O "rouba"
Em se tratando de corrupção é um tipo de crime não objetivo, não está claro, tampouco atinge diretamente o cidadão, segundo sua própria visão. Não foi da sua conta bancária, nem da sua prateleira e nem da sua carteira que o dinheiro foi desviado. É algo distante. Sua situação de trabalho e família não foi alterada a ponto de ele se insurgir. A falta de remédio sempre existiu, o atraso na consulta médica sempre existiu, buracos nas ruas sempre existiram. São problemas do Brasil, não deste ou daquele município ou desta ou daquela administração.
O "mas faz"
Totalmente inverso do caso anterior o ''faz'' é objetivo. Está diante dos olhos, pisa-se nele. A fachada da escola, o posto de saúde, o asfalto, o parque, os aparelhos de ginástica... são coisas, estão materializadas. É mais simples de avaliar quando se pode estender a mão e tocar. Se a obra está superfaturada, se teve desvios de dinheiro ou se o material não foi exatamente o correto não será claro para o usuário. Afinal, sempre foram feitos remendos depois...
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| Paulo Maluf, ícone do "rouba, mas faz", foi candidato à Presidência da República (1985) |
Segundo São Tomás de Aguino o bem só é de fato bom se o for em sua concepção, em seus meios e em seu fim.
Eu sei que a corrupção tira o remédio do posto de saúde, torna o asfalto mais fino e faz a briga pelo poder ser focada em projetos pessoais. E o eleitor percebe a dimensão disso?
Mas foi sempre assim!

Salvaro é como o Cadinho da novela, enquanto tiver o bem material ninguém liga pro imoral.
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