quinta-feira, 20 de julho de 2017

A FÉ E OS SÍMBOLOS

Não preciso crer na existência das pessoas com as quais convivo. Não preciso de que sejam representadas por nada porque estão próximas, posso tocá-las, ouvi-las, vê-las. Este é o centro desta postagem: Por que a fé e o próprio Deus precisam de representações? Não seria "creio porque existe" e nada mais?

Na prática a fé é a ausência, do contrário não precisaria de mais nada além de si mesma. Nos é exigida fé num ser superior porque não temos qualquer relação de proximidade com ele. Diriam alguns que é o contrário, que a fé é justamente a intimidade. Bem, certamente é o tipo de intimidade que não queres ter com o teu amor...

Vamos ao símbolo propriamente dito.

Por que precisamos de representações, objetos, reuniões, rituais e coisa do gênero quando bastaria crer e esse crer nos impregnar com todas as informações da coisa crida? E nesse ponto reside a certeza da dúvida.

O maior símbolo da Fé Bahá'í é a Estrela de Nove Pontas.
Para os bahá'ís, o número 9 é sagrado, o número da perfeição, pois é o dígito máximo. Também é o valor numérico da palavra árabe Baha e o número de religiões divinamente reveladas (sabeísmo, hinduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo, islamismo, zoroastrismo, fé babí e, finalmente, fé bahá'í). A forma da estrela pode variar, desde que contenha nove pontas. (Wiki)
Em meio a tudo que se possa dizer sobre fé (ato de crer) há de se registrar que tem sido marcada por ações humanas. Não somente na prática dessa fé, mas em sua identificação. No catolicismo, assim como nos antigos credos politeístas, há imagens que são usadas para lembrar a coisa crida e/ou seus ícones. Entre os evangélicos, que se orgulham de não ter imagens, há os cultos cerimonialísticos (cânticos, avisos, a pregação, o povo diante do púlpito para receber orações, mais cânticos e o povo se abraçando pra terminar), os templos, as invocações, além da Santa Ceia. A fé não existe em sua simplicidade, tornando-sendo necessário algo para tocar/visualizar.

Ao islâmico é determinado ir a Meca, ao menos, uma vez na vida.
E porque precisam usar representações? Porque isso reforça a fé. Coisa bem estranha supor e viver de modo que a fé, tida como a grande força, vê-se fraca. Sim, a crença que precisa de lembranças na forma de ícones e rituais é fraca em si mesma. Você só procura olhar fotos de quem tem saudade, de quem está ausente ou de quem quer conhecer pessoalmente.

A fé em Deus é uma exigência sacrificial porque o crente tem que abrir mão da materialidade de evidências universais para dar verdade a partir de si mesmo (Creio, logo existe!), que conta com o benefício de não haver provas em contrário. Não se prova a inexistência do que não existe. Ou você consegue provar que Unicórneo não existe?

O fato de haver uma criação remete ao Criador, sem identificá-lo com exatidão. Tanto que cada cultura desenvolveu o seu próprio Deus. Se Deus fosse a fonte geraria apenas uma crença.

Por fim, não me parece razoável convicções tais que dependam de pontos de vista, da cultura, do local onde nasceu, de aprender a crer pela família porque tudo isso muda e continuará mudando. A menos que aceitem um Deus mutável!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ENSAIO SOBRE O VENTO

Era como se te pegasse a blusa pelas pontas dos dedos
O vento te puxa pra longe
Soltei a blusa
Fechei as janelas
Fechei a porta
Meu mundo me acolhe sem tempestades

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A FÉ MORTA

"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." Tiago 2:17

Então não basta crer? Não. É preciso que haja uma prática, uma manifestação visível da coisa crida. No texto do apóstolo Tiago há exemplos do que seria essa prática. Começa com não fazer acepção de pessoas, entre pobres e ricos. Porém, há uma evidente exaltação do pobre, como se pobreza colocasse alguém em vantagem diante de Deus. No texto o rico é opressor e nada há da tal classe média. Evidente que reflete um estado de coisas da época. Assim, o apóstolo desconhece qualquer noção de quem oprime quem em nossos dias, isso graças ao Espírito Santo não o revelar. Escreve o que vê, sem inspiração divina alguma, deixando-nos à mercê das malditas interpretações. Segue o trecho:
Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? Tiago 2:5-7
Em seguida, outro exemplo que remete ao auxílio aos pobres. Contudo, quem ajuda a quem? Ao mesmo tempo que exalta o pobre coloca contra a parede aquele que tem como ajudar. Para eu praticar minha fé tenho que ter mais que o pobre, do contrário como praticarei essa tal fé? Fica a dúvida: se estou carente de ajuda minha fé é morta?
Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Tiago 2:14-16
Outro exemplo de fé e sua prática. A obra, neste caso, pode ser entendida como abri-mão de seu maior bem, de fazer um grande sacrifício. Mas, Abraão seria renegado se se recusasse em não arriscar a vida de seu próprio filho? Não saberemos. O que se vê hoje é filho vindo antes de Deus, antes da fé. Mas, calma, isso depende de Deus exigir de ti tal prova. Do contrário siga sem provar sua fé.
Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. Tiago 2:21-24
Por fim, Tiago cita uma prostituta. Interessante, neste caso, é que ela enganou, mentiu, ludibriou e traiu ao seu povo para salvar a si mesma. Ah, mas os emissários eram de Deus... Diriam! Ora, se fossem não precisariam de ajuda humana, tampouco ela agiu apenas por crer. Agiu para livrar a si e a seus familiares da iminente morte. Ela não fez o que fez apenas pelo discurso, mas porque havia um exército lá fora a ameaçar toda a cidade.
E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Tiago 2:25
Conclusão

Nesse trecho do Novo Testamento vimos que não basta crer, ainda que o bandido na cruz, ao lado de Jesus, não tenha praticado nada, nem a reparação dos males cometidos à gentes inocentes. Para o apóstolo Tiago a fé se manifesta através de exaltarmos o pobre e oprimirmos o rico, travestidos de não fazermos acepção de pessoas; se manifesta em ser rico para ajudar o pobre e que o pobre não terá como mostrar obras de fé porque precisa da ajuda do rico opressor; se manifesta em fazer alguma coisa que qualquer pai, consciente de seu dever, jamais faria; e, por fim, se manifesta em cometer o crime de mandar gente inocente para a morte para tirar o seu briobo da reta, desde que seja em nome desse Deus.

MACHISMO FEMINISTA OU FEMINISMO MACHISTA

Antes de qualquer coisa devo dizer que sou homem, hetero e não abro-mão de minhas vontades, necessidades e anseios masculinos. Sim, porque as manifestações das mulheres diante de suas necessidades atestam o meu direito de faze-lo sob minha ótica.

Da mesma forma as tais brigas por igualdade não se sustentam na vida, que é feita de desigualdades em todas as suas manifestações naturais. As mesmas manifestações sustentadas ao longo de milhares de anos e que são a base de qualquer cultura. Afinal, de onde vieram as culturas senão dos instintos animais dos humanos com a razão agregada? A menos que você entenda que surgimos com cérebro e capacidade de pensar que temos hoje. Mas mesmo neste caso seria de se supor que a dominação do homem seja correta, sendo inata. Coisa que não faz sentido.

Ora, a cultura não nasce do nada, da mera vontade individual ou de grupelhos. É construída a partir do seu primeiro passo: animal. E vem agregando a visão da existência dos muitos grupos ao longo da História com seus conhecimentos (ou a falta). Negar isso é ver nossa existência apenas sob a ótica do pensamento de sociedades organizadas a partir da constituição de cidades e, convenhamos, é muito pouco. O que são seis mil anos em mais de 100 mil? Da mesma forma basta olhar para aqueles grupos humanos longe da influência chamada de ocidental, que não conhecem a sociedade de consumo, as guerras mundiais, as tecnologias e, às vezes, nem a agricultura, muito menos o comércio.

Ignorar a construção das relações humanas geram atrofia da visão
Vamos a alguns fatos que sobejam diante de nossos olhos.

Em média as mulheres vivem mais (correm menos riscos) e produzem menos (menos horas extras e maternidade que as afastam do mercado). Têm estrutura de saúde pública mais onerosa, diversificada e acessível, dentre outros tantos serviços exclusivos como uma delegacia especializada e, em milhares de casos, ficam com o aposento do marido que faleceu sem terem contribuído com o INSS. Então, geram muito maior despesa ao erário. Enfim, é de se questionar se nossa sociedade é mesmo machista... Ou, é um estranho machismo que beneficia a mulher em muitas coisas que a protegem de diversas agressões da vida, como trabalhos perigosos. O homem corre sempre maior risco.

Diriam algumas que as mulheres não precisam mais de homens a defenderem-nas. Mas como? Fosse verdade não estariam a berrar contra o tal machismo. Quem pode se defender sozinho está absolutamente independente. Afinal, quem protege faz as regras de como irá proteger. Não o protegido dirá como quer ser protegido. Além disso, querem obrigar os homens a aceitarem um perfil de mulher que não os agrada? (Note: não é o que ME agrada, mas aos homens de um modo geral. Já que não trataria de casos individualmente aqui).

Antes das pedradas a este texto que fique claro que não me interessa romantismos, mas a vida como ela é. Se não lidarmos com os fatos ficaremos a elucubrar sobre como deveria ser e não trataremos de como é. Tampouco trato dos meus gostos pessoais, já que não sou adepto de ter uma mulher a depender de mim. Pelo contrário, gostaria de ser sustentado por uma. Por que não?

Assim, resta entender o que querem as mulheres. Impossível. Nem elas são claras quanto a isso e ficam a exigir de nós, meros seres inferiores, que as entendam e as saciem. E como as saciar se são independentes e auto-suficientes? Irônico!

Altamente irônico alguém se ter como superior, independente, auto-suficiente e sabedora de si, ao mesmo tempo querer que os inferiores resolvam essas questões. Sim, estou sendo sarcástico. E como não ser tendo sido criado entre mulheres como qualquer um de nós? Ao contrário de tudo quero muito vê-las dominar de uma vez e passar a ser a vítima a reivindicar direitos...

E esperavam deste texto alguma solução ao dilema? Tenho que rir...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

NOTA DO MPF SOBRE A CONDENAÇÃO DE LULA

Veja a íntegra da nota do MPF:

Justiça Federal condena o ex-presidente Lula com base em atuação técnica e calcada em robustas provas

Força-tarefa da Lava Jato do MPF/PR vai recorrer, inclusive para aumentar as penas

A força-tarefa da operação Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) vem a público reconhecer que a sentença que condenou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ostenta robusta fundamentação fática e jurídica, tendo analisado todo o enorme conjunto de provas apresentadas na denúncia e nas peças das defesas e produzidas na instrução da ação penal. O processo tramitou às claras, com transparência, e permitiu amplas possibilidades para a defesa produzir provas e apresentar argumentos, os quais foram analisados detalhadamente pela Justiça.
Com base nas provas, as quais incluem centenas de documentos, testemunhas, dados bancários, dados fiscais, fotos, mensagens de celular e e-mail, registros de ligações telefônicas e de reuniões, contratos apreendidos na residência de Lula e várias outras evidências, a Justiça entendeu que o ex-presidente Lula é culpado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro de que foi acusado pelo Ministério Público Federal.
A sentença não só reconheceu que o ex-presidente recebeu o valor correspondente ao tripex e as reformas feitas nele a título de pagamento de propinas pela OAS, que totalizaram mais de 2 milhões de reais, mas também que o ex-presidente Lula é responsável pelo esquema de corrupção na Petrobras. O caso focou especificamente nos crimes relacionados à empreiteira OAS.
As robustas provas levaram à condenação do ex-presidente a cumprir 9 anos e 6 meses de prisão e a pagar, a título de indenização, 16 milhões de reais corrigidos desde dezembro de 2009. Também foram condenados os ex-executivos da OAS Agenor Franklin e Léo Pinheiro. Como efeito da condenação criminal, nos termos da lei, da mesma forma que em casos similares, a Justiça decretou sua interdição para exercer qualquer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da condenação, isto é, por 19 anos.
Mais uma fez, fica manifesto que os constantes ataques da defesa do ex-presidente contra o julgador, os procuradores e os delegados, conforme constatou a respeitável decisão, são uma estratégia de diversionismo, isto é, uma tentativa de mudar o foco da discussão do mérito para um suposto antagonismo que é artificialmente criado unilateralmente pela defesa. Nenhuma das autoridades que atua no caso o faz com base em qualquer tipo de questão pessoal.
A atuação da instituição é apartidária, técnica e busca investigar e responsabilizar todas as pessoas envolvidas em atos de corrupção, além de devolver aos cofres públicos os valores desviados nesse gigantesco esquema criminoso. A ação penal contra o ex-presidente Lula é uma dentre várias que foram propostas na Lava Jato contra centenas de pessoas acusadas por corrupção. As investigações revelaram a prática de crimes por integrantes da cúpula do poder econômico e do poder político, envolvendo diversos partidos, sendo necessário que todos os responsáveis sejam chamados a responder perante a Justiça. 
O Ministério Público Federal tem cumprido seu papel constitucional no combate à corrupção, ainda que envolva os mais importantes líderes políticos do país. É importante que outras instituições, como o Congresso Nacional, também exerçam seu papel contra a corrupção, para que a Justiça possa funcionar plenamente e em relação a todos aqueles contra quem pesam provas da prática de corrupção. 
Tudo reforça o caráter apartidário, técnico e minucioso do trabalho desenvolvido pelo Ministério Público Federal. Como ressaltou o eminente Juiz Federal na sentença condenatória, “não há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a liberdade da imprensa” - e complementamos, isso se resolve sem retirar a independência do Ministério Público e a possibilidade de o Poder Judiciário examinar graves acusações independentemente de quem seja o investigado. Por fim, a força-tarefa informa que vai recorrer da sentença, manifestando a sua discordância em relação a alguns pontos da decisão, inclusive para aumentar as penas.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A BRITA QUE DIVIDE MARACAJÁ

Prefeito de Maracajá, Arlindo Rocha (PSDB), decidiu recentemente que não liberaria Alvará para duas mineradoras que exploram brita no município, uma data de 40 anos e a outra, de há cerca de 30 anos de exploração. Antes, porém, propôs às empresas que dessem algumas compensações como retribuição ao que seriam os danos pelo transporte do material em caminhões, por exemplo. O impacto imediato do episódio foram clientes não atendidos, inflação do preço da brita, e a iminente demissão de cerca de 70 funcionários.

As contrapartidas pela exploração solicitadas por Rocha seriam:
- Material para pavimentar ruas;
- Reforma do acesso Norte e a via até o centro;
- Recursos para um fundo de recuperação ambiental.

Das empresas, SBM Mineração e Cedro Engenharia e Mineração, houve uma contra proposta a mim encaminhada que constava das obras desejadas, com contrapartida da prefeitura de R$100 mil; 300 toneladas de brita mensalmente; doação ao município das áreas exploradas após o fim da lavra e sua recuperação ambiental; depósito de 0,75% do faturamento para o fundo que seria devolvido à empresa se recuperasse o local ou usado na recuperação; em caso de inviabilidade da lavra o contrato seria suspenso; a parte descumpridora arcaria com R$500 mil a título de penalização; aguardar o fim da Ação Civil pública 5005738-26.4.04.7204/SC que está à espera de julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Como as negociações não prosperaram, não somente deixou de emitir Alvará de funcionamento, como decretou o fim da exploração no morro de Maracajá. O decreto teve algumas informações como justificativas:
- Parecer técnico de perito do Ministério Público da União que recomenda que o morro seja área de preservação ambiental. No mesmo parecer diz que há desmatamento de vegetação nativa, poeira e fumaça, além dos barulho dos caminhões transitando;
- Artigo 178, inciso II, da Lei orgânica do município que considera a área de preservação;
- Reclamação apresentada pelo Instituto Socioambiental de Maracajá contra o trânsito de caminhões, poluição sonora, atmosférica e visual, dentre outros;
- Vocação ambiental do município por sediar o Parque Ambiental de Jerivás;
- Necessidade de medição de ruídos das empresas com decibelímetro;
- Que a Lei Complementar 50/2015 exige Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV-RIV) das empresas;
- Danos ao patrimônio público e privado no entorno das pedreiras;
- Degradação de vias públicas.

No decreto Nº 50, publicado na edição 2266, página 480, do Diário Oficial do Município, do prefeito Arlindo Rocha, de 01 de Junho deste ano, consta que o morro "abriga espécie da fauna ameaçada de extinção" sem citar quais sejam, nem estudo disso. Também considerou como base para sua decisão uma ação civil pública que ainda não foi julgada. Além disso, cita a Lei Orgânica do município, que considera a área de preservação permanente, sem que tenha sido regulamentada e, por conta disso, não tem efeito legal. Por fim, considera que as rachaduras nas casas são resultado da mineração sem laudo que aponte causa e efeito, pois rachaduras em construções são comuns. O chefe do Departamento Nacional de Produção Mineral de Criciúma, que atende a região, Oldair Lamarque, disse a este blog que fez meditação com sismógrafo e as detonações estão dentro dos padrões definidos em Lei.

O presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma e Região, Djonatan Elias, disse ter pedido às empresas que mantivessem seus trabalhadores para tentar um desfecho amigável junto à prefeitura. Sendo assim, os funcionários permanecem recebendo seus salários. Elias também tem feito intenso trabalho junto à opinião pública através da imprensa, já que há uma polarização na população, parte apoiando o prefeito, parte defendendo os empregos. O sindicalista também relatou ameaças de radicalização por parte de lideranças políticas ligadas ao prefeito, com possível fechamento de acessos à pedreiras caso voltem a funcionar. "Vocês podem tocar fogo em pneus, mas serão os mineiros de Criciúma que vão apagar!", teria dito em reunião com vereadores e prefeito.

"O técnico do MPU deu parecer, não podendo ser entendido como uma determinação, muito menos que se torne em Lei", disse Elias. Além da recuperação proposta pelas empresas que terá que ser feita com ou sem acordo, como facilmente verificável na foto de satélite à seguir.


O processo supra citado, que tramita no TRF4, foi oferecido pelo Instituto Socioambiental de Maracajá, cuja presidente é Selma Fernandes Silveira Aguiar, ao Ministério Público Federal em 2015, o qual apresentou denúncia à Justiça Federal, deferindo-o em Julho daquele ano. No conteúdo consta o pedido de tutela para proibição da lavra. Para Selma as mineradoras estão descumprindo a lei ao retirarem mais do que declaram para não cumprirem medidas compensatórias.

Segundo Selma as empresas estão completamente irregulares. "Inclusive no recolhimento do CFEM - Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais. (...) Conclui-se que pela quantidade de rocha explorada em média de 130 caminhões de brita ao dia comercializada pelas duas empresas juntas, configura-se sonegação fiscal com evidente dilapidação do patrimônio ambiental do município", disse.

Vale observar que Arlindo Rocha assina como advogado o estatuto da ONG dirigida por Selma. Questionada sobre sua relação com o prefeito a ambientalista nega proximidade e omitiu esse fato em sua primeira resposta. Depois, por WhatsApp foi muito além, fazendo uma acusação grave:
Eu nem conhecia o Arlindo na época. Na verdade nem lembrava deste detalhe. Vou te afirmar com toda a seriedade, a Ong não foi criada para servir a pessoas ou a partidos políticos. Não somos dados a parcerias escusas com interesses que não sejam coletivos. As empresas já estiveram nos sondando quanto custávamos... tentaram nos propinar e isto está fora de questão.

Por sua vez as empresas protocolaram Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) em Junho deste ano, junto a Fundação de Meio Ambiente (Fatma), em resposta à ação civil pública, conforme imagem do protocolo a seguir.


Em resposta aos questionamentos enviados à SBM – Sul Brasileira de Mineração LTDA por mim, seu diretor, Azenir Locks, através de sua assessoria jurídica, disse ter "licenças ambientais, autorização do DNPM e decisão judicial liberando as atividades". A possibilidade da empresa mover ação judicial contra Arlindo Rocha e/ou prefeitura de Maracajá "encontra-se em estudo pelo nosso Departamento Jurídico", disse Locks.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

URSA DEVORA CRIANÇAS

Há casos muito interessantes na Bíblia. E um dos mais assustadores você lê abaixo, em 2 Reis 2:23,24, sendo o profeta Eliseu:
Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.
O que se pode dizer deste fato? Bem, primeiro devemos ter em mente que trata-se do Deus cristão, o qual afirmam não ter mudado, tampouco sua palavra ("Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente." Isaías 40:8). E essa eternidade da palavra torna este texto atual e, portanto, deve ser visto com os nossos olhos, não com os olhos da época em que foi escrito. Digo isso porque resta impossível ter a visão do homem que viveu há 3 mil anos.

O descrito remete a um Deus que, não somente permitiu que crianças, vejam só!, morressem sob intenso sofrimento, mas agiu para que assim se sucedesse. Afinal, Eliseu não tinha poderes em si mesmo sobre animais, senão naquilo que o Deus dele o fez ter. Não há qualquer recriminação ao profeta pelo que fez, caso entendêssemos que teria poderes para tal.

Você consegue imaginar a cena de crianças sob tal ataque?
Outro detalhe é que houve uma sentença imediata, sem qualquer chance de arrependimento, sem opções, sem misericórdia. E tudo porque o profeta era careca e tinha vergonha de se-lo. O poder envolvido para que animais fossem usados como assassinos não propiciou uma farta cabeleira para esse homem.

Que consciência teriam crianças de que agiriam errado? Foram instruídas antes? Desobedeciam seus pais ou os adultos também faziam chacotas desse tipo? Nada disso tem no texto.

Eliseu se sentiu ofendido e sua ofensa teve maior relevância que a vida de 42 seres humanos. Uma careca ao peso de 42 vidas humanas inocentes. Crianças que não tiveram chances de um futuro, de constituírem família e, obviamente, se viverem para a glória desse mesmo Deus. Foram para o Inferno? Não, pois até esse episódio a Bíblia não trata de Céu ou Inferno. Simplesmente a vida era neste mundo.

No Velho Testamento não havia Céu como lugar a se ir depois da morte e o homem (a mulher não!) perpetua-se em seus filhos, como podes conferir o caso de Onã e Tamar, em Gênesis 38. Assim, essas crianças foram sumariamente riscada da existência.

Enfim, mesmo que trate-se de Velho Testamento e queiram descartá-lo porque estaríamos no período da Graça, eis que é mesmo Deus, imutável, o qual aprovou que tenha sido como no texto, quando poderia tê-lo evitado dando cabelo à cabeça do profeta que não lidava bem com sua aparência.

OS SEIS MESES DO "ESSE DÁ JEITO"

Ao completar seis meses de governo o prefeito de Criciúma Clésio Salvaro protagonizou algumas coisas muito, digamos, contrárias ao populismo que caracteriza sua trajetória política. Antes, porém, devo lembrá-los de que na campanha eleitoral de 2016 ele mentiu descaradamente ao dizer que pavimentou 500 ruas, por exemplo. Quanto à promessas... quem guardou as tais para cobrar mais adiante? Eu não. Nem precisa. Tudo propositadamente genérico.

Então, nesses seis meses Salvaro diminuiu ajuda a entidades assistenciais quando deveria atualizar valores. Além de não pagar os três meses que Márcio Búrigo deixou para trás, propondo parcelar quando pudesse.

Mas!
Vai comprar carro novo para seu gabinete;
Contratou duas agências de publicidade sem licitação por 200 mil reais cada uma;
Contratou pesquisa de opinião junto ao IPC (sempre ele) por 75,6 mil reais;
Contratou empresa para levar a notificação de terro a ser limpo pelo cidadão por 5 mil reais/mês;
Contratou a fase final da UPA da Próspera com prazo de 60 meses. Isso dá cinco anos!;
Bateu de frente com o sindicato dos servidores sem nenhum resultado para o cidadão;
E, continuou a reclamar de seu antecessor...

"Esse dá jeito" mesmo!!!

terça-feira, 4 de julho de 2017

AMA ENVOLTA EM DISPUTAS INTERNAS - Parte 2

Inicialmente, gostaria que você lesse a primeira matéria sobre a AMAA clicando AQUI, caso não tenhas lido.

Estive em reunião com a atual presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMAA) de Criciúma e região, Jandira Tomé, ontem, por cerca de duas horas. Além dela, estavam presentes a advogada Patrícia Bonfante Maciel e outras 15 pessoas, dentre elas professores, técnicos e alguns membros da diretoria.

Quanto às denúncias de agressões não comentarei, pois acusações e defesas estão a cargo do Ministério Público. O cheque mencionado que estaria em posse de dono de casa de jogos de azar está descartado, já que não recebi a imagem do documento. Portanto, excluo por completo este item.

Quanto à disputa interna propriamente dita, não me interessa dizer quem está com a razão. Não sou juiz, apesar de que tirei minhas conclusões.

O que posso ser bem claro é que os cheques em posse de Ivone de Miranda Borges, ex-presidente da AMAA, que foi-me passado como destinados exclusivamente para a construção de nova sede, não mostrou-se verdadeiro. Está em ata de 2015, também assinada pela filha de Ivone, Estefânia Borges, que os recursos poderiam ser usados na compra de um veículo para a entidade. Portanto, a manutenção dos cheques com Ivone configura-se um erro em detrimento da AMAA.

O afastamento de Ivone do cargo de diretora pedagógica da escolinha da associação se deu por questões administrativas, já que várias determinações legais com relação ao regramento imposto pela Fundação Catarinense de Educação Especial, mantenedora de profissionais que atendem na casa, não estavam sendo cumpridas. Também não houve renovação da inscrição da AMAA no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, que poderá redundar em perda de recursos públicos.

Por fim, Jandira havia dado à Ivone uma procuração com plenos poderes de presidente, o que demonstra clara confiança, a qual foi quebrada tal a não atenção às contratualizações com o poder público. Uma decisão administrativa. Coisa que não configura má índole, mas inaptidão para o cargo.

Assim, encerro este assunto de minha parte. Esperando apenas que a associação obtenha da sociedade ainda mais ajuda, tal sua manutenção ser absolutamente necessária para a vida de autistas e seus familiares.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

AMA ENVOLTA EM DISPUTAS INTERNAS

Situação da AMA - Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Criciúma e região é delicada. Não somente pelo momento financeiro, mas principalmente pela divisão da entidade.

A atual presidente, Jandira Vieira Tomé Pagani, se opõe a oito dos 12 membros da diretoria, com os quais estive em reunião ontem e afirmam não terem acesso a quaisquer informações administrativas, contábeis e financeiras deste ano. Além disso, e muitíssimo pior, é a acusação de que há um cheque da entidade dado por Jandira em garantia numa casa de jogos clandestina no valor de 4 mil reais. Uma assembléia foi convocada pelos descontentes, a qual foi liminarmente impedida, conforme documento em minha posse.

O grupo afastado, que apoia a ex-presidente, Ivone de Miranda Borges, fundadora da AMA, possui doações para a construção de uma sede. Nesse caso em particular há os dois cheques (foto) que serão trocados oportunamente por causa da data de emissão, mais uma quantia em dinheiro levantada por uma outra instituição, cuja direção não quis se manifestar, além de outros 20 mil reais que o atual secretário da Assistência Social do Estado, deputado Valmir Comin, assegurou para a obra. Valores que a presidente não tem acesso, confiados à afastada. Tudo exclusivamente para a obra da sede. Por isso os cheques não foram depositados até o momento.


Ouvi o diretor executivo, Joelcio Scarpari, o qual disse estar impedido de falar por recomendação do Ministério Público, pois se tratam de informações sigilosas. Pesam de um lado uma investigação por maus tratos (tive acesso a fotos de autistas com marcas pelo corpo), que assegurou não serem verdadeiras.

De outro lado, foram pedidos pela AMA três investigações contra a gestão anterior, envolvendo desvios de recursos como os dos cheques desta postagem. Nesse mesmo sentido o escritório do advogado Fábio Mattos deve encaminhar ação contra a atual presidente.

*Scarpari informou que a prestação de contas do jantar beneficente, realizado este mês, estará disponível na próxima semana.

domingo, 25 de junho de 2017

ESCRAVIDÃO NA BÍBLIA

Vamos ao texto de Êxodo 21:1-11 que é muitíssimo claro. Porém, antes, devemos observar que não basta o escrito ser cristalino. Para que seja mantido na condição de divino é preciso que as explicações da fé "esclareçam-no", como se fora possível.

Estes são os estatutos que lhes proporás.
Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça.
Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele.
Se seu senhor lhe houver dado uma mulher e ela lhe houver dado filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e ele sairá sozinho.
Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre,
Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.
E se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos.
Se ela não agradar ao seu senhor, e ele não se desposar com ela, fará que se resgate; não poderá vendê-la a um povo estranho, agindo deslealmente com ela.
Mas se a desposar com seu filho, fará com ela conforme ao direito das filhas.
Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação marital.
E se lhe não fizer estas três coisas, sairá de graça, sem dar dinheiro.
Notemos que ele fala em compra, venda, posse de filhos e até corpo marcado. Contrapondo-se de forma absoluta à ideia de que a palavra "servo" fosse igual a funcionário. Além disso, diriam alguns que trata-se do Velho Testamento e, portanto, inválido para nossos dias. Ora, não se trata de ser válido porque quem o invalida não é a fé, mas a legislação civil, a Constituição deste país. Da mesma forma, vemos o apóstolo Paulo tratando um escravo como escravo no livro de Filemon, no Novo Testamento. Nesse texto, o mais curto do evangelho, resta claro que se trata de escravo, haja visto não haver necessidade de tal interveniência do apóstolo não fora essa a condição, a saber, de escravo fugitivo. Fora um mero empregado que dano teria gerado em sair pelo mundo afora?

Cena de Amistad, uma luta jurídica nos EUA cristão sobre escravos
Por fim, não há no Novo Testamento qualquer referência ao fim da escravidão como descrita no Velho Testamento. Supõe-se que Jesus deixaria um registro claro contra isso. O que não tem fim determinado, há de permanecer!

A escravidão jamais foi contrariada pelo cristianismo, senão com as mudanças civis. Foi obra do homem, o degenerado ser humano, que criou a submissão total de um ao outro. E foi esse mesmo degenerado ser humano que pôs fim ao uso de outro ser humano como objeto, ao menos não vemos como descrito na Bíblia.

Pra finalizar, o texto do VT é obra do Deus que creem os judeus e cristãos. Assim, Ele não somente aceitou a escravidão como criou uma legislação, disciplinando-a. Coisa de época? Evidente que não! Esse mesmo Deus, sendo minimamente respeitoso com a sua criação, seria o primeiro a proibi-la. Sequer teria permitido.

terça-feira, 30 de maio de 2017

AMA PEDE SOCORRO

Fiquei impressionado com a situação da Associação dos Amigos dos Autistas de Criciúma, que atende crianças da região carbonífera, inclusive da Amesc, pois poderão ser despejados imediatamente de um dos imóveis que utilizam. O outro é doado pelo Rotary. Para amenizar a situação será realizado um jantar dia 14 de Junho, quando esperam arrecadar um mínimo de 40 mil reais. Vamos aos fatos!
Segundo o diretor executivo da AMA, Joelso Scarpari, a entidade está com algo próximo dos 30 mil reais em dívidas, incluindo quase 15 mil reais dos quatro meses de aluguel atrasados.
Sede cedida pelo Rotary na rua Antonio Gabriel Machado, bairro São Cristóvão.
Os pais dos atuais 97 matriculados (42 na fila de espera) contribuem com pífios 200,00 por mês, por ser voluntário. A prefeitura de Criciúma auxiliava com 4,5 mil para o aluguel e o SUS para contratação de pessoal técnico. Mas restam materiais de expediente, limpeza, água, luz, internet e pessoal da administração.
Para complicar a prefeitura bloqueou o repasse iniciado em Abril porque a AMA pagou o aluguel de Fevereiro por causa do Marco Regulatório do governo Federal. Assim, criou-se um impasse e a despesa aumentando. Liguei várias vezes para a secretaria do Sistema Social, sem sucesso.

*Após a publicação deste texto no Facebook um empresário doou o correspondente a um mês de aluguel, o qual foi usado para devolver à prefeitura e normalizar os repasses contratualizados.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

EU, ROBO

Tente colocar-se no lugar de um corrupto e imagine quais seriam suas motivações.

Afinal de contas por que alguém corrompe a si e leva outro a fazer o mesmo? Vamos tentar ver as razões e o contexto brasileiro desse câncer nacional: a CORRUPÇÃO.

corrupção
substantivo feminino
  1. 1.
    deterioração, decomposição física de algo; putrefação.

    "c. dos alimentos"
  2. 2.
    modificação, adulteração das características originais de algo.

    "c. de um texto"

TREZE ANOS depois do Mensalão e TRÊS anos de Lava-Jato a corrupção continua franca no país. Que o diga Joesley "Safadão". Cultura? Portugal e Espanha, pais na nossa cultura, superaram essa sanha. Então, qual é o nosso problema? Quem começou isso? Falamos aos quatro ventos que os políticos começaram e esquecemos que eles vieram do povo. Seria o povo brasileiro um ser essencialmente corrupto? Responda você...

Eis que vemos uma Dinamarca, há décadas no topo da lista da ONU sobre corrupção como sendo o país mais honesto e mesmo assim, vez ou outra alguém pisa na bola. Este país nórdico tem carga tributária das mais altas (40%), educação pública (coisa que sou contrário), lojas sem atendimento, onde o cliente deixa o dinheiro do pagamento sem que seja fiscalizado.

De minha parte, sem encerrar o assunto, quero que lembrem-se de que depois da abertura politica da década de 1980, quando vereadores ainda faziam rifas pra juntar fundos de campanha, os pleitos eleitorais tornaram-se cada vez mais caros. Seja honesto consigo mesmo: se você fosse candidato preferirias receber votos apenas por tuas propostas e histórico, ou gastarias com materiais e cabos eleitorais? Pois é, os políticos também não querem gastar, mas têm. Daí vê-se que é o eleitor que acaba exigindo alguma coisa.

Participei de campanhas e ficou claro que um candidato a prefeito que andasse com uns poucos amigos, nenhuma bandeira e demais apetrechos, sem dar gasolina, certamente teria votação de vereador. Contudo, a coisa não se resume em campanhas.

A evidente sanha por dinheiro fácil é recorrente. Veja o sucesso do golpe do bilhete premiado e outros tantos golpes que se sustentam na vontade do dinheiro fácil, do caminho curto, que ouso dizer que corrupção tem múltiplas facetas. Acorrem a estas facilidades os adeptos do marketing multi-nível que agregando outros depois de si passam a ganhar em cima do esforço alheio. Imoral? Pergunte aos tais se acham imoral.

No que tange ao dinheiro público entendo que o que é de todos, a coisa pública, os bens públicos, foi transmudado em "é de ninguém". Esta pequena forma de pensar é uma bela forma de anestesiar a consciência e aterrorizante ao mesmo tempo. O tal corrupto em momento algum para para pensar que seu ato trás prejuízo a quem ama e a todos os cidadãos. O fato de ele proporcionar bem estar aos seus lhe confere legitimação de seu crime. Imagino que seja assim.

Aliado a tudo isso vem o "ele conseguiu e não foi pego...". O exemplo é marcante nesse processo. O medo é um limitador poderoso e sua ausência um liberador igualmente poderoso. Se um tal meteu a mão, não foi pego e tem um estilo de vida atraente eis que o outro entende como possível a si mesmo.

De todos os ingredientes há um pouco lembrado: empresário é bandido. Criou-se no discurso político brasileiro engendrado pela Esquerda e sem oposição até bem pouco tempo, que todo o empresário é ladrão e explorador. Ora, pessoas de bem não seriam empresários, nessa lógica. A exaltação ao empreendedorismo virtuoso e como sinal de virtuosidade resta negado. O que sobra disso senão a busca por meios transversos de enriquecimento. Houvesse em nós o louvor ao empresário como sustentáculo da Nação, certamente teríamos mudança significativa da cultura. Quem não gosta de aplauso? Todos gostamos e acabou por seguir o aplauso ao ter uma carteira assinada ou a um serviço vitalício numa empresa pública ou setor do governo. Quem acorre aos concursos quer servir ou ser servido das benesses da Lei? Nada na cultura, forma de pensar de um povo, está isolado. Tudo e todos interligados. E mais, o trabalhador se sujeita, vejam só, a participar da "bandidagem" ao prestar seu esforço ao bandido empresário! Gente honesta faz isso? Não. Eis a tal a anestesia da consciência.

Paralelo a tudo isso vem a célebre contribuição da legislação. A tal Lei, de tantas que temos, leva à necessidade de superá-la. As Leis ambientais são de tal monta que inviabilizam qualquer empreendimento. Lembram da briga entre shoppings em Criciúma até que o Almeida Júnior levou a parada. O que fizeram durante meses os brigões? Acusaram-se de crimes ambientais. Claro, nenhuma outra forma é melhor pra criar problemas a um empreendimento. Via de regra, ao menos para agilizar e tirar a bunda de alguém de cima dos documentos, rola um jabá coroando o servidor público que fará a coisa andar. Quanto mais leis, mais corrupção.

Enfim, sigamos na busca de diminuição do poder do Estado para que volte ao povo. Pena não estarmos à altura disso.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

DEUS HUMANO

Imagino (só imagino porque não sei) que Deus (prefiro Criador) não tenha problema algum com a zoeira. Afinal é o Todo-Poderoso e nada deveria atingi-lo. Achar que Deus se incomoda com alguma coisa é diminuí-lo à condição de humano.

Chantico é deusa Asteca do fogo doméstico, do "calor dos corações" e dos vulcões.
Penso cá comigo que, por existirem tantos deuses, ele não se importa quem ou o que elegemos como deidade. Ou, não faz diferença ter concorrência na atenção humana que deveria ser só dele. Por isso sequer precisa ser lembrado, já que não faz qualquer diferença por se bastar em si mesmo. Adoto essa expressão de bastar-se em si mesmo como síntese de alguém cuja existência vem de si e de nada mais depende. No momento em que admito que Ele possa depender de algo deixa de ser o Todo e passa a ser uma parte. Querer ser lembrado e cultuado é uma forma explícita de carência. Diriam os crentes que quem precisa disso somos nós. Como, se cada cultura elegeu seu Deus? Ora, houvesse mesmo necessidade o culto seria apenas para o verdadeiro. No máximo posso pensar que precisamos da ''ideia de um deus'', não do Deus em si.

Jesus, com cara de europeu, traduz a identidade que católicos buscaram com seu ''salvador''.
O culto é, na minha humilde visão, uma redução do Criador para guindar o ser humano a uma importância que não tem. Como somos carentes de pedestais! Somos um ser entre zilhões de seres que não cultuam, não oram, não sabem ler um tal livro sagrado e continuam sendo criaturas do Criador. Se o sentido da vida é dado pela relação com Deus, as demais criaturas foram feitas por Ele para absolutamente nada. Que relação com o divino tem uma lesma? Neste particular, o de sermos criaturas, os cristão admitem que ao nos encontrarmos com Jesus nos tornamos filhos. E, na condição de filhos, passamos a ter um relacionamento com Ele a ponto de nos salvarmos do Inferno e provarmos da bênção da salvação. Tolice, toda essa engenhoca existencial diminui Deus à quase nada, como é a mente humana. Ora, que necessidade haveria de ter o Todo em condenar seres como nós, que andamos às cegas? Nenhuma! A condição de filhos não muda nossa mente que seguirá à mercê da cultura e informações disponibilizadas por nós mesmos, cada um em sua cultura, tempo, idade, gênero, educação...

Hórus, deus egício, também nasceu homem, foi morto e ressuscitou ao terceiro dia.
Ou esses crentelhos admitem o óbvio: que Deus não pode ser cultuado e muito menos obedecido, dado de nada necessitar, ou continuarão a vagar no mesmo vazio de qualquer ideia que possamos ter sobre nós mesmos. O culto só remete ao fato de precisarmos nos elevar acima dos demais (o meu deus é melhor que o teu!) e gerar a sensação de vida após esta vida, de imortalidade. No fundo, é o medo da morte que gera tudo isso.

Qualquer coisa que possamos pensar sobre Ele é obsceno, é limitado e de forma alguma o definiríamos. E mesmo assim homens ao longo do tempo ousaram falar o que ele seja e o que quer. Nem querer Ele pode porque querer é a ausência da coisa desejada. A menos que admitam que Deus tenha necessidades... Pode ser, afinal, o constituíram à nossa imagem e semelhança.

Voltando ao início. Posso zoar Deus sem medo de punição, pois um ser que se deixa ofender, como nós, pode ser atingido e atingido no que há de mais humano: o Ego.

domingo, 14 de maio de 2017

A PROVA QUE OS LULISTAS QUEREM

Houve uma época na legislação brasileira que a confissão bastava para condenar um criminoso. Então, para mostrar sucesso, policiais arrancavam confissões sob tortura. Certamente acertaram em muitos momentos. Hoje não há mais hierarquia entre as provas e caberá ao juiz optar pelo valor do que testemunhas falam, documentos, áudios, vídeos, postagens em rede social, enfim, uma ampla gama de fontes. Elas são igualmente aceitáveis nos nossos tribunais.

Dentre as SETE acusações que pensam sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está o recebimento de um triplex em Guarujá, litoral paulista. E qual é o crime? A não declaração do bem (ou, na realidade, para ocultar a origem do bem) e por ser fruto de pagamento de propina. Daí, eis que petistas e lulistas em geral berram aos quatro ventos que não há provas contra ele. E o quê considerariam provas? Documentos assinados. Como, por Thor, alguém assinaria um documento de algo que quer ocultar? Os seguidores de Lula não aceitam a prova testemunhal. Então vamos a alguns fatos arrolados na história, os quais já mencionei em postagens no Facebook.

Médici, tido como o mais duro dos presidentes do Regime Militar
Se a questão é ter documentos, resta esperarmos que apareça algum que prove que os presidentes militares do Regime mandaram torturar. Até mesmo de que houve torturas. A única fonte é o testemunho dos próprios bandidos que atuavam contra a Nação à época. Não excluo a tortura daquele período porque é recorrente entre policiais ainda hoje, o que não é necessariamente uma ordem de governo. Vi um Policial Militar bater forte em bandido numa salinha de delegacia. Eu o aplaudi porque meu filho caçula era a vítima. Queria eu ter dado umas porradas naquele nojento. Mas o fato, diante dos argumentos petistas, é que não há de Lula nenhum papel que o incrimine no caso do triplex. Muito circunstancial, não acham?

Resta o testemunho de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, dona do apartamento. E somado a outros na mesma direção. Um executivo desse naipe não correria o risco de mentir diante de um juiz federal numa delação premiada que só será boa para si se for verdadeira.

Contudo, e apesar de tudo, os petistas aplaudem testemunhos orais contra os generais, acusando-os de tortura.

Bruno Fernandes foi condenado por crime triplamente qualificado
Outro exemplo da falta de documentos, arma e o próprio corpo da vítima, é do goleiro Bruno. O que há contra ele? Apenas testemunhos. Alguém duvida de sua culpa? Este rapaz foi condenado como mandante, não como assassino. Mas é tratado como assassino!

Os petistas aplaudem testemunhos orais contra o goleiro Bruno.

Não é uma questão de dois pesos e duas medidas, como se vê quando o Zé Abreu cospe numa mulher e as feministas dessa odiosa Esquerda se calam. É a mais absoluta conveniência cobrar no caso de Lula o que não precisa cobrar quando não lhes interessa ou que interessa diante dos seus inimigos.

Os lulistas não nos enganam mais! Mas são enganados por Lula e seu incrível testemunho diante de Sérgio Moro ao jogar tudo para a falecida Marisa Letícia.

terça-feira, 9 de maio de 2017

AOS MESTRES COM CARINHO

Professores são, invariavelmente, pessoas que nos fizeram bem, mesmo os ruins. Contudo, o quê se vê escrito para e sobre professores é, basicamente, vindo de professores. A gestão da Educação, das escolas e dos Programas, são todos feitos por professores. Não bastasse o ''espírito de grupo'' que predomina, o corporativismo exacerbado, poucos ousam contrapô-los. São quase deificados. Sem me opor de forma genérica à louvação recorrente quero fazer algumas observações noutra linha em nome da diversidade de ângulos que tudo nos sugere.

Dizem dos professores serem o esteio da Nação, de qualquer nação. Seria isso se não fossem parte da cultura. Estão inseridos na sociedade e a refletem. Não são um grupo à parte. Em geral colocam-se como heróis pela carga de trabalho, curso de aperfeiçoamento, correção de provas em casa, conflitos com o corpo discente e pais, afora as brigas com o governo. Daí a ironia: são tão elevados que não ousam em outras atividades, outras profissões. Há os que se enterram na sala de aula mesmo a detestando.

Diante de tamanha diferenciação que fazem de si mesmos os de fora não os podem criticar, apenas elogiá-los e apoiá-los. Não aceitam questionamentos sob o argumento de que só eles sabem o que passam. Ora, só o servente de pedreiro sabe o que passa; só o motorista de ônibus sabe o que passa; só o mecânico sabe o que passa. Cada um sabe o que passa e os demais não têm, por óbvio, como saber. Diante disso restam duas observações: primeiro que os professores criticam demais profissionais e, segundo, podemos discutir os efeitos do trabalho dos professores. Sim, um professor não deixará de reivindicar que o médico de seu filho dê atendimento de excelência a despeito de que só o médico sabe o que passa. Da mesma forma nós, os de fora, podemos cobrar que exerçam suas profissões com maestria a despeito de não sabermos o que passam. Por fim, que diferença faz sabermos ou não o quê passam em seu dia-a-dia se não podermos influenciar?

Tendo atuado como jornalista e atualmente como prestador de serviços em redes sociais e blogueiro, sou alvo de críticas, tenho que conviver com isso e ter o foco em sempre melhorar como profissional. Afinal, meus clientes não querem saber em que condições trabalho, senão que recebam pelo que pagam!

Mas afinal de contas o que eu, um de fora, posso falar aos professores?

Que o seu corporativismo é prejudicial a vocês mesmos. Anula os bons e privilegia os ruins. O corporativismo é uma doença que massacra a independência do pensamento, ápice dessa profissão.

Não percam o ambiente do contraditório. Se pais têm alguma dificuldade com a variedade de assuntos do mundo, os professores, por ofício, não. É da natureza do ensinar a exaltação da diversidade de pensamento. Você é professor de Matemática? tenha apreço pela História. És professor de História, valorize a Matemática do cotidiano. Enfim, um professor que não vibra com o conhecimento está atrapalhando seus alunos.

Não curvem-se aos políticos para arranjarem uma teta na Secretaria de Estado da Educação. Isso é ultrajante, é vergonhoso, é deprimente, é o fim decrépito da faculdade feita com esforço. Curvar-se aos políticos é um ato de mediocridade!

Decidiste ser professor? Aceite os prós e contras da profissão. Não entraste nela enganado. Sabias da realidade. Sabias do salário. Sabias como é a estrutura.

Professor é mal pago? Não ignoremos o fato de que não produz conhecimento, com raras exceções. Apenas o repassa. A produção de conhecimento, a que move a sociedade e a vida, está solta, não sendo cativa de nenhum grupo. Além disso, o ato de ensinar não lhes pertence.

Para finalizar. O resultado do trabalho dos professores tem sido péssimo, haja visto como saem os estudantes das escolas: um bando de ignorantes. Se avaliamos um produto pelo bem que nos faz, é certo que os professores devam ser analisados pelos resultados de seus trabalhos. Há algo muito errado e é sobre eles que recai a responsabilidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

GENERAL AUGUSTO HELENO CRITICA STF

Ex-comandante na Amazônia e das tropas brasileiras da ONU no Haiti, o general da reserva Augusto Heleno, respeitadíssimo entre militares e também entre muitos civis que, como eu, o acompanha, divulgou texto contra a soltura de presos condenados pela Lava Jato.

"Transmitem à Nação uma lamentável insegurança jurídica"

Segue a íntegra:
Será que os doutos Ministros do STF avaliam o mal que têm causado ao país? Ou o Olimpo em que vivem os afasta totalmente da consciência nacional? Façam uma pesquisa para avaliar o que a população honesta pensa, hoje, da instituição em que militam. Vossas Exas votam calcados em saber jurídico? Não parece. Para a imensa maioria, fingem fazê-lo. Em votos prolixos e tardios, dão vazão a imensuráveis vaidades, a desavenças pessoais e a discutíveis convicções ideológicas. Hoje, transmitem à Nação , alarmada pela criminalidade e corrupção que se alastram, uma lamentável insegurança jurídica e uma frustrante certeza da impunidade. Passam a sensação de que o Brasil, com esse Tribunal, não tem nenhuma chance de sair do buraco; e colocam em sério risco nossa combalida e vilipendiada “democracia”. Sabemos que são professores de Deus e lhes pedimos,apenas, que desçam do pedestal e coloquem o Brasil acima de tudo.
Gen Ref Augusto Heleno Pereira

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Por que os homens são responsáveis por 95% dos homicídios no mundo?

Por que os homens são responsáveis por 95% dos homicídios no mundo?


Homem com uma armaDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA concentração de assassinatos cometidos por homens jovens é uma constante nos estudos do crime, afirma o professor da Universidade de Cambridge, Lawrence Sherman
A violência é predominantemente cometida por homens jovens no mundo inteiro.
Estudo sobre homicídios feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e publicado em 2014 aponta que 95% dos assassinos no mundo são homens. Eles também são a maioria das vítimas de mortes violentas.
Mas por que as mulheres, que representam pouco mais de 50% da população mundial, cometem muito menos homicídios que os homens?
Acadêmicos há anos tentam buscar respostas para essa pergunta. Os achados empíricos variam e as explicações vão desde testosterona a diferentes tipos de socialização.
Policiais em Nova York atuam numa cena de crimeDireito de imagemAP
Image captionUma a cada sete vítimas de homicídios em todo o mundo é jovem entre 15 e 29 anos de idade das Américas
Caron Gentry, professora da Universidade de St Andrews (Escócia) e especialista em terrorismo e gênero, afirma que é preciso de mais informação qualitativa para compreender o que está por trás das estatísticas.
Entrevistas com mulheres que tenham cometido homicídios, diz a pesquisadora, e análise das circunstâncias das vidas dessas mulheres podem ajudar a entender o que acontece.
"Eu me pergunto se há dados que não estão visíveis. Será que não se prende muitas mulheres justamente porque pensamos que elas não são capazes [de matar] ou porque os seus atos violentos são registrados de forma diferente?", questiona a pesquisadora, em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Corpo em necrotério da GuatemalaDireito de imagemAFP/GETTY IMAGES
Image captionCerca de 80% das vítimas de homicídio também são homens, de acordo com a ONU

Assassinos e vítimas

Os números do estudo da UNODC não variam significamente entre países nem entre regiões, independentemente do tipo de arma usada ou homicídio.
"Homicídio é principalmente um problema de homens, não apenas em termos de autores, mas também das vítimas, a maioria delas envolvendo jovens menores de 30 anos", afirma Enrico Bisogno, chefe da unidade de desenvolvimento de dados da UNODC.
Relatório divulgado em março deste ano pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas sobre a evolução da criminalidade em todo o mundo indicou que cerca de 80% das vítimas de homicídio em todo o mundo também são homens.
De acordo com Bisogno, assassinatos em espaços públicos são geralmente cometidos por homens contra homens. Já na esfera doméstica, na maioria dos casos as vítimas são mulheres assassinadas por seus parceiros, ex-parceiros ou familiares.
"Enquanto homens são mortos por alguém que não conhecem, quase metade de todas as mulheres mortas são vítimas de pessoas mais próximas a elas", diz a UNODC.
Faca usada por James Fairweather, que matou duas pessoas na InglaterraDireito de imagemPOLICÍA DE ESSEX/PA
Image captionFaca usada por James Fairweather para matar dois desconhecidos em Essex, na Inglaterra, em 2014; estudos indicam que geralmente homens são mortos por desconhecidos

Enigma constante

Homens figurando entre a maioria absoluta das vítimas e assassinos é uma das constantes mais fortes da criminologia, diz o diretor do Instituto de Criminologia da Universidade de Cambridge, Lawrence Sherman.
Para reforçar que não se trata de uma tendência atual, Sherman cita as conclusões do historiador urbano americano Eric Monkkonnen, considerado uma autoridade sobre a história do crime.
Monkkonnen analisou ​​minuciosamente as estatísticas de homicídios em grandes cidades como Nova York e Londres. Entre 1719 e 1856, 85% dos assassinos identificados na capital inglesa eram homens. Em Nova York, foram 93% de agressores do sexo masculino quando analisadas mortes cometidas entre 1797 e 1875.
Os números de Nova York também falam muito sobre o perfil das vítimas. Em dois séculos, entre 1800 e 1999, 82,1% das pessoas assassinadas também eram homens.
Embora existam evidências de que os homens matam e morrem mais que as mulheres, as razões pelas quais isso acontece ainda podem ser consideradas um enigma a ser desvendado.
Um revólverDireito de imagemNYPD/AP
Image captionEsta foi a arma que a polícia de Nova York acredita que tenha sido usada pelo homem que matou os agentes Wenjian Liu e Rafael Ramos em 2014, no bairro de Brooklyn em Nova York. Segundo a UNODC, as armas de fogo são as mais utilizadas em homicídios
Os pesquisadores indicam que as razões podem dizer respeito aos papéis do homem e da mulher em certas sociedades, o consumo de álcool, o acesso a armas de fogo, e a tendência masculina a participar de quadrilhas e atividades do crime organizado.
Segundo a UNODC, "o consumo de álcool e drogas ilícitas aumenta o risco de cometer um homicídio. Em alguns países, mais da metade dos homicidas atuaram sob influência de álcool".
"As armas de fogo são as mais utilizadas em homicídios e causam quatro em cada dez homicídios em nível mundial, enquanto um quarto das vítimas são assassinadas com facas e objetos cortantes."

A tese da testosterona

Psicólogos como Martin Daly e Margo Wilson, autores de Homicide: Foundations of Human Behavior ("Homicídio: Fundamentos do Comportamento Humano"), exploram uma "psicologia biológica evolutiva do homicídio que leva em consideração as diferenças de gênero", segundo Sherman.
Entre essas diferenças, estariam as biológicas subjacentes, incluindo a testosterona.
Oscar PistoriusDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEm julho, o ex-atleta paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius foi condenado a seis anos de prisão pelo assassinato de sua noiva, a modelo Reeva Steenkamp, em fevereiro de 2013. Ele sempre afirmou que a confundiou com um ladrão.
De acordo com Pueyo, a testosterona tem uma relação direta com a competitividade "e às vezes a violência é o último passo da competitividade".
"O tipo de assassinato mais frequente entre os homens é o que acontece em meio a uma briga, no contexto de ócio ou de grupos que competem entre si em termos de delinquência", diz.
Policía e torcedores em um estádioDireito de imagemAP
Image captionA final da copa europeia de 1985 é lembrada como uma das piores tragédias em um estádio. Hooligans ingleses iniciaram a violência e 39 pessoas morreram esmagadas pela multidão de pessoas que tentavam fugir. Alguns especialistas acreditam que a testosterona influencia na violência entre os homens, outros a consideram um fator irrelevante.
Apesar da péssima reputação ligada à violência, alguns estudos indicam que a influência da testosterona depende muito do contexto.
Por exemplo, um estudo de 2009 da Universidade de Zurique e da Royal Holloway London, publicado na revista Nature,apontou que o hormônio aumenta a importância dada ao status, o que para algumas espécies de animais pode significar agressividade. Mas para a espécie humana, não necessariamente.
No experimento, 120 voluntários receberam uma dose de testosterona ou de um placebo antes de iniciar negociações com a liberdade de fazer ofertas justas ou injustas. A expectativa era de que os que receberam testosterona se comportassem de maneira mais agressiva. Na verdade, eles fizeram propostas mais justas para reduzir ao máximo o risco de rejeição.
Antonio Andrés Pueyo, professor de Psicologia e Criminologia da Universidade de Barcelona, concorda que a testosterona pode ter certa influência, mas não de maneira determinante.
"A testosterona parece explicar em parte, porque a maioria dos assassinatos são cometidos por homens jovens. Mas em outros casos, como por exemplo os assassinatos de companheiros, pesam outros fatores não tão biológicos", diz.

O papel da sociedade

E ele não é o único. O professor Sherman, na Inglaterra, afirma que existem fatores culturais, sociais e políticos correlacionados que incidem na imensa diferença nas taxas de homicídios cometidos por homens e mulheres.
Para a professora de Sociologia da Universidade de Harvard, Jocelyn Viterna, a socialização é um fator importante.
"Várias pesquisas sociológicas demonstram que os meninos e os homens são socialmente recompensados por serem fisicamente fortes e dominantes, e socialmente ridicularizados se demonstram fragilidade ou submissão", explica à BBC Mundo a professora de Harvard.
"As mulheres, por outro lado, são favorecidas socialmente por seu comportamento tranquilo, subordinado e pacífico. Há homens e mulheres que vivem para satisfazer essas expectativas."
Um menino segura uma arma de brincadeiraDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA socialização de gênero é iniciada na infância tem uma papel chave em nossos comportamentos como adulos.
"A diferença impressionante de gênero nas taxas de homicídio é, de um ponto de vista sociológico, claramente enraizado na socialização de gênero. Isso está arraigado em nossa sociedade."
Para Gentry, co-autora, com Laura Sjoberg, do livro Mothers, Monsters, Whores: Women's Violence in Global Politics ("Mães, Monstros, Putas: A violência contra as mulheres na política global"), as razões que explicam por que há uma quantidade maior de assassinos homens do que mulheres têm raízes sociais e culturais e não tanto biológicas.
"As mulheres na maioria das sociedades, se não em todas as sociedades, não têm acesso igualitário ao poder. Talvez tenham acesso a armas, mas não necessariamente ao poder e à dinâmica social que lhes dão a habilidade de cometer um assassinato."
Duas meninas brincandoDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionComo sociedade, diz Caron Gentry, "presumimos que as mulheres são mais pacíficas, mais gentis, mais predispostas a criar, educar".

Quando as mulheres matam

Ao falar da pesonalidade de um homicida, explica Pueyo, há dois fatores chave: sua atitude em relação à violência e sua impulsividade ou temperamento.
Ambos elementos ocorrem indiscriminadamente em homens e mulheres, "quando a pessoa o faz por vingança, ciúme, inveja ou qualquer outro motivo que acredita que justifique o homicídio", diz Gentry.
É assim que mulheres e homens podem mostrar a mesma crueldade.
"Presumimos que as mulheres são mais pacíficas, mais gentis, mais dispostas a criar, educar e (como sociedade) não sabemos como reagir quando não é assim, mas as mulheres têm estado envolvidas em genocídios, as mulheres estupram, cometem atos de terrorismo, torturam", diz Gentry.
Una mujer con un arma
Em muitos casos, as mulheres matam para se defender ou proteger seus filhos.
No entanto, se nos concentrarmos nos infanticídios veremos que o equilíbrio do gênero dos assassinos muda, diz Pueyo. "As mulheres cometem mais infanticídios, especialmente o de bebês, do que os homens. Parece fácil a explicação: a maior responsabilidade pelo cuidado é delas."
Ao analisar os casos das mulheres que mataram seus filhos, algumas tendências são observadas.
"Se as crianças são muito pequenas, menores de dois anos, geralmente as razões que as levam a matar são sociais. Por exemplo: não querem que se saiba que engravidaram ou não sabem o que fazer com o filho", diz o professor.
Na análise Child murder by mothers: patterns and prevention ("Assassinatos de crianças por mães: padrões e prevenção", em português), da Associação Mundial de Psiquiatria, os psiquiatras Susan Hatters e Phillip Resnick explicam que em muitos filicídios - quando uma mãe ou um pai mata o próprio filho - as mães falam em "motivos altruístas". Muitas dessas mulheres têm transtornos mentais.
Os neonaticídios acontecem quando o bebê é assassinado nas suas primeiras horas de vida e em quase todos os casos são cometidos por "mães jovens, solteiras, que não desejavam engravidar e não receberam cuidados pré-natais".
Um soldado carrega um bebêDireito de imagemAFP
Image captionEn 2004, homens e mulheres mascarados, alguns deles com cinturões de explosivos, invadiram uma escola na cidade russa de Berlan, abriram fogo e tomaram mil pessoas como reféns. Três dias depois, o sequestro terminou em massacre: 331 pessoas morreram, 186 delas crianças. A foto acima mostra o resgate.
Mas seria presunçoso tomar conclusões determinantes sobre os motivos pelos quais os homens cometem mais homicídios do que as mulheres porque, como advertem os especialistas, cada homicídio corresponde a uma situação específica que é influenciada por vários fatores.
"Mulheres terroristas são raras, mas existem. Homens que matam bebês são raros, mas existem. Nenhum comportamento relacionado a homicídio é exclusivo de um gênero", diz Pueyo.