terça-feira, 13 de dezembro de 2011

É PAPEL DO EMPRESÁRIO


Hoje pela manhã fui ao lançamento da 14ª edição do Sul In Moda, rodada de negócios que será realizada pelo Núcleo da Moda da Amrec, nos dias 9 e 10 de janeiro de 2012, no Siso’s Hall. Como conheço relativamente bem os meandros do arranjo produtivo no qual as confecções estão inseridas, atrevo-me fazer uma observação. Quando nasci meus pais começaram um comércio de tecidos em Porto Alegre. Aos meus 10 anos iniciaram uma confecção e ainda hoje, aos 75 anos, minha mãe tem suas máquinas de costura. Logo no início da confecção, em Jaguaruna, minha mãe ia na Fenit, o maior evento de moda da América Latina na época. Também fui chefe de produção numa estamparia.
Crescimento econômico sempre foi um desafio para qualquer governo. Mas qual a parte do governo, qual a do empresário e qual a do trabalhador? Neste artigo quero abordar apenas parte do papel do empresário.
É comum ouvirmos todo o tipo de reclamação quanto às parcas iniciativas dos poderes executivos para que haja crescimento econômico, geração de empregos e, assim, o padrão de vida de todos possa melhorar. Porém, há limites de toda ordem para cada um dos agentes, além das iniciativas peculiares.
No encontro de hoje conversei com o empresário Guilherme Dagostin Baldessar, cuja família tem as marcas Disparô, na linha de moda festa, vestidos de festa, com pronta entrega num preço popular, e Dolce Romance, na mesma linha de festa, porém para seus representantes atuarem, com maior valor agregado. É esta marca que costuma levar para a rodada de negócios. Seu caso é emblemático.
Sua família começou na confecção em 1989 com moda básica, focados no varejo, e permaneceram trabalhando produtos com preço popular até 2001. A partir desse ano sua produção ficou menor, voltada apenas para suas três lojas com outras marcas. Eles tinham a sensação de que precisavam mudar para crescerem, mas sem saber o que e como.
Segundo o consultor do Sebrae, Eugênio Martinez, “os empresários sabem que precisam mudar, mas não sabem o que fazer. Muitos nem querem mudar por que estão acomodados copiando o que as grandes marcas fazem”. O consultor, que vive diariamente o desafio de fazer os empresários saírem do círculo vicioso em que se encontram, atesta o que também percebi quando atuei na Associação de Micro e Pequenas Empresas (AMPE), que a visão dos confeccionistas é muito estreita, ligada diretamente à sua baixa escolaridade e não têm consciência do quanto o cooperativismo faz diferença positiva. “As novas gerações, que passaram por uma faculdade, tem outra visão, bem mais ampla” disse Martinez.
A empresa de Baldessar teve no cooperativismo, através do Núcleo da Moda, o acesso a consultoria por um custo muito menor se pagasse sozinha. A parceria com outros empresários do mesmo ramo rendeu excelentes frutos como atualização constante, a possibilidade de concorrer com grandes marcas, propiciou visão melhor de mercado, vistas técnicas e até mesmo mudança na estrutura e funcionamento da fábrica.
Mas o salto foi a partir de 2009 quando decidiram por entrar no seguimento de roupas de festa. Essa mudança se deu por conta da consultoria, pois fez ver que havia uma carência no mercado. "Nos últimos dois anos temos crescido mais que todos os outros anos", disse Guilherme. O avanço é tal que ampliaram fábrica, trocaram maquinários, aderindo aos eletrônicos, e fizeram treinamentos de funcionários. Hoje a família tem lojas para vender no atacado no Portal Shopping (Maracajá), Master Shopping (Brusque) e em março de 2012 abre em São José do Rio Preto (SP). O avanço sobre o Estado de São Paulo deve-se a pesquisa de mercado fornecida pela rede de shoppings Litoral Sul. Num raio de 500 quilômetros têm mais clientes em potencial que o dobro de Rio Grande do Sul e Santa Catarina juntos, por exemplo.
É uma mudança de paradigmas, rompimento com vícios e assimilação do novo. Esta parte não há governo ou Sebrae que faça pelo empresário. E ouso dizer que boa parte das dificuldades da região de Criciúma se dá por conta da dificuldade do empresariado de perceber que o mundo mudou, que há novas tecnologias e, principalmente, a forma de gestão do seu empreendimento, caso queira crescer, precisa ser atualizada. Há muitas ferramentas de gestão que, empresários de longa data, acreditam ser “bobagem de faculdade” e resistem de forma a trazer sobre si mesmos enormes dificuldades.
É papel do empresário desejar o novo, reciclar suas ideias e não se acomodar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A ESCRITA E A MENSAGEM

A escrita é um desenvolvimento humano. Começou com o que se denominou escrita pictórica ou hieroglífica há cerca de 6 mil anos. Veio a escrita cuneiforme dos Sumérios até o alfabeto dos fenícios, com 22 caracteres. Esse processo durou 2,5 mil anos. Isso não foi um 'presente' de Deus para facilitar sua comunicação com os homens. Foi um parto dificílimo. Como posso, então, achar que Ele tenha interesse em livros sagrados? Ou que seja ‘autor’ de algum?

Supor que Ele tenha enviado sua mensagem através de textos, seja Bíblia, seja Alcorão, é lançar fora dessa comunicação todo e qualquer povo ou indivíduo que esteja inacessível. Sim, além das pessoas que não poderiam ter acesso aos textos porque, simplesmente, nasceram antes, há aqueles que não sabem lê-lo e, mais ainda, os que estavam distantes, noutros continentes. No cristianismo a coisa é pior que no Islã, pois apenas uns raros não dependem de traduções.

Qual seria a forma mais ‘humanizada’ para que Deus se comunicasse conosco? Bem, parto do princípio de que Ele queira dizer alguma coisa para os homens. É natural pensarmos que Deus entenda nossas limitações e dentro das nossas possibilidades diga algo inteligível. É a partir da nossa capacidade de entender que ele trataria de dizer alguma coisa.

A julgar pelas divergências de concepções sobre ele, dado o surgimento de nichos de fé (locais onde uma fé se propagada a despeito de outras existirem e torna-se quase única) e as mudanças ao longo da história humana, notadamente o fim de sacrifício humanos em rituais, creio que essa comunicação esteja com problemas. Digo ‘problemas’, quando dizer inexistente parece fazer mais sentido. Tal a forma como surgiu a escrita que, por livros, Ele realmente não se comunica conosco. Como surgiu não podemos dizer que é coisa planejada por Ele. Ou como imaginaríamos a escrita como outorga divina senão como a mesma em todas as culturas? A diversidade mostra que Dele não veio.

O Divino poderia ter colocado sua mensagem diretamente em nossas mentes. Mas aí voltamos à diversidade de concepções a seu respeito. A quase unanimidade entre as crenças restringe-se a Ele existir, mas longe pode-se identificar mais que isso. Se ele deixou uma mensagem, não foi escrita, tampouco nas consciências.

Bem, nada resta senão afirmar que não há qualquer comunicação entre Deus e a humanidade, principalmente de forma escrita. Isso significa dizer que as religiões e seus deuses são devaneio humano e que ainda não descobrimos como é nossa relação com ele, se é que existe relação.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O RACHA ENTRE OS SALVARO (Atualizado)

O que levou a cisão entre Henrique Salvaro e seu sobrinho/prefeito Clésio Salvaro? Décadas de parcerias e a ascensão ao poder máximo do município de Criciúma?

Várias versões vieram à baila quando Henrique Salvaro e o sobrinho Clésio romperam relações. A primeira que soube foi de caminhos políticos diferentes, concepções sobre a condução da prefeitura que não estariam de acordo com a visão do tio e coisas dessa linha. Depois ouvi que era um jogo para estarem no poder seja lá qual for o resultado das urnas em 2012 com vistas a 2014.

Faz umas semanas o próprio Clésio disse, num bate-papo no café do Della, que o racha tinha se dado por causa dos bens da família, do patrimônio das empresas, e que isso era normal. Citou vários casos de famílias tradicionais de Criciúma que estariam em pé de guerra por causa de heranças etc.
Pois o assunto ficou remoendo meus neurônios e aproveitei uma oportunidade para questionar esse assunto de alguém absolutamente próximo ao HS. Um cara ombro a ombro, por assim dizer. Sua versão, muito complexa e significativa, é assustadora.

É sabido que o esquema de apadrinhamento dos políticos contrata pessoas-chave para trabalhar como cabos eleitorais muito antes de qualquer campanha. Há quem sustente pessoas por quatro anos com cestas básicas etc. Com o Clésio parece não ter sido diferente. Cabos eleitorais teriam sido contratados muitos meses antes das eleições somando algo na casa dos 100 mil reais por mês, patrocinados pelas empresas do tio Henrique. Acontece que parte do dinheiro teria sido desviado de sua finalidade, coisa da ordem de 50%.

Como de burro o tio não tem absolutamente nada, algo lhe chama a atenção e fez sua investigação. Finda as eleições para prefeito um aliado, que estaria administrando o esquema de campanha a mando de CS, teria inaugurado uma super casa no Balneário Rincão, incompatível com seus proventos... Dado o ‘start’ da desconfiança. Essa informação foi confirmada, hoje (21/03/12), de forma transversa, quando eu soube que o sobrinho está proibido de por os pés na rádio Eldorado (a minha fonte é inequívoca). Essa situação coloca o veículo num dilema por ser ano eleitoral. Se Clésio for mesmo candidato, livrando-se da Ficha Limpa, terá que ter obrigatoriamente os mesmos espaços jornalísticos que os demais postulantes à prefeitura. Como isso se dará saberemos em breve.

E por que o tio não processou o sobrinho? Ora, esse dinheiro não foi, nem jamais será, contabilizado. Qualquer processo levaria à apresentação de documentos, base de qualquer ação judicial. Não há como colocar tal esquema sob os olhares da Justiça e o todo-poderoso Henrique Salvaro teve que amargar em silêncio todo o prejuízo. Em sendo verdade, coisa que não poderemos saber com absoluta certeza, eis um provável perfil do atual prefeito de Criciúma.

sábado, 12 de novembro de 2011

POSSÍVEIS ORIGENS DAS DESIGUALDADES SOCIAIS (1)

Quem não conhece a origem ou processo de um problema jamais chegará na sua solução. No caso específico das desigualdades sociais, ou níveis de ocupação pessoal na escala social, ou seja lá o nome que queiram dar, o que se vê é muito palpite, poucas opiniões e menos ainda o entendimento claro do que é possível fazer.

Não cabe a mim apontar as soluções como se fosse capaz. Não sou porque tenho como certo que não há solução. Porém, neste texto tento, de forma simples e até superficial, apontar para as possíveis origens das desigualdades sociais que, nos discursos permeados de ira e burrice, aparece o tal do capitalismo selvagem como pai. Somente a desinformação e até a mais absoluta safadeza podem pensar dessa forma. Vejamos então a que ponto podemos chegar no tempo e espaço.

Ao retroagirmos no tempo, simplificando as nossas relações para antes da energia elétrica, antes da imprensa, antes da ideia de república, das primeiras noções de política, para antes da escrita... enfim, chegaremos ao tempo em que éramos pequenos grupos em deslocamentos atrás de comida. Está claro que as primeiras organizações sociais, portanto as primeiras vilas, estão no tempo dos Sumérios, há cerca de 6.000 anos, onde hoje temos o Iraque e Kuwait. Ali iniciou-se, por conta dos primeiros ajuntamentos humanos, o fim do nomadismo, a necessidade de registros e por conseguinte a escrita. Em algumas descobertas recentes arqueólogos apontam para o Egito também, Mas nada que seja anterior a esta época. Tampouco podemos ter datas exatas, ou quem seja de fato o primeiro.

O comércio, na forma de escambo, é mais antigo. A moeda era o produto produzido além da necessidade do grupo, em geral familiar, patriarcal. Animais, peles, utensílios de barro, algum produto agrícola faziam a vida numa época impossível para quem vive hoje. Podemos imaginar que esses povos, as diversas famílias que afluíam para junto das maiores, geraram cada vez mais a necessidade de alimentos, já que boa parte do grupo ficava circunscrita à vila, também pela segurança.

Aquela região, entre os rios Tigre e Eufrates, vivia de ciclos naturais de chuva e seca. As inundações faziam o calendário com o degelo das montanhas da Armênia (hoje). Assim, havia meses de fartura e meses de penúria. A liderança do grupo tinha que tomar alguma ação para melhorar a condição do grupo que tendia a permanecer num local e esquecer de vez a vida nômade. Apesar que os grupos nômades não desapareceram ainda hoje, muito menos naquele tempo. As vilas constituídas, e passando por elas, para todo o tipo de negócio, os povos da região. Desde a Índia ao Norte da África, dos Bálcãs aos povos do mar Adriático, dos montes Urais ao Golfo Pérsico. Nesse contexto temos a palestina como o grande corredor. Assim formava o mais antigo circuito comercial de que se tem registro, tendo como centro o que viria a se tornar o Império Babilônico, com seu Crescente Fértil, a Pérsia e as tantas ocupações que vieram e que não serão alvo desse arrazoado.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

AS CONTAS DE CAMPANHA DE SALVARO (Atualizado)

No dia 15 de outubro de 2011 ouvi, juntamente com os petistas Cunha e Luiz Dal Farra, o prefeito Clésio Salvaro afirmar que uma campanha modesta para prefeito gastaria 2,5 milhões de reais. Isso mesmo: modesta. Por outro lado sua prestação de contas, publicada na imprensa local, consta que gastou 650 mil reais na eleição de 2008, se não me falha a memória. Campanha modesta por certo. Nessa eleição, de 2012, Salvaro declarou que gastou R$ 526.599,51, conforme site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um caixa dois na campanha de Salvaro foi aventado num processo judicial. Porém, arquivado porque as provas de acusação foram insustentáveis, fracas, inconclusivas como demonstra o TER/SC (http://www.tre-sc.gov.br/site/fileadmin/arquivos/legjurisp/acordaos/2009/23521_.pdf). Ou seja, nada foi provado. Porém, segundo o Acórdão, mencionando o artigo 18 do Código de Processo Penal, se a autoridade policial souber de novas provas poderá reabrir o inquérito. Seria a fala do próprio Clésio Salvaro uma prova?

Diante de uma afirmação tão objetiva do que seria o custo de campanha de quem almeja a cadeira de prefeito de Criciúma, não há como negar que, no mínimo, levanta uma suspeita. Como alguém com a vasta experiência de, pelo menos, seis campanhas, poderia afirmar coisa tão absurda? Absurda se os 650 mil são verdadeiros. Salvaro passou por duas campanhas para vereador, três para deputado estadual e uma para prefeito. Além disso, atuou intensamente em campanhas de cooperativas da região em todo esse tempo. Conhecimento de causa não lhe falta.

Enfim, a Justiça deve ser provocada para agir. Sem os tais “autos” nada poderá julgar. Neste caso, fica o desafio das provas que jamais surgirão e a política continuará como dantes.

Nesta mesma linha fica claro que o financiamento público de campanha não eliminará o financiamento privado, pois este corre à margem da Lei, à margem da fiscalização, sem rastros, sem provas, com a proteção dos envolvidos e beneficiados.

sábado, 8 de outubro de 2011

HOMOSSEXUALISMO NAS FORÇAS ARMADAS

Reproduzo o texto de Ricardo Montedo por considerá-lo absolutamente equilibrado.

Alguns militares não aprendem nunca! A maioria dos altos coturnos já entendeu há muito tempo que a verdade deve ser relativizada, preferencialmente dando-se a ela uma maquilagem que agrade ao chefe de plantão ou, se necessário for, mentir com a maior cara-de-pau. Só assim se obtém sucesso junto aos mandantes da hora, que gostam de escutar apenas o que lhes é agradável aos ouvidos.

Nas Forças Armadas, carreiras às dúzias tem sido construídas assim; militares às pencas sobem na profissão abrindo mão da verdade e da franqueza, sinais inequívocos da mais pura lealdade, em prol de alguns pontos a mais na ficha de conceito. Espinhas dobráveis são vistas por muitos como equipamentos básicos para o sucesso na carreira. Assim, fala-se o que o chefe quer ouvir e não o que a consciência e o dever profissional exigem que seja dito. Notem que não estou falando da disciplina consciente, aquela que obriga todo militar a seguir a decisão tomada pelo superior, mesmo discordando. Refiro-me às instâncias de discussão que devem ser percorridas antes da deliberação final.

Feito o intróito, volto à frase inicial: alguns militares não aprendem nunca! É o caso do General Cerqueira, indicado por Lula para o cargo de Ministro do STM. Pois não é que, durante a sabatina de praxe na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (cujos membros demonstraram no episódio muito mais presteza e fervor cívico do que no questionamento do notório saber jurídico do atual Ministro do STF, Dias Toffoli), ao ser instado a dar sua opinião sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas, o general ousou ser sincero?!?!

Da Agência Senado: “A vida militar se reveste de determinadas características, de tipo de atividade, inclusive em combate, que pode não se ajustar ao comportamento desse indivíduo. A maior parte dos Exércitos do mundo não admite. Não é que o indivíduo seja um criminoso. Não sou contra o indivíduo ser [homossexual], cada um toma sua decisão. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar - acrescentou Raymundo Nonato, para quem o homossexual comprovadamente não consegue comandar a tropa.”

Pronto! Caiu o mundo na cabeça do pobre general! A patrulha caiu de pau em cima de suas declarações, desvirtuou-as num piscar de olhos, aplicou-lhe a pecha de homofóbico, exigiu, via Eduardo Calcinha Vermelha Suplicy, uma retratação por escrito e... pimba! Criou-se artificialmente uma área de atrito, destinada, mais uma vez, a tentar desacreditar as instituições fardadas junto à opinião pública, algo que as esquerdas vêm perseguindo, sem sucesso, há muito tempo.

As Forças Armadas tem em suas fileiras representantes de todo o extrato social tupiniquim, de A à Z. A caserna proporciona possibilidades de ascensão profissional e social como nenhuma outra instituição consegue. Um recruta semi-analfabeto, com inteligência, perseverança e vontade suficientes, poderá chegar ao generalato, se souber aproveitar as oportunidades que surgirem à sua frente. E isso é um fato e não conversa pra boi dormir!

Sendo uma amostragem muito aproximada do brasileiro médio, não é de estranhar que os cidadãos fardados pensem de forma semelhante aos civis sobre a maioria dos assuntos e o homossexualismo é apenas um deles.

De há muito foram suprimidos da legislação castrense as citações à “pederastia”. Porém, uma simples alteração na letra da lei não transforma um sentimento arraigado desde sempre na sociedade e, por consequência, nos quartéis.

Nas quase três décadas em que servi ao Exército, convivi com diversos companheiros homossexuais, muitos deles profissionais exemplares, cumpridores de suas obrigações. Sua postura e competência inibiam, no mais das vezes, a segregação ostensiva por parte da maioria. Embora o preconceito latente, os militares gays convivem civilizadamente com seus colegas, na maior parte dos casos.

A discriminação se exacerba quando entra em cena a promiscuidade. O assédio a colegas de farda, as relações sexuais dentro dos quartéis, estes sim, são fatores que causam sérios problemas, geram falta de respeito, fomentam a indisciplina.

O assédio sexual é praticado na caserna por oficiais e graduados que, aproveitando-se da função, tentam seduzir os subordinados. É um procedimento nefasto, danoso à moral, à ética, ao pundonor militar e como tal deve ser abordado, sejam seus autores hetero ou homossexuais. Ponto. Essa é a visão das instituições militares, mas não de seus integrantes.

É evidente que, mercê do preconceito e apesar da isonomia legal, o tratamento da questão não é linear ou simples. No meio militar se aceita com certa naturalidade o cerco de um superior a uma subordinada, mas reage-se com indignação quando ambos são do mesmo sexo. Tal atitude reflete a realidade do mundo civil, acrescida e agravada pelas características específicas da profissão militar, que envolve aspectos como virilidade, coragem física, convivência íntima em confinamentos prolongados, etc.

Em suma, não se pode cobrar dos integrantes das Forças Armadas uma postura que é inversa ao que pensa a maioria da sociedade, por mais que se negue. Mudem-se os conceitos, cultive-se o respeito à dignidade humana, estimule-se a salutar convivência entre pessoas de orientação sexual diferente e isso se refletirá atrás dos muros dos quartéis.

Porém, o repúdio à promiscuidade e aos desregramentos de toda ordem continuarão sendo, como devem ser, características das instituições militares, sem as quais a classe fardada perderia muito de seu valor perante a sociedade.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

UM TEXTO HONESTO DE UMA MULHER SOBRE TRAIÇÃO


Depois de ler a listagem de motivos da traição masculina citados por Arnaldo Jabor, resolvi, eu, uma mulher entre tantas, escrever aos homens revelações sobre a traição feminina.
Sei que não estarei relatando uma opinião unicamente minha, pois converso com outras mulheres e partilhamos de ideias semelhantes.
Primeiro: A mulher comprometida, diferente do homem, demora mais a começar a trair. Um dos motivos é o amor que sente pelo namorado, noivo, marido, o que for. Outro motivo é “o que os outros vão pensar?”. É, a sociedade, mulher também é racional, apesar de vocês acharem que vivemos sob a influência de hormônios, mas somos sim racionais (em alguns dias do mês) e, quando racionalizamos, levamos vantagem, somos melhores estrategistas!
As que têm filhos demoram ainda mais para trair, pensam nos filhos, em como “isso” poderá afeta-los, na verdade, pensam mais nos filhos do que nos cônjuges, afinal, marido não é parente!
Segundo: É bem verdade que traímos nossos homens, com homens pelos quais sentimos alguma admiração, como professores (esses são ótimos), homens mais velhos (o que eles sabem?), homens casados (por que a fulana casou com ele?) e também têm aquelas que gostam dos novinhos (para dar umas aulinhas e se sentir uma loba dominadora).
Mas, também traímos pelo sexo, (pasmem! homens!). Traímos pelo prazer da carne. Mulheres, também, gostam de sexo, e aí estái o erro do homem comprometido, mas disso falo depois.
Pairam em nossas fantasias os mais diversos fetiches: sentimos tesão pelos policiais (algemas...ui!), pelos bombeiros (apaga meu fogo!), o dentista, o médico, o músico, o segurança, o lutador, o personal...ufah!
Terceiro: Assim como o homem adora bunda grande, seios fartos e coxas grossas, nós, mulheres, adoramos uma barriga de tanquinho, braços fortes, coxas de ciclista, bumbum durinho, mãos grandes e um...você sabe!!!
Pois é, não é só um bom papo, vinho caro e bens materiais que levam uma mulher para a cama. Também somos fúteis nesse aspecto.
Quarto: Mulheres, também, gostam de selvagerias. É. Gostam sim. Bom, nem todas, sempre têm as “cu doce”, mas, se não quer ser corno, não espere sua esposa te dar as dicas de onde beijar, onde morder e mais importante, onde chupar!!!!
Se você não pegar ela de jeito, ela vai ser pegar por outro e, não pense que ela traiu porque está apaixonada por outro. Não, são os hormônios e eles são incontroláveis, até para nós. Somos como animais, entramos no cio.
Mas mesmo que ela sinta necessidade hormonal de te trair, perdoe-a, pois ela ainda te ama, afinal, assim como você, não pode controlar a natureza.
Quinto: com o advento da internet ficou mais fácil trair, tudo tem senha e nós até sabemos apagar cookies. Os chats são um prato cheio, entramos com Nicks bem distintos: Ksadinha_carente, Noiva-Safada, M_afimDeSacanagem, etc..., somos criativas, bom, homem não pode ver mulher entrando no chat, ainda melhor se for comprometida (menos chances de compromisso). Do chat pulamos para o msn, lá podemos ver fotos e até uns showzinhos na webcam. Se valer a pena, marcamos algo, sempre em horários fora de suspeita, de preferencia durante o dia, no intervalo do trabalho ou no horário da academia, ou ate matando uma aula de culinária.
Sexto: Mulher quando conhece um cara bom de cama, aquele que vira ela do avesso, gosta de manter as escapadelas com o mesmo gostosão por um bom tempo. Alguns duram anos, mas não porque estamos apaixonadas, mas sim porque gostamos de qualidade e, achar um homem que faz tudo na cama está difícil. A maioria são amadores e não falam o que gostamos de ouvir na hora “H” e não falo do “eu te amo”, ou “você é linda”, falo dos nomes sujos mesmo.
Então, acho que é isso, escreveria mais, mas acho que daria tudo de bandeja para os marmanjões, mas uma coisa vocês têm que saber: abram seus olhos, nós também traímos!

PS: Esse texto não é de minha autoria. Foi cedido, gentilmente, para publicação no Blog.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GOVERNOS E SUAS DÍVIDAS

A cada posse nos Executivos nos vemos diante da recorrente falação sobre dívidas. Um caso que chamou a atenção, pelo menos para mim, foi do prefeito de Içara, Gentil da Luz, que saiu aos quatro ventos esbravejando contra seu antecessor que “ele” teria que pagar suas dívidas. Mesmo no caso da presidente Dilma Roussef o assunto quicou nas colunas de jornais e comentários de toda ordem. O mesmo em se tratando de Raimundo Colombo. No caso desses dois últimos não haveria como reclamarem tal sua participação, ou no próprio governo, ou nas amarrações de campanha. A choradeira parece ser caso de oposição política, não de dívidas.
Porém, quero olhar numa outra direção.
Não conheço campanha em que o “endividador” não tenha se esforçado para, ou ganhar novamente, ou fazer seu sucessor. Então me parece óbvio que não foi tão irresponsável. Seria de receber todas as críticas e acusações se tivesse virado as costas e partido para férias ininterruptas. (Talvez observando a intensidade, o empenho, ou corpo-mole na campanha há de se notar um “foda-se o próximo”). Além disso, o sucessor, de partido adversário, entrou para resolver e pronto. Toda a reclamação é uma total bestialidade ou para posar de vítima.
Esse detalhe não é o ponto principal. O que vejo de mais importante na questão é que algo foi feito. Por exemplo, a construção de equipamentos públicos como escolas, creches e postos de saúde. Se a obra foi feita e não foi paga pelo executor não vejo no que ser condenado. Afinal, é o dinheiro público que paga, seja lá quem ocupou o cargo ou em que tempo. E tem mais. Como as decisões judiciais sobre dívidas demoram gerações, transformados em Precatórios, não há prefeito que não esteja pagando conta de muitas administrações anteriores e que não deixará para os vindouros. Os precatórios são gerados, inclusive, contra a vontade do Executivo, pois credores, ao questionarem na Justiça, forçam o processo a tramitar em todas as instâncias e se enrolarem em cálculos infindáveis de reajustes etc.
Indo um pouco mais além. É óbvio, para mim, que o que deve ser discutido não é se deixou ou não dívidas, mas como aplicou os recursos, se houve mesmo o gasto e se o Tribunal de Contas aprova a gestão. Passou por isso basta apenas fazer a parte mais fácil: pagar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BOEIRA X IDELI X VIGNATTI X MESCOLOTTO

Em recente manifestação do deputado federal do PT, Jorge Boeira, no meu Facebook, ficou claro o que todos sabemos: captação de recursos para campanhas eleitorais através do cargo de presidente da Eletrosul. Disse Boeira: “não aceitei o cargo de presidente da Eletrosul porque tinha a clara convicção que iria servir de arrecadador de campanha em função do cargo, coisa que não me presto e fere meus princípios.


O petista fez essa afirmação em meio ao meu questionamento sobre se sabia de maracutaias no Dnit, do Ministério dos Transportes. Ele negou que soubesse, mas disse o que reproduzi.

Entrevistado pelo jornalista Adelor Lessa na rádio Som Maior, Boeira foi além ao mencionar que havia divergências com a ex-senadora e atual ministra da Integração Nacional, Ideli Salvati, sem dizer quais. Divergências ainda mais profundas dela com Cláudio Vignatti, que concorreu ao senado nas eleições de 2010. Nesse mesmo pleito Ideli amargou a terceira posição na corrida para o governo do Estado de Santa Catarina.

Suas manifestações após a fragorosa derrota mostraram uma mulher movida pela paixão, mais que pela razão em função dos fatos. E sua rixa com Vignatti mostra seu lado vingativa.

Retroagindo no tempo, quando deputada estadual foi por mim alcunhada de ‘madame CPI’, tal sua fúria incontida por achar culpados de toda ordem. Um dos exemplos, que não sei no que deu, foi seu pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito por conta de viaturas da Polícia Civil, cujas placas estavam com as iniciais MDB. Sim, o governo de Pedro Ivo Campos havia comprado vários veículos e todos daquela leva vieram com essa placa. É evidente que o partido agiu para ‘marcar’ seus carros, mas instaurar uma CPI para isso me pareceu um exagero. Ora, se ficasse quietinha quem iria notar essa bobagem. Bem mais recente foi sua postura de ardorosa defensora do governo Lula, que hoje, mesmo com sua sucessora, vemos o quanto foi conivente com toda a sorte de desvios. E quentinha ainda a denúncia da revista IstoÉ sobre armações dela para manter um ‘suspeitável’ diretor do Dnit em Santa Catarina, o engenheiro João José dos Santos.

Boeira, de forma clara, mostra do que é feito o cargo de presidente da Eletrosul, ora ocupado pelo ex-marido da ministra, Eurides Mescolotto.

Há duas considerações sobre tudo isso. Primeiro, Ideli dá sinais claros de ter rasgado qualquer código de ética, principalmente do seu próprio partido e de seus contundentes discursos contra a ‘direita’ impiedosa. Segundo, o que o Partido dos Trabalhadores fará com isso? Abrirá mão de suas lutas apenas para jogar o jogo do poder?

Por mais distantes que possamos estar desses assuntos, eles atingem toda a sociedade. E você e eu fazemos parte dos efeitos, queiramos ou não.

domingo, 14 de agosto de 2011

LESSA X SALVARO


Na edição do dia 13 de agosto do corrente em A Tribuna, o colunista Adelor Lessa traz notícia que 30% dos precatórios da prefeitura de Criciúma são da gestão Clésio Salvaro, que assumiu o Paço em janeiro de 2009.
O caso é o seguinte. Precatório é uma dívida do poder público, superior a 60 salários mínimos, que tramitou em julgado e não cabe mais recurso. Ou seja, chegou na última instância do judiciário nacional. Por exemplo, a prefeitura deve para a Previdência, ou outro credor qualquer. Esse credor entra na Justiça, ou a própria prefeitura o faz por entender que há algum tipo de erro e estaria pagando valores maiores. Essa demanda vai para o Fórum da Comarca, dali vai para o Tribunal de Justiça, na capital, para depois seguir para Brasília. Vale lembrar que o poder público, seja qual for, tem obrigação legal de recorrer de qualquer sentença desfavorável até o Supremo. O prefeito que pagar uma ação judicial em decisão de Comarca incorre em descumprimento de Lei.
Quem tem um mínimo de conhecimento, ou mesmo de bom senso, saberá que esse processo levará, pelo menos, 10 anos. Isso mesmo, um mínimo de 10 anos. Então, como poderia ter precatórios do governo Salvaro?
Eu não tenho qualquer dúvida que a atual administração pública de Criciúma deixará precatórios para seus sucessores. Aposto, ainda, que se reeleito Salvaro não pagará um centavo se quer desse tipo de dívida surgida sob seu comando. Tudo dentro da maior ‘normalidade’ jurídica brasileira. Da mesma forma que ainda não são pagos precatórios da gestão de Anderlei Antonelli.
E por que Adelor Lessa daria uma informação equivocada dessas? Desinformação? Má intenção? Desafeto com o prefeito? Fonte errada? Não sei.
Por fim, devo dizer que não há aqui defesa de qualquer ação do atual prefeito. Não entrei no mérito das dívidas e não vou fazê-lo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

DO PRECONCEITO À VITÓRIA (breve relato de uma história breve do skate em Criciúma)

No início da década passada o skate ainda era marginal na região de Criciúma. A PM, a pedido do cidadão, prendia o 'carrinho' constantemente. Como colunista do Jornal da Manhã abracei a causa da gurizada e a coisa começou a mudar.


Na Associação Empresarial de Criciúma (ACIC) o esporte passou a ser comentado. Falava para os empresários do nicho de mercado e das empresas da região que ganhavam com o estilo street de roupas. “O Brasil exporta o truck (eixo) do skate”, comentava orgulhoso para que mudassem a visão recorrente sobre o esporte.


Num domingo à tarde eu ia para a redação do jornal com um disquete no bolso para baixar a coluna de segunda-feira. Em certa altura, no bairro Próspera, ‘pedalava’ meu skate, quando um cidadão passou num Chevette branco e gritou da janela: “Vai trabalhar vagabundo!”. Como ciclista ainda hoje ouço, assim como meus colegas do pedal, esse tipo de manifestação.


Durante oito anos lutei pela construção da pista ali no Parque Centenário. Foram muitas reuniões e do começo ao fim uns raros acompanharam em todo o tempo. A cada ano mudavam os companheiros de luta. Na primeira vez que fui num campeonato não sabia nem o que era um shape. A gurizada me olhava estranho porque não era da tribo.


Nesse tempo realizei com outros camaradas dois campeonatos de skate e ajudei num outro, levei guris para dois eventos em Florianópolis, dormi em hotel de putas para economizar e busquei recursos para irem a Novo Hamburgo, num dos maiores do país. Propus a inovadora criação de equipe municipal e tentei a criação de uma escolhinha. Também fui o único da região no 1º Congresso Brasileiro de Skate em São Paulo (2002). Na ocasião conheci Bob Burnquist, Marcelo Negão e César Gyrão, ícones do esporte no país. Para tanto vários empresários me deram grana (Eza Engenharia, Gráfica Líder e Álvaro Arns).


No caso da escolinha a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) me tratou com tal desprezo que hoje, ao ver sua propaganda dizendo-se comunitária, suponho, deve ter mudado muito sua postura.


Faço este registro porque não quero cair no esquecimento. Privei minha família da minha presença e tive muitos gastos. Além disso, olho para tantos colegas de imprensa que são ‘defensores’ da coisa pública e não os vejo abraçar causa que não lhes dê ainda mais mídia e elogios, quando na realidade não movem um dedo sequer.

Por fim, registro o empenho de Daniel Bristot pelo skate. Um dos poucos, senão o único, que abraçou este esporte em Criciúma como um investimento para a vida. Desejo a ele todo o sucesso possível.

domingo, 3 de julho de 2011

DESRESPEITO NO FACEBOOK (e outros...)

“Cada um tem sua opinião”. Isso é lógico e básico em qualquer relação. Porém, é constante o pedido de “respeito” diante da divergência de opinião. Ainda mais contundente quando é o caso da condenação de uma opinião.

Haveria algo por trás disso? Sim, há!

Quando há a discordância de uma idéia não há necessariamente o desrespeito. Aliás, não há qualquer traço de desrespeito. O desrespeito está em, sob o argumento do respeito, sugerir-se e até impor o não contraditório. Sem que percebam, os que não admitem o pensamento contrário, pedem o silêncio do opositor. Isso, deveras, é um ato de desrespeito similar às ditaduras. Querem apenas as manifestações de apoio. É negar do direito do contraditório.

Tenho notado a dinâmica das discussões no Facebook. Primeiro alguém adiciona um texto. Em geral pensamentos parciais e extremamente superficiais. Em seguida outro apresenta um contraponto. É estabelecida a discussão. Em dois ou três posts é reivindicado o “respeito” à opinião alheia. Fica evidente que não é o caso do respeito, mas da falta de argumentos ou da impaciência. Pois, se diante do primeiro contraditório é feito silêncio houve o tal respeito tão requerido. A coisa continua porque vem a defesa do que foi dito inicialmente.

Ora, se um tem que respeitar a opinião do outro, o outro tem que respeitar a opinião do um...

Afinal, onde está o problema? Primeiro, não fomos educados para a discussão. Fomos instruídos em fugir disso e não disputar ideias. Acontece que isso é tolice, já que na escola, assim como na família, haverá o embate. Como não temos o treinamento vamos para o bate-boca. Segundo, além de todos terem opinião sobre tudo, está o caso de não se ter conhecimento sobre o que se discute. Está claro que qualquer motorista de ônibus, frentista, empresário, médico e professor sabe dar jeito no mundo, principalmente na política. É evidente que não têm noção das implicações de suas idéias, tampouco na dimensão dos problemas. À medida que o mundo vai ficando menor, do país pra cidade e da cidade para sua própria casa, as soluções ficam inversamente proporcionais ao ponto de não saber coordenar nem a arrumação da casa.

De minha parte, mais que reivindicar um tal respeito burro, estúpido, é necessário a busca das ferramentas diante das divergências e dos problemas.

Uma delas, talvez a mais difícil, é ouvir o outro. Segundo, entender que as possibilidades, os demais ângulos de visão, não são, necessariamente, uma condenação, mas uma complementação. Terceiro, suspeitar que o outro pode estar certo. Quarto, mais que firmar posição, podemos estar diante da possibilidade de aprender coisa nova. Quinto, buscar dados num mundo cheio de informações é um prazer, não um problema. Sexto, identificar o que é de fato importante, necessário e útil no tema. Por fim, discussão não é queda de braço!

Não raro o que se vê nas discussões em família, mais que a busca de solução é achar um culpado. Ah, é daí? São duas coisas distintas. A solução vem antes, bem antes, de identificar o culpado, se há um culpado e se houver a necessidade de se culpar alguém, quanto mais estabelecer uma punição.
Reconheço que é complicado ter paciência diante de alguns absurdos.

Discutir ideias não é discutir pessoas. E quando alguém descamba para o ataque pessoal... bem, desses me afasto. Devemos levar em conta que há sujeitos inaptos que, quando se veem acuados, atacam na tentativa de fragilizar seu oponente por não conseguirem com suas ideias.
Por favor, diga se houver algo além disso.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

POLÍTICO PODE OU NÃO AJUDAR ENTIDADE FILANTRÓPICA?

Burro que sou fui cavar uma discussão tola com gente tola dia desses. Alguém se manifestou dizendo que não ajudaria uma entidade de amparo a crianças em tratamento de câncer porque viu um político ajudando, ou envolvido, e fui absolutamente enfático em condená-la. Fi-lo por conhecer a entidade, sua bandeira e pessoas envolvidas. Tomei as dores para mim. Melhor que eu me indisponha com alguém do que a direção da entidade.

Depois dos ânimos acalmados (até onde pude observar) fiquei ponderando sobre o assunto. Busquei estar errado, busquei reafirmar estar certo. O caso é este: político eleito ou que tenha sido candidato pode ajudar ou se envolver em entidade assistencial etc, uma ONG qualquer e essa entidade pedir ajuda aos demais cidadãos? Todos podem ou haverá entidade que recuse ajuda?

De cara nota-se que há um jogo suscitado pelo cidadão, o de não se envolver com o político porque, suponho, o político queira se envolver com o cidadão. Isso é uma flagrante discriminação. Se discrimino é porque, em tese, considero-me melhor. Considero que o cara é sujo. Nada disso leva em consideração a pessoa em si, sua família, sua história, suas ações. É político? Não me misturo, a menos que saiba de malfeitos dele (não de ouvir falar, mas de forma comprovada). Ora, seria o caso do cidadão, esse ser puro e imaculado, acima de qualquer suspeita, de moral ilibada e ética irreparável, forçar a atenção do político aos que lhe aceitam a presença. Eis que se justificariam os apadrinhamentos.

A justificativa de não ajudar uma entidade dá-se em não beneficiar o político que apareceu por lá. Nisso está clara a relação de valores. Ora, o que a entidade quer, qual sua proposta, seus objetivos, as necessidades que quer suprir? Com certeza quem defende a não ajuda recusa-se em responder tais questões. O que está acima, o que vem primeiro? O fato do político obter vantagem eleitoral é ilegítimo? Não está na busca e no recebimento de votos a legitimidade do cargo que ocupa? Seus eleitores não querem vê-lo envolvido com lutas que beneficiam a sociedade? Creio que querem. Para que foi eleito senão para se dispor em amparar boas ações? Além disso, a vantagem eleitoral é intangível. Não há como dimensionar essa vantagem. Tampouco afirmar que se receber votos por causa disso sua eleição torna-se um mal. O sujeito que se nega o faz porque não quer que aquele político em especial obtenha essa vantagem e quer que outro obtenha. Duvido. O outro que não se envolveu com a entidade é merecedor de votos? Os cargos serão ocupados e serão melhor ocupados por políticos que não ajudam entidades? A resposta é a mais óbvia possível.

Afinal, o que quer um eleitor que pensa assim?

O único caminho é o cidadão, antes de quaisquer conclusões, buscar informações sobre a entidade, sua diretoria, pessoas envolvidas e, principalmente, seus objetivos. E, dada a ajuda, acompanhar a aplicação. Ademais, se um político estiver envolvido a ponto de obter vantagem eleitoral seria o caso de ponderar, pois o benefício da causa pode valer a pena o efeito colateral do voto.

terça-feira, 7 de junho de 2011

ESFORÇO PETISTA PELA IGNORÂNCIA



Um dos mais contundentes discursos petistas, ou da chamada esquerda brasileira, era da manutenção da ignorância do povo pelas “elites dominantes”, pela direita, pelos capitalistas e outros tantos demônios engendrados pela criatividade bestial de políticos de bosta. Porém, a educação no país sempre andou, lentamente, mas andou. Não há registro de fechamento de escolas como estratégia política, tampouco de restrições institucionais do acesso à escola, senão por circunstâncias muito peculiares, como a distância, por exemplo. O esforço pela educação levou até rincões as escolas multisseriadas, mesmo que longe do ideal que todos almejávamos, dentre tantas alternativas.
Os sucessivos governos foram atrozmente perseguidos pelo discurso do flagelo imposto pela ignorância como fruto do caso pensado, da política da dominação e por aí em diante. Essas aberrações iludiram mais do que proveram consciência. Enganaram mais que elevaram o conteúdo do brasileiro a níveis de conhecimento que os fizesse contrapor os demais cidadãos de países vizinhos, ou ainda pior, dos chamados desenvolvidos.
Mas o tempo revelou quem queria mesmo a ignorância do povo: o PT. Num caso mais de burrice do que sutileza marxista, o governo, sob o comando da corja, eclode três casos para os quais não encontro adjetivos: kit gay, “os livro” e 10-7=4.
Afinal, quem quer um povo ignorante e despreparado para enfrentar a concorrência internacional? O PT não será capaz de mudar a lógica capitalista e as empresas continuarão necessitando de pessoal capacitado. Ao que parece o PT, para se manter no poder, planeja uma legião de gentes aptas a limpar o chão e servir o cafezinho. Gente cega que só verá as benesses do governo que manterá no poder.
Há salvação? Espero que sim. Ah, espero mesmo que sim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ROMANNA REMOR X SILVIO ÁVILA

Por não observarmos detalhes nosso voto pode ser comprometido. Nossa visão sobre o candidato pode ser obscurecida. Por esses dias um detalhe, aparentemente longe da vasta maioria dos criciumenses, dos que votam em Criciúma, foi o caso envolvendo a obra da Unidade Básica de Saúde da comunidade da Quarta Linha.
A coisa veio a público com a manifestação da vereadora Romanna Remor (DEM) postando vídeo na internet e fazendo ruidoso comentário na tribuna da Câmara no dia 22 de março do corrente, onde acusou a prefeitura de abandonar a obra da USB, parada havia seis meses, segundo ela. Na ocasião o líder do governo, vereador Itamar da Silva (PSDB), fez ‘oposição’ à manifestação ao dizer que a edil estava equivocada. Um dos argumentos dele foi de que a Unesc havia feito um laudo sobre a obra, constatando irregularidades e que a prefeitura havia suspenso o contrato com a empreiteira. Romanna, por sua fez, fez contato com a Unesc e verificou que nada fora feito pela instituição.
Recebi da vereadora pelo Facebook: “Na ocasião, o Vereador Itamar respondeu que a obra havia parado em função do convênio da Prefa com a Unesc, pelo qual técnicos da Universidade recomendaram a paralisação. Fui averiguar. E adivinha? Mais uma M-E-N-T-I-R-A deste Governo. Pedi informações oficiais à Unesc que, até abril deste ano, não tinha sido sequer solicitada a avaliar aquela obra. Uma semana depois do vídeo e da repercussão, a obra foi retomada. E cancelar um contrato e convocar 2º colocado não leva meses, né.”
Em contato com o secretário da Saúde, Sílvio Ávila Jr., recebi as seguintes informações devidamente documentadas. Documentos que tive acesso com exclusividade:
·         Dia 27 de agosto de 2010 a Prefeitura de Criciúma notificou a empreiteira pela lentidão na obra, o que acarretaria em não cumprimento do prazo contratual, a qual teria cinco dias úteis para apresentar defesa na Comissão de Descumprimento Contratual;
·         Dia 16 de novembro de 2010 o corpo técnico da secretaria de Obras emitiu laudo comprovando as irregularidades da obra (vigas tortas, reboco mal feito etc), com muitas fotos. Novamente a empresa foi notificada;
·         Como nenhuma defesa foi apresentada a prefeitura emitiu documento no dia 28 de janeiro de 2011, ordenando a paralisação e cancelamento da obra sem, no entanto, que a empresa assinasse a notificação. Inicia-se aqui o processo jurídico.
·         Em 22 de março Romanna faz sua manifestação no Legislativo, um dia após postar na internet um vídeo do local;
·         No dia 15 de abril a segunda colocada, ConstruHab de Tubarão, inicia os trabalhos.
Foi a própria comunidade que fez a denúncia das más condições da construção da Unidade. Fato confirmado pelo presidente do Conselho Municipal da Saúde e morador da localidade, Flávio Darós. “Cada passo foi comunicado ao Conselho Comunitário de Saúde”, acrescentou Ávila.
Note que há um desencontro cronológico entre Romanna e Ávila, além da informação desconcertante envolvendo a Unesc protagonizada por Itamar da Silva (que se mostrou desinformado) e pelo secretário da Saúde. Porém, o caso revela um procedimento incompatível com a função de vereador: denunciar sem documentação, sem averiguação precisa, sem o clássico ‘pedido de informação’. Esse ‘pedido’ é atribuição constitucional do vereador. Remor e Itamar sequer ouviram os representantes da comunidade. A ausência da Unesc não é o ponto principal, pois o corpo técnico da Prefeitura, com seus engenheiros, foi capaz de verificar os desmandos da obra por parte da empreiteira.
Reiteradas vezes me manifestei favorável à candidatura de Romanna Remor à prefeitura de Criciúma. Dei meu voto e manifestação pública em prol do seu desejo de ser deputada federal em 2010. Entretanto, este caso mostra uma postura repudiável da parlamentar, com uso leviano da situação, o que gera outra questão: ‘é assim que ela quer que os vereadores se comportem se chegar ao Paço?’.

domingo, 29 de maio de 2011

MULHERES LIBERADAS

Desde a descoberta, ou invenção, da pílula anticoncepcional na década de 1960, que o comportamento sexual das mulheres e, por conseguinte dos homens, mudou. Ficaram menos controladas, ou receosas, para o sexo. Porém, o que se vê hoje são mulheres que ainda mantém muitas restrições para ter relações sexuais. Essas restrições fazem parte do ritual do acasalamento. O que chamam de romantismo é o tempo e esforço para observar, analisar e ter “certezas” sobre o macho antes do ato.

Todos os detalhes podem sofrer das exacerbações comuns ao gênero humano. Por exemplo, uma mulher que analisa a saúde do homem, mais que seu caráter, poderá muito bem se entregar a um jogador de futebol. Outra, visando garantir a subsistência da prole buscará um bom provedor, mais que um belo homem. Essas coisas não são claras na mente quando estão acontecendo, no flerte ou na convivência. Mas fazem parte da busca pelo parceiro. Mais ou menos como o homem que instintivamente busca uma mulher com belas curvas, sinal de saúde e fertilidade.

Esse ritual é complexo e vai desde aspectos de personalidade, comportamentais, até aos dotes físicos (simetria e proporcionalidade = beleza). Elas são, em geral, muito mais seletivas que os homens. Na história esse lado feminino foi abafado pelos costumes de arranjar casamento de muitas culturas e que ainda perduram nos conselhos dos pais sobre como deve ser o marido da filha. Para o macho basta ter uma buceta que é meio caminho andado.

Mas o que houve para terem continuado com a “seleção” de sempre? Instinto. O básico, irrefutável e restritivo instinto.

Daí vem a questão que me parece de resposta clara e de forma absurda é negada: os costumes não seriam uma dimensão consciente do que é animal? Tenho como certo que muitos dos nossos costumes, ao longo da existência, são fruto direto do nosso lado animal. No caso do instinto do macho de cuidar da fêmea levou ao “aprisionamento” dela. A ânsia da fêmea de ter um macho que dê alimento à prole leva às “Maria-Gasolina”, sendo o carro um símbolo de poder econômico que é, invariavelmente, a capacidade de trazer a subsistência.

Ao retroagir em cada aspecto da nossa intrincada existência em sociedade vejo o animal que resiste em nós. As mulheres, animais como os homens, mantiveram vívidas suas observações, critérios e testes. Dessa forma penso que a razão trai muitos quando o assunto é machismo, feminismo, natureza humana, feminilidade, casamento e filhos. Sim, ninguém saberá responder objetivamente do porquê de desejarmos filhos.

Por fim, não raro, mulheres bem sucedidas, financeiramente tranquilas, desejam um homem que lhes dê a sensação de proteção. Tudo muito animal!

sábado, 14 de maio de 2011

O FRUTO DA ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTOS

“E já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” (Mt 3.10)
“Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.16-20)

A Bíblia não contém qualquer ensino claro sobre preservação ambiental. Pelo contrário, prega o fim do mundo, a destruição completa do nosso planeta com a instalação do Reino de Jesus – o filho assunto ao lugar do Pai. Mesmo que na época em que foi escrita não houvesse necessidade de alertas ambientais haveria nas profecias esse ingrediente. Doutra forma, em apregoar o fim poderia ser o caso de não nos preocuparmos com este mundo e destruí-lo sem remorso. Afinal, o que interessa mesmo para o cristão é a vida além dessa vida.

Nos textos bíblicos acima, pelo menos, vê-se a menção das árvores e seus frutos. Os contextos do evangelho de Mateus, tanto no capítulo três, quanto no sete, são do homem como árvore e os frutos como suas ações, boas ou más. Mas também alerta para a condenação de quem não dá bom fruto. Além da identificação da árvore pelo fruto. Evidente que são relações supostamente espirituais. Entretanto, partem do que é natural e por isso podemos ter a visão do que é natural permeando o discurso espiritual.

Há muitas figuras nos evangelhos, provavelmente usadas de forma a tornar o discurso mais didático, relacionado com o cotidiano dos ouvintes. Eis que, em se tratando de árvores, há o claro apelo aos homens se tornarem como árvores frutíferas.

Porém, o que se entende por fruto? A sombra num dia de calor não seria um fruto? Os galhos que abrigam ninhos não seriam frutos? As muitas matérias-primas de madeiras, como a borracha da seringueira, não seriam fruto? A lenha produzida não seria fruto? O abrigo e alimento a insetos não seria fruto? A fixação do solo com suas raízes, evitando erosão, não seria fruto? As folhas fornecendo alimento a mamíferos, aves, répteis e estes sendo alimentos para outros não seria fruto? A queda das folhas que produzem substratos não seria fruto? A produção de oxigênio pela fotossíntese não seria fruto? Nesse sentido você é capaz de conceber que haja alguma árvore que não dê bom fruto? Que árvore produziria fruto ruim se até em sua morte servirá de adubo e alimento para outros seres vivos?

Conhecemos uma árvore apenas pelo fruto como indica Jesus? Claro que não. Conhecemos as árvores não só pelas folhas ou caule, mas por sua relação com o meio-ambiente. São, inclusive, divididas em ‘famílias’, por tipos de raízes etc. Seria esse ‘conhecer’ algo diferente do que entendi? Pode ser, mas também na forma que entendi.

Na total impossibilidade de uma oliveira produzir melancias está na fala de Jesus um fatalismo sórdido: uns nasceriam para serem maus e outros para serem bons. Além disso, cai na vala fétida da dicotomia superficial, comum às mentes limitadas: dividir os seres humanos em bons e maus. Ora, somos ruins e bons em muitas e intensas formas. Coisa de uma obviedade abissal.

Está mais que evidente que Jesus, ao tentar explicar uma verdade espiritual ou social, mostrou seu próprio conceito do que é natural ou da intrínseca relação das árvores no ecossistema. Aliás, Jesus tinha consciência do que seria o ecossistema? Com certeza não. A consciência de que um simples arbusto é imprescindível para a manutenção do planeta passa longe da visão do fundador da maior religião da história. Tal consciência, a que temos hoje, levá-lo-ia a um discurso completamente diferente ou com exemplos diferentes.

Por fim, está implícito que, qualquer cristão que se preze, estaria “autorizado” a olhar para as árvores somente pelo do fruto (fruta) gerado. Ao lançar a árvore e homens supostamente maus no fogo, sob a ótica do fruto, não percebe todos os mundos neles contidos.

Quem determina o que seja um fruto bom e como identificá-lo? Pais que cuidam de sua prole dão bom fruto, mesmo que não estendam suas mãos aos sofredores do mundo. Uma pessoa que nasce com problemas tais que tenha que ser servida até que morra produz bom ou mal fruto? Um profissional que exerce com dignidade e honradez suas atividades dá bom fruto. Porém, como classificá-lo se não dá atenção devida à esposa na alcova?

Suponho que uma prostituta ao dar prazer aos seus clientes seja uma árvore frutífera. Como pretender que um agricultor que cultiva coca na Bolívia e, assim sustenta sua família, possa ser classificado? Um policial que trabalha para a segurança de todos nós, com toda a honestidade, numa troca de tiros com bandidos, acerta também um inocente, deu bom fruto?

Diriam alguns que esses frutos a que Jesus se referia são espirituais. Pode ser. Só que tornam a avaliação ainda mais complexa.

Enfim, dada a limitação dos textos e ainda mais limitados os discursos deles advindos do púlpito, creio que o Filho de Deus não diria tal absurdo, ou uma verdade tão meia boca como esta. Pensar nessas afirmações como ''sabedoria divina'' é colocar Deus num patamar dos mais paupérrimos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"... e não teria ECA que o protegeria de mim."


Perdi as contas de quantas vezes fui na escola apagar incêndios provocados por meu filho caçula. Desde o prezinho!
Em três oportunidades fui na sala e perguntei aos colegas como ele se comportava. Houve um certo constrangimento, mas surgiram as vozes representantes dos demais. Numa das oportunidades uma menina falou: “O Henrique é muito legal. Mas ele também incomoda demais. A gente gosta dele”. Perguntei que tipo de coisa ele fazia. “Ele coloca o pé no caminho pra gente tropeçar”, dentre outras coisas. Na última vez a coisa foi mais grave porque reagiu a uma professora, tirando sua autoridade.
Em nenhum momento dei cobertura aos seus malfeitos, jamais passei a mão na cabeça, jamais os errados foram os colegas ou professores sem uma avaliação. O caso é que a maioria dos pais dá cobertura às coisas erradas dos filhos para sofrimento dos colegas de rua e de escola.
Minha filha certa vez comentou que um dos meninos estava importunando-a. Ouvi sem demonstrar apoio a ela, tampouco contrariei. Passado um tempo duas coleguinhas faziam tarefas com ela em minha casa e tocamos no assunto. As meninas esclareceram ainda mais a situação. Fui na escola. Entrei na sala e perguntei a todos o que aquele guri andava fazendo. Várias meninas falaram que ele, dois anos a mais que a média da sala, agarrava-as no intervalo de aulas etc. Foi então que me dirigi a ele e disse, com dedo em sua cara, que se fizesse mais aquilo se veria comigo e não teria ECA que o protegeria de mim. O problema acabou.
Com meu filho do meio a coisa foi bem diferente. As professoras reclamavam dele e fui muitas vezes à escola. Fiz várias coisas de que me arrependo pela dureza da disciplina que usei. Ele era vítima de alguns outros guris que batiam nele. Somente soube anos mais tarde. As professoras e nós só víamos suas notas ruins. Cheguei a chorar na sala da orientadora pedagógica. Estava decepcionado comigo mesmo. Não sabia o que fazer. Passou um tempo e comecei a cobrar alguma atitude da professora. Ela me parecia fora de sintonia com seus alunos. Nada sabia de sakte, por exemplo. Foi então que a orientadora deixou escapar que a professora estava em fim de carreira, que não podiam fazer nada etc. Levantei e disse: “Ou dá um jeito na professora ou não me chame mais aqui”. Nunca mais me chamaram e meu filho perdeu dois anos em seus estudos.
No primeiro caso citado eu dei um ultimato. Disse que se meu filho saísse para o recreio sem colocar as tarefas atrasadas em dia não me chamassem mais. Acompanhei um tempo e vi que as tarefas andavam lentamente. Um dia perguntei se estava indo para o recreio. Disse que sim. Liguei para a escola e cobrei a decisão tomada. Deram uma desculpa de que o guri estava ficando sozinho na sala de aula etc. Então eu disse: “Não me chamem mais”. E não me chamaram.
Não falei de bullying? Falei sim. A questão é que os pais se distanciam dos filhos e a escola não dá respaldo. Os professores e direção não recebem treinamento, tampouco a faculdade que fazem dá alguma orientação. Não há, definitivamente, qualquer ação inteligente para essas crises que resultam em ‘bullying’ ou qualquer outro conflito.

sábado, 23 de abril de 2011

PROPOSTA DE NOVOS LEGISLATIVOS

O modelo atual dos legislativos não é representativo, com algumas exceções como alguém eleito por um grupo específico; sindicalistas e policiais mais precisamente (nesse caso há um deputado estadual em Santa Catarina com história na PM).

Câmara de Vereadores de Criciúma volta a ter 21 vereadores a partir da próxima eleição. É um dos exemplos que devem se repetir por todo o país. Uma das razões é que não se sabe a quantidade de vereadores para que a cidade seja atendida. Tampouco sua função é clara e, menos ainda, o povo tem consciência das possibilidades. Criou-se a ‘consciência’ de que são uma despesa inútil, antro de ladrões e coisas que não ajudam em nada.

Faz alguns dias perguntei a algumas pessoas se acompanhavam o trabalho dos legisladores, pelo menos via sites. Nada. Ora, se não tenho tempo para entrar num site e vasculhar como posso considerar a possibilidade do serviço não feito? Nossos legislativos são exemplo de nível de informação pela internet para que o povo os ignore, ou meia dúzia de interessados acompanhe.

Não seria o caso de pensarmos um pouco mais sobre nossos legislativos? Representar significa o quê? Como isso se processa? Você tem necessidade de ser representado?

Representar politicamente significa levar minhas ideias e necessidades adiante, exatamente como eu faria. Porém, somente os grupos organizados podem ser ouvidos. O povo, disperso como está em sua voz, não tem como ser ouvido. Eis a questão. Somente organizados em grupos de interesses que podemos ser representados. As muitas associações espalhadas pelo país dão conta dos nossos muitos interesses e necessidades: de donas de casa a transplantados, de ceramistas à atletas, pescadores, servidores públicos.

Qual o mais importante, o que é fundamental numa democracia, o voto ou a representatividade? Não temos os dois ao mesmo tempo. O caminho dos nossos legislativos está equivocado. Hoje o ato de votar está acima da representatividade. É uma inversão de valores absurda criada em nome de uma democracia sem sustentação.

Acima do voto, que já mostrou ser extremamente limitado e vicioso, está a representação legislativa. O Congresso, Assembleias e Câmaras de Vereadores deveriam ser compostas por representantes de seguimentos organizados da sociedade que são efetivamente focados no cidadão. Assim se formam os conselhos. Nem precisaríamos do voto direto. A medida que a base se organiza e envia seus comissários a representação se dá. O ocupante do cargo teria a quem prestar contas diretamente. Muito tempo e dinheiro deixariam de ser gastos em campanhas. A corrupção, endêmica, seria mais controlável porque jamais acabará. A despeito dos sindicatos de trabalhadores serem, em geral, incompatíveis com o progresso do país e de seus próprios sindicalizados, currais de disputas mesquinhas. Porém, se são assim é por omissão de quem deveria primar pela boa conduta de seus representantes. De qualquer forma a pluralidade de nossa gente estaria onde deve estar: na gestão das leis e na fiscalização dos executivos. Hoje isso é possível, tal os arranjos sociais que temos.

Essa representatividade é possível? Claro que é. Quem poderá realizar a mudança senão os próprios políticos forçados pela sociedade. Mas a sociedade quer? Com certeza não. Não quer porque não sabe. Por isso lanço o desafio de fazer essa ideia ser discutida, pois tenho convicção plena que é um modelo muito melhor do que o atual.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A ORIGEM DA EXPRESSÃO 'VANDALISMO' (Apresentado em aula de História Antiga)

VÂNDALOS E VANDALISMO


André “Roldão” Souza

Mariane Amboni Marcelino
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
História (HID 0130)
18/abril/2011


RESUMO

Consideramos neste trabalho a possibilidade de esclarecer a origem do termo vandalismo. Para tal fez-se necessário estudar não o momento em que a palavra foi cunhada, mas porque ela foi cunhada. Nesse sentido foi buscado a origem do povo Vândalo, sua trajetória pelo mundo da história antiga, suas lutas, conquistas e seu derradeiro desaparecimento. Na Introdução, além das questões a serem respondidas pela pesquisa, há uma breve relação com outras ações humanas ao longo da História. Em seguida o povo, ou povos Vândalos, são e localizados em sua origem e depois em suas migrações. Além disso, há a referência a conquista de Cartago, como fato singular no modo de conquistas que permearam o surgimento e declínio de grandes centro do passado. Na conclusão é feita uma análise da construção da palavra e seu uso hodierno dentro da dinâmica das línguas e seus constantes, espontâneos e incontroláveis neologismos. 

Palavras-chave: Vandalismo. Bárbaros. Roma. África.

1 INTRODUÇÃO


A História sempre será reveladora. Nesse contexto se vê o vandalismo de hoje grassando nas ruas, em prédios públicos e privados, em eventos esportivos, nas escolas etc, e a origem da expressão. Esse “ismo” de hoje reflete o total desrespeito para com o alheio como uma filosofia de vida, ou um estilo de vida, ou mesmo como espasmos momentâneos de submissão ao grupo que pertence o agressor. Imortalizada como sendo uma ação de destruição é resultado de um episódio na história protagonizado pelos Vândalos.

Quem seriam esses Vândalos e o que fizeram para entrarem para a história de modo tão jocoso? Teriam feito algo ainda mais aterrador que os Romanos ao destruírem Jerusalém no ano 70 d.C.? Seriam mais furiosos e insanos que os Hunos sob o comando de Átila? Pilharam mais que os espanhóis ao império Inca? Teriam tido mais desprezo pela humanidade que os comunistas nas ordens de Stalin ou Mao Tsé-Tung?

Diante dessas e de outras questões vamos estudar o há de conhecido desse povo. Vamos tirar da História informações para responder quem eram, como viviam, seus feitos e como desapareceram. Dessa forma teremos, não somente entendimento etimológico, mas também daremos mais um passo em direção a nós mesmos e as possíveis eternizações de fragmentos das nossas vivências.


2 CARACTERÍSTICAS DO POVO VÂNDALO


É consenso entre os historiadores que os Vândalos são de origem germânica (bárbaros) e tenham surgido na Escandinávia, provavelmente onde é a Noruega de hoje, no primeiro século do calendário cristão. Em sua história é facilmente identificada a migração provavelmente em função de divisões internas, necessidades de locais mais apropriados para seu sustento e impelidos por outras tribos. Os vândalos tiveram duas tribos mais significativas: os Silingos e os Asdingos. Contudo, não há informações claras sobre o modo de vida, culinária, artes ou mesmo heranças que poderiam ter deixado à humanidade.

Da Escandinávia passaram pela Gália, península Ibérica e chegaram ao norte da África. Estiveram também onde hoje é a Romênia. Nesse percurso por séculos enfrentaram e foram aliados do Império Romano, se viram ameaçados pelos Hunos de Átila e lutaram contra outros germânicos, com os quais também realisaram alianças, num claro dinamismo político.

Seu fim se deu sob o ataque do imperador romano Justiniano que, se aproveitando de um momento de fragilidade política desse povo, enviou para a “África um corpo expedicionário, comandado por Belisário que, aproveitando o apoio dos Ostrogodos da Sicília e dos povos indígenas africanos, derrubou em pouco tempo o reino dos Vândalos (junho de 533 - março de 534), que saíram assim definitivamente da História”[1].

Os primeiros registros escritos a seu respeito se deram no confronto que tiveram com o exército do imperador Marcos Aurélio, ao atravessarem o rio Danúbio em direção ao sul, no território onde hoje é a Alemanha no ano 270.


3 MIGRAÇÕES

Sua primeira migração se deu para o sul no início do terceiro século, quando chegaram ao Danúbio. No ano de 270 foram expulsos para outra margem desse rio inaugurando um misto de vontade de expandir ou conquistar com a pressão exercida por outros povos. Também foram tratados pelos romanos como bárbaros, identificação dada a quem não pertencia ao Império. Em sendo assim, habitaram as extremidades do Império Romano.

No início do século V chegaram à península ibérica. Nessa época já estavam cristianizados. Entretanto, seguiam a alinha ariana da fé cristã. Nessa concepção Jesus não tem natureza divina, numa negação clara da Trindade. Essa posição doutrinária foi fortemente atacada pela igreja, tão logo obteve poderes para tal com a conversão do imperador Constantino, no início do terceiro século no nosso calendário.

O grupo que chegou onde é a Romênia atualmente foi atacado pelos Hunos, sob o comando de Átila. Forçados, migraram para oeste. Em seu caminho estavam os Francos. Depois do confronto com os Francos atravessaram os Pirineus e chegaram em 409 à península Ibérica. Ali se estabeleceram, dominando a região, graças ao sistema de concessões dos romanos chamado Foederatti, em que os povos bárbaros recebiam terras e em troca forneciam homens para o exército. Nesse tempo Gunderico era rei dos Vândalos Silingi. Seu meio irmão Genserico decidiu formar uma esquadra e através do Estreito de Gibraltar chegou à África em 429.

O primeiro registro de saques realizados pelos Vândalos se deu por volta do século IV após um confronto com os Francos. Dessa batalha saíram mortos cerca de 20 mil Vândalos e sua vitória foi possível graças à ajuda de outro povo bárbaro, os Alanos. Essa união com os Alanos propiciou a formação de um grande reino que chegou à Sicília, Sardenha e Córcega através de uma eficiente capacidade de navegação.


3 “VANDALISMO”

Na África eles protagonizaram a única dominação de uma cidade na antiguidade em que não houve mortes em grande escala. “Em 429, depois de se tornar rei, Genserico cruzou o estreito de Gibraltar e se deslocou a leste até Cartago. Em 435, os romanos lhes concederam alguns territórios no norte da África, e já em 439 Cartago caiu ante os vândalos”[2]. Nesse episódio a invasão se deu de forma paulatina e relativamente pacífica. Quando os cartagineses se deram conta estavam dominados.

Porém, a relação do nome Vândalo com vandalismo se deu por causa da invasão de Roma em 455, mesmo tendo recebido dos romanos algumas benesses havia algumas décadas. Por duas semanas eles atacaram a cidade destruindo, principalmente, obras de artes. Muitas delas frutos dos saques a Jerusalém e Grécia pelos romanos. Tal foi a agressão à cidade, às obras, muitas delas jamais foram restituídas, que chamou a atenção do Império Romano do ocidente em franca decadência e demais povos da época, notadamente o Império Romano do oriente.

É possível que tenha sido o maior ataque dessa natureza jamais registrado na história das civilizações, por não ter sido uma ação de conquista, mas basicamente de pilhagem. As destruições que ocorreram ao longo do tempo não foram alvo de fúria tão objetiva como nessa invasão de Roma, tampouco foram os Vândalos os únicos a atacarem Roma num período em que o império ruía e os bárbaros dominavam. Em geral, as perdas para a cultura das artes se davam como um efeito colateral aos fatos dessa natureza.


4 CONCLUSÃO

“A acepção atual de vândalo no sentido de depredador provem do adjetivo francês ‘vandalisme’, cunhado em 1794 pelo bispo republicano Grégoire, para criticar os depredadores de tesouros religiosos.”[3] Com o tempo a palavra ganhou mais peso.

Nossa cultura relaciona a depredação de obras de arte e espaços públicos à palavra vandalismo. Coisa que se vê ainda hoje, quando um bem é gratuitamente depredado por um desconhecido sem que haja, necessariamente, uma relação direta com um protesto ou coisa semelhante. “Atualmente o termo Vândalo é utilizado para identificar saques bárbaros e destruição, mas a conduta de tal povo não foi diferenciada dos hábitos dos povos antigos que também saquearam Roma, o que torna a utilização relativamente injusta[4].

Além da depredação, destruição propriamente dita, parcial ou total, surgiu a pichação, a qual também é caracterizada como vandalismo, a qual afronta sem destruir. No entanto, a relação da palavra com sua origem não chega a ser clara em nossos dias, senão para estudiosos de História.

Com este estudo resumido procuramos identificar o povo e os fatos que levaram à criação da palavra vandalismo, totalmente integrada ao nosso vocabulário e que permeia os noticiários. A criação de neologismos está em curso. É uma das características da dinâmica das ideias e das relações que ocorrem diariamente. Dos fatos aos símbolos é natural que as palavras encerrem ideias construídas coletivamente. Daí a destruição de obras de arte ser um ato de vandalismo, coisa inaugurada por um povo cuja história é tão ou mais dinâmica que outras tantas.

Mesmo o termo Bárbaro recebeu significado diverso ao original, fruto desse mesma dinâmica que vemos na formação de expressões. Por outro lado, a dominação de Cartago, norte da África, se tornou um exemplo de estratégia militar sem o morticínio que caracteriza a humanidade nessas ações. Vandalismo poderia ter tido esse significado.


5 REFERÊNCIAS


Vândalos. Infopédia. Porto, Porto Editora, 2003-2011. Disponível em www.infopedia.pt/$vandalos. Acesso em 10 de abril de 2011.

Vândalos. Wikipedia. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A2ndalos. Acesso em 13 de abril de 2011.

Vândalos. Infoescola. Disponível em http://www.infoescola.com/povos-germanicos/vandalos/. Acesso em 15 de abril de 2011.




[1] Vândalos. Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível em www.infopedia.pt/$vandalos. Acesso em 10 de abril de 2011.
[2] Vândalos. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A2ndalos. Acesso em 13 de abril de 2011.
[3] Op cit.