sigo os passos porque não consigo chutar o balde e mandar a vida pra puta que pariu! Que bem é ser bom? No fundo queria ser andarilho... Queria não pagar impostos, sem telefone, sem responsabilidades, sem exemplos a dar!
É tudo muito pesado.

